MasukLucy passou a mão pelos cabelos, um pouco sem jeito.— Bem... Nós nos beijamos.Houve um breve silêncio do outro lado da linha.— Vocês o quê?— Nos beijamos, Jessi.— Lucy! — Jessi praticamente gritou. — Finalmente! E você me conta isso desse jeito? Como aconteceu?— Foi... Bem, foi quase um acidente.— Como assim, um acidente? — Jessi perguntou, confusa. — Você não queria?Lucy olhou para o próprio colo e mordeu o lábio inferior, sorrindo.— Eu queria, sim, não vou mentir.— Então como isso foi um acidente? Ele não queria?— Bem, eu acho que queria, sim.— Você acha?Lucy soltou uma risadinha, mas não respondeu imediatamente. Começou a se lembrar de tudo: John correndo atrás dela entre as cortinas do hangar, os dois caindo sobre o colchão de treinamento, as plaquinhas de identificação militar balançando diante de seu rosto. Lembrou-se de como as segurara e o puxara para beijá-lo.E, então, de algo que ele havia dito mais tarde.Eu prometi a mim mesmo que esperaria por você, mas isso
John passou pelo quarto e pegou o sutiã de Lucy. Ficou olhando para a peça por alguns instantes, mordendo o lábio inferior com um sorriso divertido, antes de colocá-la sobre a cama. Recolheu as próprias roupas e seguiu para o quarto de visitas, onde estava dormindo antes daquela noite. Tomou um banho rápido, vestiu-se e voltou para a sala de jantar.Lucy estava terminando de colocar algumas margaridas em um pequeno vaso sobre a mesa. John parou à entrada, observou-a por um instante e depois olhou para a mesa cuidadosamente arrumada. Ergueu as sobrancelhas, surpreso.— Só queria agradecer pelo passeio de ontem — disse Lucy, percebendo seu olhar.— Foi meu voo mais bonito — respondeu John, aproximando-se e puxando-a para seus braços.Lucy se assustou com o gesto inesperado e riu, um pouco sem jeito. Apesar da noite anterior, ainda via John como um amigo. Bem, não apenas um amigo, porque seu corpo já reagia a qualquer toque dele.— John, você deve estar com fome.— Estou, mas as panqueca
Um a um, os filhos foram se acomodando à mesa. Maya observava enquanto fazia mentalmente as contas de quantas crianças havia ali.Emir entrou pela porta e ficou olhando para ela por alguns instantes. Ao perceber sua expressão pensativa, aproximou-se e brincou:— Está calculando os gastos?Maya virou o rosto para ele, arregalando os olhos.— Precisamos conversar mais tarde.— Por Alá! Que não seja por causa dos damascos ainda!— Não. É pior do que isso — respondeu ela.Emir a encarou por um instante.— Por Alá! Posso pelo menos almoçar?— Deve.Os filhos acompanharam a troca de palavras, entreolharam-se e sorriram. Emir e Maya se sentaram, e o almoço prosseguiu tranquilamente.Eilan nem imaginava que o pai já sabia da confusão no colégio. Estava tranquilo, pois, depois de ouvir Maya dizer que precisava conversar com Emir, deduziu que o pai não teria tempo para lhe dar uma bronca.Yassi, por outro lado, estava sem jeito. Enquanto comia, evitava olhar para Eilan, que, de vez em quando, l
No colégio, a chegada das crianças chamou a atenção. Elas perceberam os cochichos e os olhares, mas, como Emir e Maya as haviam orientado, fingiram não notar.Na hora do intervalo, Yasmin e Yassi saíram da sala e caminhavam em direção ao refeitório.— Vou na frente pegar a bandeja — disse Yasmin.— Certo. Preciso ir à biblioteca entregar este livro.Yassi caminhava pelo corredor quando um garoto de outra turma a abordou, parando à sua frente.— Por favor, me deixe passar — pediu ela, com a voz baixa e delicada.— Onde você vai, novata? De que família você é?— Vou à biblioteca. Só me deixe passar, por favor.— Sempre tão obediente... Perfeita para casar.Yassi arregalou os olhos.— O que tem debaixo desse véu? — perguntou ele, levantando a mão para tocá-la.Assustada, Yassi se afastou e deixou o livro cair.— Vamos, deixe apenas que eu olhe. Você devia me agradecer.— Não me toque!Antes que qualquer um dos dois pudesse perceber o que acontecia, passos rápidos se aproximaram e, de rep
Maya ficou em casa, sentindo-a estranhamente vazia. Fazia alguns dias que Youssef não vinha vê-la. Pegou o celular e ligou para ele.— Onde você está? — perguntou assim que ele atendeu.— No trabalho. — Preciso falar com você.— Aconteceu alguma coisa? Aquele Emir fez...— Não, Emir não fez nada. Quero falar com você.Youssef, que estava olhando algumas planilhas, consultou o relógio.— Em meia hora estarei aí. Tem mais alguém em casa?— Não. Traga Amine, se não estiver ocupada.— Ela está dando aulas para Ada agora de manhã.— Bem, então deixe-as. Venha você.Maya desligou o telefone e voltou para a cozinha. Era ali que colocava seus pensamentos em ordem, onde parava para sentir e pensar sobre o que estava sentindo.Emir atravessou a cidade. Quando se aproximou do palácio, ainda havia alguns jornalistas teimosos. Tirou o celular do bolso.— Quinze minutos. Não quero um jornalista na minha porta, e não estou brincando. Avise que, se eu vir algum, serão punidos.Do outro lado, ouviu u
Na manhã seguinte, pouco depois do café da manhã, o assistente de Emir chegou. Estacionou o carro em frente à casa e começou a retirar algumas caixas do porta-malas. Um dos seguranças se aproximou para ajudá-lo e, aos poucos, os dois começaram a levar as compras para a cozinha.Maya estava preparando uma massa quando viu a primeira caixa entrar. Afastou-se um pouco da bancada para dar passagem, mas logo veio outra, seguida de mais uma. Quando percebeu que as caixas não paravam de chegar, ficou olhando, sem entender como uma simples lista de compras poderia ter resultado em tudo aquilo.Olhou para Amim, que brincava com Esra ali perto.— Amim, vá chamar seu pai no escritório, por favor.O menino se levantou imediatamente e saiu correndo.Emir estava sentado à escrivaninha, examinando alguns documentos, quando o filho apareceu à porta.— Papai, Maya está chamando você na cozinha.Emir ergueu os olhos e, por um instante, ficou olhando para o menino. Não precisou perguntar o motivo. Imagi







