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Capítulo 6

Author: Adeus à Lua
Helena levantou o olhar para ele, sem entender:

— O quê?

Leonardo pensou que talvez ela ainda estivesse ressentida e não quisesse lhe dar o presente tão rápido. Não tinha problema, ele podia facilitar as coisas para ela.

Seu tom de voz suavizou um pouco:

— Na loja, meu tom não foi bom. Não fique chateada.

Isso bastava, certo?

Helena suspirou e o encarou com seriedade:

— Eu não estou chateada.

Leonardo não acreditou.

— Está dizendo isso só da boca para fora.

— Pense o que quiser.

Ao ouvir isso, Leonardo perdeu a paciência.

— Helena, já pedi desculpas. O que mais você quer?

Ela continuou arrumando as coisas sem se abalar.

— Não preciso do seu pedido de desculpas.

Leonardo a encarou fixamente por alguns segundos.

Depois de um momento, seu rosto demonstrou um leve desconforto.

— E o presente?

Helena virou-se para ele.

— Que presente?

— Thiago disse que viu você comprando um relógio para mim. — Respondeu Leonardo.

— Não foi para me agradar e se desculpar? Agora que voltei, não vai me dar?

Helena estava prestes a dizer que o presente não era para ele, mas Leonardo continuou falando por conta própria:

— Já deu, né? Se continuar com essa birra, vai perder a graça.

Ao ouvir isso, Helena soltou uma risada repentina.

Leonardo franziu o cenho.

— Do que está rindo?

— Do que você acabou de dizer? — Respondeu Helena, encarando diretamente os olhos de Leonardo.

— Sim, eu comprei um relógio. Mas não foi para você. E, sinceramente, não acho que tenha feito nada de errado. Por que eu deveria me rebaixar e pedir desculpas?

A raiva subiu instantaneamente aos olhos de Leonardo. Ele cerrou os punhos, os dedos crispados.

— Não foi para mim? Então, para quem foi?

— Isso não é da sua conta. — Disse Helena, indiferente.

— Eu não tenho o direito de me importar? — Leonardo estava furioso. — Eu sou seu namorado! Como assim eu não posso me importar se você compra presente para outro homem?

Comparada à raiva de Leonardo, Helena estava muito mais tranquila.

Ela o encarou com um sorriso irônico.

— Mas você não é o namorado da Camila?

Leonardo respondeu instintivamente:

— Eu e a Camila não temos esse tipo de relação.

Sua voz agora era bem mais baixa do que antes, sem a mesma firmeza. Ele estava inseguro, porque sabia que estava mentindo.

A verdade era que sua relação com Camila não era exatamente de namorados. Para ser mais exato, era um caso.

Tudo que não deveriam ter feito, já haviam feito. Mas, oficialmente, sua namorada ainda era Helena.

Ele gostava da paixão e ousadia de Camila, de como ela tomava a iniciativa e o provocava. Mas, ao mesmo tempo, também gostava do rosto bonito de Helena e de sua personalidade gentil e compreensiva.

Ainda não queria contar para Helena que ele e Camila já estavam juntos.

Leonardo tentou explicar:

— Hoje fui ver anéis com a Camila porque minha mãe pediu. Mas não era para ela. Minha mãe comprou um vestido novo e disse que não tinha joias adequadas para combinar.

Ele continuou, olhando diretamente para Helena:

— Minha mãe disse que Camila tem bom gosto e sabe combinar acessórios. Por isso, pediu que ela fosse comigo. Não fomos só para ver anéis, mas também colares, brincos, pulseiras... tudo para combinar com o vestido. Eu sei que você entendeu errado, mas naquela hora eu estava irritado, então não expliquei de propósito. Queria ver você com ciúmes.

— Ciúmes? — O olhar de Helena se tornou gélido. — Então você sabia que eu sentiria ciúmes?

— Helena, me desculpa…

A voz dela saiu fria e cortante:

— Seu pedido de desculpas foi recebido, mas não aceito. E o presente realmente não era para você.

A raiva de Leonardo explodiu.

— Então para quem era?!

— Para o meu noivo.

Leonardo soltou uma risada sarcástica.

— Helena, você realmente não tem limites para me pressionar a casar, né? — Seus olhos brilhavam com ironia.

— Então quer dizer que, se eu aceitar me casar com você e me tornar seu noivo, você me dá o presente e me perdoa?

Helena franziu as sobrancelhas.

De onde esse homem tirava tanta autoconfiança?

Ele realmente achava que ela não poderia viver sem ele?

Os olhos de Leonardo estavam cheios de decepção. Ele olhou para Helena e balançou a cabeça repetidamente.

— Helena, eu realmente achei que você entendia a barreira intransponível entre nós. Pensei que você fosse sensata. Mas você insiste, uma e outra vez, em me pressionar para casar. Isso me decepciona profundamente.

Helena piscou, sem entender.

Sem esperar resposta, Leonardo se virou e saiu.

A porta do quarto se fechou com um estrondo.

Helena suspirou e balançou a cabeça.

Ela havia planejado aproveitar essa conversa para terminar tudo de uma vez. Queria contar a ele que, na verdade, era a herdeira da família Almeida , de Cidade J, e que em breve retornaria para se casar com Gabriel.

Mas ele sequer lhe deu a chance de falar.

Talvez essa certeza dele, de que ela estava determinada a se casar com ele, fosse culpa dela mesma.

No passado, Helena sempre desempenhou o papel da namorada perfeita: obediente, compreensiva, sem questioná-lo, sem crises de ciúmes, sem invadir sua privacidade. Tirando a recusa em ter intimidade física, ela praticamente nunca dizia "não" a ele.

Talvez isso tenha lhe dado a falsa ilusão de que ela nunca o deixaria.

O que Leonardo não sabia era que ela sempre havia sido tão compreensiva porque já sabia que ele nunca teve intenção de levá-los a sério.

Um ano atrás, ela cogitou levá-lo a Cidade J e contar sua verdadeira identidade. Mas, por acaso, ouviu uma ligação entre Leonardo e sua mãe, Maria.

— Mãe, fique tranquila. Eu sei que você nunca aceitaria que ela entrasse para a família Mendes. Eu só estou namorando, casamento é outra história.

— Seu filho não é um romântico iludido. Eu sei muito bem a diferença entre namorar e casar.

Que bela "diferença".

Naquele momento, Helena entendeu que Leonardo nunca teve a intenção de ir até o fim com ela.

Na verdade, Leonardo nunca gostou tanto assim dela.

Mas Helena também não era do tipo que vivia ou morria por amor.

Ela sabia se entregar e também sabia a hora de partir. Se Leonardo queria apenas um namoro sem compromisso, que assim fosse. No fim das contas, ela também precisava de companhia e de algum suporte emocional. Em uma cidade estrangeira onde não conhecia ninguém, um abraço quente era o suficiente.

Ela sempre soube se proteger. Seu primeiro beijo e sua primeira vez ainda estavam intactos.

Por que não terminou antes?

Porque naquela época ainda gostava dele. Porque já havia se acostumado com sua presença.

Os sentimentos humanos são complicados. Nem tudo é preto no branco, nem sempre há apenas duas opções.

Depois daquele dia, ela nunca mais mencionou que era herdeira de uma família poderosa.

Mas, ao descobrir que era apenas uma substituta para ele, tudo perdeu a graça.

Ela podia aceitar que seu relacionamento com Leonardo não tivesse futuro. Aceitava até que ele não a amasse tanto assim. Mas nunca aceitaria ser apenas a sombra de Camila.

Ela era Helena. Nada mais, nada menos.

Helena jamais imaginou que a mãe de Leonardo, Maria, apareceria à sua porta.

Maria usava uma elegante roupa de seda azul-escuro, adornado com brincos e colares de safira luxuosos. Na mão, um anel com um diamante enorme, combinando perfeitamente com o tom de sua roupa.

De fato, como Leonardo havia dito, ela era mesmo o tipo de mulher que compraria um conjunto inteiro de joias só para combinar com um único vestido.

— Você é Helena?

A madame olhava para ela como se estivesse diante de um objeto desagradável, analisando-a com um olhar cheio de críticas.

Helena cumprimentou educadamente:

— Boa tarde, Sra. Maria.

Maria entrou na casa, lançando um olhar ao redor antes de fixar os olhos em Helena.

— Já fiquei sabendo sobre você e Leonardo.

Ela se sentou no sofá com as pernas alinhadas de forma elegante, mantendo uma postura refinada, mas as palavras que saíram de sua boca estavam longe de refletir essa elegância:

— Uma garota como você acha mesmo que pode entrar para a família Mendes?
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