FAZER LOGINUm carro se aproximou bruscamente interrompendo subindo na calçada, Yusuf desceu partindo pra cima deles furioso, como um belo super herói
- Solte a moça! Os dois saíram correndo as pressas, levaram a bolsa, o celular, muito nervosa chorando, ela se agarrou a aquele homem que gentilmente a acudiu, foi quase desfalecendo, ele a amparou - Fique calma, tudo bem? A machucaram? - Vem, vamos sair daqui. Ele abriu a porta do carro como um cavalheiro, fechou, ao entrar deu um lenço de bolso para ela - Levaram sua bolsa? Documentos? Celular? Enxugando as lágrimas ela lamentou arrasada - Levaram tudo, documentos, celular, as chaves de casa. Meu cartão do ônibus. Ele se aproximou para colocar o cinto nela, reparando no quanto era bonita, até transtornada chorando - Se acalme por favor, com licença. Pra onde gostaria de ir? - Delegacia? Hospital? Cafeteria? Eu confesso que a opção de comer algo, me trás um certo acalanto, após esse roubo traumático que enfrentamos. - Porque eu me sinto roubado, como você. Ela sorriu sutilmente enxugando as lágrimas, pensando no avô - Confesso que estou com fome. E meu único dinheiro se foi. Que raiva ! - Eu realmente, estou sem sorte. Ele abriu o porta luvas - Só um momento, espera. Agora tem alguma coisa! Simplesmente lhe deu moedas, a fez rir, também rindo comentou que adorava fazer limonada com os limões que a vida lhe dava, disse enquanto dirigia, que a viu na empresa, lá dentro, ela arregalou os olhos surpresa - Sério? Trabalha lá? Eu fui fazer uma entrevista, foi bem peculiar, na minha humilde opinião de quem nunca fez outra entrevista antes, enfim. - Parece um ótimo lugar, as outras candidatas comentaram, que o salário é alto, os benefícios bons. Ele estacionou em uma lanchonete comum não muito longe de lá - Podemos comer e você específica, a questão da peculiaridade. - Oque acha? Não diga que está sem dinheiro, te emprestei uma quantia razoável. Ela tirou o cinto de segurança rindo - Grata pela doação. E aceito a gentileza! - Achei que em entrevistas, davam um lanchinho. Como eu pude me iludir assim? Ele desceu, foi abrir a porta para ela, enquanto descia, ela tirou o cardigã rasgado frustrada - Era o meu casaco preferido, me dava sorte. Ele a pegou pela mão para ajudar sair - Ou não. Já estamos juntos a um tempo considerável para trocarmos confidências. - Levo desde a infância comigo um chaveiro que me dá sorte! Mostrou as chaves e o chaveiro, era um paraquedas, foram entrando na lanchonete, estavam nas escadas, quando ele a tocou nas costas sutilmente - Espere, a etiqueta. Se fazendo de muito surpresa ela se virou puxando o cabelo enorme para a frente - Sério? Nossa. Pode me ajudar a... Ele arrancou com firmeza e um sorriso lindo - Pronto, você realmente queria essa vaga! - Caso não consiga, ao menos ficou fabulosa entre as demais candidatas. - Esse vestido, te destacou de longe. Ela foi rindo de desespero, pensando no prejuízo, pode o olhar melhor, ele era loiro, barba por fazer, um sorriso grande, o achou muito lindo e cheiroso, ele estava de calça e camisa social, se afastou após puxar a cadeira pra ela - Está com frio imagino, vou até o carro e já volto. Pode ir fazendo o pedido! - Fique a vontade para matar a sua fome. Foi saindo andando com a segurança, de quem sabia o quanto era bonito, Yusuf Hakan Kartal sempre foi um homem teimoso de temperamento um pouco difícil, sempre gostou das coisas certinhas do jeito e interesse dele. Era o único herdeiro de uma família muito rica, donos de uma empresa de meias e roupas, com um patrimônio milionário, desde pequeno ele foi instruído a se tornar o melhor em tudo, deixava de brincar para estudar, era incentivado a ser competitivo e arrogante. Com notas exemplares desde a infância tinha um histórico realmente invejável, com tanto esforço e dedicação virou o ceo de tudo antes mesmo de terminar a primeira faculdade. Sua mãe faleceu em seu parto com complicações, ele levava consigo a culpa sobre isso, e nunca desejou construir família, tinha aversão a crianças até. Ele tinha os olhos da mãe e seu pai muitas vezes se entristeceu muito com isso, ele cresceu sentindo que não era amado sentindo a falta da mãe, também por isso era o filho que seu pai sempre quis. Após ver o pai se casar refazendo a vida, ele ainda criou certa aversão a compromissos sérios, seus traumas sempre afetavam as relações, nunca namorava sério, ele simplesmente terminava os rolos quando achava que podia ter algo mais profundo crescendo, nunca ia atrás de mulher alguma também, declarava abertamente que casar não era uma meta. Muito bonito, tinha boas companhias quando queria, sempre de seu circulo, mulheres ricas, modelos, empresárias, dispostas a curtir sem compromisso e o satisfazer, ele nunca ficava sozinho. Ele se encantou com a beleza de Arícia assim que a viu, achou delicada, posturada, discreta, ele era bem exigente com as ficantes, gostava de mulheres de temperamentos fortes autênticas, mas não chatas ou mandonas, vaidosas, mas não neuróticas, admirava cabelos chamativos, mas não artificiais demais, corpos esculturais, mas sem plásticas. Ela era tudo isso que ele sempre buscava nas aventuras lascívias, ainda era divertida e discreta, despertou o interesse dele em conquistar para ter, seu lado competitivo adora brincar e manipular as mulheres todas certinhas. A única coisa que Arícia conseguiu reparar nele, foi a boca que sorria a cada duas frases, com dentes impecáveis, ele tinha a postura certinha e pareceu de início, muito calmo, observador. Quando ele voltou colocou o paletó nas costas dela, sentou a mesa com uma florzinha roubada da decoração - Só vai ganhar a flor, se já fez o meu pedido! Ela sorriu sem jeito, reparando no relógio dele - Eu amo flores. Me desculpe, eu não sabia oque pedir. - Gosta mais de doces ou salgados? - Eu gosto de inovar, fiquei atraída por esse suco super diferente. Olha! Ele se aproximou para colocar a flor, no cabelo dela - Sinceramente eu não gosto de inovar, digamos assim, que eu como sempre as mesmas coisas. - Prefiro algo salgado! E você? - Devemos falar nossos nomes agora ou depois?Chegou o momento da partida. Yusuf já estava na recepção, acertando os últimos detalhes da conta, enquanto Arícia aguardava do lado de fora do hotel, esperando o carro que os levaria de volta ao aeroporto. Foi então que ela o viu. Estefano caminhava em sua direção, com um pequeno embrulho nas mãos.Ele a cumprimentou com beijo no rosto, disse, com um sorriso gentil que aqueceu o coração dela- Eu precisava te entregar seu presente de aniversário e me despedir.Ela sorriu, um misto de apreensão e contentamento dançando em seus olhos. Ele abriu a pequena caixa, revelando um delicado pingente em forma de lírio, feito de prata. Era lindo, singelo e carregado de significado, ele perguntou, estendendo o pingente- Posso colocar para você?Arícia assentiu em silêncio, sentindo um nó na garganta. Estefano delicadamente colocou o colar em seu pescoço. Ao terminar, seus olhos se encontraram por um instante, carregados de uma emoção silenciosa. Ele perguntou, com a voz suave e aquele gentileza h
Estefano a olhou nos olhos, um sorriso sincero emoldurando seus lábios- Eu queria saber como você estava, Arícia. Yusuf manteve contato comigo, sabia que eu me preocupava. Foi um prazer vê-los juntos, com o Taylan... vocês formam uma linda família.Havia algo na forma como ele disse "família" que fez Arícia franzir levemente a testa. Ele a via como parte de um casal estabelecido com Yusuf. Ela sorriu sem graça, tomando um gole generoso do seu drink de abacaxi.- Nós não somos um casal, Estefano.A pergunta seguinte de Estefano veio carregada de uma curiosidade genuína- Mas... por que não?Arícia confessou, um tom de resignação em sua voz- Depois de tudo que aconteceu, Estefano... eu meio que desisti dessa parte da vida. Amar, namorar, ser amada... parece algo distante, talvez até inatingível para mim agora.Estefano a olhou com uma ternura que aqueceu seu coração- Sinto muito ouvir isso, Arícia. Você merece muito mais. Sempre mereceu.Arícia desviou o olhar por um instante, buscan
Em seus momentos de quietude, principalmente à noite, antes de adormecer, uma pergunta persistente ecoava em sua mente: seria possível amar e ser amada novamente? A experiência com Jardam a havia marcado profundamente, deixando uma cicatriz emocional que, por vezes, latejava. Ver fotos e posts ocasionais de seu ex nas redes sociais, exibindo uma nova vida familiar e se mostrando um pai dedicado para o outro filho, era como uma punhalada no peito. Aquele homem que ela conhecera, que havia construído uma família com ela e Taylan, parecia tê-los apagado de sua história, esquecendo completamente o filho. Essa indiferença a entristecia profundamente, reacendendo a dor da rejeição e da ausência paterna na vida de Taylan.Enquanto Arícia lutava com essas emoções silenciosas, uma onda de alegria e alívio inundou a casa. Yusuf recebeu a notícia que tanto esperavam: os exames confirmaram que ele estava curado. A batalha contra o câncer havia sido vencida. A celebração foi contida, um misto de g
A pergunta de Yusuf sobre os sentimentos de Arícia por Jardam rompeu o silêncio confortável, abrindo espaço para uma conversa franca e dolorosa. A confissão de Yusuf sobre seus erros passados e o desejo de uma nova chance tocaram o coração de Arícia, mas a cautela falou mais alto. Ela pediu um tempo para pensar, precisava processar tudo antes de tomar uma decisão tão importante.Uma das primeiras pessoas com quem Arícia desejava conversar era Estefano. Sua opinião, sua perspectiva neutra e seu apoio durante os momentos difíceis eram valiosos para ela. No entanto, para sua surpresa, Estefano não compareceu à festa de aniversário de Taylan. A ausência repentina a intrigou, especialmente quando soube, por outros colegas, que ele havia se demitido da empresa sem dar muitas explicações. Arícia tentou ligar para ele algumas vezes, mas suas chamadas não foram atendidas. Uma ponta de preocupação se instalou em seu coração, sem que ela entendesse o motivo desse afastamento tão abrupto.Em meio
Nos primeiros dias após a perda do avô, a ausência de Jardam se fez ainda mais presente nas perguntas de Taylan. Arícia, buscando distrair e amparar o filho, tomou algumas decisões importantes. Ela o matriculou na escola em período integral, contratou uma babá para dormir no trabalho e garantir os cuidados de Taylan durante suas ausências, e o inscreveu em diversas atividades extracurriculares, preenchendo seu tempo com novas experiências e aprendizados.Paralelamente, Arícia começou a assumir suas responsabilidades na empresa, sentando-se, com determinação crescente, na cadeira que lhe cabia como herdeira. Yusuf, mantendo-se próximo através de ligações frequentes, demonstrava um genuíno interesse em participar da rotina de Taylan. Ele se oferecia para buscá-lo na escola, levá-lo para passear nos fins de semana, mostrando um desejo sincero de construir um relacionamento com o filho.Por semanas, Arícia e Yusuf evitaram uma conversa formal sobre o rumo que suas vidas estavam tomando. T
Arícia seguiu para o hospital sozinha, o pressentimento sombrio pairando sobre ela como uma nuvem carregada. Ao receber a confirmação da morte de seu avô, o mundo desabou ao seu redor. A dor a atingiu com uma força avassaladora, roubando-lhe o ar e as palavras.O advogado da família, um homem de semblante gentil e voz reconfortante, amparou Arícia em meio à sua devastação. Ele cuidou dos trâmites necessários e a levou de volta para casa, oferecendo apoio e palavras de conforto em seu momento de luto.Enquanto isso, Estefano permaneceu ao lado de Taylan, zelando pelo menino com uma dedicação surpreendente. Ele o distraiu com jogos e histórias, tentando amenizar a ansiedade pela ausência da mãe. A noite caiu, e Estefano continuou ali, acordado e atento às necessidades de Taylan, demonstrando uma gentileza e prestatividade que aqueceram o coração do menino em meio à sua tristeza confusa.Quando Arícia finalmente chegou em casa, já era madrugada. Seu rosto estava inchado e vermelho pelas







