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Capítulo 632

Autor: Kayla Sango
last update Última atualização: 2025-12-29 00:55:23

~ NICOLÒ ~

O escritório do Christian era grande, mas não enorme. Mais comprido do que largo, uma parede inteira de vidro com vista para Florença e, no centro, uma mesa que parecia menos “trono” e mais “campo de batalha”. Notebook aberto, algumas pastas empilhadas, uma garrafa de água pela metade. Nada fora do lugar.

Ele estava em pé, ao lado da mesa, terminando uma conversa com duas pessoas de terno. Nem levantou a voz, só concluiu, seco:

— Mandem a projeção revisada até o final do dia. Sem maq
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  • Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário   Capítulo 728

    ~ BIANCA ~Florença tinha um jeito próprio de fazer tudo parecer maior.As luzes sempre pareciam mais bem posicionadas, os lugares sempre tinham história o bastante para virar cenário, e até o barulho das pessoas conversando carregava um tipo de beleza.Na entrada do evento, eu já senti aquela grandiosidade.O fluxo de convidados, o tapete discreto, a disposição calculada de fotógrafos que fingiam estar ali por acaso, mas já sabiam exatamente quem queriam capturar. A parede com o nome da linha em letras elegantes — LINHA MONTESI por BELLUCCI — e, ao lado, o rótulo ampliado como se fosse uma obra de arte.E talvez fosse.Eu ajeitei o vestido com um gesto pequeno e respirei fundo antes de entrar. Nico estava ao meu lado, impecável e claramente consciente do próprio corpo naquele ambiente, como se cada passo dele precisasse provar que ele merecia estar ali.Eu entrelacei meus dedos nos dele.— Respira — eu murmurei.— Eu tô respirando — ele respondeu, mas a voz saiu seca.Eu quase sorri.

  • Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário   Capítulo 727

    ~ BIANCA ~Eu aprendi que rotina não é falta de emoção.Rotina é a emoção domesticada, colocada para funcionar sem fazer barulho.Quando o Nico voltou para os pepinos dele, eu levei a Bella — e, em dois minutos, nós já estávamos indo para o carro.Ela ocupou o banco de trás como se fosse dona do território. Colocou a mochila no colo, olhou pela janela e depois me estudou pelo retrovisor.— Mãe — ela chamou, no mesmo tom de quem pergunta a hora.— Hum?— Quando a minha irmãzinha vai nascer?Eu soltei um ar que era metade riso, metade rendição.— Por que essa pressa?— Porque a sua barriga já tá enorme — ela disse, apontando sem delicadeza nenhuma, e depois completou, como se fosse um elogio: — Enorme mesmo.— Obrigada pela delicadeza — eu respondi, fingindo indignação.Bella riu com gosto.— É verdade.— É verdade — eu concordei. — Falta bem pouquinho agora. Daqui a pouco, vocês vão se conhecer.O olhar dela acendeu.— Eu contei pra Giulia — ela disse, como se tivesse feito um anúncio

  • Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário   Capítulo 726

    ~ NICO ~A Tenuta tinha um som.Não era um som único, daqueles que você reconhece de olhos fechados. Era um conjunto de ruídos pequenos que, juntos, viravam ritmo. O portão abrindo cedo, pneus na estrada de cascalho, passos apressados no corredor de serviço, o tilintar contido de louça na cozinha, a máquina de café trabalhando sem pausa. Madeira rangendo sob pés que já não andavam com cuidado, porque o lugar tinha deixado de ser obra e virado casa.E tinha cheiro.Café forte, pão aquecido, uva madura que insistia em morar no ar mesmo fora da época. Um perfume limpo de roupa recém-passada vindo de algum canto, o sabonete de hotel que Martina aprovou com uma seriedade de conselho administrativo. Eu atravessava o pátio e sentia, por baixo de tudo, o cheiro de pedra fria — aquele que sempre me lembrava que as paredes dali tinham história.Quando eu cheguei à cozinha, a rotina já estava em movimento.Uma das meninas da equipe alinhava bandejas, outra conferia uma lista com caneta na orelha

  • Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário   Capítuo 725

    ~ BIANCA ~Na segunda-feira à tarde, eu voltei para a Bellucci como quem está retomando um pedaço de si.Eu atravessei a entrada do prédio com a mesma postura que eu sempre tive, mas com uma diferença essencial: eu não estava mais tentando provar nada.Durante semanas, eu tinha vivido com a sensação de que meu nome estava sendo usado como arma por gente que nunca me conheceu de verdade.E a parte mais cruel disso é que a mentira sempre ganha mais espaço do que a normalidade.O que dá manchete é “madrasta sequestradora”. O que dá clique é “escândalo”. O que rende comentário é a versão mais fácil de odiar.Mas o que eu tinha agora era a parte que ninguém na internet consegue roubar: o famoso “quem me conhece sabe”.E eles sabiam.Sabiam de verdade.Christian tinha conseguido domar o conselho do jeito que eu sabia que ele conseguiria: com fatos que não deixavam espaço para interpretação maldosa.Ele colocou tudo sobre a mesa — literalmente — e, quando terminou, a narrativa da armação fic

  • Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário   Capítulo 724

    ~ NICO ~Nós quatro entramos no carro quase ao mesmo tempo.Bella se jogou no banco de trás, escorregando pelo assento como se aquilo fosse um sofá de casa — mochila pequena no colo, cabelo ainda meio amassado de manhã e a empolgação sem filtro de quem não guarda ansiedade no corpo.— Cinto — Martina avisou, automática, antes mesmo de sentar direito.— Eu sei, vó — Bella respondeu, e fez o clique com um suspiro dramático só para performar que estava sendo “obrigada”.Bianca fechou a porta do passageiro com cuidado e se ajeitou devagar, a mão indo para a barriga num gesto instintivo. Eu entrei do lado do motorista, coloquei a chave, e por um segundo fiquei só olhando para frente, sentindo o peso bom de ter todo mundo ali.Eu dei a partida.O motor pegou e, com ele, alguma coisa dentro de mim também.Bianca olhou para o banco de trás — Bella já tinha esticado as pernas e estava balançando os pés no ar — depois olhou para mim, com um sorriso que parecia inocente demais para a mulher que

  • Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário   Capítulo 723

    ~ NICO ~Os dias foram passando e as semanas também.No começo, eu media o tempo pelo medo.Pelo telefone que podia tocar de novo. Por uma notificação jurídica. Por uma manchete. Por um carro estacionado tempo demais na frente do prédio. Pela sensação de que a vida estava apenas emprestada.Depois, sem que eu percebesse quando exatamente aconteceu, eu comecei a medir o tempo por outras coisas.Pelo horário em que a Bella acordava e ia direto para a cozinha, descalça, com o cabelo espetado. Pela rotina que a Martina montou como quem reconstrói uma casa com as próprias mãos. Pelo jeito que a Bianca passou a organizar pequenos detalhes do cotidiano.E pelo som do riso da minha filha voltando a existir sem medo.A guarda tinha começado como temporária.Uma medida de urgência, uma “residência provisória”, palavras que parecem neutras no papel e que, na vida real, significam: segure sua filha com força, mas não confie ainda.Só que provisório, com a Bella, nunca foi provisório.Ela não teve

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