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Nota da autora

last update Data de publicação: 2026-06-10 08:17:37

Nota da autora

Antes de começarmos uma nova história, eu queria conversar com vocês por alguns minutos.

A história da Júlia e do Victor me acompanhou durante muitos dias. Houve períodos em que eu acordava pensando neles, passava o dia escrevendo sobre eles e dormia imaginando o próximo capítulo. Aos poucos, eles deixaram de ser apenas personagens e passaram a ocupar um espaço muito especial dentro de mim.

E talvez isso tenha acontecido porque essa nunca foi apenas uma história sobre amor.

Foi uma história sobre escolhas, orgulho, reencontros, sobre aprender a voltar e sobre descobrir que algumas pessoas mudam a nossa vida de uma forma que não conseguimos explicar.

Enquanto escrevia, muitas vezes me vi refletindo sobre minhas próprias experiências, minhas próprias lembranças e meus próprios amores. Em vários momentos a Júlia me emocionou. Em outros, foi o Victor. Houve capítulos que me fizeram sorrir sozinha e outros que me deixaram pensando neles por horas depois de terminar de escrever.

A verdade é que encerrar essa história não foi fácil.

Porque eu também me apeguei a eles.

Me apeguei à força da Júlia, à teimosia do Victor, à Sofia, à Lilian, ao Diego, à fazenda e a tudo o que foi construído ao longo dessa jornada.

Mas existe uma coisa que essa história me ensinou enquanto eu a escrevia.

Recomeços são dolorosos.

Às vezes dolorosos demais.

Porque recomeçar exige admitir que alguma coisa acabou. Exige abrir mão de planos, expectativas, versões de nós mesmos e até de pessoas que imaginávamos que permaneceriam para sempre ao nosso lado.

E ninguém fala muito sobre isso.

As pessoas gostam de falar da felicidade que vem depois. Da superação. Da cura. Do final feliz.

Mas quase ninguém fala sobre a dor de atravessar o caminho até lá.

A Júlia me ensinou muito sobre isso. Ela me ensinou que existe coragem em ir embora quando é preciso, mas também existe coragem em voltar quando o coração pede. Me ensinou que independência nem sempre significa ficar sozinho e que, às vezes, a maior demonstração de força é permitir que alguém permaneça.

Talvez a maior lição dessa história seja que nem todo amor merece uma segunda chance.

Na vida real, muitas vezes não merece.

Porque amor, sozinho, não conserta falta de respeito. Não conserta abusos. Não conserta mentiras repetidas. Não conserta pessoas que não querem mudar.

Algumas histórias precisam terminar.

E tudo bem.

Aliás, muitas vezes terminar é a decisão mais corajosa que alguém pode tomar.

Mas algumas histórias são diferentes.

Algumas histórias terminam não porque o amor acabou, mas porque as pessoas ainda não estavam prontas. Porque precisaram crescer. Precisaram amadurecer. Precisaram se perder antes de encontrar o caminho de volta.

E foi isso que aconteceu com a Júlia e com o Victor.

Eu nunca escrevi uma história sobre insistir em alguém a qualquer custo. Escrevi uma história sobre duas pessoas que precisaram mudar para que o amor pudesse existir de forma saudável. E talvez seja por isso que eles tenham me tocado tanto.

Porque, no fundo, todos nós já tivemos alguma Júlia ou algum Victor na vida.

Todos nós já amamos alguém.

Todos nós já tivemos medo.

Todos nós já fomos embora quando queríamos ficar.

Ou ficamos quando deveríamos ter ido.

E talvez seja exatamente por isso que as histórias nos emocionam tanto. Porque, em algum momento, elas deixam de ser sobre os personagens e começam a falar sobre nós.

Mas existe uma coisa bonita sobre as histórias.

Elas terminam.

E precisam terminar.

Não porque deixamos de amar os personagens, mas porque chega um momento em que eles encontraram o caminho deles.

E eu sinto que a Júlia e o Victor encontraram.

Eles ainda existirão nesse universo. Ainda estarão por perto. Ainda farão parte das páginas que virão. Mas agora já não são eles que precisam contar a história.

Agora é a vez de outra pessoa.

Uma mulher completamente diferente.

Mais distante.

Mais difícil de entender.

Mais complicada.

Talvez até mais perdida.

Uma mulher que passou anos correndo para longe de casa e que agora, ironicamente, parece não ter para onde fugir.

E, honestamente?

Estou ansiosa para conhecê-la junto com vocês.

Obrigada por terem caminhado ao lado da Júlia e do Victor até aqui. Obrigada por cada capítulo lido, por cada emoção compartilhada e por todo o carinho que vocês dedicaram a essa história.

Agora, vamos conhecer Helena.

Com carinho,

Marcela.

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Último capítulo

  • Casada com meu chefe fazendeiro   Capítulo 95

    Depois que todos se serviram, Victor foi até o carro e voltou com uma garrafa de vinho que havia guardado para a viagem. Pegou os copos descartáveis que estavam sobre a mesa e começou a servir, distribuindo-os entre nós com a maior naturalidade. Júlia acompanhou a cena com um sorriso divertido. — Olha só. Trouxe vinho e vai servir em copo descartável. Victor ergueu os olhos para ela. — Você queria que eu trouxesse taças de cristal para o Pantanal? — Não. Só estou admirando a sofisticação. Gustavo soltou uma risada, e Henrique estendeu o copo na direção de Victor. — Serve logo o meu antes que ela invente uma carta de vinhos. — Vocês estão muito engraçados hoje — Victor resmungou, enchendo o copo do primo. — Eu só estou dizendo que, para alguém que planejou essa viagem durante seis meses, você podia ter pensado nos detalhes — Júlia continuou. — Eu pensei nos detalhes. Trouxe vinho. — No copo é que você economizou. Dessa vez, até Victor riu. Entregou o copo à esposa e se sent

  • Casada com meu chefe fazendeiro   Capítulo 94

    Assim que chegamos à área reservada para as barracas, Victor estacionou o carro e os homens começaram a descarregar os equipamentos. O sol ainda estava alto, mas já se aproximava do fim da tarde, e era melhor deixar tudo pronto antes que escurecesse. O espaço era amplo, cercado por árvores e vegetação. Outras pessoas já haviam montado suas barracas em diferentes pontos da área, algumas mais próximas umas das outras, outras um pouco afastadas. Havia gente organizando cadeiras, guardando equipamentos de pesca e preparando o que seria o jantar. Mais adiante, algumas fogueiras começavam a ser acesas, e o cheiro da lenha queimando chegava até nós com o vento. Peguei minha mochila e fiquei observando enquanto Victor e Henrique retiravam as barracas do carro. — Vamos montar a sua primeiro — Victor disse, dirigindo-se a mim. — Depois a gente organiza as nossas. — Não precisa, eu posso ajudar. — Pode deixar, Helena. Aproveita para separar suas coisas enquanto a gente cuida disso. Henriqu

  • Casada com meu chefe fazendeiro   Capítulo 93

    Júlia continuava reclamando da falta de água quente quando Henrique se aproximou de mim. — Quer conhecer um pouco do rio? — perguntou. — Tem um trecho bonito aqui perto. Dá para ver melhor a paisagem e, se tivermos sorte, alguns animais. Olhei para ele, interessada. — Tem animais por aqui mesmo, tão perto do camping? — Tem. Depende do horário e da sorte também. Já vi capivaras por aqui, jacarés mais afastados da área de circulação e várias espécies de aves. De manhã cedo costuma ser ainda melhor. — E você consegue andar por aí tranquilamente sabendo que tem jacaré por perto? Henrique riu. — Consigo, desde que eu saiba onde estou pisando. — Isso não me tranquiliza nem um pouco. — Você não precisa ter medo de tudo. É só respeitar o lugar e seguir as orientações de quem conhece a região. — Eu respeito. Só não quero descobrir que uma sucuri estava escondida no caminho quando já for tarde demais. Ele soltou uma risada, e eu acabei rindo também. — Está bem. Vou avisar todas as s

  • Casada com meu chefe fazendeiro   Capítulo 92

    Cruzei os braços e olhei pela janela. — Só achei estranho. Júlia começou a rir. — Você acabou de descobrir que seu irmão tem amigos. — Eu sei que ele tem amigos. — Então qual é o problema? — Nenhum. Era melhor deixar assim. Eu não queria explicar que o problema era especificamente um daqueles amigos. Ou melhor, que não era exatamente um amigo. Henrique. Respirei fundo e tentei voltar à conversa. — E vocês vão ficar onde? — No camping — Victor respondeu. — Camping? — Sim. Tem uma estrutura boa lá. Banheiros, área para refeição, algumas coisas organizadas. Assenti. Não me incomodava. Depois de quase dois anos trabalhando em lugares onde dormir em uma estrutura improvisada já era considerado uma sorte, uma barraca em um camping organizado parecia quase um hotel. O único detalhe que me fez pensar duas vezes foi imaginar a noite. Uma barraca. No Pantanal. Sozinha. Com sons que eu provavelmente não saberia identificar e animais circulando do lad

  • Casada com meu chefe fazendeiro   Capítulo 91

    Quando cheguei ao casarão, encontrei Victor e Júlia na sala, conversando enquanto Sofia brincava no tapete com alguns brinquedos espalhados ao redor. — Até que enfim — Victor disse assim que me viu. — A gente estava quase mandando alguém atrás de você. — Dramático como sempre. Júlia abriu os braços para mim. — Vem cá. Aproximei-me e ela me puxou para um abraço apertado. — Você sumiu a tarde inteira. — Fui conversar com a Cristina. — Eu imaginei. Sentei-me no sofá ao lado dela, enquanto Victor continuava acompanhando Sofia com os olhos. Todos nós era apaixonados pela nossa sobrinha. — E aí? — Júlia perguntou. — Está tudo certo com o parto? — Está. A gente revisou algumas coisas da equipe, os contatos, o que precisa ficar preparado… Essas coisas. Victor assentiu. — Então está tudo organizado. — Está. E, pela data prevista, ainda faltam umas três semanas para ela ganhar o bebê. — Três semanas? — Júlia perguntou. — Mais ou menos isso. — Então ainda tem t

  • Casada com meu chefe fazendeiro   Capítulo 90

    Dois dias depois, fui até a fazenda Albuquerque de tarde para conversar com Cristina sobre o parto. Eduarda e eu já tínhamos alinhado boa parte da organização, mas ainda havia alguns detalhes que eu queria deixar definidos com ela. Quando cheguei, Cristina estava descansando. — Ela deve acordar daqui a pouco — uma das funcionárias me avisou. — Se quiser, pode esperar no escritório do senhor Henrique. Agradeci e segui pelo corredor. Bati na porta antes de entrar. Henrique levantou os olhos do computador. — Helena. — Oi. A Cristina está dormindo. — Eu sei. Ela estava cansada. Fiquei parada por um instante. — Posso esperar aqui? Ele apontou para a cadeira. — Claro. Sentei-me, e ele voltou ao trabalho. Não era exatamente desconfortável, mas também não tinha a facilidade de antes. Eu percebia cada silêncio, cada movimento dele. — Como estão as coisas? — ele perguntou depois de alguns minutos. — Do parto? — É. — Bem. A Eduarda está acompanhando tudo de pert

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