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Autor: aly
last update Data de publicação: 2025-04-14 05:33:32

O elevador se abriu, interrompendo seus pensamentos. O andar era moderno, decorado com livros e quadros de capas de best-sellers. O logo da Buzzy estampado na parede parecia sorrir para ela de forma quase irônica.

— Elana Lewis? — chamou uma voz feminina e em seguida deu um pigarro. — Kingsley. 

Elana virou-se e encontrou uma mulher de cabelo curto e loiro platinado, bem-vestida e com um sorriso profissional.

— Sou Alice Montclair. — a mulher estendeu a mão. — Seja bem-vinda à Buzzy. — Elana apertou a mão de Alice rapidamente e em seguida a secou na própria roupa. — Meu chefe a está esperando. Venha comigo, por favor.

Elana seguiu a mulher, sentindo o coração bater tão forte que parecia ecoar pelo corredor. Seus passos soavam amortecidos sob o tapete elegante, e tudo ao redor parecia irreal. Como poderia sua vida ter mudado tanto da noite para o dia?

Alice parou diante de uma porta de madeira escura, bateu de leve e girou a maçaneta.

— Elana Kingsley já chegou.

Elana respirou fundo e entrou. E então, o mundo pareceu parar.

Atrás da grande mesa de madeira, de pé, ajeitando as mangas do blazer, estava alguém que ela imaginava nunca mais ver.

— Gabriel...

Gabriel não era mais o garoto magricela de quem Elana se lembrava. Antes, ele mal passava dos ombros dela, tinha o cabelo ralo e um resquício de bigode malfeito que sempre o deixava envergonhado nas fotos. Agora, diante de seus olhos, estava um homem completamente diferente.

Ele era alto, tão alto que Elana precisou levantar o queixo para encará-lo direito. Os ombros largos e o porte forte pareciam prestes a rasgar o terno perfeitamente ajustado ao corpo. Os braços, definidos e marcados, denunciavam anos de academia ou alguma rotina que exigisse muito mais do que as aventuras inocentes de quando eram adolescentes.

A barba, antes inexistente, agora era cheia e bem aparada, encaixando-se perfeitamente no rosto de traços marcantes. E o cabelo, que quando criança caía liso e sem graça sobre a testa, estava preso num corte moderno, puxado para trás e amarrado em um pequeno coque samurai.

Gabriel parecia ter saído diretamente das páginas dos romances que Elana escrevia. Só que ele era real. E estava bem ali na sua frente.

— Pode sair, Alice. — a voz dele soou grave, rouca e autoritária. Bem diferente da que Elana se lembrava. Ela sentiu um arrepio subir pela espinha.

Alice assentiu, lançando um último olhar curioso para Elana antes de sair e fechar a porta.

O silêncio que se instalou foi sufocante.

Gabriel cruzou os braços, encostando-se à borda da mesa de madeira escura, sem desviar os olhos dela.

— Então... — ele começou, arqueando uma sobrancelha. — Depois de todos esses anos, é assim que a gente se reencontra? Viralizando no I*******m?

Elana mordeu o lábio inferior, sentindo o peso das palavras. O silêncio entre eles era quase sufocante. Gabriel recostou-se na cadeira, os olhos varrendo Elana de cima a baixo, como se a estudasse. Mas não havia ternura ali; só distância.

— Então... — ele começou, ajeitando distraidamente as abotoaduras da camisa — Depois de quinze anos, aqui estamos. Tão repentino quanto a sua ida.

Elana apertou a bolsa contra o corpo, buscando ar. O tom cortante de Gabriel a atingiu como uma lâmina.

— Eu não escolhi ir daquele jeito. — ela murmurou, a voz vacilante. — Meu pai me tirou daqui de uma hora para outra, eu não tive escolha.

Gabriel soltou uma risada breve, sem humor, balançando a cabeça.

— E nos quinze anos seguintes? Ainda era culpa do seu pai? Ou, quem sabe, dos correios, da internet, das linhas telefônicas?

Ela sentiu o rosto arder.

— Eu...

Elana tinha tanto o que dizer. Tanto para explicar. 

— Olha, — ele levantou as mãos, como se não se importasse — não estou aqui para discutir o passado. Não importa mais. A vida seguiu.

O jeito como ele falava, a frieza na voz, era como se cada palavra tivesse sido ensaiada ao longo dos anos. Como se ele tivesse aprendido a não sentir.

— Só estou aqui porque o vídeo viralizou e chamou a atenção da editora. — Gabriel se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa. — Eles trouxeram para mim e... você tem talento. Isso sempre foi óbvio. Mas tudo isso aqui, serão apenas negócios. Nada mais.

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Último capítulo

  • A segunda chance com o CEO   Epílogo

    Na costa gelada de Cape Cod, Massachusetts, a casa de praia de Elana e Gabriel era o ponto de encontro anual para as datas comemorativas. A construção ampla, com janelas que davam para o mar coberto por uma névoa invernal, estava decorada para o Natal, com luzes piscando na varanda e uma árvore imensa brilhando na sala de estar. Era véspera de Natal, e a neve caía suavemente lá fora, cobrindo o gramado com um manto branco. O aroma de chocolate quente e biscoitos recém-assados enchia a casa, misturando-se ao crepitar da lareira. Elana se consolidara como uma autora renomada, com cinco livros publicados, cada um mais aclamado que o anterior. Gabriel transformara a editora em uma das mais respeitadas do país, sempre com Elana como sua maior inspiração. Juntos, eles construíram uma família cheia de amor, risadas e aventuras. No quintal, coberto por uma fina camada de neve, Elana ajustava uma guirlanda na porta de correr, o cabelo com alguns fios grisalhos que ela exibia com orgulho, emb

  • A segunda chance com o CEO   207

    A capela do castelo, com suas paredes de pedra antiga e vitrais coloridos, estava decorada com elegância sutil: arranjos de rosas brancas e lavandas adornavam os bancos de madeira polida, e a luz suave que entrava pelos vitrais criava um mosaico de cores no chão. O aroma delicado das flores misturava-se ao frescor da brisa que vinha dos vinhedos, e o som de um quarteto de cordas ecoava suavemente, tocando uma melodia clássica que preparava o ambiente para a cerimônia. As duas desceram as escadas de pedra do castelo, o som dos saltos ecoando nos corredores antigos. Uma limusine branca as aguardava na entrada interna que levava diretamente à capela, a poucos metros dali, garantindo que Elana chegasse impecável. Dentro da limusine, Isabella segurou a mão de Elana, o olhar cheio de carinho. — Você está deslumbrante. O Gabriel não vai saber o que fazer consigo mesmo quando te vir. Elana riu, apertando a mão da amiga. — Só espero que ele não desmaie. — Eu também. — respondeu Isabella

  • A segunda chance com o CEO   206

    Um ano havia se passado desde aquela noite mágica no topo da Torre Eiffel, e a vida de Elana e Gabriel havia mudado de maneiras que nenhum dos dois poderia ter previsto. A turnê de leituras do livro de Elana fora um sucesso estrondoso, com multidões lotando livrarias e eventos literários em várias cidades. Era o dia do casamento, um sábado ensolarado em uma charmosa vila nos arredores de Paris. O local, um castelo restaurado com jardins impecáveis, parecia saído de um conto de fadas, escolhido a dedo por Gabriel para refletir a grandiosidade do momento. No quarto reservado para a noiva, o vestido de casamento de Elana estava pendurado em um cabide ornamentado, um modelo de renda branca com detalhes delicados. A cauda longa repousava suavemente no chão, e o véu, preso ao lado, esvoaçava com a brisa suave que vinha do jardim. Elana, no entanto, não estava se arrumando. Sentada na beira da cama, ainda de robe, ela estava absorta, o notebook aberto em seu colo. Seus dedos voavam pelo te

  • A segunda chance com o CEO   205

    Quando as portas do elevador se abriram, eles foram recebidos por um maître que os conduziu a uma mesa cuidadosamente preparada, isolada em uma área exclusiva do restaurante. A decoração era minimalista, mas sofisticada, com velas tremeluzindo e uma vista de tirar o fôlego através das janelas panorâmicas. Paris se estendia abaixo deles, um tapete de luzes que parecia pulsar com a energia da cidade. Elana ficou sem palavras, girando lentamente para absorver tudo. — Gabriel... isso é incrível. — sussurrou, virando-se para ele com um sorriso que fez o coração dele disparar ainda mais. — Só o melhor para você, amor. — disse ele, puxando a cadeira para ela se sentar. O jantar começou com uma taça de champanhe, seguida por pratos delicados que misturavam sabores franceses com uma apresentação impecável. Elana e Gabriel conversavam e riam. Ela contava histórias engraçadas das leituras da turnê, enquanto Gabriel, esperava o momento perfeito. No meio do jantar, quando o garçom servia o pr

  • A segunda chance com o CEO   204

    Elana corou, girando o vestido levemente, a saia esvoaçante capturando a luz. — Culpa da Isabella. Ela escondeu esse vestido na minha mala. — Ela riu. — Acho que ela sabia que essa noite ia ser especial antes de mim. Gabriel se aproximou, segurando as mãos dela, o olhar cheio de amor. — Ela conhece você melhor que você mesma. — Ele fez uma pausa, encarando-a de cima a baixo. — E, sim, essa noite vai ser mais especial do que você imagina. Elana inclinou a cabeça, notando algo em seus olhos. — Gabriel, você está estranho. O que está acontecendo? — Nada, só... estou ansioso para te levar para esse jantar. — respondeu ele. — Vamos? Acho que se eu passar mais um minuto nesse quarto com você, gostosa desse jeito, não iremos jantar em lugar nenhum e você será a minha comida. Elana riu alto, o rosto corando ainda mais enquanto dava um leve tapa brincalhão no peito dele. — Gabriel! Se comporta! — Ela pegou a bolsa, ainda rindo, e o olhou com um sorriso travesso. — Mas confesso que

  • A segunda chance com o CEO   203

    — É exatamente porque eu confio em você, que estamos aqui. — Elana para de andar e olha para Gabriel. — Você acreditou em mim e no meu livro, coisa que ninguém jamais fez. E é graças a isso, que hoje eu estou em uma turnê com um livro que eu amei escrever e com um projeto para um segundo livro em aberto. Gabriel ficou em silêncio por um momento, absorvendo as palavras dela, o coração aquecido por sua sinceridade. Ele sorriu, puxando-a para mais perto e apoiando a testa contra a dela. — Eu acredito em você desde que você ganhou aquele papel para ser uma arvore falante na escola. Quando você ficou com medo de esquecer todas as falas, por ter diversas pessoas te encarando. Elana, eu sempre soube que você era especial. O seu livro, a sua paixão... isso tudo é você. Eu só dei um empurrãozinho. Você fez o resto. — Ele fez uma pausa, os olhos brilhando com orgulho. — E agora, em Paris, a gente vai celebrar tudo isso. Você merece. Elana riu, a lembrança da peça escolar trazendo uma levez

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