Inicio / Romance / Casada com Meu Inimigo Por Contrato / Capítulo 7 — Quase um Casal

Compartir

Capítulo 7 — Quase um Casal

last update Fecha de publicación: 2026-07-20 22:46:57

POV: Aurora

O silêncio durou apenas alguns segundos.

Depois, os flashes explodiram por todos os lados.

Raul Montes abriu um sorriso satisfeito antes de voltar sua atenção para a imprensa.

— Senhoras e senhores…

Fez uma breve pausa.

— Tenho a honra de apresentar oficialmente a futura senhora Montes.

Meu nome ecoou pelo auditório logo em seguida.

— Aurora Ávila.

As câmeras voltaram-se completamente para mim.

Respirei fundo.

E caminhei até o palco.

Cada passo parecia mais pesado que o anterior.

Quando finalmente parei ao lado de Henrique, pude sentir dezenas de lentes apontadas para nós.

Raul aproximou-se do microfone novamente.

— Tenho o prazer de anunciar o noivado desse casal.

Os aplausos começaram imediatamente.

Fotógrafos gritavam instruções ao mesmo tempo.

— Senhor Henrique, mais para a direita!

— Senhorita Aurora, olhe para cá!

— Um sorriso, por favor!

Antes que eu pudesse reagir, senti uma mão envolver delicadamente minha cintura.

Meu corpo enrijeceu.

Virei discretamente o rosto.

Henrique mantinha o mesmo sorriso impecável para as câmeras.

Como se aquele gesto fosse a coisa mais natural do mundo.

Aproximei os lábios de seu ouvido.

— Tire a mão de mim.

Sem apagar o sorriso, ele respondeu:

— Não estrague as fotos.

Franzi a testa.

— Não precisa exagerar.

— Preciso.

A voz saiu tranquila.

Disfarçadamente, deixei meu olhar percorrer o auditório.

Encontrei Adrian.

Ele observava tudo em silêncio.

Os braços cruzados.

A expressão fechada.

Entendi.

Aquilo não era para convencer a imprensa.

Era uma provocação.

Voltei a encarar Henrique.

— Então é isso?

— O quê?

— Está tentando provocar seu irmão.

Ele deu um leve sorriso de canto.

— Está funcionando.

Revirei os olhos.

Se ele queria usar aquela encenação…

Eu também podia jogar.

Aproximei-me um pouco mais.

O suficiente para diminuir a distância entre nossos corpos.

Senti sua mão enrijecer discretamente em minha cintura.

Inclinei a cabeça como se fosse dizer algo romântico.

Na verdade, sussurrei:

— Sua namorada também está olhando.

Os olhos violetas encontraram os meus por um breve instante.

Então percebi sua mão apertar minha cintura um pouco mais.

Levantei o olhar.

Lara continuava na primeira fila.

O sorriso que carregava desde o início da coletiva havia desaparecido completamente.

Sorri para as câmeras.

Henrique fez o mesmo.

Para quem observava de fora…

Parecíamos o casal perfeito.

Mas só nós dois sabíamos que aquela aproximação não passava de mais uma disputa silenciosa.

Um dos assessores aproximou-se do microfone.

— Abriremos espaço para algumas perguntas da imprensa.

Diversas mãos se levantaram ao mesmo tempo.

O assessor apontou para uma jornalista na primeira fila.

Ela se levantou imediatamente.

— Senhorita Aurora, o senhor Henrique Montes é conhecido por todos como um homem frio, reservado e praticamente impossível de se aproximar. Como é para você ser a noiva dele?

Sorri.

Sabia exatamente o que esperavam ouvir.

Voltei meu olhar para Henrique.

Ele permanecia impecável.

Como se nada pudesse abalá-lo.

Então respondi:

— Essa é uma pergunta fácil.

Os jornalistas ficaram em silêncio.

— Para vocês, Henrique Montes pode ser um homem frio e intocável.

Inclinei levemente a cabeça.

— Para mim…

Sorri discretamente.

— Ele é apenas o Henrique.

Percebi o canto dos lábios dele se mover quase imperceptivelmente.

Continuei:

— Carinhoso.

Atencioso.

E completamente diferente quando não precisa usar essa armadura que todos conhecem.

Os flashes voltaram a disparar.

Mantendo o sorriso para as câmeras, Henrique aproximou os lábios do meu ouvido.

— Ótima atriz.

Sem mover os lábios, respondi:

— Aprendi com você.

O assessor apontou para outro jornalista.

— Senhor Henrique, durante anos seu nome foi associado ao de Lara Viegas. Muitos acreditavam que vocês se casariam. O que aconteceu?

O auditório inteiro pareceu prender a respiração.

Olhei discretamente para a primeira fila.

Lara mantinha a postura elegante.

Mas seus dedos apertavam a bolsa com força.

Henrique respondeu sem hesitar.

— Lara é uma pessoa por quem tenho profundo respeito.

Fez uma breve pausa.

— Trabalhamos juntos há anos e construímos uma grande amizade.

Nada além disso.

Os fotógrafos voltaram suas câmeras para Lara.

Ela sustentou o sorriso.

Mas seus olhos perderam o brilho por um instante.

O assessor escolheu mais uma pergunta.

— Senhorita Aurora… existe algo que a fez aceitar esse pedido de casamento?

Meu coração acelerou.

Por um segundo, pensei no hospital.

No meu pai.

Na empresa.

Nas dívidas.

Mas nenhuma daquelas respostas podia ser dita.

Sorri para os jornalistas.

Depois olhei para Henrique.

— Algumas decisões mudam completamente o rumo da nossa vida.

Voltei minha atenção para a imprensa.

— E eu acredito que essa será uma delas.

Henrique permaneceu olhando para mim por alguns segundos.

Como se tentasse descobrir se existia alguma verdade escondida naquela resposta.

Talvez existisse.

Talvez nem eu soubesse qual era.

O assessor voltou ao microfone.

— A última pergunta.

Os jornalistas voltaram a levantar as mãos.

Um jornalista no fundo da sala recebeu o microfone.

— Senhor Henrique… quando será o casamento?

Henrique não desviou os olhos da imprensa.

— Daqui a duas semanas.

Os flashes voltaram a iluminar o palco.

— E esperamos contar com todos vocês nesse dia.

O jornalista agradeceu.

O assessor retomou o microfone.

— Encerramos as perguntas. Agora faremos algumas fotos oficiais do casal.

Antes que eu pudesse respirar aliviada, ouvi a fotógrafa dar as primeiras instruções.

— Senhor Henrique, um pouco mais perto dela.

Henrique obedeceu sem hesitar.

Sua mão voltou para minha cintura.

Meu corpo reagiu imediatamente.

— Continue sorrindo — ele murmurou sem mover os lábios.

Forcei um sorriso.

— Você gosta de me provocar, não é?

— Só quando você facilita.

Revirei os olhos.

A fotógrafa sorriu satisfeita.

— Perfeito.

Agora olhem um para o outro.

Virei o rosto.

Henrique já me observava.

Os flashes voltaram a disparar.

— Excelente!

Mais um pouco.

A fotógrafa fez um gesto com a mão.

— Senhor Henrique… aproxime-se um pouco mais.

Ele diminuiu a distância entre nós.

Por um instante, consegui sentir seu perfume.

Meu coração acelerou contra a minha vontade.

— Assim está ótimo! — comemorou a fotógrafa. — Agora quero uma foto mais espontânea.

Henrique inclinou levemente a cabeça.

— Continua nervosa?

Sorri para as câmeras.

— Só tentando não cometer um crime em público.

Ele soltou uma breve risada.

Discreta.

Quase imperceptível.

Mas suficiente para arrancar novos flashes.

— Perfeito! — a fotógrafa comemorou. — Essa ficou excelente.

Alguns minutos depois, a coletiva chegou ao fim.

Os jornalistas começaram a deixar o auditório.

Os funcionários desmontavam parte da estrutura.

Eu finalmente respirei aliviada.

Até ouvir a voz de Raul Montes.

— Aurora. Henrique.

Nós dois nos viramos ao mesmo tempo.

— Venham comigo.

Seguimos Raul em silêncio até uma sala reservada.

Assim que a porta se fechou, ele colocou um molho de chaves sobre a mesa.

Franzi a testa.

— O que é isso?

Raul cruzou as mãos diante do corpo.

— As chaves do apartamento de vocês.

Olhei rapidamente para Henrique.

Pela primeira vez naquela manhã, ele parecia tão surpreso quanto eu.

— Apartamento? — perguntei.

Raul assentiu com naturalidade.

— As malas de vocês já foram levadas.

Meu coração falhou uma batida.

— Como assim?

— A partir de hoje…

Ele fez uma breve pausa.

Como se estivesse anunciando a coisa mais óbvia do mundo.

— Vocês começam a morar juntos.

O silêncio tomou conta da sala.

Olhei para Henrique.

Ele continuava encarando o avô.

Sem dizer uma palavra.

Enquanto eu só conseguia pensar em uma coisa.

Meu Deus…

Eu realmente passaria a dividir o mesmo teto com Henrique Montes.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Casada com Meu Inimigo Por Contrato    Capítulo 78 — Como Antes

    HenriquePor alguns segundos, permaneci imóvel, encarando o teto enquanto tentava entender por que havia alguma coisa quente pressionada contra meu peito.Não precisei olhar.Aurora.Seu rosto estava acomodado próximo ao meu ombro, os cabelos loiros espalhados sobre meu braço e parte do travesseiro. Uma de suas pernas estava entrelaçada às minhas, e minha mão repousava em sua cintura com uma naturalidade que teria sido impossível explicar alguns dias antes.Dessa vez, não havia uma barreira de travesseiros que pudesse culpar.Aurora estava contra mim porque, horas antes, eu a havia colocado exatamente ali.E eu me lembrava de cada segundo.Meu olhar percorreu lentamente o quarto. A camisa que eu usara na noite anterior estava abandonada perto da cama, alguns botões espalhados pelo chão. A blusa de Aurora havia terminado perto demais da porta para que eu conseguisse reconstruir exatamente quando fora parar ali.Passei a mão pelo rosto.Definitivamente não era a manhã que eu imaginara q

  • Casada com Meu Inimigo Por Contrato    Capítulo 77 — Uma Noite de Prazer

    “Aurora” Fiquei encarando Henrique, ainda sentindo o gosto dele na minha boca e a mão que permanecia em minha cintura como se, apesar de ter interrompido o beijo, ele também não tivesse decidido realmente me soltar. — Eu não estou bêbada a ponto de não saber quem você é. Os olhos violetas permaneceram presos aos meus. — Então quem eu sou? A resposta saiu antes que qualquer parte sensata de mim pudesse impedir. — O homem que eu quero beijar. Alguma coisa mudou no rosto dele. Pequena, quase imperceptível, mas eu conhecia Henrique o suficiente para perceber quando o controle começava a escapar por alguma fresta. Seus dedos apertaram ligeiramente minha cintura e, dessa vez, não foi a tequila que fez meu corpo esquentar. Aproximei-me novamente, mas Henrique segurou meu rosto antes que nossas bocas se encontrassem. — Olha para mim. Olhei. Não havia sorriso em seu rosto agora, nenhuma provocação, nada além daquela intensidade irritante que fazia parecer que ele consegui

  • Casada com Meu Inimigo Por Contrato    Capítulo 76 — Você sempre fala isso

    “Henrique” Levei pouco mais de vinte minutos para chegar ao endereço que Bruna havia enviado. Durante todo o caminho, perguntei a mim mesmo por que estava fazendo aquilo. Aurora era uma mulher adulta. Podia ir chamar um motorista, pegar um táxi ou voltar com Bruna. Não precisava que eu atravessasse parte da cidade perto da meia-noite porque havia decidido descobrir quantos drinks eram necessários para perder o bom senso. Ainda assim, eu estava ali. Encontrei os três na parte superior do bar. César foi o primeiro a me ver. Bruna percebeu logo depois e abriu um sorriso satisfeito, mas foi a expressão de Aurora que prendeu minha atenção. Surpresa. Ela realmente não esperava que eu viesse. Bruna soltou uma risada. — Falei que ele vinha. Aurora olhou para ela como se tivesse acabado de sofrer uma traição. — Bruna! Parei diante da mesa e olhei para a quantidade de copos vazios espalhados sobre ela antes de voltar minha atenção para César. — O que você está fazendo aqui? — Tam

  • Casada com Meu Inimigo Por Contrato    Capítulo 75 — Vamos Descobrir Se Ele Vem

    “Bruna” Eu já nem sabia em qual rodada estávamos àquela altura. O que começara como uma saída inocente depois do trabalho havia se transformado em uma mesa de confissões regada a tequila, drinks coloridos e decisões que provavelmente pareceriam muito ruins na manhã seguinte. Aurora estava com as pernas recolhidas sobre o sofá, o blazer abandonado ao lado da bolsa e o copo apoiado entre as mãos. A conversa sobre Henrique e Lara havia deixado um peso estranho no ar, e talvez tenha sido justamente por isso que, quando ela perguntou se existia alguém na minha vida, eu respondi antes de pensar direito. — Eu gosto de alguém secretamente há dois anos. E toda vez que chego perto dele viro uma completa idiota. Aurora virou o rosto devagar para mim. — Dois anos? — Não precisa repetir desse jeito. — Que jeito? — Como se eu fosse uma fracassada emocional. Ela começou a rir. — Eu não falei isso. — Seus olhos falaram. — Meus olhos estão bêbados. — Os meus também. Rimos

  • Casada com Meu Inimigo Por Contrato    Capítulo 74 — Ele Sempre Escolhe

    Era César. Sentado alguns metros abaixo, acompanhado por duas mulheres. Uma parecia ter cerca de cinquenta anos. Elegante, cabelos bem arrumados, postura impecável. A outra devia ter a nossa idade. Bonita. Muito bonita. César percebeu que estávamos olhando e ergueu a mão em um cumprimento discreto. Aurora, já alegre demais para qualquer sutileza, abriu um sorriso e acenou de volta. Segurei o braço dela e abaixei sua mão. — Para. Aurora me olhou. — O quê? — Nada. Ela tornou a olhar para César, depois para mim e, por último, para as duas mulheres sentadas com ele. Seus olhos se arregalaram como se tivesse acabado de chegar a uma conclusão importantíssima. — Ele é casado? — Não. — Noivo? — Não sei. — Namora? — Aurora. Ela apontou discretamente para a mesa. — Aquela é a namorada e a sogra? — Como eu vou saber? Aurora analisou a mesa com uma seriedade completamente incompatível com a quantidade de álcool no sangue. — Não. Não pode ser. — Por

  • Casada com Meu Inimigo Por Contrato    Capítulo 73 — Um Dia Daquele

    “Bruna” Se existia uma maneira digna de chamar a atenção de um homem, derramar café sobre a camisa dele definitivamente não estava entre elas. Descobri isso às nove e vinte e três de uma quinta-feira, no exato momento em que virei o corredor olhando para o celular e bati contra alguma coisa grande, firme e, aparentemente, incapaz de desviar de mulheres distraídas. O copo escapou da minha mão. — Merda! O café atingiu uma camisa branca impecável. Fechei os olhos. Não. Não, não, não. Levantei o rosto lentamente e encontrei César olhando primeiro para a própria camisa e depois para mim. É claro. De todas as pessoas daquela empresa, eu precisava derramar café justamente nele. — Bom dia — ele disse. — Foi sem querer. Uma das sobrancelhas dele se ergueu. — Eu só disse bom dia. — Mas disse com julgamento. — Você acabou de jogar café em mim. — Eu não joguei. Derramei. Existe uma diferença jurídica importante entre as duas coisas. César olhou novamente para

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status