FAZER LOGINCapítulo 7
Ezequiel Costa Júnior Tranquei a porta atrás de mim, ouvindo o som metálico da chave girando na fechadura. Sem olhar de volta, caminhei pelo corredor da casa com o coração pulsando feito um tambor de guerra. Cada passo transbordava minha raiva contida. Meus olhos encontraram os rostos curiosos dos funcionários, todos parados no meio de suas tarefas, fingindo que não viam, mas desejando saber a fofoca. — Ninguém abre aquela porta — minha voz foi firme. Luciana, a governanta, hesitou por um instante antes de se aproximar. — Nem mesmo para levar comida, senhor? A moça parece fraca… Cerrei os dentes. — Nada de regalias. Apenas uma sopa. Vi a dúvida no olhar dela, mas esperava o quê? “Preparei um jantar inteiro e ela não valorizou, quem sabe a sopa não come.” — pensei, passando direto por Luciana sem dar chance de réplica. Fui até a sala dos fundos e abri a porta com força. — Chame o Yulssef. Agora. O funcionário que estava por ali se apressou. Eu respirei fundo, tentando conter o impulso de descontar minha fúria em mais alguém. Yulssef não demorou a aparecer. Postou-se diante de mim como sempre fazia, sóbrio, silencioso, entendendo o que vinha sem precisar que eu dissesse. — Traga a Raquel. Agora. Ele assentiu e saiu, já sabendo do que se tratava. A porra da empregada. A mesma que sempre tenho vontade de enterrar viva, e só não faço por que fiz uma promessa a alguém importante. Demorou menos de dois minutos até que voltasse com ela. A mulher vinha sendo arrastada pelo braço, a outra mão tentando se desvencilhar, mas sem sucesso. Tentei conter o impulso de partir pra cima dela de imediato. Mas só até ela abrir a boca. — Senhor, eu só... — Cala essa boca! — avancei, segurando-a pelos cabelos com força. — Quer morrer, é isso?! Quer desafiar as ordens da porra do dono desta casa?! Ela tentou explicar, balbuciando alguma coisa sobre “pena”, “injustiça” e “ela parecia tão frágil”. — Frágil? E você é o quê? Juíza agora? — falei mais alto, puxando o rosto dela pra perto do meu. — Eu te dei uma pequena chance, Raquel. Um espacinho neste inferno. E o que você faz? Fode com tudo! Libertou uma mulher que EU NÃO LIBERTEI! E ainda a colocou em risco, exposta, à mercê de qualquer porco no meio da estrada! — Eu não queria que ela se ferisse... Ela parecia... — Ah, você não queria?! — empurrei-a contra a parede. — E EU, POR ACASO, QUERIA VER ELA ASSIM?! EU SALVEI AQUELA MULHER COM ESSAS MÃOS QUE EU USARIA PRA ENTERRAR QUALQUER UM QUE ENCOSTASSE NELA! A respiração dela estava trêmula, os olhos arregalados. — Acha que isso aqui é brincadeira? Quer pagar de boazinha? Salvar alguém de mim?! PORQUE NÃO SE SALVA AGORA, CARALHO!? Soltei os cabelos dela com força, como quem j**a fora algo sujo. Me afastei dois passos, sentindo o gosto amargo do desprezo na boca. — Sabe qual a sorte que você tem? Que eu sou mais paciente do que pareço. — Senhor, eu... por favor... Sou irmã da Valéria. Há de ter algo aí dentro que lembra disso, que um dia gostou dela. — Não. Cala a boca. Você não tem o direito de falar da Valéria. Virei o rosto para Yulssef. — Tire ela da minha frente antes que eu esqueça que ainda preciso dela respirando. — Algum pedido em especial, Don? — Entregue ela pra Sara — falei e virei o rosto. Ouvindo as súplicas da infeliz. — NÃO! SARA NÃO! POR FAVOR, DON! — Quando voltar pensará mil vezes antes de tomar qualquer decisão estúpida. Yulssef assentiu, puxando Raquel pelos braços. Ela chorava agora. O tempo de compaixão havia passado. Fiquei ali, parado, sozinho por um instante. A casa parecia quieta demais. Ela estava me confundindo. Aquela garota. Maryam, ou como diabos ela se chama. "Você quer protegê-la ou quer possuí-la?" Não sabia mais. Mas ela era minha. E ninguém mexia com o que era meu. Nem ela mesma, ou não me chamo Ezequiel. Estou cansado dessa merda! Essa ladainha de não poder ter o que quero. Ouvi duas batidas na porta, era Luciana. — O que é agora? — Senhor, ela não quis a sopa. — Azar o dela, guarde o prato e não leve mais nada. — Ela parece que não está bem, Don. — Amanhã estará melhor. Agora me dê licença. Luciana saiu e respirei fundo. Levantei e comecei a andar de um lado para outro, inquieto. Pensando se talvez ela estivesse passando mal. Porque diabos não aceitou ser examinada pelo médico? Abri a porta e sem pensar mais nada fui até o quarto dela. Fiquei procurando por ela, preocupado. Estava dormindo. Parei por um instante, olhando ela deitada sobre o lençol branco, agarrada na manta. Mariana tem uma pele linda, morena iluminada. Me aproximei observando novamente a tatuagem que tem na nuca. Uma rosa vermelha que já me chamou tanta a atenção desde a primeira vez que vi. Ouvi seu choro baixinho, encostei a mão no seu ombro, mas estava dormindo. Certamente estava tendo um pesadelo. — Ei! Acorda Mariana! — abriu os olhos assustada — Calma... Só te acordei porque parecia sofrendo enquanto sonhava. Ela puxou a manta se cobrindo ainda mais. Me afastei. "O que fizeram com você, Maryam?" Não consegui sair daquele quarto. Sentei na poltrona ao lado, enquanto ela fechava os olhos novamente.Capítulo 206 Narrativa da autora Ah! Como me emociono ao terminar minhas histórias. Essa por exemplo, emoção do início ao fim. Como não se apaixonar por Ezequiel? Com certeza é o Don mais humano que já criei. Até mais que meus CEOS, inclusive. Um personagem coração, que cresceu de um jeito que tinha tudo pra dar errado com seu pai desumano, mas mudou não só a sua história como a de tantas mulheres. Deixo bem claro aqui, é ficção e certamente nada disso existe. Eu viajo em fantasias criadas por mim, mas sinto que ao escrever levo alegria, descanso e esperança a muitas pessoas. Mariana foi uma personagem que se superou e surpreendeu demais. No início sofri bastante. Imaginar como ela pensava para escrever, mexeu comigo. Tiveram tantos momentos que precisei apagar e reescrever os diálogos, pois ao revisar, percebia que não entendia seus sentimentos. Tive ajuda de uma terapeuta, então posso afirmar que foi escrito com responsabilidade e carinho pra vocês. As mulhe
Capítulo 205 Ezequiel Costa Júnior Acabou. Saímos da Zion e entramos no carro. O veículo avançava firme pela estrada isolada, os faróis cortando a escuridão como lanças. Eu estava no banco de trás com Mariana ao meu lado. Samira na frente, ao lado de Mauro, que dirigia com o olhar fixo no caminho, como se não quisesse ouvir, nem sentir, nem reagir ao que estava por vir. As mãos ainda estavam sujas de sangue de Khalid e dos membros da Zion. Eu não conseguia respirar direito. O papel do exame repousava entre meus dedos, agora alisado, como se tentasse apagar os vincos da verdade. Virei para Mariana. — Onde conseguiu essa falsificação? Ela desviou os olhos. O olhar dela… mudou. Umedecido, silencioso. Culpado. — Eu não falsifiquei nada. — Como assim? — Eu sinto muito. — a voz dela era baixa, quase um sussurro. — Eu te disse, Ezequiel... eu te disse que ele não era seu pai, porque eu acreditava nisso, você mesmo havia me dito. Mas ele é. O exame é verdadeiro. Eu
Capítulo 204 Ezequiel Costa Júnior Tudo ao meu redor parecia acontecer em câmera lenta. O barulho das cadeiras sendo arrastadas, o som das armas sendo engatilhadas, a respiração densa de cada membro naquela sala... Mas dentro de mim, o mundo desabava em silêncio. O papel ainda estava na minha mão. Pesado. Mais pesado que qualquer pistola que já segurei. Dizia que aquele asqueroso era meu pai. O sangue deixou meu rosto. Eu matei aquele desgraçado. Matei com ódio. Com prazer. Matei como se ele fosse só mais um monstro a ser eliminado.E agora... isso? Mohammed percebeu meu silêncio. Me estudava com aquele olhar agudo, impassível, como se já soubesse o que estava passando dentro da minha cabeça. Foi Mauro quem assumiu o comando da sala.Ele deu um passo à frente ao lado de Mariana, e a autoridade com que falou fez todos silenciarem como um exército obediente. — Eu exijo, diante do Conselho da Zion, a execução imediata de Khalid por traição, difamação e tentativa
Capítulo 203 Ezequiel Costa Júnior Khalid armou pra mim. Sabia que eu iria atrás dele, deixou a localização pra isso, mas foda-se. Eu sabia muito bem onde estava pisando e ninguém ameaçava minha família. Esperei até ter certeza de quem estava ao meu lado de verdade. Se havia peixe podre no meio. Eu já tinha a estratégia perfeita, organizada entre eu e Mauro caso tivesse um problema aqui dentro. Havia um gás, e máscaras num compartimento fácil de pegar. Poucas. Faria eles dormirem e depois poderíamos decidir o que fazer. Paredes de concreto polido, janelas cobertas, uma longa mesa de reuniões cercada pelos rostos mais antigos — e perigosos — da Zion. E todos estavam ali… por minha causa. Sentado na ponta da mesa, mantinha o queixo erguido e os ombros relaxados, como se aquilo fosse apenas mais um encontro comum. Mas dentro de mim, tudo pulsava. Raiva, desconfiança… e aquela calma calculada que antecede o disparo. Ninguém ousava se aproximar. Nem mesmo os seguranças es
Capítulo 202Mariana Bazzi— Mari, olha pra mim — ele segurou meu rosto entre as mãos, o polegar acariciando minha bochecha com a mesma firmeza que usava pra segurar uma arma. — Vai ficar tudo bem. Eu vou resolver isso.Assenti devagar, engolindo em seco.— Só me promete que vai tomar cuidado, Ezequiel… por favor.— Prometo. Mas você também tem que me prometer algo.— O quê?— Cuida dos convidados. Finge que tá tudo sob controle. E mais importante... — ele se aproximou, os olhos nos meus como se quisesse me marcar com aquele olhar. — Não sai de casa por nada. Você e nosso filho são minha prioridade agora. Já basta ter te visto sangrar uma vez.A lembrança me atingiu como um tapa. Instintivamente levei a mão até a barriga.— Eu vou cuidar dele, eu juro. Ainda mais agora. — Respirei fundo, tentando buscar racionalidade. — Mas vou pensar numa forma de ajudar. Estratégica. Não posso ir pro campo de batalha com você por esses dias, mas posso ser útil daqui. Ainda sou a dama da Zion, não so
Capítulo 201 Mariana Bazzi Assim que a última porta se fechou e o último par de sapatos cruzou a saída, puxei Ezequiel pela mão com urgência. Guiando-o até o escritório, fechei a porta atrás de nós com um estalo seco. — O que vamos fazer? — sussurrei, a voz tremendo mais do que eu gostaria. Meus olhos estavam arregalados, e o coração ainda disparava no peito, como se pudesse explodir a qualquer momento. Ele passou a mão pelos cabelos, exalando tensão. — Não sei, Mari. Ainda não. Vou enrolar o quanto puder, analisar quem está comigo de verdade... e quem está em cima do muro. Talvez eu precise agir com firmeza contra os que hesitarem. — Seus olhos escureceram. — Não posso permitir divisões dentro da Zion. Muito menos colocar meu cargo em check. — Mas quem é ele, amor? Esse homem que apareceu, que quer o cargo... Ezequiel respirou fundo. Encostou-se na escrivaninha, como se o peso da memória ameaçasse derrubá-lo. — Só existe um homem que teria sangue suficiente pra exig







