INICIAR SESIÓNEu amava respirar ar puro, sentir a brisa da manhã tocando meu rosto, me deixar levar apenas pelos sons das árvores chacoalhando e dos pássaros cantando, era o meu calmante natural.
Fazia isso com tanta frequência para fugir do caos, para me ver longe dos problemas, e esse era o único jeito de encontrar uma fonte de paz dentro de mim mesma, porque um ponto fora era inexistente, sempre foi depois que ele foi embora.Fechei os olhos e senti a brisa acariciar minha face, abraçar meu corpo, e me trazer as melhores sensações do mundo.Aquilo era tudo o que eu mais queria fazer.Estar no silêncio, em contato com a natureza, fugindo de um mundo turbulento… Não tinha como desejar mais.— Hope? Abri os olhos e virando minha cabeça, vi Benedict se aproximando apenas de calça jeans, sem camisa, com os cabelos bagunçados e a barba sem aparar.Era terrível e insano vê-lo daquele jeito.Não respondi ao seu chamado, apenas encarei por tempo demais seu abdômen e sua boca, sempre intercalando o olhar enquanto seus passos lentos o deixavam ainda mais perto de mim.Meu chefe se abaixou quando chegou bem pertinho e me encarou fixamente.Aquele mesmo olhar de muitas noites atrás.Toda uma perdição na imensidão de suas íris.— Me desculpa por isso — sussurrou ainda me encarando do mesmo jeito. A mesma fala...Poderia perguntar porquê ele estava se desculpando, mas não foi preciso quando o homem levou uma mão até minha nuca e sem esperar, levou seus lábios de encontro aos meus, iniciando um beijo que parecia ter sido desejado durante anos.Foi incrível, talvez até mesmo perfeito. Todo o ato em si, não poderia reclamar de nada.— Hope? — chamou mais uma vez.Abri os olhos percebendo que sua boca já não estava mais tão próxima, e ao voltar a enxergar, já não era mais dia e sim, noite.No tecido sob mim não havia mais nenhuma fruta, não tinha sinais de um piquenique agradável nem mesmo sinais de paz, muito pelo contrário, ao meu redor agora havia muitos copos caídos e bebidas com alto teor alcoólico.Bene permaneceu em minha frente, ao menos, mas aquele cenário...— Hope?Dessa vez, não era sua voz.O chamado partiu de um ponto atrás de mim.Girei a cabeça e o que vi foi Joshua com uma feição triste e desapontada. Merda!— Hope...?Mais uma vez, Benedict.Eu iria me levantar, iria correr até meu namorado e dizer que nada daquilo era o que ele estava pensando, mas ao sentir os dedos de meu chefe acariciando gentilmente meus cabelos, tive uma vontade maior de permanecer.— Hope, já está na hora... Acorde.Enfim, abri os olhos.Abri os olhos de verdade e vi Bene ajoelhado ao lado do sofá, passando a mão em meu cabelo e sorrindo pequeno ao avaliar meu rosto de perto.Merda, merda, e merda!Odiava sonhos assim.Odiava sonhos que me remetiam à Benedict, e principalmente, à Joshua sofrendo por erros meus.— Que horas são? — Esfreguei o rosto tentando despertar enquanto o homem se afastava.Parecia que um caminhão, um trem, um submarino e um enorme avião haviam me atropelado.Meu corpo não estava preparado para mais um dia, no entanto, não tinha escolhas, apenas levantar ou levantar.— É cedo ainda. Mas acho que precisa passar no seu apartamento e resolver um outro problema que deixou lá, antes de começarmos a resolver os problemas da empresa.Que merda ele estava falando?Forcei meu corpo a se inclinar e me sentei.Passei as mãos no cabelo, tentando abaixar o frizz que eu tinha certeza que estava ali.Bene voltou a me olhar, acompanhando cada movimento meu.— Qual exatamente é o problema que deixei no meu apartamento? — Me levantei e espreguicei os braços.Meu chefe torceu o nariz em uma careta e levou seus olhos para o celular em sua mão, parecendo procurar algo.Ao encontrar, suspirou pesado e voltou a me encarar com os olhos mais escuros que claros."Legard? Eu sei que está vendo o celular tocar e também sei que a Hope está com você. Então pare de ser um filho da puta e deixa eu falar com ela agora! Pouco me importa onde estão ou o que estão fazendo, eu só quero falar com ela... Agora."Meu coração quase saltou do peito ao ouvir a voz de Joshua no áudio.Ele estava fodidamente irritado, e óbvio que tinha todos os motivos do mundo para isso.Fechei os olhos e esfreguei o rosto mais uma vez, sentindo a dor de cabeça se intensificar e o aperto no peito aumentar gradativamente.— Porra! — resmunguei.— Me desculpa por isso — pediu, me fazendo abrir os olhos ao relembrar o sonho, e também a tal noite. — Achei que ele estivesse viajando para cobrir algum jogo. Você tinha dito que ele ficaria fora por duas semanas, então não imaginei que estivessem juntos noite passada.Benedict parecia preocupado de verdade, e arrependido por ter me tirado de casa na madrugada.Mas a culpa era toda minha.Quem tinha um compromisso com Josh era eu, então se alguém havia cometido um grande erro, esse alguém era apenas eu.— Não se preocupe. Vou falar com ele e tudo vai ficar bem! — Tentei soar calma, por mais difícil que fosse. — Só preciso passar no apartamento, tomar um banho, me arrumar, e logo apareço na Calisto pra resolvermos as coisas... Nos encontramos em uma hora e meia?Benedict cruzou os braços, gesticulou a cabeça em afirmação e permaneceu em silêncio ao me ver pegar o casaco, calçar as pantufas e sair porta a fora.E mais uma vez as merdas vinham em minha direção e eu mal podia culpar as pessoas visto que quem agia de modo inconsequente era eu.Sério, às vezes nem eu acreditava na minha capacidade de cair em erros tão bobos.Parecia que havia em mim um imã para o caos, e infelizmente, vivendo com os Legards, eu não conseguia me livrar desse magnetismo.O nosso "para sempre" foi marcado meses após o pedido informal.Bom, "informal" porque Tyler fez um super pedido na ceia de Natal, quando nossas famílias estavam reunidas. Após pedir minha mão ao meu pai, começamos a organizar uma festa digna de um casamento verdadeiro. Nada mais era uma farsa.Não havia um contrato. Éramos eu e Tyler vivendo a nossa verdade, e eu aceitei que ela fosse linda. Sophie me ajudou com muitas coisas, e Chloe, assim como meu pai, não ficaram fora disso. Tudo foi projetado com muito carinho, e agora faltava bem pouco para "o grande dia" e eu me via cada vez mais ansiosa para me casar com o homem mais incrível que eu havia conhecido. Ajeitei o vestido branco em meu corpo e me avaliei no espelho outra vez. Era a vigésima vez que eu o experimentava.Passei os dedos no tecido leve, enquanto os olhos acompanhavam o percurso através do reflexo. Tudo estava fluindo de uma forma tão maravilhosa que parecia nem ser verdade. Bom, tudo, tudo, não. Mas noventa p
Eu sempre fui o tipo de pessoa que não acredita com veemência no amor verdadeiro. Meus pais e o mundo ao meu redor me fizeram desacreditar desse sentimento. Vivi sempre me satisfazendo com o raso, com coisas simples, supérfluas, que não eram nunca tão intensas… Até Tyler acontecer.É, ele aconteceu. Tyler Legard aconteceu na minha vida e eu me vi sentindo um turbilhão de emoções e sensações que desafiaram até as minhas próprias convicções. Ele me ensinou muita coisa, e eu tinha uma leve certeza de que continuaria ensinando, e no momento, naquele exato momento, Tyler acabava de me mostrar que um homem era capaz, sim, de me deixar sem reação e sem saber o que dizer. Engoli em seco sentindo as lágrimas queimando nos meus olhos e não soube como reagir. Sobre a mesa do restaurante italiano estava uma caixinha forrada em veludo. Dentro dela? Um anel com uma enorme pedra de diamante. Elevei o olhar para Tyler e continuei sem saber o que dizer. — Isso é sério? — sussurrei completamen
Caminhando com rapidez pelo andar principal da Hayans, senti os olhares queimando em mim com curiosidade, e também senti que todos eles estavam me julgando. Não queria fazer aquilo, não queria nem mesmo pensar daquela forma mas… eu era uma Legard, mesmo que o sobrenome não fosse mais meu, eu ainda era a mulher do CEO da Hayans e era a dona daquela porra toda. Pensando em porra, soltei um risinho quando parei na frente do elevador e senti minha boceta encharcada. Tyler não deixou eu me limpar antes de sair da sua sala, e agora eu tinha esperma escorrendo pelas minhas pernas e me deixando marcada, como ele mesmo gostava de dizer.E eu estava amando… estava realmente adorando me sentir sua, de verdade.Apertei o botão para que a porta de metal se abrisse e com a postura altiva, entrei no elevador vazio. Quando girei os calcanhares e vi todas as pessoas que trabalhavam ali me olhando, sorri gentil. Se qualquer um pensou que eu sairia da vida de Tyler tão fácil, se enganou. Apressada
>TYLER… Ela não ficou ao meu lado pelo dinheiro, ela não aceitou assinar o contrato de casamento apenas para ficar "rica" quando ele chegasse ao fim. Hope fez tudo o que fez para "cuidar" da sua vida, da mãe problemática, das contas que batiam à porta, e para ter um futuro certo e estável.Não foi ganância, foi esperteza, e no meio disso ela foi capaz de nutrir sentimentos reais por mim. Ela foi a única que fez com que eu sentisse segurança de verdade. Foi a única em que pude confiar de olhos fechados, mas foi também quem eu machuquei sem peso na consciência. Sabia dos erros que co
Minha bunda deslizou sobre a mesa de vidro grosso e a possibilidade de alguém chegar me deixou ainda mais instigada. Ofegante, agarrei os ombros de Tyler que tinha o corpo vestido em um terno azul petróleo, e mordi o lábio inferior para não gemer.Eu tinha ido na Hayans apenas para entregar documentos antigos que já não eram mais do meu interesse nem da minha conta, no entanto, depois de uma semana que havíamos nos encontrado em Boston, Tyler Legard parecia estar mais sedento do que antes. Seus lábios macios continuaram beijando meu pescoço e eu fechei os olhos, sentindo suas mãos deslizando pelas minhas pernas, erguendo a saia lápis que delineava minhas curvas.— Você não deveria vir até aqui com essa sua bunda gostosa marcada em um tecido tão fino — sussurrou em meu ouvido com um tom bravo. Tentei fechar as pernas para que ele não continuasse com seus toques, mas foi impossível já que seu quadril estava no meio delas. — Ty, por favor, sua secretária pode entrar a qualquer moment
A chuva fraca caía do lado de fora enquanto meu corpo era aquecido pelo de Tyler. Tentei puxar na memória um dia em que já havia me sentido tão em paz quanto estava me sentindo… não me lembrava de nenhum. Eu gostava da bagunça que era a minha vida quando trabalhava para Benedict, mas não podia negar que estar longe dele tinha me feito um certo bem. Passei tempo demais querendo provar para mim mesma que tinha um valor alto, e no fim, acabei me desgastando nesse processo. Eu era boa. Era forte e decidida, contudo, não precisava tentar provar isso para mais ninguém. Estava bem comigo mesma, sabendo de todo o potencial que existia dentro de mim, afinal, suportei Tyler Legard por pouco mais de um ano.Não tinha como ser "fraca". — Posso saber o que se passa dentro dessa cabecinha linda? — O hálito quente se chocou na minha nuca e meu conforto se intensificou. Suspirei sorrindo de canto mesmo que Tyler não pudesse ver, e me remexi deixando que seus braços fortes me puxassem ainda ma







