LOGINSe eu achava que a festa de casamento era luxuosa, então o que dizer do lugar para onde Christian me levou depois?
Uma penthouse absurda, no topo do Hotel Milani, com uma vista panorâmica da cidade, piscina privativa e uma decoração que gritava "eu sou rico e não preciso nem olhar os preços no cardápio".
E eu… bem, eu estava completamente deslumbrada. Mas também atordoada, como se a noite inteira tivesse sido um filme em que eu não pertencia ao elenco principal.
— Céus… — soltei, girando no meio da sala, absorvendo cada detalhe do ambiente. Um minibar gigantesco, um sofá maior do que meu quarto inteiro, um lustre que provavelmente valia mais que meu carro. Bem, eu não tinha um carro. Mas valeria menos que aquele lustre, se eu tivesse.
E, claro, uma piscina iluminada de borda infinita que parecia ter saído de um filme.
— Isso aqui é insano! Como você pode bancar uma coisa dessas? Se você gasta essa grana toda com cada cliente, tá saindo é no prejuízo, viu?
Christian riu, aquele riso grave e divertido que, por um momento, me fez esquecer o vazio que oprimia meu peito desde que vi Alex e Elise juntos.
— Conheço alguém que me cedeu o quarto — ele respondeu com simplicidade.
Eu franzi a testa, imediatamente desconfiada. Um gigolô com acesso a uma penthouse no hotel mais caro da cidade? Ele estava mantendo o personagem até agora?
— Ah, claro. Você "conhece alguém" — fiz aspas com os dedos, revirando os olhos. — Continua interpretando o papel de bem relacionado mesmo quando estamos sozinhos? Você é realmente dedicado ao seu trabalho, hein?
Ele apenas sorriu enigmaticamente, mas não disse nada, o que só aumentou minha suspeita. Estava começando a me perguntar que tipo de gigolô era esse que parecia tão confortável em ambientes de luxo.
Aquilo me deixou intrigada por meio segundo. Mas, sinceramente? Havia uma piscina privativa ali, e eu precisava desesperadamente de algo — qualquer coisa — para afastar os pensamentos que me assombravam, as imagens de Alex beijando Elise, as lembranças de todas as promessas quebradas.
Eu não pensei duas vezes.
Arranquei os saltos, deslizei o zíper do vestido e o deixei cair no chão, sentindo a brisa noturna tocar minha pele exposta. A lingerie preta de renda, agora em evidência, fazia um belo contraste com as luzes azuladas da piscina.
Christian soltou um assobio baixo, os olhos lentamente percorrendo cada centímetro do meu corpo.
— Uau.
Lancei um olhar que tentava parecer divertido, mas que provavelmente escondia mal o tumulto em meu interior.
— O quê?
Ele inclinou a cabeça levemente, os olhos brilhando com um misto de apreciação e algo mais... compreensão?
— Estou começando a achar que quem fez um bom investimento aqui fui eu.
Revirei os olhos, mas sorri. Um sorriso que não alcançou meus olhos.
E então, me joguei na água sem hesitar. Como se pudesse me afogar por alguns segundos, como se a água pudesse lavar a dor.
O impacto foi suave, a temperatura perfeita. A água quente deslizou pelo meu corpo como um abraço luxuoso, fazendo cada músculo do meu corpo relaxar. Eu girei sobre mim mesma, deixando-me flutuar por alguns instantes antes de emergir.
De onde estava, as luzes das estrelas iluminavam o mar, criando uma visão que parecia ter saído de um sonho.
— Isso é incrível! — soltei, forçando uma risada, deslizando as mãos pela água.
Mas a verdade? Eu não me sentia incrível.
A água quente envolvia meu corpo como um abraço, mas não conseguia aquecer o nó gelado que se formava no meu peito.
Porque, mesmo ali, naquele cenário perfeito, cercada de luxo e com um homem que parecia esculpido para o pecado... eu ainda pensava nele.
Alex, parado no altar. Elise ao seu lado, radiante no vestido que eu mesma vendi.
O olhar dele quando me viu naquela festa. A surpresa. A dúvida.
Ele esperava que eu tivesse afundado. Que eu tivesse me escondido. Que eu ainda estivesse chorando por ele.
E a verdade era que eu estava. Não em público, não onde alguém pudesse ver. Mas sozinha, no meu antigo quarto de adolescente na casa dos meus pais, para onde tive que voltar depois que encontrei Alex e Elise juntos. Chorando todas as noites, sentindo-me como a fracassada que eles acreditavam que eu era.
Eu amei aquele homem. Acreditei nele. Fiz planos para uma vida inteira ao lado dele.
E no fim, fui descartada como se não significasse nada. "Você sempre foi tão sem graça." As palavras de Elise ecoavam em minha mente como um mantra cruel. Eu era sem graça. Eu era comum. Eu era substituível.
O pior? Se ele pedisse desculpas hoje, se dissesse que foi um erro, que me queria de volta...
Eu provavelmente voltaria correndo. E me odiava por isso.
Minha garganta apertou, e um calor diferente queimou atrás dos meus olhos. Desta vez, não consegui conter. Uma lágrima escapou, misturando-se à água da piscina. Depois outra. E mais uma.
Mergulhei fundo, deixando a água esconder meu momento de fraqueza. Quando emergi, respirei fundo, tentando me recompor.
Quando olhei para Christian, esperando que ele não tivesse notado meu momento de vulnerabilidade, me deparei com ele ainda sentado na espreguiçadeira, observando-me com uma expressão séria, quase preocupada.
— O que foi? — perguntei, nadando até a borda, tentando soar casual. — Nunca viu uma mulher aproveitar a vida?
Ele sorriu de lado, mas seus olhos permaneceram sérios.
— É só engraçado ver alguém tão animada por uma penthouse.
Franzi a testa.
— Como assim "tão animada"?
Ele deu de ombros, a camisa já desabotoada, revelando um vislumbre de seu peitoral firme e perfeitamente esculpido.
— Você age como se nunca tivesse visto esse tipo de coisa antes.
Bufei, jogando água na direção dele, tentando esconder a dor com irritação.
— Porque eu nunca vi. Não sei que tipo de mulher rica e entediada você está acostumado a atender, mas eu venho de uma realidade onde a única coisa que brilha na minha casa é o boleto de luz vencido. — Fiz uma pausa, estudando-o. — Mas você interpreta bem o seu papel. Quase acreditei que você realmente era um herdeiro. Como um gigolô aprende a falar sobre investimentos e vinícolas com tanta naturalidade?
"E como você me faz esquecer, mesmo que brevemente, que eu choro sozinha todas as noites?" quase acrescentei, mas segurei as palavras.
Ele me olhou por um momento longo, como se enxergasse através da fachada que eu tentava manter.
— Sabe, Zoey, eu gosto do seu jeito.
— E quem não gosta? — respondi, mas minha voz falhou no final, traindo-me. Alex não gostou. Elise não gostou. Ninguém realmente gostava.
Christian sorriu de lado, inclinando a cabeça como se analisasse a resposta.
— Modéstia também é um dos seus talentos, pelo visto. — Ele fez uma pausa, e então acrescentou: — Mas eu me pergunto o que você está tentando provar. Ou esquecer.
Suas palavras me atingiram como uma bofetada. Por um momento, considerei sair da piscina, pegar minhas coisas e ir embora. Mas para onde? De volta para o quarto na casa dos meus pais? Para ouvir os suspiros de pena da minha mãe toda vez que eu saía do banho com os olhos vermelhos?
— Não estou tentando provar nada — menti, minha voz mais baixa do que pretendia.
Christian me olhou por um longo momento, como se decidisse se acreditava em mim ou não. Então, sem dizer mais nada, começou a tirar a camisa.
E, céus.
Se eu já achava ele gostoso de terno, sem camisa era ainda pior. A pele dourada reluzia sob a iluminação suave do deck, cada músculo bem definido, tatuagens espalhadas pelos braços e pelo abdômen, contrastando com o visual sofisticado que ele carregava o tempo todo.
Meu corpo reagiu antes mesmo que eu percebesse. Deus me perdoe, mas aquele homem era um pecado ambulante. E talvez, só talvez, ele pudesse me fazer esquecer por uma noite o quanto eu me sentia vazia e insignificante.
Ele abriu os botões do punho da camisa, jogando-a sobre uma cadeira, e então começou a soltar o cinto.
— Espera… — levantei uma sobrancelha, tentando recuperar um pouco do controle. — Você está entrando?
— Você não queria companhia? — Havia algo em seus olhos, uma suavidade que não combinava com seu trabalho, com a farsa que estávamos vivendo.
— Achei que seria do tipo que finge que não pode molhar o cabelo.
— E achei que você fosse do tipo que já teria me chamado para dentro há muito tempo.
"Porque estou desesperada por algum tipo de conexão, qualquer coisa que me faça sentir desejada novamente," pensei, mas apenas disse:
— Então entra — convidei, sabendo exatamente o que estava prestes a acontecer. Uma noite com um estranho, para aplacar a solidão que me consumia desde que perdi tudo.
Um ano depois...~ ZOEY ~A porta do salão de festas do Hotel Milani parecia maior do que deveria.Do lado de dentro, havia centenas de convidados e uma festa pronta para começar oficialmente. Do lado de fora, na antessala, só havia eu, andando de um lado para o outro como se eu pudesse gastar ansiedade no atrito do salto com o carpete.Eu tinha ensaiado mentalmente as primeiras frases pelo menos vinte vezes. A parte de “família”. A parte de “legado”. A parte de “sucesso”. A parte de “futuro”. O que é engraçado, porque se tem uma coisa que eu aprendi nesses últimos anos é que futuro não se escreve com discurso. Futuro se escreve com coragem repetida, com trabalho que ninguém vê, com amor que aguenta o peso de dias difíceis.Ainda assim… eu ia ter que abrir a boca.A Bellucci Beauty tinha nascido grande, grande demais para um projeto que, um ano atrás, era só uma pasta no tablet do Christian e o meu hobby de misturar coisas com uva como se eu tivesse algum direito de brincar de alquimi
~ ZOEY ~A gente pegou o jatinho particular até a Villa Bellucci no final da manhã, e eu passei metade do voo tentando não pensar em como era surreal ter trinta anos e estar atravessando fronteiras como quem atravessa ruas.Christian tinha aquele ar de calma impecável de sempre, como se até a gravidade fosse um detalhe administrativo. Eu, ao contrário, estava com o coração batendo em algum lugar entre “euforia” e “meu Deus, eu estou grávida de novo”, o que era basicamente o meu estado natural nos últimos dias.Quando o carro finalmente contornou a última curva e a propriedade apareceu, eu senti o peito apertar de um jeito familiar. A vila Bellucci ainda mais bonita do que eu me lembrava: mais nítida, mais real, com o verde das videiras mais vivo, o céu mais claro.Só que… havia uma coisa estranha.Vazio.Alguns funcionários nos receberam com sorrisos educados, levaram nossas malas até os quartos, falaram baixo, andaram com aquela eficiência silenciosa de quem não quer atrapalhar nada.
~ ZOEY ~A primeira coisa que eu senti foi a boca do Christian no meu ombro.Um beijo lento, quente, como se ele estivesse acordando uma parte específica do meu corpo antes de acordar o resto.— Feliz trinta anos, meu amor — ele murmurou, e a voz veio com aquele sorriso que eu sempre ouvia mesmo quando meus olhos ainda estavam fechados.Eu me revirei na cama, preguiçosa, puxando o lençol mais para cima como se eu pudesse negociar com o mundo por mais cinco minutos.— Achei que esse era um tipo de marco… — eu resmunguei, ainda com a cara amassada de sono. — Que tudo ia mudar depois dos trinta.Christian deu um beijinho na minha testa.— E não vai?Eu abri um olho só, do jeito dramático que eu fazia quando queria parecer mais séria do que estava.— De certa forma, vai — eu admiti. — Vamos ser pais de novo. Vamos morar em Bolonha. E você ainda aí… todo misterioso sobre alguma coisa.Ele arqueou uma sobrancelha, fingindo inocência.— Misterioso?— Misterioso — eu confirmei, e fechei o olh
~ ZOEY ~O jantar em casal tinha sido leve, cheio de risadas que não precisavam de esforço, com aquela sensação rara de que o mundo inteiro podia ficar do lado de fora por algumas horas.Eu e Christian voltamos para o apartamento em Bolonha ainda com o corpo naquele estado confortável de “fizemos o dia caber num lugar bonito”. Ele entrou tirando o relógio e largando as chaves no aparador como se fosse uma cena doméstica comum — o que era quase engraçado, porque nada na nossa vida era realmente comum. Nem quando a gente tentava.Eu fui direto para o banheiro e tomei uma banho rápido.Skincare antes de dormir era minha forma de dizer ao meu sistema nervoso: acabou. Você pode respirar agora.Prendi o cabelo, lavei o rosto e comecei a alinhar as embalagens na bancada com um zelo que, eu sei, parece exagero para quem não entende. Para mim, era ritual. Era cuidado. Era eu sendo eu sem precisar provar nada para ninguém.Christian apareceu na porta do banheiro enquanto eu massageava um cleans
~ CHRISTIAN ~A Galleria Cavour parecia feita para testar a disciplina de qualquer homem que já jurou que não liga para vitrines.O lugar tinha brilho, vidro, mármore e aquela organização impecável que faz tudo parecer mais caro só por estar no lugar certo. Perfumes diferentes se misturavam no ar — um rastro de couro novo, um toque cítrico vindo de alguma loja aberta, e a lembrança do café que saía de algum canto e dava vontade de parar sem motivo.Gente bem-vestida passava devagar, como se ninguém ali tivesse horário. Segurança discreta nos pontos certos. Funcionários com sorriso medido. E eu, tentando convencer a mim mesmo de que aquilo era parte de uma “parada de algumas horinhas”.Zoey entrou como se o lugar fosse dela por direito.E, na prática, era.Porque Zoey sempre teve essa habilidade: ela não precisava pertencer a uma sala para dominar a sala. Bastava existir com aquele jeito natural.Eu caminhei ao lado dela, controlando o instinto de vigiar tudo — segurança, ângulos, gent
~ ZOEY ~Eu ainda não tinha entendido em que momento, exatamente, a minha manhã em Londres — que começou com um teste de gravidez em cima da pia e eu tentando não desmaiar — virou uma operação internacional.Mas, quando eu percebi, de alguma forma nós tínhamos acabado todos dentro do jatinho da Bellucci rumo à Itália.E, quando eu digo “todos”, eu não estou exagerando.Isso incluía os adultos, as crianças, as babás e… Ginger.A Ginger estava deitada na área mais espaçosa da aeronave, com aquele ar confiante de quem nasceu para receber carinho e ganhar comida proibida. Matteo estava tão feliz com a presença dela que parecia ter esquecido que tinha acabado de trocar de país como quem troca de sala.— Mamãe, olha! — ele anunciou, com três anos e aquela certeza absoluta de que qualquer novidade no mundo existe para ser mostrada para mim. — A Ginger tá comigo!— Eu vi, amor — eu respondi, beijando a cabeça dele.Eu beijava Matteo com uma frequência que devia ser considerada crime em alguns







