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322- Dois ou três dias

Author: luproencio
last update publish date: 2026-08-19 18:10:00

Pela manhã, Youssef agia normalmente. Amine, ao seu lado, tentava fazer o mesmo, enquanto Maya observava os dois, embora disfarçasse uma alegria maior do que o normal.

O café transcorreu tranquilamente, apesar de tudo.

Ada e Samir também tomaram café juntos. Quando terminaram, Ali saiu com a mala e a colocou no porta-malas. Samir pegou a mão de Ada e a levou até seu quarto.

Ada sentiu o coração acelerar.

Ele fechou a porta atrás de si e, assim que ficaram sozinhos, puxou-a para perto e a abraço
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    Emir levantou a mão.— Preciso me preparar e pensar um pouco... Não, deixe. Chame meu assistente.Samir olhou para o pai.— O que pretende?— Espere. Pode voltar para casa com Ada. Ela precisa descansar. Não a incomode com esses assuntos. Ada, a única coisa que você tem que fazer é cuidar bem de você e dos meus netos. Não se preocupe com isso.Ada olhou para ele.— Estou bem. Seus netos também estão bem — respondeu, levando a mão ao ventre.— Samir, cuide de Ada. Aqui, agora, eu resolvo.— Mas, pai, você ainda está ferido.— Eu sei. Ah, diga a Maya para trazer as crianças. Quero vê-la.— Pai, Youssef não vai gostar de...— Maya não tem condições de decidir por ela mesma?Samir olhou para o pai por alguns instantes.— Está bem, darei o recado.Maya estava em casa, na cozinha, preocupada. Não tivera mais notícias de Emir até que seu telefone tocou. Ela deixou a gamela com a massa de pão que acabara de sovar, lavou as mãos e atendeu.— Samir?— Bom dia, tia Maya. Meu pai saiu do hospital

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    Samir estreitou os olhos e cerrou os punhos. Não era impossível, mas Latifa não iria tão longe, iria? Não fazia muito tempo que ela havia deixado o palácio. Não questionara o divórcio, saíra até quieta demais, algo que chamara a atenção de Samir na época. Mas, por algum motivo de que já não se lembrava, não comentara nada com o pai.Ali esperava por uma ordem.— O que faremos?— Não daremos o caso por encerrado ainda. Podiam ser três pessoas ali, mas isso não significa que não houvesse alguém por trás delas.Em casa, Maya chegou e subiu diretamente para o quarto. Foi tomar banho e ficou sozinha com seus pensamentos enquanto a água caía sobre seus ombros.— Por Alá, o que eu estava pensando? Que vergonha! Meu filho, Samir e o próprio Emir... O que ele vai pensar?Aquelas perguntas giravam em sua mente, repetindo-se sem parar. Ela levava as mãos ao rosto cada vez que se lembrava do que fizera diante de Emir.Bem, ela se perguntava o que ele estaria pensando, e Emir estava mesmo pensando

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    Emir serviu uma xícara de chá e a colocou diante de Youssef. Depois, acomodou-se novamente na poltrona, observando o rapaz, que continuava com a expressão fechada.— Imagino que tenha muitas perguntas, Youssef. Por isso pedi que viesse. Quero conversar com você sobre sua mãe.Youssef pegou a xícara, mas não respondeu. Ainda tentava compreender o que havia presenciado naquela manhã. Conhecia Maya melhor do que ninguém, ou pelo menos sempre acreditara nisso. Agora, diante daquele homem, começava a se perguntar o quanto realmente sabia sobre os sentimentos dela.— Sim, tenho interesse em Maya, e isso não é recente — continuou Emir. — Quero deixar claro que nunca aconteceu nada entre nós. Jamais fui desrespeitoso com ela e não pretendo ser. Com o tempo, descobri que a amo. Apaixonei-me por sua mãe, Youssef, e quero me casar com ela.Youssef ergueu os olhos da xícara. A naturalidade com que Emir falava de sua mãe o incomodava profundamente. Casamento não era algo simples, muito menos quand

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    Maya sentiu o chão sumir sob seus pés.— Onde está ele? Onde está Emir? — perguntava à enfermeira, que tentava conter seus braços agitados e nervosos.— Estou aqui.Emir vinha sendo trazido em uma cadeira de rodas. Ele acordara no meio da noite e, pela manhã, haviam retirado os aparelhos. Agora, estava voltando de alguns exames de imagem.Maya olhou para ele, com os olhos anuviados pelas lágrimas. Correu em sua direção, sorrindo. Nem se lembrou de onde estava ou de quem se tratava. Abaixou-se para olhá-lo nos olhos e tocou seu rosto.— Você... Você está bem! Por Alá, eu tive tanto medo! Eu orei tanto...Ela sorria, e as lágrimas ainda escorriam por seu rosto.A poucos metros dali, Samir assistia à cena, parado, com um sorriso no rosto que nem ele mesmo sabia explicar. Ao seu lado, Youssef estava de boca aberta e sobrancelhas erguidas.Quando Samir voltou a si, olhou para o lado. O amigo ainda parecia em choque.— Bem, acho que você não tem muito mais o que fazer agora. É só questão de

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    Ali olhou para a tela.— Ao acervo pessoal dele?— Sim. Eu já vi essas joias. Não tenho dúvidas.Samir voltou à primeira fotografia, aquela que haviam recebido após a prisão do homem disfarçado.— E esta também. Eu não tinha certeza antes, mas agora tenho. Faz parte do mesmo acervo.Ali se aproximou da mesa.— Então alguém teve acesso às joias do Emir.— Ou recebeu essas peças de alguém que teve.Samir permaneceu olhando para as fotografias por alguns segundos. Conhecia parte do acervo do pai, embora não acompanhasse pessoalmente cada peça. Algumas joias eram antigas, outras haviam sido adquiridas ao longo dos anos, e havia também aquelas destinadas a presentes.Mas não era comum que peças daquela coleção aparecessem nas mãos de pessoas envolvidas num atentado contra Emir.— Quero um levantamento de tudo o que saiu do acervo nos últimos meses — ordenou. — Presentes, transferências, peças retiradas para manutenção. Tudo.— Vou providenciar.— E quero saber exatamente como essas joias c

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    Maya entrou e fechou a porta cuidadosamente atrás de si.Por alguns instantes, permaneceu parada, olhando para Emir.Ele estava deitado, imóvel, com os olhos fechados. O abdômen estava coberto por um curativo largo, e vários fios saíam dos sensores presos ao peito, ligando-o aos aparelhos ao lado da cama. Um monitor emitia sons regulares, enquanto o soro descia lentamente por um dos acessos em seu braço.Maya levou a mão à boca.Não estava preparada para vê-lo daquela maneira.Emir sempre lhe parecera um homem tão seguro de si, tão acostumado a dar ordens e a decidir tudo ao seu redor. Agora estava ali, completamente imóvel, dependendo dos cuidados de outras pessoas.Seus olhos percorreram o rosto dele, depois desceram involuntariamente até o peito descoberto. Maya sentiu as bochechas esquentarem e desviou o olhar, constrangida.Por Alá! Até naquela situação aquele homem conseguia deixá-la sem jeito.Olhou novamente para a porta, certificando-se de que ninguém estava chegando, e final

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