เข้าสู่ระบบAugusto postou uma foto enigmática do jantar nas redes sociais, dando a entender que tinha encontrado alguém especial. Claro que ele estava apenas plantando a semente, já que ninguém acreditaria de verdade que ele tinha conhecido uma pessoa tão especial a ponto de fazer o homem se transformar.
Depois, pediu que eu fosse até o escritório dele, pois ainda havia detalhes para acertar e seria bom que eu fosse vista no trabalho dele.
Augusto trabalhava na empresa do pai, uma grande corporação do ramo de segurança corporativa. Era tudo o que eu sabia. A sede era um prédio imponente no centro da cidade, com uma cascata de água e o nome Salvatore entalhado na pedra da fachada, indicando uma boa dose da soberba da família.
Assim que falei meu nome na recepção, minha entrada foi liberada rapidamento sem mais perguntas.
O escritório de Augusto era enorme, com uma parede inteira de vidro e vista para a cidade. O ambiente exalava dinheiro e poder. Mas, pelo que ele mesmo dizia, aquilo ainda não era suficiente, ele queria mais. E, para conseguir, precisava se casar.
Augusto me recebeu na porta do escritório, vestido com um terno sob medida, exibia uma aura de principe recebendo uma sudita no seu reinado. Aquela era a versão executiva de Augusto, uma que eu não conhecia, mas que parecia cair muito bem nele. Sentei-me na poltrona à frente dele, me sentindo deslocada naquele cenário, no momento eu não tinha autoconfiança nem para existir na naquela sala.
— Temos alguns detalhes burocráticos para acertar. Pedi para um advogado de confiança elaborar um contrato. Minha intenção é proteger você e a mim. O contrato inclui um acordo de confidencialidade, além do valor estipulado ao fim do acordo. Claro que o advogado da família vai apresentar o contrato pré-nupcial com outras regras, mas isso fica para outra hora.
Ele me entregou o contrato. A coisa estava ficando cada vez mais séria. Por um instante, duvidei do que estava fazendo, mas só por um instante. Depois de tudo, eu não tinha como ficar mais ferrada do que já estava.
O que eu não tinha pensado até então, era que receberia dinheiro pelo meu papel de esposa, e não era pouco, Augusto estava sendo generoso e desembolsaria milhares de reais, além de se responsabilizar por todas as minhas despesas, em resumo eu seria bancada.
Senti que estava me vendendo.
— Pode levar para ler. Se tiver um advogado de confiança, peça para ele entrar em contato com o meu e eles podem acertar os detalhes. Alguma dúvida?
Eu tinha uma dúvida que me corroía, mas sentia vergonha de expor. Ainda assim, precisava perguntar antes de assinar o contrato, eu precisava saber qual era o limite do nosso relacionamento, Augusto estava praticamente me comprando e eu precisava saber se ele queria algo mais do que um simples casamento de fachada.— Eu vou ler e depois te falo… mas tenho uma dúvida. Enquanto casal, precisamos agir como tal na frente das pessoa... quero dizer… mas em relação à intimidade? — perguntei sem graça. Eu era uma mulher adulta de quase trinta anos, tinha sido casada por anos, mas meu ex-marido tinha sido o único homem com quem dormi. Fora ele, no máximo tinha beijado dois caras. Fingir estar com alguém me parecia um desafio maior do que queria admitir.
Augusto me encarou, entendendo de imediato.
— Claro que vamos precisar andar de mãos dadas, abraços, selinho… talvez um beijo mais profundo. Vamos morar na mesma casa, talvez por dois ou três anos. Mas não precisamos dividir o mesmo quarto. Isabela, não vou pedir que durma comigo, não por obrigação, pelo menos. Eu gosto de sexo, gosto de entrega, não vou exigir isso de alguém. Claro que, se um dia surgir esse desejo de ambas as partes, não vejo por que não.
O pragmatismo de Augusto era algo com que eu não sabia lidar, ainda mais sendo romântica e emocionada. Mas esse lado romântico já tinha me levado para o buraco antes.
— Tudo bem — foi só o que consegui responder.
Fui embora para casa com o contrato nas mãos. Não tive coragem de contar para Camila e preferi procurar a mesma advogada do divórcio para ter uma opinião.
— É sério isso? — ela perguntou depois de ler.
— É — respondi, sem graça.— Bem… do ponto de vista jurídico, é um contrato muito bom, protege ambas as partes. Do ponto de vista humano… eu diria que pode dar errado. A gente sempre esquece que sentimentos podem surgir nessas histórias. E se isso acontecer?— Não vai surgir nada, não se preocupe.Ela não pareceu nem pouco convencida.
— Olha, você já sofreu poucas e boas, vou perguntar mais uma vez. Tem certeza que quer enfrentar uma coisa assim?
— Eu tenho certeza absoluta.
— Então, eu diria apenas para aumentar o valor. Estamos falando de uma família rica. Não seja modesta, o cara está pedindo para você ser a esposa de fachada dele por dois anos. É pouco. E vou incluir uma cláusula de sentimento, se acontecer de ambas as partes se apaixonarem, o acordo permanece. E outra, vou incluir uma cláusula de traição, se vier a público alguma traição dele você vai receber uma compensação.
— Tudo bem, pode fazer o que achar mellhor. Ele disse que eu poderia acertar os detalhes com o advogado dele.— Perfeito, eu falo com ele. Mas, Isabela… vou perguntar mais uma vez, você tem certeza de que quer fazer isso?Pensei. Na verdade, os detalhes não me importavam. O que importava era a vingança, que a cada dia tomava forma na minha cabeça, eu reaveria o que era meu, minha casa e a empresa do meu pai, o restante não me importava.
— Tenho.
"Isabella"O dia estava impecável. Um sol generoso dourava as folhas das árvores e fazia a água do lago brilhar sob a luz da tarde. Olhando ao redor, senti o peito se encher de uma mistura intensa de nostalgia e gratidão. Parecia que tinha sido ontem que a minha própria jornada havia começado, cercada de traições, tempestades e incertezas.E agora, com menos colágeno e alguns fios de cabelo branco, eu observava meus filhos adultos iniciando as próprias jornadas, ainda sem acreditar em como o tempo havia passado tão rápido.A chácara estava lotada para o aniversário de Emma. Camila e César não haviam poupado esforços para celebrar os dezoito anos da filha mais velha. Minha prima estava radiante, linda, cumprimentando os dezenas de amigos da filha com um sorriso orgulhoso no rosto.— Se estiver pensando em fugir, acho uma ótima ideia — a voz profunda de Augusto soou ao meu ouvido, enquanto suas mãos firmes pousavam na minha cintura, puxando-me para perto. — Estou me sentindo um velho ga
"Iris"As semanas viraram meses e os meses se transformaram em anos. A desconfiança do meu pai não sumiu da noite para o dia, mas se transformou em uma vigilância silenciosa e, gradualmente, em respeito.O ponto de virada aconteceu em um domingo de chuva torrencial. O telhado velho do estoque da confeitaria começou a ceder sob o volume da água, ameaçando inundar toda a nossa reserva de insumos. Antes mesmo que meu pai pudesse entrar em pânico, Viktor apareceu. Ele passou duas horas debaixo de chuva forte, equilibrando-se nas telhas escorregadias para improvisar uma cobertura de lona e reforçar as vigas de madeira. Quando desceu, encharcado e trêmulo de frio, meu pai não disse nada; apenas estendeu-lhe uma toalha limpa e uma caneca do seu café mais forte. Pela primeira vez, os dois se sentaram à mesa sem o fantasma da tensão entre eles. Era a trégua virando rotina.Enquanto isso, aprendemos a ter um relacionamento normal. Coisas simples, que para qualquer casal seriam banais, para nós
"Iris"Caminhamos juntos de volta para casa, meus dedos firmemente entrelaçados nos dele, meu coração batendo cada vez mais rápido, ansioso. A pele áspera e o calor real da palma dele contra a minha me ancoravam naquela nova realidade. Viktor ao meu lado, dizendo que tinha me escolhido.Quando dobramos a esquina da confeitaria, senti o peso da minha realidade. A fachada, com cheiro de bolo recém-saído do forno e pão fresco, parecia pertencer a um mundo completamente diferente daquele de onde Viktor viera. Na entrada, meu pai estava admirando a vista, e minha irmã atendia um cliente.Eu não tinha ideia de como ela reagiria. Quando Olivia ergueu os olhos do caderno de pedidos, congelou. Seus olhos se arregalaram no mesmo segundo em que o foco de sua visão mudou de mim para o homem ao meu lado.Olivia quase deixou cair o caderno, mas se recuperou do choque.Por um instante, o medo travou a minha garganta. O contato entre Olivia e Viktor no passado tinha sido breve, mas ele esteve present
"Iris"— É um lugar lindo aqui — ele disse.A voz dele me atingiu como uma onda de choque. Não era uma miragem. O tom ligeiramente rouco, o sotaque que eu tantas vezes tentei reproduzir na memória... era ele. Viktor estava realmente ali, parado na calçada da minha praia, a poucos metros de distância, perto o suficiente para eu tocar.Meu corpo reagiu sozinho, movido por anos de lembranças confusas e de um desejo reprimido que eu fingia não existir. Esqueci qualquer pudor ou pensamento sobre as consequências e me atirei nos braços de Viktor sem pensar duas vezes. Ele não hesitou nem por um segundo, segurou firme minha cintura e nos beijamos.O sabor daquele beijo não era como eu lembrava. Era melhor. Muito melhor do que qualquer sonho ou memória.— Viktor? Como? — perguntei quando nos afastamos. Eu nem sabia por onde começar, e ao mesmo tempo tinha medo das respostas dele.Olhando mais de perto, sob a luz fraca do entardecer, vi que ele ainda mantinha aquele olhar alerta e magnético, ma
"Iris"Observei o sol se pôr no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e violeta. Já tinha visto a mesma cena milhares de vezes, mas ainda era um espetáculo que me deixava emocionada. A praia, àquela hora, já se esvaziava. O burburinho de turistas dava lugar ao som calmo das ondas enquanto todos voltavam para suas casas, pousadas ou hotéis para começar a noite. Aquele era o meu momento favorito. Com o mar quase deserto, eu sempre tirava uma pausa de uma hora na rotina para dar um mergulho e lavar a alma.Sacudi a areia da canga, juntei minhas coisas e caminhei de volta pelo calçadão de paralelepípedos. Nossa casa ficava a poucos minutos dali, logo acima da confeitaria que havíamos aberto. Há três anos, quando minha irmã finalmente voltou para nós depois de tudo o que sofreu, meu pai e eu tomamos uma decisão radical: vendemos tudo o que tínhamos e mudamos para bem longe do caos da cidade grande. Encontramos este vilarejo bucólico e sossegado, o cenário perfeito para Olivia se
"Camila"A vida tinha o hábito irritante de ser uma caixinha de surpresas. Eu já deveria ter me acostumado com as rasteiras e reviravoltas do destino, mas, aparentemente, eu nunca aprendia.Não fazia nem duas semanas que tínhamos desfeito as malas da lua de mel. Minha cabeça ainda estava fervilhando de ideias: eu já tinha esquematizado meus horários para voltar a treinar pole dance com a Lucy e passara os últimos dias testando combinações de xaropes e especiarias para criar um novo cardápio de bebidas na Lush, inspirada nos sabores dos países que conhecemos.Era para ser o nosso momento de curtir a casa nova. E ela tinha ficado perfeita: ampla, arejada, com a luz do sol inundando a sala e cada canto transbordando a nossa personalidade. Mas, naquele momento, eu não estava curtindo a casa. Eu estava trancada no banheiro da suíte, encarando as paredes de azulejos azuis que eu tinha escolhido, esperando um minuto que parecia durar uma eternidade inteira.Eu não tinha dito uma única palavr







