FAZER LOGINPorque toda história merece o seu “felizes para sempre.” NORMAN PAIXÃO CASSANI Estou nervosa.Minhas mãos nunca suaram antes, mas hoje… hoje estão úmidas, trêmulas.Vinte dias atrás, quando acordei e vi Leonardo ao telefone, sussurrando algo que me fez sentir medo, não entendi o motivo daquela sensação.Agora entendo.Naquele dia, o medo era apenas reflexo dos meus hormônios dançando dentro de mim.A sensibilidade da gravidez brincava com as minhas certezas, e eu, sem saber, já começava a sentir o que é ser mãe.Meus bebês agora completam quatro meses.A ultrassonografia morfológica foi ontem — e revelou o que parece um milagre: um casal.Gêmeos, sim, mas com placentas separadas, o que significa que não serão idênticos.Um menino e uma menina.Meu Deus, um casal!Laís e Lorenzo.Quando eu disse os nomes, Leo chorou.E eu, que sempre fui forte, chorei junto.Sabe, parece que foi ontem que entrei naquela empresa apenas para servir café.Nunca imaginei que o “chefe temporário”, o CEO
Quando o amor amadurece, o destino floresce.NORMAN PAIXÃO CASSANI O sol de São Bernardo atravessava a janela da sala dos meus pais como se quisesse participar da conversa.O ar tinha cheiro de café fresco e bolo de fubá — o mesmo perfume que marcou toda a minha infância.A mesa estava posta com flores do quintal da minha mãe, Cláudia Andrade, e tudo parecia tão simples… tão verdadeiro, que por um instante esqueci o peso do sobrenome Cassani.Amaro se levantou.O silêncio se espalhou pela sala quando ele se aproximou do meu pai.O rosto de Amaro Cassani, sempre firme, agora parecia o de um homem prestes a confessar algo íntimo.— Senhor Agnaldo — começou ele, com a voz pausada. — Quero pedir perdão pela demora em vir aqui assumir o meu relacionamento com sua filha.Sei que já conversamos por telefone, mas acredito que assim… pessoalmente, fica mais honesto. Mais digno.Olhei para Laura, que sorria com ternura.O senhor Amaro Cassani — o homem que eu um dia temi só pelo nome — agora f
Quando achamos que não merecemos, mas o presente da vida chega quando não esperamos. NORMAN PAIXÃO CASSANI O dia amanheceu diferente.Não sei explicar — o ar parecia mais denso, o coração mais atento, como se algo estivesse prestes a mudar. Abri os olhos e toquei o lençol ao lado... vazio.Leonardo não estava na cama.Desci as escadas descalça, o piso frio de mármore gelando os pés, e foi ali, na curva do corredor, que ouvi a voz dele.— Preciso desligar. Nos falamos depois.O tom baixo, contido, quase um sussurro.Meu peito deu um salto, e não foi uma sensação boa.Fiquei parada por um instante, escondida atrás da parede, observando o homem que era meu porto — e ao mesmo tempo sentindo o medo mais primitivo de todos: o de perder o que se ama.— Bom dia, Leo! — disse, tentando parecer leve. — Está tudo bem?Ele virou-se, e aquele olhar… não era o mesmo de todos os dias. Não era frieza, mas havia uma calma estranha, distante, como quem carrega algo que não quer dividir.Meu instinto
Toda reconstrução começa pelas mãos certas. LEONARDO CASSANI A Cassani’s Security amanheceu diferente. As paredes ainda guardavam ecos da guerra, mas havia paz no ar — uma paz vigilante, como o som do motor que volta a funcionar depois de uma longa parada.Era segunda-feira quando abri oficialmente as novas vagas. As cadeiras vazias de Henrique, Isabella, Melissa e Sofia pareciam gritar que reerguer a empresa seria mais do que preencher cargos. Era reconstruir confiança.Comecei pelos três setores em desfalque: Jurídico, Financeiro e Recursos Humanos.⚖️ O JURÍDICO Navarro me ligou cedo. O tom firme, igual ao dos tempos de missão.— Tenho um nome pra você, garoto. Um homem que conheci na fronteira, nos tempos da Órion. Se tem alguém que entende de ética e lealdade, é ele.Anotei o nome no caderno.> Capitão Matteo D'Alessandro.Dez anos sem vê-lo. Um homem de poucas palavras e muitas cicatrizes — todas do lado certo da história.— Ele vai aceitar? — perguntei.— Se for por você, ac
Quando tudo que eu queria era amor, segurança e o conforto que ninguém me deu.ISABELLA CONTI FERRAZ Eu lembro de cada som daquela madrugada — o clique da porta da delegacia, o rumor distante de vozes que eu não entendia como minhas, o estalo do salto de Melissa chegando por trás como se fosse uma sentença já escrita. Sinto ainda o calor da sala, o brilho branco das lâmpadas que transformam a pele em porcelana quebradiça. Eu deveria ter sabido que nada terminaria bem. Nunca soube.Quando entraram comigo — Henrique cambaleando, a cara branca de quem tenta fingir inocência, Melissa com os olhos em chamas — pensei em várias desculpas. Em todas as versões possíveis em que eu ainda podia sair dali com algo além do nome esmagado. Mas, naquele instante, o que me atingiu foi uma vergonha tão imediata que me arrastou até o chão.Eles projetaram o vídeo no monitor da delegacia. Não havia mais lugar para negações: minha voz, meus sorrisos, as mãos de Henrique no tecido do meu vestido — tudo fil
O que se esconde entre as paredes vira público. LEONARDO CASSANI Quando as portas se fecharam e os últimos rostos já haviam sido empurrados rua afora em direção às viaturas, eu ainda permaneço em pé, no centro da sala de vidro, sentindo o ar pesado como se a própria construção intentasse me avisar do que eu faria a seguir. Pedi que Isabella, Henrique e Melissa ficassem. Não era interrogatório — era o fechamento do circuito.Eles entraram. O chão parecia ter mais eco do que a poucos minutos — ou talvez fosse a minha cabeça. Todos olhavam para a porta. Pela fresta, mãos se entrelaçaram e, sem alarde, Amaro Cassani atravessou o vão segurando a mão de Noêmia. O impacto foi físico: Isabella interrompeu no meio da frase.— O que está acontecendo aqui? Por que você está de mãos dadas com essa mulher? — gritou, a voz um fio de pânico.Amaro ficou quieto, os olhos frios. Foi Norman quem se mexeu primeiro: correu, abraçou a irmã e sentiu, com a ponta dos dedos, a curva do ventre de Noêmia — a