MasukJá era a quinta vez que Chantelle subia e descia no elevador para lhe ir buscar um simples café. As suas pernas estavam pesadas, as costas suadas, e os braços tremiam ligeiramente de exaustão. Tinha a impressão de ser uma marioneta puxada por fios invisíveis.Quando entrou novamente na cafetaria, a empregada, que se ria no início, teve desta vez um olhar enternecido.— O teu patrão só quer testar os teus limites — disse ela com voz doce.— Estou no limite. Exausta — murmurou Chantelle, com o fôlego curto. — Ainda nem sequer tirei as minhas coisas da caixa no gabinete…— Não desanimes. É um jogo de poder. O que é que ele disse desta vez?— Que estava amargo… Vou pôr-lhe muito açúcar. Demasiado, até.— Quantos pacotes?— Cinco.A empregada arregalou os olhos.— Cinco? Mas isso é… é xarope, não é café.— Que me despeça, então, em vez de me fazer andar às voltas como uma louca — replicou
Depois da saída da secretária, Chantelle sentou-se devagar na poltrona de couro. Pousou as mãos na mesa, acariciando distraidamente a superfície lisa e brilhante da madeira escura. Tudo aquilo lhe parecia irreal. Girou suavemente sobre si mesma com a cadeira, varrendo a sala com o olhar, os olhos cheios de assombro.— É incrível… Não pensava estar aqui um dia — murmurou interiormente.Foi então que o telefone do gabinete emitiu um bipe seco, fazendo-a sobressaltar-se violentamente. Hesitou um segundo e depois atendeu.— Estou?Uma voz glacial, cortante como uma lâmina de barbear, fez-se ouvir do outro lado:— Vem ao meu gabinete. Já.Chantelle baixou instintivamente os olhos para a linha de separação entre o seu gabinete e o do diretor executivo. Através da parede de vidro fumado, avistou-o: Collen, de pé, de braços cruzados, olhar duro, silhueta direita como um cutelo.O seu coração começou a bater mais depres
A segunda-feira chegou mais depressa do que ela teria querido.Às seis e meia, Chantelle acordou sobressaltada: estava atrasada para o trabalho.Virou a cabeça para o telemóvel, apanhou-o maquinalmente e verificou as mensagens. Nada.Sempre nada do pai.— É estranho… — murmurou ela, franzindo as sobrancelhas. — Porque é que o pai ainda não me ligou de volta?Pousou o telemóvel devagar, levantou-se e dirigiu-se para a casa de banho.A água quente do duche não conseguiu apagar a estranha sensação de mal-estar que se apoderara dela.Vestiu um vestido simples, descontraído, pegou na mala e saiu de casa.Um táxi parou quase imediatamente diante dela e deixou-a em frente à empresa.O edifício já fervilhava de atividade: empregados chegavam de todos os lados, a conversar, a andar de passo apressado, a cumprimentar de passagem.Mas mal entrou no átrio principal, Chantelle sentiu uma mudança n
Collen saiu da casa de banho, um roupão amarrado à cintura. Quando atravessava a soleira para voltar ao quarto, três batidas discretas soaram na porta.Parou no seu impulso e depois foi abrir.Um homem de fato estava ali, direito, dois sacos pretos na mão.— Patrão, aqui está o que nos pediu — disse ele simplesmente.Collen recolheu os sacos sem responder, fechou a porta atrás de si e girou a chave na fechadura.Aproximou-se da cama e pousou os sacos. Abriu um deles, tirou as roupas novas que desdobrou brevemente, antes de as pousar negligentemente ao lado.O seu telemóvel vibrou na mesa.Apanhou-o, levou-o devagar ao ouvido.— Fala — disse ele num tom calmo.— Patrão, fizemos o que nos pediu — respondeu uma voz grave do outro lado da linha.— Bem — murmurou Collen antes de desligar.Depositou o telemóvel na mesa, prendeu o relógio ao pulso e depois pegou novamente no telemóv
Collen tirou os sapatos e o seu casaco devagar, deixando-os cair negligentemente na poltrona. Arregaçou as mangas da sua camisa branca e aproximou-se da cama, deslizando os braços suavemente por baixo dela.Sem uma palavra, levou-a até à casa de banho. A água fria já enchia a banheira. Inclinou-se e, com cuidado, depositou Chantelle ali dentro.Ao contacto gelado, ela sobressaltou-se violentamente, agarrando o seu braço.— Está muito frio… — murmurou Chantelle, estremecendo.— Sei — respondeu Collen com voz doce. — Vai acalmar-te.Ajoelhou-se ao pé da banheira e começou a deitar-lhe água suavemente nos ombros, na nuca, na parte superior do peito.Mas para Chantelle, aquela água fria não acalmava nada. Antes, inflamava ainda mais o fogo que já fervedia dentro dela. Cada arrepio era uma faísca a mais.Esperou que ele lhe deitasse mais um punhado de água e depois agarrou na sua mão molhada, manteve-a um instante c
Três homens surgiram na sala, vestidos de negro da cabeça aos pés, as suas silhuetas destacando-se como sombras ameaçadoras na luz ténue. Um deles, mais imponente do que os outros, mantinha-se direito como uma lâmina. Usava uma máscara negra que só deixava ver os seus olhos, frios, implacáveis.Raphina, deitado a meio na cama, sobressaltou-se ao ouvir o estrondo. O seu coração começou a bater mais depressa, o seu cérebro não conseguia processar o que se passava. Nem teve tempo de abrir a boca, um dos homens saltou sobre ele.— Eh! O que é que…?!Não teve tempo de dizer mais. O homem mascarado agarrou-o brutalmente e levantou-o sem esforço, antes de o esmagar violentamente no chão. A sua cabeça embateu no ladrilho com um barulho surdo. Um primeiro murro caiu-lhe no rosto. Depois um segundo, ainda mais violento. O gosto do sangue encheu-lhe imediatamente a boca.— Mas o que é que estão aqui a fazer? Quem são?! — exclamou ele, com a voz def







