ログインIvone Marques foi como tantas mulheres que só despertavam depois de serem esmagadas pelo amor: ela tentou, com todas as forças, fazer um homem como Fabiano Moraes se apaixonar por ela. Mas, depois de três anos de casamento, os dois viviam como completos estranhos. Quando Ivone ficou entre a vida e a morte, vítima de uma armadilha cruel, Fabiano, em vez de estar ao lado da esposa, acompanhava a antiga paixão da vida dele. Ivone decidiu arrancar aquele homem do coração, ainda que isso rasgasse a alma dela. Só que ela não imaginava que aquele sujeito, acostumado a mandar em tudo e em todos, não ia aceitar ser descartado tão fácil. Ele passou a rondar a vida dela como um fantasma insistente, se aproximando passo a passo, afastando qualquer outro homem que tentasse chegar perto e fechando todas as rotas de fuga dela. — Lá atrás, foi você que fez questão de se casar comigo. Enquanto eu não disser que a gente se divorciou, você não vai sair da minha vida nunca! — Declarou ele, certo de que ainda mandava nas regras do jogo. Ivone o encarou com frieza e respondeu: — Sinto muito. Sr. Fabiano, você já foi chutado pra fora do jogo por mim faz tempo. Quem decide o divórcio sou eu. Se eu digo que acabou, acabou.
もっと見るA gravata que Fabiano segurava era igual à que Ivone tinha usado para prender o cabelo, só mudava a cor. Ele afrouxou o tecido entre os dedos e falou com uma franqueza quase ofensiva:— Se eu ficar de olhos abertos para competir com você, eu posso dar dez anos para você que, mesmo assim, você não ganha de mim.Aquilo era humilhante. Mas também era verdade.Se Roberto estivesse ali naquele momento, com certeza ele ia fazer questão de completar a frase para Ivone:"E mesmo se ele vendar os olhos, e alguém ainda der mais cinco anos para você, você também não ganha!"A mira de Fabiano ficava no limite do que um ser humano podia alcançar. Aqueles vinte e cinco metros eram a distância que ele usava, aos dez anos de idade, para treinar tiro rápido de pistola.Já para alguém como Ivone, totalmente amadora, aquela distância já entrava na faixa intermediária de uma competição oficial. Quando Cássio começou a treiná-la, ele já tinha escolhido essa metragem. Até agora, ele só tinha ensinado Ivone
No exato instante em que as palavras de Fabiano terminaram de sair da boca dele, Ivone sentiu o braço inteiro enrijecer.Ele levantou o olhar, e os olhos profundos, carregados de uma certa obsessão, se prenderam aos dela. De repente, ele sorriu.— Você não tem coragem?Ivone foi pega de surpresa pelo leve arco que ele fez com os lábios. Aquele tipo de sorriso ela nunca tinha visto no rosto dele. Havia calor ali, indulgência, e uma mistura de emoções complexas e densas, todas comprimidas, como se ele as mantivesse sob rédea curta.Ou talvez não fosse bem assim. Talvez tivessem existido muitos momentos parecidos no passado, só que sempre tão rápidos que ela acabou achando que tinha imaginado tudo. Mas nunca, em momento nenhum, ele tinha se exposto desse jeito, sem se conter, com um quê de quem quer esquecer o mundo.Só que, ao mesmo tempo, Ivone também enxergou loucura no olhar dele. E uma determinação grudenta, daquelas que não deixam espaço para fuga.Ivone se lembrou da cena no condom
— Eu quero voltar para Uíge para almoçar. — Ivone respondeu.— Agora já não dá mais tempo de voltar para almoçar. — Fabiano falou, sério.O olhar de Ivone se desprendeu da revista e pousou por um instante nele, com o peito nu.A cada movimento que ele fazia para secar o cabelo, os músculos do abdômen, do peito e dos braços se retesavam e relaxavam. Algumas gotas que ele não tinha enxugado ainda deslizavam pelo "V" do baixo-ventre e sumiam na cintura da calça.O tecido, encharcado de água do mar, grudava no corpo dele de um jeito quase indecente. Para Ivone, ficava difícil desviar dos traços mais explícitos da anatomia masculina.Ivone tirou os olhos dele:— Desde que dê tempo para o jantar, para mim está bom.Fabiano olhou para ela, os lábios finos se movendo devagar:— Se a gente for para Uíge, não vai dar tempo de voltar para o jantar.A revista nas mãos de Ivone ficou toda amassada entre os dedos dela:— Eu não quero voltar!Pelo que ele estava dizendo, não dava tempo de ir até Uíge
Atrás dela, o vento do mar batia a chuva contra o vidro da janela do banheiro. Parecia até que o vento entrava pelas frestas da esquadria, trazendo um frio fino que envolvia o corpo de Ivone. Os dedos com que ela segurava o puxador da gaveta pararam por um instante. Ela fechou a gaveta com uma expressão completamente neutra.— Sra. Moraes, o jantar está servido.A voz da empregada veio do lado de fora do quarto. Como o cômodo era grande, o chamado parecia vir de muito longe, arrancando Ivone à força dos próprios pensamentos.Ivone voltou a si, saiu do banheiro e respondeu para a funcionária:— Eu não estou com fome. E pode me chamar de Srta. Ivone, eu não sou a Sra. Moraes.A empregada ficou surpresa por um segundo, mas se lembrou do aviso que Fabiano tinha dado antes: o que Ivone dissesse, eles deviam obedecer. Ela assentiu:— Sim, Srta. Ivone.Depois que a empregada saiu, Ivone se sentou no sofá preto perto da porta-janela, deixando a mão deslizar até a borda do apoio de braço.De re






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