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capítulo 45

Autor: Danny Veloso
last update Data de publicação: 2025-07-15 21:16:48

Eu ainda não fazia ideia do que tinha acontecido comigo. Tudo foi tão repentino que parece até mentira. Ele mudou de humor como quem apaga e acende uma luz. Primeiro me deu aquela missão quase impossível, me jogando no meio do fogo, esperando que eu sorrisse enquanto queimava. Eu tive que fazer do limão uma limonada – sendo bem honesta, nem suco aquele limão tinha. Eu espremei o que pude, mas o azedo ficou.

E aí, sem aviso, ele muda de novo. Suave. Gentil. Ou fingindo ser. Me manda pra casa. Ma
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  • A virgem e o CEO: casamento de aluguel    149

    A agitação começou quando minha família entrou no quarto.Eles chegaram sorrindo, felizes, falando ao mesmo tempo, trazendo uma energia tão intensa que chegou a me surpreender. Vieram direto até mim — eu ainda segurava meu bebê nos braços —, cheios de emoção, curiosidade e carinho.Minha avó foi a primeira a se aproximar.Ela tentou focar o olhar no rostinho do meu filho, com cuidado, como se tivesse medo de assustá-lo. Seus olhos estavam marejados. Eu vi aquela emoção de perto e meu coração se aqueceu. Fiquei feliz por ela estar ali. A mãe que eu tive. A representação viva de alguém que nunca me abandonou — e que eu sabia que nunca abandonaria.Meu irmão ficou mais afastado, encostado em um canto do quarto, mas também parecia feliz. Ele estava ao lado da minha melhor amiga, e os dois conversavam em voz baixa. Parecia que ela lhe dava algum conselho… ou talvez estivesse apenas ajudando a mantê-lo no caminho certo. Até então, ele vinha se esforçando: estava trabalhando, ajudando em cas

  • A virgem e o CEO: casamento de aluguel    148

    Não dá para acreditar que chegamos até aqui.Tudo parece surreal, como um sonho do qual eu não quero mais acordar. Quando me lembro do nosso início — da minha vida antes do Omar — costumo pensar em como eu era perdida, desatenta, quase fútil. Eu vivia no caos da minha própria existência, lutando todos os dias apenas para sobreviver, sem perceber que havia algo maior me esperando.Errei muitas vezes. Inclusive com ele. Omar não conhecia a verdadeira origem do nosso encontro, mas tudo o que senti sempre foi real — e agora ele sabe disso. Nada foi mentira. Nada foi vazio.E agora, com o nosso menino nos braços, eu me sinto tomada por uma emoção que não sei descrever. Jamais imaginei que teria algo assim. Uma vida tão pequena, tão frágil… e, ainda assim, tão poderosa. Uma ligação eterna. Um laço que nos une para sempre.Quando comecei a sentir que era hora de ir para o hospital, vi o homem que sempre foi tão calmo, tão centrado, se transformar em um pai desesperado, perdido, sem saber por

  • A virgem e o CEO: casamento de aluguel    147

    Eu estava muito animada.Estava indo para uma das ultrassonografias mais importantes que já fiz — e que ainda faria. Hoje era o dia de descobrir o sexo do bebê. Ou quase isso. Eu sempre dizia que não queria saber agora, que preferia descobrir apenas no nascimento. Mas a verdade? Eu estava me mordendo de curiosidade.Sou uma pessoa que gosta de planejar tudo.Já havia comprado várias coisas para o bebê, todas neutras. Bonitas, delicadas… mas, de certa forma, simples demais. Não que eu, uma pessoa evoluída, acreditasse que existam cores para meninas ou para meninos. Meninas podem usar o que quiserem. Meninos também. Isso nunca foi uma questão pra mim. O ponto era outro.Eu queria saber.Assim que chegamos à clínica, Omar abriu a porta do carro, pegou minha mão e me ajudou a descer com cuidado. Caminhamos juntos até a entrada. A clínica, como sempre, era absurdamente chique. Aquela estética limpa, sofisticada, silenciosa. Já devia ser a quarta vez que eu vinha ali.Minha barriga estava v

  • A virgem e o CEO: casamento de aluguel    146

    A casa estava alegre novamente — e Omar se orgulhava disso.Ele estava superando. Um dia de cada vez.Já haviam se passado duas semanas desde que voltaram, desde aquela conversa que havia mudado tudo. Nesse intervalo silencioso, ele vinha pensando muito. Agora que seria pai, precisava mudar algumas coisas. Na casa. Em si mesmo.Sempre fora um homem reservado, silencioso, desconfiado de tudo e de todos. Talvez mais do que deveria. A vida o havia ensinado a se proteger, e depois de ter sido manipulado, aquilo só piorou. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ele não duvidava mais das verdades que saíam da boca da esposa.Dafne não tinha mais o que esconder.Ele sabia que ela era simples, direta, e que fora pega de surpresa por uma proposta inesperada — desesperada, sem chão. Mas aquilo havia ficado para trás. Agora, ela seguia trabalhando, enquanto o bebê crescia em seu ventre, e Omar observava cada pequeno detalhe do dia a dia dela como se estivesse aprendendo a amar de novo.Ela compr

  • A virgem e o CEO: casamento de aluguel    145

    Daphne estava no quarto depois do banho, enxugando os cachos ainda úmidos, quando ouviu vozes vindas do andar de baixo. O tom não era baixo. Havia tensão ali. Peso. Ela vestia roupas simples, confortáveis, o corpo ainda quente da água. Saiu devagar, caminhando pelo corredor em silêncio, até parar no topo da escada.Olhou para baixo.E ouviu tudo.O ar parecia denso, quase sufocante. Omar estava furioso — perturbado de um jeito que ela conhecia bem. E, conforme a conversa avançava, ficou claro: o centro daquele confronto era ela.Bingo.A culpada.Daphne respirou fundo, deixando os ombros caírem lentamente. Até quando aquilo voltaria à tona? Até quando seu nome seria o fio condutor de dores que não começaram com ela?Quando o velho finalmente foi embora, o silêncio tomou a casa. Daphne desceu as escadas com cuidado. Estava descalça. Encontrou o marido parado no meio da sala, imóvel, atormentado.— Omar… — chamou, com suavidade.Ele se virou. Surpreso, mas não totalmente. Sabia que ela

  • A virgem e o CEO: casamento de aluguel    144

    Tudo parecia, finalmente, estar indo bem depois que resolveram aquela parte do problema. Omar sentiu como se um peso tivesse sido retirado de seus ombros. O medo que o acompanhava — o medo de que, a qualquer momento, Daphne se lembrasse de tudo e algo ainda mais grave viesse à tona — havia diminuído. Não desaparecera por completo, é claro. Ele não estava cem por cento. Sabia que não confiaria nela como antes, pelo menos não tão cedo. Ainda assim, por ora, ela estava feliz. E isso bastava.Conseguiu aproveitar o restante do dia ao lado dela, sem interrupções, sem interferências. Em silêncio, quase esperando que algo desse errado, porque no fundo acreditava que, de um jeito ou de outro, alguém surgiria para estragar aquele raro momento de paz. Mas, até então, nada aconteceu. Então, voltaram para casa.Daphne entendia exatamente os pontos em que Omar ainda não confiava nela. Sabia que precisaria fazer algo — ou muitas coisas — para reconquistar aquela confiança perdida. E isso não seria

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