INICIAR SESIÓN>> Blaze Fox <<
Entrei na sala privativa do The Vipers. Aquele lugar carregava mais do que o cheiro de cigarro e óleo de motor — carregava história. Era ali que assuntos sérios eram discutidos. Assuntos ilegais. Decisões que mudavam destinos. A atmosfera era densa, como se o próprio ar soubesse que, ali dentro, nada era dito à toa.
Esperei que todos se acomodassem antes de me sentar na cadeira vaga. A madeira estalou sob meu peso, como se reconhecesse que o fundador havia voltado. Wolf se levantou e veio até mim com algo dobrado nas mãos. Meu colete.
Quando o toquei, meus dedos tremeram por um segundo. Aquilo não era apenas couro e costura. Era o símbolo da minha história. Da nossa irmandade. Algo sagrado. Algo que eu mesmo fundei com sangue, suor e perda. Vesti o colete devagar, sentindo o peso real e simbólico sobre os ombros. Era como se cada cicatriz que carregava ganhasse voz naquele momento.
— Vamos fazer uma festa para anunciar que o fundador e o presidente voltou… — começou Wolf, sua voz firme.
Balancei a cabeça lentamente, cortando o clima antes que ele pudesse criar raízes.
— Não vou voltar a ser o presidente — declarei, minha voz soando mais áspera do que pretendia, mas era necessário. Minha decisão não era um convite para discussão.
Os olhares se voltaram para mim, arregalados, surpresos. Era como se eu tivesse quebrado algo invisível. Mas Raven, foi o primeiro a falar:
— Você vai sair do clube?
Soltei um meio sorriso, cansado, mas firme.
— Eu não disse isso. Só não posso me envolver nos negócios ilegais enquanto meu processo não for encerrado. Vamos manter as coisas como estão. Posso ser o conselheiro… e sempre estarei aqui para vocês. Mas, por enquanto, vou manter meu bar funcionando e ficar quieto. Quero descobrir quem armou para mim, e para isso preciso agir no silêncio.
Eles assentiram em silêncio, voltando os olhos para Wolf. Uma troca muda de pensamentos que, por enquanto, eu não fazia parte. Era estranho estar ali, no meu lugar, mas não sentir mais o controle.
— Sobre isso… — Wolf começou, quebrando o silêncio. — Achamos que foi alguém dos Corvos quem armou aquela emboscada. O líder deles morreu recentemente, e a viúva, Valentina, me procurou. Ela quer propor um tratado de paz.
— Tratado de paz? — repeti, minha desconfiança escorrendo na voz como veneno.
— Ela quer unir nossas gangues em matrimônio. Selar a paz entre o The Vipers e Los Cuervos.
Fiquei olhando para ele por longos segundos. Pisquei algumas vezes, tentando absorver a ideia absurda que ele acabou de jogar na mesa. Matrimônio? Se todos eles já tinham suas mulheres, quem…
— Não… — falei, e a ficha caiu como um tijolo no peito.
— É um ótimo negócio, Fox. Você casa com a viúva, e estando dentro da gangue deles, vai conseguir investigar melhor quem te ferrou — insistiu Wolf.
— Acabei de sair de uma prisão, e você quer me colocar em outra? Ficou maluco?
— Não pensa assim, Fox — disse ele, tentando ser racional. — Essa união vai ser boa para o clube. Sem concorrência, mais força, mais respeito. Você ainda vai poder caçar o desgraçado que te botou atrás das grades e de quebra, foder a viúva… que, por sinal, é bem gostosa.
Fechei os olhos por um momento, tentando não explodir com a leveza com que ele falava daquilo. A ideia de estar infiltrado dentro dos Cuervos fazia sentido. Estratégico e inteligente. Mas casar com o inimigo? Isso me corroía por dentro. Eu era um homem livre, e estavam querendo me amarrar de novo.
— Fox… — Jett falou com cautela. — Lembra de tudo que já perdemos por causa dessa rixa? Se essa união acontecer, ninguém vai ousar enfrentar a gente.
Suspirei, sentindo o peso das expectativas sobre mim. Eu sabia que eles estavam certos. Mas entender não torna as coisas mais fáceis. Eu não soube proteger Lucy. Agora, me pediam para unir minha vida à de uma mulher que eu nem conhecia, que fazia parte da gangue que sempre tentou nos destruir.
Olhei para eles. Meus irmãos. Homens que deram tudo por esse clube e, mais uma vez, percebi que não era só sobre mim.
— Tudo bem… — falei, rendido à lógica e à lealdade. — Mas tenho uma condição… vamos morar aqui, na minha casa. Se essa viúva quiser mesmo paz, vai ter que viver no ninho da serpente.
Wolf abriu um sorriso largo. Um sorriso maldito de quem já sabia que eu cederia.
— Eu sabia que diria isso. E ela já aceitou essa condição. O casamento é amanhã de manhã.
— Às vezes eu te odeio por me conhecer tanto — rosnei, e ele gargalhou alto, aquele riso que sempre vem quando ele está certo.
— Então vamos organizar uma despedida de solteiro para o nosso conselheiro, hoje à noite! — exclamou Raven, já animado.
Todos concordaram, vibrando com a ideia. Depois de dois anos preso, tudo o que eu queria era me afundar em alguma mulher, encharcar a alma de álcool e esquecer que amanhã, estariam me colocando uma nova coleira. Eu estava livre… e mesmo assim, preso de novo. Mas hoje à noite, pelo menos, seria minha.
>> Valentina Salazar … tudo tinha ficado para trás. Pela primeira vez em muito tempo, eu consegui respirar fundo sem sentir que algo terrível estava prestes a acontecer.Agora só restava reconstruir. Mas dessa vez, seria diferente. Nada de dinheiro sujo, nada de armas, nada de morte. Apenas motos, vento no rosto e liberdade. Um clube de verdade. O tipo de vida que eu nunca achei que teria o direito de querer.Virei o rosto lentamente e vi Fox e Blanca dormindo. A cena me atingiu mais forte do que qualquer dor física. Eles pareciam tão… em paz. Intocados por tudo que enfrentamos. Blanca
>> Blaze Fox … absolutamente todos haviam morrido. O cheiro de fumaça e carne queimada grudava na pele, invadia os pulmões, como se o inferno tivesse decidido se manifestar ali mesmo.Olhei para o Vipers e apenas fiz um sinal com a cabeça. Era hora de ir para casa, se ainda existisse algo que pudesse ser chamado assim.Peguei o celular com as mãos ainda tremendo, os dedos sujos de fuligem, e encarei a tela. Nenhuma mensagem. Nenhuma ligação da Valentina. O vazio ali parecia gritar mais alto do que qualquer explosão que eu tinha ouvido minutos antes. Um nó apertou meu peito.Será que ela conseguiu salvar nossa filha? Ou eu já tinha perdido tudo?Subi na moto sem dizer nada. O ronco do motor parecia distante, como se eu estivesse fora do meu próprio corpo. Não adiantava surtar agora, ou pelo menos era o que eu tentava repetir para mi
>> Valentina Salazar … minha menina…Por um segundo, só um segundo… eu congelei.E foi o suficiente. Rosa avançou como um animal, me jogando no chão com violência. O impacto arrancou o ar dos meus pulmões e, antes que eu pudesse reagir, o primeiro soco veio, depois outro, cada golpe estourando dor no meu rosto.Mas o medo virou algo mais. Virou fogo.Com um grito rouco, cheio de desespero e fúria, consegui inverter nossa posição, montando sobre ela e revidando, socando com tudo que tinha — como se cada golpe fosse arrancar aquela dor de dentro de mim.— Você era como uma irmã pra mim! — gritei, a voz quebrando, misturada com lágrimas e ódio. — Eu confiava cegamente em você! Daria tudo o que me pedisse… tudo!Outro soco.— Era só pedir, porra! — minha voz falhou, rasgando — Mas você preferiu me trair… preferiu destruir a nossa f
>> Valentina Salazar … pequena demais naquela cadeira… frágil demais diante daquilo.Engoli em seco, o gosto metálico do medo preenchendo minha boca. Era um medo cru, desesperado, sufocante… o tipo que te paralisa ou te transforma.Minhas mãos começaram a tremer.Não. Fechei os punhos, se eu quebrasse agora… ela pagaria por isso e eu nunca me perdoaria.A explosão veio como um soco no mundo. O chão tremeu sob nossos pés, poeira caiu do teto e, no meio do caos, o choro da minha filha rasgou o ar, fino, desesperado, apavorado.Aquilo me atravessou por dentro.— Você dois vão lá verificar. — ordenou Rosa, a voz fria como sempre, como se aquilo fosse apenas mais um jogo.Dolores nos alcançou, e Fernanda nos guiou até a sala. Cada passo agora
>> Valentina Salazar — não apenas vazia, mas carregada de uma quietude sufocante. Como aqueles filmes de terror apocalíptico, em que o perigo parece respirar nas sombras.O ar parecia mais frio ali dentro. Me esgueirei pela escuridão, com os sentidos à flor da pele, o corpo inteiro tenso, pronta para reagir a qualquer movimento. Cada ruído mínimo — o farfalhar distante de folhas, o estalar de algum galho — fazia meu estômago se contrair. Eu não podia errar.Fernanda tinha dito que havia dez homens com a Rosa quando invadiu o sistema de segurança. Dez. O número martelava na minha cabeça. Rosa devia estar desesperada agora, tentando recuperar o controle, tentando enxergar através das câmeras que minha prima havia apagado. Se eu
>> Valentina Salazar — Todas prontas? — perguntei, tentando manter a voz firme enquanto escondia mais uma arma na bota. O gesto era automático, mas por dentro eu fervia.— Odeio preto, isso me deixa apagada… quando vão inventar uma roupa de guerra cor-de-rosa? — reclamou Marissol, encarando o próprio reflexo pela milésima vez, ajustando o batom com precisão impecável.Um sorriso escapou no canto dos meus lábios, r







