INICIAR SESIÓNMia precisava de um novo começo. Um emprego estável, independência e, de preferência, distância de qualquer complicação amorosa. Mas uma festa, alguns drinques a mais e um desconhecido irresistivelmente provocador transformam uma noite comum em uma lembrança cheia de lacunas. Na manhã seguinte, ela foge sem olhar para trás. Ou pelo menos tenta. Pouco tempo depois, Mia conquista uma vaga na Jubran Moda e passa a trabalhar para Dante Jubran, um executivo exigente, reservado e misterioso que, por estar viajando, ela conhece apenas por mensagens, ligações e ordens enviadas a distância. Durante semanas, tudo funciona perfeitamente. Até Dante voltar. E Mia perceber que o destino possui um senso de humor particularmente cruel. Agora, entre provocações, silêncios perigosos e uma atração que nenhum dos dois parece disposto a admitir, Mia precisará descobrir até onde consegue separar passado e presente. Porque Dante também guarda suas próprias certezas. E talvez algumas lembranças. Uma noite mal lembrada. Um reencontro impossível. Um contrato, segredo entre os dois. Às vezes, o maior engano não está na mentira que contamos aos outros. Está naquela em que escolhemos acreditar.
Ver másCapítulo 1
Mia já estava arrependida dos sapatos. Não da festa. Ainda. Dos sapatos, definitivamente. — Eu vou perder um dedo — reclamou, apoiando uma das mãos no balcão do banheiro feminino enquanto tentava aliviar o peso sobre o pé direito. — Talvez dois. Alice, diante do espelho, retocava o batom vermelho como se a amiga não estivesse anunciando uma amputação iminente. — Você está usando salto há quarenta minutos. — Quarenta e sete. — Está contando? — A dor faz coisas estranhas com a percepção do tempo. Alice soltou uma risada. — Você é impossível. — E você disse que seria uma comemoração pequena. — É pequena. Mia virou lentamente o rosto para encará-la. — Tem um DJ, Alice. — E? — Tem seguranças na entrada. — O lugar exige. — Tem uma mulher tocando saxofone no meio da pista! Alice guardou o batom na pequena bolsa dourada. — Ela é maravilhosa, inclusive. — Você entendeu o meu ponto. — Entendi que você reclama demais. Mia suspirou. Era inútil. Aos vinte e sete anos, conhecia Alice havia tempo suficiente para saber que "vamos tomar alguma coisa no meu aniversário" poderia signific desde uma garrafa de vinho no apartamento da amiga até uma festa para quase cem pessoas em um dos espaços mais disputados da cidade. Naquela noite, significara a segunda opção. Alice completava vinte e oito anos e decidira comemorar em grande estilo. O salão ocupava o último andar de um edifício sofisticado. Grandes paredes de vidro mostravam a cidade iluminada lá embaixo, enquanto lustres modernos derramavam uma luz dourada sobre mesas, sofás e arranjos de flores. A música era alta o suficiente para criar atmosfera, mas não tanto que impedisse uma conversa. Tudo parecia caro. Até o ar-condicionado parecia caro. E Mia se sentia ligeiramente deslocada. Não porque estivesse malvestida. Alice não permitiria. Mia usava um vestido preto de tecido acetinado, de alças finas, que acompanhava suavemente seu corpo e terminava alguns centímetros acima dos joelhos. O decote era delicado, mais elegante que ousado. Nos pés, estavam os responsáveis por seu sofrimento: sandálias pretas de salto fino. Os cabelos castanhos, naturalmente lisos com uma ondulação discreta nas pontas, estavam soltos sobre os ombros. A maquiagem era leve. Máscara nos cílios, um pouco de iluminador e batom em tom rosado. Nada exagerado. Ainda assim, quando saíra de casa, Alice levara três segundos olhando para ela antes de decretar: "Hoje você não vai ficar escondida em um canto." Mia tinha sérias dúvidas. — Posso tirar os sapatos? — perguntou. — Não. — Você nem pensou. — Porque conheço você. Se tirar, vai acabar esquecendo onde deixou. — Isso aconteceu uma vez. — Duas. Mia estreitou os olhos. — Uma delas não conta porque eu estava bêbada. Alice sorriu. — Pretende usar a mesma desculpa amanhã? — Amanhã? — Quando eu perguntar por que você passou meu aniversário inteiro perto da mesa de doces. — Não vejo problema nenhum nisso. Alice segurou a mão dela. — Vamos. — Para onde? — Para minha festa. — Nós já estamos na sua festa. — Não parece. Você está escondida no banheiro há dez minutos. Mia deixou-se arrastar. — Eu estava descansando os pés. — Claro. Quando retornaram ao salão, uma nova música começava. Alice imediatamente foi cercada por amigos. Mia aproveitou a distração para escapar. Não para a mesa de doces. Ainda. Primeiro pegaria alguma coisa para beber. Dante Jubran odiava festas em que precisava estar. As que escolhia frequentar eram outra história. Naquela noite, porém, estava ali por insistência de um amigo em comum com a aniversariante e já considerava ter cumprido sua obrigação social. Quarenta minutos. Um drinque. Duas conversas irrelevantes. Três pessoas perguntando sobre a Jubran Moda. Suficiente. Ele olhou discretamente para o relógio. 22h18. Poderia ir embora. — Você está fazendo aquela cara. Dante virou-se para Rafael, que segurava um copo de uísque. — Que cara? — A de quem está calculando quantos minutos precisa ficar antes de desaparecer sem parecer mal-educado. — Já calculei. Rafael riu. — É aniversário da Alice. — Eu lhe dei parabéns. — Há vinte minutos. — Então minha participação foi exemplar. — Dante... — Rafael. O amigo balançou a cabeça. Dante levou o copo à boca. Aos trinta e quatro anos, ele não tinha mais paciência para fingir entusiasmo onde não existia. Era um dos motivos pelos quais algumas pessoas o consideravam arrogante. Dante preferia objetivo. Com quase um metro e noventa, ele chamava atenção mesmo quando não desejava. O corpo forte, construído por anos de exercícios e uma disciplina que aplicava a praticamente tudo, fazia com que roupas simples parecessem escolhidas com mais cuidado do que realmente eram. Naquela noite, vestia calça social preta e camisa da mesma cor. As duas primeiras casas dos botões estavam abertas, dispensando gravata. As mangas dobradas até os antebraços deixavam visível o relógio de aço no pulso esquerdo. Os cabelos castanho-escuros, compridos o bastante para tocar a nuca quando soltos, estavam presos para trás em um coque baixo. A barba cheia e bem aparada acentuava o maxilar forte. Dante possuía o tipo de aparência que fazia as pessoas olharem duas vezes. Ele sabia disso. Apenas não considerava particularmente interessante. — Pelo menos tente se divertir — disse Rafael. — Estou me divertindo. — Você parece estar numa reunião do conselho. — Reuniões do conselho costumam ter bebidas melhores. Rafael soltou uma gargalhada. — Um dia alguém ainda vai conseguir acabar com essa sua arrogância. Dante ergueu o copo. — Desejo sorte à pessoa. Foi então que ele a viu. Não houve música diminuindo. Nenhum acontecimento extraordinário. Dante simplesmente estava olhando para Rafael em um momento e, no seguinte, sua atenção havia atravessado o salão. Uma mulher estava diante do bar. Vestido preto. Cabelos castanhos soltos. Baixa. Delicada. Bonita. Mas havia dezenas de mulheres bonitas naquela festa. Não foi isso que o fez continuar olhando. Ela parecia estar discutindo com o bartender. Dante estreitou ligeiramente os olhos. — Você está me ouvindo? — Não. — Pelo menos admite. Dante ignorou o amigo. A mulher apontou para alguma coisa atrás do balcão. O bartender respondeu. Ela franziu o nariz. Depois gesticulou. O homem riu. Ela também. Dante não conseguiu ouvir uma palavra. — Quem é? — perguntou. Rafael acompanhou seu olhar. — Quem? — A mulher no bar. — De preto? Dante lançou-lhe um olhar. Rafael observou ao redor. — Metade das mulheres está de preto. — Cabelo castanho. Perto da ponta do balcão. Rafael finalmente a encontrou. — Ah. — "Ah" não é uma informação. — Acho que é amiga da Alice. — Nome? Rafael olhou para ele, divertido. — Não faço ideia. Dante voltou os olhos para a desconhecida. Ela recebeu uma taça. Agradeceu ao bartender e virou-se. Por um segundo, Dante acreditou que seus olhares se encontrariam.Capítulo 72 A mão de Mia permaneceu entrelaçada à de Dante por tempo demais. Ela sabia. Ele também. Foi Helena quem desfez o momento sem perceber. — Mia, venha me ajudar com a sobremesa. Mia soltou a mão dele imediatamente. — Claro. Levantou-se rápido demais. Dante acompanhou-a com os olhos até a cozinha. Roberto percebeu. Não disse nada. — Ele é bonito. Mia quase deixou uma colher cair. — Mãe. — O quê? Eu tenho olhos. Helena retirou uma travessa da geladeira. — E é mais simpático do que parece nas fotografias. — Que fotografias você andou vendo? — Pesquisei. Mia fechou os olhos. — Claro que pesquisou. — Qualquer mãe pesquisaria o homem que aparece na internet namorando a filha sem nunca ter sido mencionado. Havia uma crítica justa naquela frase. — Desculpa por não ter contado. Helena parou. — Por que não contou? Mia procurou uma resposta. — Porque tudo aconteceu rápido. Essa parte era verdadeira. — E ele é seu chefe — Helena completou. — Também. — Você
Capítulo 71 Na segunda-feira, Dante descobriu que Mia levava muito a sério a preparação para o almoço com seus pais. Às nove da manhã, encontrou um novo compromisso na própria agenda. Domingo — 10h: saída para o interior. Ele saiu do escritório com o celular na mão. — Você colocou meus sogros na agenda? Mia quase derrubou o café. — Fala baixo! Dante olhou ao redor. — Não tem ninguém perto. — Ainda assim, não chama meus pais de sogros. — O que devo chamar? — Pelos nomes. — Que você ainda não me contou. Mia abriu a boca. Parou. — Verdade. O sorriso de lado apareceu. — Preparação impecável. Ela ignorou. — Helena e Roberto Albuquerque. — Certo. Dante digitou alguma coisa no celular. Mia estreitou os olhos. — O que está fazendo? — Salvando. — Você não precisa anotar o nome dos meus pais. — Seu pai vai me interrogar domingo. Quero pelo menos saber o nome dele. — Meu pai não vai interrogar você. — Ótimo. Mia hesitou. — Provavelmente. Dante levantou uma sobranc
Capítulo 70Mia acordou no sábado com o celular vibrando sobre o criado-mudo.Abriu um olho.Mãe.Eram oito e doze.— Claro.Ignorou a chamada.Três segundos depois, chegou uma mensagem.Eu sei que você está acordada.Mia sentou-se.Como mães faziam aquilo a quilômetros de distância?Ligou de volta.— Bom dia, mãe.— Finalmente.Mia fechou os olhos.— Você ligou uma vez.— Hoje. Ontem foram duas.— Eu estava no evento.— Eu vi.O tom dizia muita coisa.— Mãe...— Seu pai também viu.Pior.Mia levantou-se e foi até a cozinha.— Eu ia contar.— Quando?Ela abriu a geladeira sem realmente procurar nada.— Quando tivesse certeza.Silêncio.Essa resposta funcionaria dentro da história que criara com Dante.— Então agora vo
Capítulo 69 A entrada no salão não trouxe o alívio que Mia esperava. Se do lado de fora estavam os fotógrafos, dentro estavam empresários, parceiros da Jubran, representantes do Instituto e pessoas que pareciam conhecer Dante desde sempre. A mão dele continuava na dela. — Podemos soltar agora — Mia murmurou. Dante olhou para as mãos entrelaçadas. — Podemos. Não soltou. Mia ergueu os olhos. — Dante. — Tem gente olhando. Ela observou discretamente ao redor. Realmente havia. — Conveniente. — Muito. Só então ele soltou. Laila encontrou os dois poucos minutos depois. — Vocês ficaram maravilhosos nas fotos. Dante pego






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