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Capítulo 26

last update Data de publicação: 2025-12-12 04:05:57

As palavras da minha avó ficaram martelando na minha cabeça enquanto eu voltava para dentro da mansão. Não era apenas o que ela havia dito, era como ela tinha falado. Com aquela convicção calma e absoluta que só alguém que já viveu demais consegue ter.

Quando saí da biblioteca, reencontrei Camila na sala de estar, de pé, as mãos unidas diante do corpo, o vestido azul revelando mais delicadeza do que ela sabia possuir… senti o chão se deslocar sob meus pés. Ela não fez nada além de olhar para mi
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Último capítulo

  • Acordo Bilionário   Epílogo

    Cinco anos depoisO cheiro de papel novo misturado ao de café fresco ainda me fazia sorrir, mas agora ele vinha acompanhado de algo diferente, algo mais sólido.Orgulho.Empurro a porta de vidro da Entre Linhas & Sonhos com a mesma delicadeza de sempre, mesmo depois de cinco anos abrindo esse lugar quase todos os dias. O sino suave tilinta, ecoando pelo espaço amplo, vivo, iluminado pela luz quente da manhã que atravessa as janelas altas.Por um segundo, paro.As estantes de madeira clara se estendem até o fundo da livraria, organizadas com cuidado, carinho e intenção. Na parede lateral, um quadro simples reúne recortes de jornais e revistas:“A livraria independente que virou referência.”“Entre Linhas & Sonhos: onde histórias mudam vidas.”Ainda parece surreal.Cinco anos atrás, isso era apenas um sonho antigo, quase infantil, que eu guardava com cuidado para não doer. Agora, é real. Cresceu, se expandiu e criou raízes.Tem clubes de leitura, lançamentos lotados, autores que fazem

  • Acordo Bilionário   Capítulo 81

    CAMILAEu acordei antes do sol.Não foi o nervosismo que me tirou do sono, nem a ansiedade típica de um dia importante. Foi algo mais silencioso, mais profundo. Uma consciência clara demais para continuar dormindo. Como se meu corpo soubesse, antes mesmo da minha mente, que aquele dia não comportava distrações.Fiquei alguns minutos deitada, olhando para o teto, ouvindo os sons distantes da casa acordando aos poucos. Um passo no corredor. Uma porta sendo fechada com cuidado. Vozes baixas. Tudo parecia respeitar o peso do que estava prestes a acontecer.Era o dia do meu casamento.A ideia ainda parecia grande demais para ser dita em voz alta. Não porque fosse irreal, mas porque carregava muitas camadas. Muitas versões de mim mesma que nunca imaginaram chegar até ali. A Camila que teve que amadurecer cedo. A que foi julgada por escolhas que não foram totalmente suas. A que aprendeu a ser forte antes de aprender a ser cuidada.Levantei devagar e caminhei até a janela. Afastei a cortina o

  • Acordo Bilionário   Capítulo 80

    Eu soube que minha avó estava ali antes mesmo de vê-la.Talvez fosse o modo como o ar pareceu se reorganizar ao redor de mim. Ou aquela sensação antiga, quase infantil, de estar sendo observado por alguém que sempre enxergou além do que eu dizia. Dona Eliza nunca foi uma mulher de aparições discretas — mesmo quando se mantinha à margem, sua presença se impunha.Camila ainda estava absorvendo o momento.Os olhos marejados percorriam o espaço da livraria como se ela estivesse tentando gravar cada detalhe para ter certeza de que aquilo era real. A ponta dos dedos tocava o anel com cuidado excessivo, como se um movimento brusco pudesse desfazer tudo. Ela respirava fundo, pausadamente, e eu reconhecia aquele gesto: Camila sempre fazia isso quando a emoção ameaçava transbordar.Eu a observava em silêncio, com uma sensação estranha no peito. Não era dúvida. Era responsabilidade.Quando ela disse “sim”, algo dentro de mim se assentou de uma forma que nunca tinha acontecido antes. Não houve eu

  • Acordo Bilionário   Capítulo 79

    CAMILAAlgumas mudanças não chegam de repente. Elas se infiltram no cotidiano, silenciosas, até que, quando percebemos, tudo está diferente.Era assim que eu me sentia naquela fase da minha vida.Meses haviam passado desde a tempestade que quase nos engoliu. As manchetes, os olhares curiosos, os comentários sussurrados, tudo isso ainda existia em algum lugar distante, mas já não definia mais meus dias. Eu tinha reaprendido a respirar sem o peso constante do julgamento. Tinha voltado a sorrir sem culpa. E, acima de tudo, tinha aprendido a confiar novamente.Em mim. E em Leonardo.Nosso relacionamento tinha se transformado em algo calmo, sólido, construído no detalhe. Não havia mais a urgência do início, nem o medo do que poderia ruir. Existia presença. Existia escolha.Naquela manhã, eu estava sentada no sofá da sala, organizando algumas coisas em silêncio, enquanto Vicente brincava no tapete, espalhando blocos coloridos ao redor. Observá-lo sempre me trazia uma paz estranha, quase sa

  • Acordo Bilionário   Capítulo 78

    Aprendi cedo que o silêncio nunca é neutro.Ele pode ser proteção. Pode ser estratégia. Pode ser arma. E, naquela manhã, enquanto a chuva insistia em cair fina e constante contra os vidros do escritório, eu sabia exatamente qual das três coisas o silêncio em torno do nome do irmão da Camila estava sendo.Fechei a porta atrás de mim com mais força do que pretendia. O clique seco ecoou pelo ambiente amplo e impecavelmente organizado, como se marcasse o início de algo que não poderia mais ser adiado.O escritório ficava no último andar. Vidros espessos, paredes discretas, tecnologia demais para um espaço que, na maioria das vezes, servia apenas para decisões frias, calculadas, distantes. Aquela não seria uma delas.Caminhei até a janela. A cidade lá embaixo parecia lavada pela chuva, os prédios borrados, os carros pequenos demais para importar. Era curioso como, mesmo tão alto, eu nunca me sentia realmente acima de nada. Apenas mais responsável.O link da matéria continuava aberto no ta

  • Acordo Bilionário   Capítulo 77

    CAMILAA chuva começou antes mesmo de o dia clarear por completo.Não foi aquela garoa tímida que mal molha o chão, mas uma chuva firme, pesada, contínua, como se o céu tivesse decidido despejar tudo de uma vez. As gotas batiam nas janelas da mansão com força suficiente para criar um som constante, quase hipnótico, abafando vozes, passos e pensamentos.Era um dia fechado. Cinza. Um daqueles que convidam ao recolhimento.Talvez por isso eu tenha ido para a biblioteca.Vicente dormia no carrinho ao meu lado, o rostinho relaxado, os cílios longos projetando pequenas sombras sobre as bochechas. Cobri-o melhor com a manta, ajeitando com cuidado para não acordá-lo, e me sentei na poltrona próxima à janela alta, observando a chuva escorrer pelo vidro em caminhos irregulares, como se cada gota procurasse seu próprio destino.Eu sempre gostei de dias chuvosos.Eles me davam permissão para desacelerar. Para sentir sem precisar explicar. Para existir sem performance.A biblioteca era silenciosa

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