LOGINPoucos dias antes do casamento, Manuela Ferraz descobre que o homem com quem pretendia passar o resto da vida a traiu. Henrique admite. Mas existe algo que a machuca ainda mais: não aconteceu na noite anterior. Ele teve tempo para contar. E escolheu esconder. Manuela cancela o casamento e, incapaz de suportar perguntas, explicações e olhares de pena, faz uma mala e se hospeda sozinha em um hotel de luxo. Ela quer alguns dias em que não precise ser noiva, filha, profissional ou mulher traída. Quer simplesmente ser Manuela. No bar do hotel, conhece Vicente. Ou acredita que conhece. Eles estabelecem um acordo: Sem sobrenomes. Sem profissões. Sem perguntas sobre o passado. Durante alguns dias, existem apenas Manuela e Vicente. Até a Suíte 804. O que Manuela não sabe é que Vicente reconheceu quem ela era desde o primeiro encontro. Semanas depois, quando retorna à vida profissional e entra em uma das reuniões mais importantes de sua carreira, encontra o desconhecido da Suíte 804 sentado à mesa. Seu nome completo é Vicente Albuquerque. E diante de todos ele estende a mão para ela e diz: — Prazer em conhecê-la.
View MoreCapítulo 1
Faltavam sete dias para o casamento quando Manuela Ferraz descobriu que oito anos de relacionamento podiam caber dentro de uma tela de celular. Ela estava descalça no apartamento que dividia com Henrique, cercada por caixas de lembrancinhas, sacolas com presentes e uma lista de coisas que ainda precisavam ser resolvidas antes do sábado. Na mesa de jantar, cento e vinte pequenos cartões aguardavam para serem colocados junto aos bem-casados. Manuela e Henrique. Os nomes impressos em dourado pareciam zombar dela. — Manu, você viu meu carregador? A voz de Henrique veio do quarto. — Na bancada da cozinha. — Não está. Ela soltou um suspiro. — Então olha na sua mochila. Manuela voltou para o notebook. Ainda precisava confirmar o horário em que o carro buscaria seus pais no hotel. Seu próprio celular vibrou. Isabela. Você está viva? Manuela sorriu. Por enquanto. Se mais uma pessoa perguntar se estou nervosa, talvez deixe de estar. A amiga respondeu imediatamente. Noiva simpática. Adoro. Manuela estava digitando quando ouviu outro celular vibrar. O de Henrique. Estava sobre o aparador. Ela nem teria olhado. Em oito anos, nunca precisara olhar. Henrique sabia sua senha. Ela sabia a dele. Não porque fiscalizassem um ao outro, mas porque nunca existira motivo para esconder. O aparelho vibrou novamente. Uma prévia apareceu na tela bloqueada. Manuela viu apenas algumas palavras. E parou. ...não devia ter acontecido. Ela franziu a testa. Talvez fosse trabalho. Talvez algum problema com a despedida de solteiro. Talvez qualquer coisa. O celular vibrou pela terceira vez. Eu prometi que nunca contaria para ela. O corpo de Manuela ficou imóvel. — Achou? — perguntou, sem reconhecer a própria voz. — Achei! Estava dentro da mochila mesmo. Henrique continuou falando alguma coisa do quarto. Ela não ouviu. Seus olhos permaneciam sobre o telefone. A pessoa que enviara as mensagens não estava salva pelo nome. Apenas um número. Manuela pegou o aparelho. Não sentiu culpa. Sentiu medo. Digitou a senha. A mesma de sempre. A conversa estava aberta. As primeiras mensagens eram recentes. Depois havia meses de silêncio. Manuela subiu a tela. Uma fotografia apareceu. Não havia nada obsceno nela. Talvez tivesse sido menos doloroso se houvesse. Henrique estava sentado em uma cama de hotel. Sem camisa. Sorrindo. E ao lado dele havia uma mulher que Manuela nunca tinha visto. A data estava no alto da conversa. Oito meses atrás. Manuela sentiu o estômago afundar. Continuou lendo. Não muitas mensagens. Não havia declarações de amor. Planos. Encontros secretos semana após semana. Havia apenas fragmentos suficientes para destruir alguma coisa. Foi um erro. Concordamos que ninguém precisa saber. Você vai casar com ela? A resposta de Henrique estava ali. Vou. Manuela soltou o celular como se tivesse queimado sua mão. O aparelho bateu no aparador. — Manu? Henrique apareceu no corredor ajeitando o relógio no pulso. Ela levantou os olhos. Durante oito anos, conhecera cada expressão daquele homem. Sabia quando estava irritado. Quando estava preocupado. Quando mentia dizendo que gostara de um presente. Quando tentava esconder uma surpresa. Naquele momento, porém, Manuela olhou para ele e teve a estranha sensação de estar diante de um desconhecido. Henrique parou. O olhar dele foi da expressão dela para o celular sobre o aparador. E mudou. Foi uma alteração mínima. Mas ela viu. A cor desapareceu de seu rosto. — Manu... Ela não chorou. Aquilo surpreendeu até a ela. — Quem é ela? Henrique fechou os olhos por um segundo. Um. Foi o suficiente. Manuela sentiu alguma coisa quebrar. — Quem é ela, Henrique? — Eu posso explicar. Um riso sem humor escapou dos lábios dela. — Então existe alguma coisa para explicar. — Não foi... Ele parou. Manuela ficou de pé. — Não foi o quê? Henrique passou a mão pelo cabelo. — Não foi um caso. — Ah. Ela assentiu lentamente. — Que alívio. — Manuela... — Faltam sete dias para o nosso casamento. — Eu sei. — Não. — A voz dela finalmente tremeu. — Acho que você não sabe. Ele deu um passo. Manuela recuou. Foi instintivo. E o movimento pareceu machucá-lo. Ela não se importou. — Quando? Henrique olhou para o chão. — Isso importa? Manuela ficou alguns segundos em silêncio. — Acabou de se tornar a coisa que mais importa no mundo. Ele respirou fundo. — Foi uma vez. — Quando? Henrique levantou os olhos. Manuela já sabia. Tinha visto a data. Mas precisava ouvi-lo dizer. Precisava saber se, pelo menos agora, ele escolheria a verdade. — Oito meses atrás. O ar desapareceu dos pulmões dela. Oito meses. Não sete dias. Não ontem. Não uma decisão estúpida tomada antes do casamento. Oito meses em que ele acordara ao lado dela. Oito meses em que escolheram flores. Provaram doces. Visitaram salões. Escolheram músicas. Oito meses em que ele poderia ter contado. E não contou. Manuela olhou para os cartões sobre a mesa. Manuela e Henrique. Cento e vinte pequenas mentiras impressas em dourado. Então tirou lentamente a aliança de noivado do dedo. Henrique arregalou os olhos. — Manu, não. Ela colocou a joia sobre um dos cartões. — O casamento está cancelado. E, pela primeira vez naquela tarde, Henrique pareceu realmente entender o que tinha feito.CAPÍTULO 123: Uma Noite Fora da RotinaManuelaNa terceira quinta-feira depois da lua de mel, cheguei em casa com os pés doloridos, a cabeça cheia de números e uma vontade quase desesperada de tirar os sapatos.A semana havia sido interminável. Dois projetos atrasados, reuniões que poderiam ter sido resolvidas por e-mail e um cliente que parecia acreditar que mudar de opinião a cada quarenta minutos era uma estratégia de gestão.Vicente não estava na sala.Dante, entretanto, veio me receber com uma animação incompatível com meu estado físico.— Oi, meu amor. Pelo menos alguém nesta casa está feliz em me ver.— Eu ouvi isso.A voz de Vicente surgiu da cozinha.Encontrei meu marido usando calça escura e uma camisa preta com as mangas dobradas. Ele estava terminando de guardar alguma coisa em uma sacola.— Você chegou cedo — observei.— Organizei minha agenda.— Milagre.
CAPÍTULO 124: Senhor e Senhora Albuquerque A primeira semana depois da lua de mel passou entre reuniões, mensagens acumuladas e uma quantidade absurda de roupas para lavar. Na sexta-feira, eu estava terminando uma apresentação quando Vicente ligou. — Boa tarde, senhora Albuquerque. Sorri ao reconhecer sua voz. — Boa tarde, marido. Aconteceu alguma coisa? — Temos um compromisso amanhã à noite. Afastei os olhos do computador. — Temos? — Um jantar beneficente organizado por um grupo de empresários. Recebi o convite antes do casamento e confirmei nossa presença. — Você esqueceu de me avisar? Houve uma pausa. — Considerei que avisar com vinte e oito horas de antecedência ainda seria socialmente aceitável. — Vicente! Ele riu. — O evento começa às oito. Traje form
CAPÍTULO 123: De Volta à Nossa CasaManuelaA mala estava aberta sobre a cama havia quase quarenta minutos, e eu continuava tentando descobrir como tínhamos conseguido trazer mais coisas das Maldivas do que havíamos levado.— Vicente, essa camisa é sua?Meu marido apareceu à porta do banheiro, enxugando os cabelos com uma toalha.— Considerando que está segurando uma camisa masculina, as chances são grandes.— Você comprou três camisas durante a viagem?— Quatro.Olhei para ele.— Quatro?— A última estava com desconto.Soltei uma gargalhada.— Vicente Albuquerque comprando roupa por causa de promoção? Preciso registrar esse momento.Ele pegou a camisa das minhas mãos e a dobrou.— Casei com uma mulher que compara preços até de água mineral. Alguma coisa precisava aprender.Sorri, observando-o acomodar a peça na mala.Nossa lua de mel havia
CAPÍTULO 122: O Imprevisto Perfeito Manuela tinha uma relação curiosa com imprevistos. Conseguia administrar uma crise profissional sem alterar a voz, mas bastava um restaurante perder nossa reserva para ela considerar a possibilidade de reorganizar o estabelecimento inteiro. Por isso, quando anunciou que havia planejado nossa tarde, fiquei interessado. — Reservei um passeio de barco para vermos o pôr do sol — explicou, enquanto passava protetor solar diante do espelho. — Com jantar a bordo. Eu estava sentado na cama, abotoando uma camisa de linho. — Parece excelente. Ela me observou pelo reflexo. — Nenhuma pergunta? — Devo fazer alguma? — Você costuma querer saber todos os detalhes. — Confio na organizadora. Manuela estreitou os olhos












Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.
reviewsMore