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Capítulo 54 — Tudo Pelas Aparências

last update Data de publicação: 2026-08-21 08:53:06

“Aurora”

Durante o caminho, não falei praticamente nada.

Também não havia muito o que dizer.

Henrique e Lara conversavam no banco de trás sobre alguma coisa que eu não fazia questão de acompanhar. Em alguns momentos, ela ria baixo; em outros, usava aquele tom doce e cuidadoso que parecia surgir sempre que estava perto dele. Eu mantive os olhos na janela, acompanhando as luzes de Boston passarem depressa enquanto fingia um interesse enorme pela cidade àquela hora da noite.

O trajeto ne
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    HenriquePor alguns segundos, permaneci imóvel, encarando o teto enquanto tentava entender por que havia alguma coisa quente pressionada contra meu peito.Não precisei olhar.Aurora.Seu rosto estava acomodado próximo ao meu ombro, os cabelos loiros espalhados sobre meu braço e parte do travesseiro. Uma de suas pernas estava entrelaçada às minhas, e minha mão repousava em sua cintura com uma naturalidade que teria sido impossível explicar alguns dias antes.Dessa vez, não havia uma barreira de travesseiros que pudesse culpar.Aurora estava contra mim porque, horas antes, eu a havia colocado exatamente ali.E eu me lembrava de cada segundo.Meu olhar percorreu lentamente o quarto. A camisa que eu usara na noite anterior estava abandonada perto da cama, alguns botões espalhados pelo chão. A blusa de Aurora havia terminado perto demais da porta para que eu conseguisse reconstruir exatamente quando fora parar ali.Passei a mão pelo rosto.Definitivamente não era a manhã que eu imaginara q

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    “Henrique” Levei pouco mais de vinte minutos para chegar ao endereço que Bruna havia enviado. Durante todo o caminho, perguntei a mim mesmo por que estava fazendo aquilo. Aurora era uma mulher adulta. Podia ir chamar um motorista, pegar um táxi ou voltar com Bruna. Não precisava que eu atravessasse parte da cidade perto da meia-noite porque havia decidido descobrir quantos drinks eram necessários para perder o bom senso. Ainda assim, eu estava ali. Encontrei os três na parte superior do bar. César foi o primeiro a me ver. Bruna percebeu logo depois e abriu um sorriso satisfeito, mas foi a expressão de Aurora que prendeu minha atenção. Surpresa. Ela realmente não esperava que eu viesse. Bruna soltou uma risada. — Falei que ele vinha. Aurora olhou para ela como se tivesse acabado de sofrer uma traição. — Bruna! Parei diante da mesa e olhei para a quantidade de copos vazios espalhados sobre ela antes de voltar minha atenção para César. — O que você está fazendo aqui? — Tam

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    “Bruna” Eu já nem sabia em qual rodada estávamos àquela altura. O que começara como uma saída inocente depois do trabalho havia se transformado em uma mesa de confissões regada a tequila, drinks coloridos e decisões que provavelmente pareceriam muito ruins na manhã seguinte. Aurora estava com as pernas recolhidas sobre o sofá, o blazer abandonado ao lado da bolsa e o copo apoiado entre as mãos. A conversa sobre Henrique e Lara havia deixado um peso estranho no ar, e talvez tenha sido justamente por isso que, quando ela perguntou se existia alguém na minha vida, eu respondi antes de pensar direito. — Eu gosto de alguém secretamente há dois anos. E toda vez que chego perto dele viro uma completa idiota. Aurora virou o rosto devagar para mim. — Dois anos? — Não precisa repetir desse jeito. — Que jeito? — Como se eu fosse uma fracassada emocional. Ela começou a rir. — Eu não falei isso. — Seus olhos falaram. — Meus olhos estão bêbados. — Os meus também. Rimos

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