FAZER LOGINAmélia:Ao vê-lo parado em frente ao berço de Claire, me assustei. Girei o corpo tão rápido que a toalha escorregou e caiu no chão.Meu rosto queimou de vergonha. Quando ergui o olhar, encontrei os olhos dele fixos em mim — e foi então que me lembrei da cicatriz. Instintivamente, me encolhi.— F-fecha os olhos… por favor. — supliquei, quase sem voz.— Me desculpa… já me virei! — ele respondeu de imediato, virando-se de costas.Olhei novamente, confirmando que ele estava mesmo de costas. Foi aí que um pensamento ousado atravessou minha mente.Esse é o momento. Eu posso usar isso… posso me aproximar ainda mais dele.Inspirei fundo e deixei escapar um gemido calculado.— Ai…A reação veio na mesma hora, exatamente como eu esperava.— Você se machucou? — a voz dele saiu cheia de preocupação, porém, mais suave que o normal.— É que… acabei movimentando o braço machucado. — falei, fingindo sentir dor.Por um instante, houve apenas silêncio. Então, a voz dele veio baixa, quase hesitante:— Q
James: Ouvi a voz de Amélia.Olhei — e antes que eu pudesse reagir, ela já estava correndo.Meu coração disparou.Corri atrás dela, sem entender o que estava acontecendo… até que meus olhos encontraram o motivo do seu desespero.Claire.Andando sozinha no meio da rua, cercada por carros que buzinavam sem parar.Então vi.Um carro vindo em alta velocidade, direto em sua direção.Senti o ar me escapar.Minhas pernas… simplesmente travaram.Eu queria correr.Gritar.Fazer qualquer coisa.Mas o medo me prendeu ao chão.Amélia, não.Ela não pensou.Não hesitou.Apenas se jogou.O carro freou bruscamente, desviando de Claire — mas o outro, vindo do lado oposto, atingiu Amélia em cheio.Ela foi arremessada a alguns metros de distância.Corri, desesperado, acreditando que ela havia desmaiado… ou até mesmo morrido.E então presenciei uma cena que jamais sairá da minha mente.Amélia se levantou trêmula, cambaleante — como se nada tivesse acontecido — e correu até Claire, abraçando-a com força.
Amélia:Quando vi o olhar de James para mim, meu coração de mãe não me enganou.Algo havia acontecido com a minha filha.Corri até ele e perguntei por ela, mas James permaneceu em silêncio.Afastei-me e comecei a procurá-la, chamando seu nome desesperadamente.Mas nada.Foi como se eu tivesse voltado no tempo...E a terrível sensação de que o destino estava me tirando ela novamente crescia dentro de mim.— Como você conseguiu perder uma criança de dois anos? — questionei, tomada pela raiva.— Não te devo satisfação, coisinha! — Odete retrucou, com o olhar arrogante. — Tá achando que é a mãe dela? Se coloque no seu lugar, você é apenas a babá.A minha vontade era de voar em cima dela, de fazê-la engolir cada palavra.Mas eu precisava manter a calma… precisava encontrar minha filha.— Se acontecer algo com ela…— Vai fazer o quê? — ela me interrompeu, com deboche.— Já chega! — James gritou, com a voz firme. — Estamos apenas perdendo tempo. Precisamos informar a polícia e procurá-la. Cl
James: Afastei-a, balançando a cabeça em negação. Desde que Sara me abandonou, aquela era a primeira vez que eu beijava outra mulher. Nunca pensei que um dia fosse capaz de tal coisa, mesmo estando bêbado. — Desculpa, senhor, eu não... Ela recuou um pouco mais. O telefone tocou novamente. — Eu preciso ir. — Virei-me sem esperar uma resposta. Enquanto caminhava em direção ao elevador, as lembranças da noite anterior inundaram minha mente: O vestido de Odete, suas inúmeras insistências para que eu bebesse, o vinho que derramei sobre o tecido... e então, Amélia. Por que ela? De volta ao evento, Odete me esperava com uma expressão de poucos amigos. — Por que não me disse que iria embora? — Claire acabou dormindo… achei melhor deixá-las primeiro. — E por que não atendeu o celular? Já estava ficando de saco cheio daquele interrogatório, mas confesso que tinha medo de dar um basta em tudo e perder a única pessoa que decidiu ficar ao meu lado. — Vamos cumprimentar
James: Além dos sorrisos ensaiados, cumprimentos forçados, taças erguidas e formalidades inevitáveis, algo me incomodava muito mais naquele evento. Desde que acordei, uma lembrança insistia em me perturbar: o perfume de Sara. Doce, marcante… impossível de confundir. O problema é que, toda vez que fecho os olhos, não é o rosto dela que vejo. É o de Amélia. Entre um cumprimento e outro, meus olhos, inevitavelmente, vão parar sobre ela. Rápido demais, desvio o olhar — como se o simples fato de observá-la fosse um erro. — Vamos falar com o casal Sinclair. — Odete sussurra, passando a mão pela curva do meu braço. — Vou entregar Claire à Amélia. — respondo, procurando-a com o olhar… mas ela não está mais ali. Varro o salão com os olhos até encontrá-la, caminhando em direção à saída. — Espera só um instante. — digo, me afastando de Odete. Há algo errado. Os passos de Amélia são instáveis, como se os saltos a traíssem. Chamei por ela diversas vezes, mas parecia não
Pensei em ignorar, mas quando percebi, a maçaneta já estava girando. Levantei-me depressa e saltei sobre James. Quando Odete entrou no quarto, já me encontrou junto à porta.— Senhora Odete... — murmurei.Os olhos dela percorreram o quarto até pararem em James, desacordado no chão. Então, voltou-se para mim.— Por que não me respondeu quando chamei? — perguntou, com um olhar desconfiado.Tentei controlar a respiração antes de responder:— O senhor Collins chegou bêbado. Só não caiu de vez porque o segurei. Foi por isso que não respondi. — Mantive o olhar fixo no dela; se o desviasse, ela descobriria tudo.— Que isso nunca mais se repita! Se eu chamar, quero que me responda no mesmo instante. — apertou a bolsa contra o meu peito e se aproximou dele.Ela vestia um traje absurdamente sedutor, um vestido com uma fenda que deixava à mostra boa parte de sua perna.— James, levanta… vamos para o nosso quarto.Nosso quarto.Não é à toa que James está tão bêbado. Se duvidar, é só mais um plano







