LOGINValentina Alencar acreditava estar a poucos dias do casamento perfeito, até encontrar o noivo na cama com Serena Bellucci, a mulher prometida a Damon Castellani. Em uma única noite, ela perde o relacionamento, a confiança da própria família e o controle sobre a reputação que levou anos para construir. Mas a traição amorosa é apenas o começo. Henrique e Serena também desviaram milhões, roubaram documentos estratégicos e usaram o nome de Valentina em uma transferência fraudulenta capaz de levá-la à prisão. Quando todos exigem que ela permaneça em silêncio para proteger o poderoso sobrenome Alencar, apenas Damon fica ao seu lado. Bilionário, provocador e conhecido por nunca levar uma mulher a sério, Damon deveria ser a última pessoa em quem Valentina confiaria. Principalmente porque ele passou anos desafiando sua resistência com olhares perigosos, cantadas descaradas e uma atração que ela sempre fingiu não sentir. Agora, ele oferece a única saída possível: um noivado por contrato. Durante seis meses, Valentina será a falsa noiva do CEO. A união poderá estabilizar as empresas, atrair os verdadeiros culpados e transformar os dois traídos no casal mais poderoso da imprensa. Há apenas uma regra indispensável: nenhum sentimento pode ser envolvido. Mas dividir o mesmo teto com Damon revela um homem muito diferente do mulherengo que todos conhecem. Ele sabe como ela toma café, lembra-se do vestido usado no primeiro encontro e a protege sem tentar controlá-la. E cada beijo diante das câmeras parece verdadeiro demais. Valentina aceitou o contrato para recuperar sua vida. Damon entrou no acordo para executar sua vingança. Nenhum dos dois estava preparado para descobrir que a maior ameaça não eram os inimigos tentando destruí-los, mas o desejo impossível de transformar uma mentira pública em um amor real.
View MorePOV: Valentina
“Você ainda tem tempo de fugir comigo.” A voz de Damon Castellani deslizou pelo meu ouvido no exato instante em que Henrique erguia uma taça no centro do salão para agradecer aos convidados pela presença. Meu futuro marido falava sobre alianças, tradição e o casamento perfeito. O melhor amigo dele estava atrás de mim, perto o suficiente para que o calor de seu corpo atravessasse o tecido fino do meu vestido. Não me virei. “Você usa essa cantada com todas ou reserva as mais ridículas para mulheres comprometidas?” “Só para uma.” A resposta veio rápida demais. Meus dedos apertaram a haste da taça. No salão principal do Castellani Palace, centenas de pequenas luzes douradas se refletiam nos lustres de cristal. Executivos, políticos e herdeiros circulavam entre garçons de luvas brancas. Tudo havia sido escolhido para transmitir perfeição. Inclusive eu. Vestido vermelho, cabelo preso, o anel dos Alencar brilhando no dedo. A noiva adequada para o herdeiro adequado. Damon se inclinou um pouco mais. Seu perfume, amadeirado e escuro, envolveu-me antes que eu conseguisse dar um passo para longe. “Esse vestido é um ato de hostilidade, Valente.” Finalmente me virei. Ele usava um terno preto feito sob medida, sem gravata, com os dois primeiros botões da camisa abertos. A expressão carregava aquela arrogância preguiçosa que fazia mulheres maduras esquecerem compromissos e jovens funcionárias derrubarem bandejas. Eu conhecia bem o efeito. Também conhecia sua reputação. “É apenas um vestido.” “Não quando você está dentro dele.” Revirei os olhos, embora uma onda inconveniente de calor subisse pelo meu pescoço. Damon sorriu. Era isso que ele fazia. Provocava, observava e esperava alguma rachadura aparecer. Nunca parecia realmente interessado na resposta. Para ele, flertar era quase uma forma de respirar. “Henrique sabe que você fica linda quando quer arruinar a concentração de um homem?” “Henrique não precisa ser informado sobre tudo o que faço.” “Primeira coisa sensata que você disse hoje.” “E você não deveria estar com Serena?” O nome da noiva dele causou uma mudança tão breve em sua expressão que quase pensei ter imaginado. Damon desviou os olhos para o outro lado do salão. Serena Bellucci conversava com um grupo de investidores, impecável em um vestido prateado. Linda, sofisticada e tão confortável naquele universo quanto Damon. Os dois formavam um casal perfeito para as revistas. Bonitos, ricos e perigosamente fotogênicos. “Serena sabe se cuidar”, ele respondeu. “Que declaração romântica.” “Romance é superestimado.” “Disse o homem prestes a se casar.” “Disse a mulher prestes a cometer um erro.” Minha vontade de rir desapareceu. Henrique continuava discursando, agora falando sobre a expansão do grupo Bastos para o mercado europeu. Meu nome surgiu entre agradecimentos protocolares, encaixado entre o nome de um senador e o de um banqueiro. A senhora Valentina Alencar, sua futura esposa. Não Valentina. Não a mulher que trabalhara durante dois anos na estratégia do projeto. A futura esposa. Damon observou meu rosto com atenção desconfortável. “Ele esqueceu de dizer que a proposta para Lisboa foi sua.” “Não esqueceu.” “Então decidiu não dizer.” “Esta noite é sobre ele.” “Claro.” Damon levou a taça à boca. “E todas as outras também.” O golpe encontrou um lugar que eu não queria reconhecer. Endireitei os ombros. “Você me chamou aqui apenas para criticar meu relacionamento?” “Eu não chamei você. Você veio até mim.” Olhei ao redor. Só então percebi que Henrique havia conduzido os convidados para perto do palco, deixando Damon e eu praticamente isolados junto às portas da varanda. “Você apareceu atrás de mim.” “E você ainda não foi embora.” Meu olhar encontrou o dele. Os olhos de Damon eram escuros sob a iluminação baixa, atentos demais para um homem que supostamente nunca levava nada a sério. Por um instante, o salão pareceu distante. Restaram apenas sua respiração calma e o espaço perigosamente pequeno entre nós. Ele baixou os olhos para minha boca. Meu corpo reagiu antes da razão. O ar prendeu em meus pulmões. Minha pele ficou sensível sob o tecido. Uma pulsação indevida surgiu no centro do meu ventre, quente e súbita. Damon percebeu. O leve arqueamento de sua sobrancelha foi suficiente para confirmar. “Nem pense nisso”, murmurei. “Não consigo evitar.” “É exatamente por isso que ninguém leva você a sério.” Seu sorriso não desapareceu, mas perdeu alguma coisa. O brilho divertido, talvez. “Você não me leva a sério.” “Você chama mulheres de sobremesa e mantém uma lista de telefones organizada por cidade.” “É uma lista eficiente.” “Você é impossível.” “E ainda assim está corada.” Virei o rosto, furiosa comigo mesma. “Está quente aqui.” “Posso levá-la para um lugar mais fresco.” “Damon.” “Uma varanda, Valente. Sua mente está me decepcionando.” Ele riu quando o empurrei de leve no peito. Foi um erro. Sob minha palma, seu corpo era firme e quente. Damon cobriu minha mão com a dele antes que eu pudesse afastá-la. O gesto não foi agressivo. Foi pior. Lento. Deliberado. Íntimo. “Solte.” “Você está tremendo.” “De irritação.” “Claro.” “Você é insuportavelmente convencido.” “E você está curiosa.” Puxei a mão, mas seus dedos demoraram um segundo a mais antes de me libertarem. Um único segundo. O suficiente para que eu imaginasse como seria sentir aquelas mãos em outra parte do meu corpo. A imagem me atingiu com tanta força que dei um passo para trás. Damon inclinou a cabeça. “Algum problema?” “Você.” “Esse problema eu resolveria com prazer.” “Imagino. Sua solução deve envolver um quarto de hotel e a promessa de uma experiência inesquecível.” “Não preciso prometer o que posso garantir.” Soltei uma risada incrédula. “Você realmente não sente vergonha?” “A vergonha nunca fez uma mulher gozar.” Meu rosto incendiou. Damon se aproximou, bloqueando parcialmente a luz do salão. Sua voz baixou até se tornar algo que eu senti antes de ouvir. “Mas este mulherengo faria você esquecer o próprio nome antes da meia-noite.” Meu coração bateu com força. Eu ri porque era mais seguro. Porque ele era Damon Castellani. Porque homens como ele diziam aquelas coisas para qualquer mulher que tivesse pulsação. Porque Henrique estava a poucos metros, falando sobre nosso futuro. “Continue sonhando.” Passei por Damon antes que ele percebesse o efeito que causara. Mas seus dedos tocaram meu pulso. Apenas o suficiente para me fazer parar. Ele se inclinou, e os lábios quase roçaram minha orelha. “Um dia, Valente, você vai deixar de rir.”POV: Valentina“Adam, não empurra seu irmão.”“Eu não empurrei.”“Empurrou, sim!”, Adrian gritou do outro lado do jardim, com a indignação absoluta de quem tinha quatro anos e acreditava que qualquer injustiça merecia julgamento internacional.Damon apareceu entre os dois antes que a discussão virasse guerra civil, abaixando-se na grama com uma paciência que ainda conseguia me surpreender. As mangas da camisa estavam dobradas até os cotovelos, o cabelo desarrumado depois de quase uma hora correndo atrás dos meninos, e havia uma mancha de terra na calça que provavelmente custava mais do que alguns carros. Anos atrás, aquilo teria sido suficiente para irritá-lo. Agora ele parecia não perceber.Ou não se importar.“Vamos revisar os fatos”, disse com seriedade exagerada. “Um acusa. O outro nega. Precisamos de provas.”Adam apontou para Adrian.“Ele caiu sozinho.”Adrian cruzou os braços.“Porque ele me empurrou.”Damon franziu a testa como se estivesse analisando a aquisição mais importan
POV: Valentina“São dois.”A frase da médica permaneceu no ar por alguns segundos, simples demais para carregar o tamanho da mudança que acabava de acontecer dentro de mim. Eu continuava deitada, a mão presa à de Damon, os olhos fixos na tela onde dois pequenos pontos pulsavam em ritmos próprios. Dois batimentos. Dois bebês. Duas vidas começando ao mesmo tempo, escondidas dentro de mim, enquanto meu corpo ainda parecia exatamente o mesmo de alguns minutos antes.Virei o rosto para Damon e quase ri da expressão dele.Ele não piscava.Não provocava.Não soltava nenhuma frase indecente, nenhum comentário arrogante, nenhuma tentativa de transformar emoção em humor.Apenas olhava para a tela como se tivesse esquecido completamente como funcionava o mundo.“Damon?”Ele não respondeu.A médica sorriu com paciência enquanto ajustava o aparelho.“Está tudo bem. Os dois batimentos estão presentes e, pelo que conseguimos avaliar neste momento, a gestação está evoluindo bem.”Só então ele respiro
POV: Damon“Você está me dizendo que isso é nosso?”Minha voz saiu tão baixa que quase não me reconheci. O pequeno par de sapatos continuava na minha mão, leve demais para carregar uma mudança tão grande, e por alguns segundos eu simplesmente fiquei olhando para eles sem conseguir mover nada além dos olhos. Meu cérebro entendia o que significavam, mas o resto de mim parecia ter ficado para trás. Então levantei o rosto e encontrei Valentina do outro lado da mesa, com aquele sorriso que misturava nervosismo, expectativa e uma felicidade que ela tentava conter só para me deixar chegar sozinho à conclusão. “Você está grávida?”, perguntei, embora já soubesse. Ela apenas assentiu, e foi suficiente para desmontar toda a estrutura que eu passara a vida inteira aperfeiçoando.Meus olhos arderam antes que eu pudesse impedir. Eu ri, ou tentei, porque o som saiu quebrado e ridículo, muito distante de qualquer reação digna. “Merda.” Valentina se levantou devagar. “Você está chorando.” Passei a mão
POV: ValentinaDuas linhas cor-de-rosa apareceram antes que eu terminasse de me convencer de que aquilo provavelmente era apenas estresse, noites mal dormidas ou alguma consequência atrasada da rotina puxada das últimas semanas. Fiquei parada no banheiro, segurando o teste entre os dedos, enquanto tudo ao meu redor parecia continuar normal demais para o tamanho da mudança que acabara de acontecer. A torneira ainda pingava. A luz continuava acesa. Meu reflexo ainda era o mesmo. Só eu sabia que, dali para a frente, nada seria igual.Sentei devagar na borda da banheira porque minhas pernas simplesmente deixaram de colaborar. O coração batia tão forte que parecia ocupar o peito inteiro. Olhei outra vez. Duas linhas. Claras. Irrefutáveis.Grávida.A palavra demorou alguns segundos para realmente fazer sentido. Primeiro veio o choque. Depois, uma onda de calor. Depois, uma vontade absurda de rir e chorar ao mesmo tempo. Levei a mão à boca, tentando conter um som que não sabia se era soluço






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