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🌿 CAPÍTULO 03 🍀

last update Fecha de publicaciĂłn: 2026-05-11 03:58:15

No corredor da escola, Max caminhava lentamente em direção ao refeitório.

Seu corpo ainda doĂ­a da surra que havia levado mais cedo, e a cabeça parecia pesada demais para continuar erguida. Mesmo assim, ele seguiu andando em silĂȘncio, segurando firme a mochila velha contra o peito.

Assim que entrou no refeitĂłrio, percebeu Logan sentado com alguns colegas perto da janela.

Por um breve segundo, os olhos dos dois se encontraram.

Mas Logan imediatamente fechou a expressĂŁo e virou o rosto, se afastando discretamente da mesa como se nĂŁo quisesse ser associado ao irmĂŁo.

Os amigos perceberam.

— Ei, Logan
 aquele cara estranho nĂŁo Ă© seu irmĂŁo? — um deles perguntou rindo.

— Claro que não — Logan respondeu rápido demais.

As gargalhadas aumentaram.

— Olha a roupa dele


— Parece que saiu de um lixão.

— Ele dorme na rua ou o quĂȘ?

Max apenas abaixou o olhar.

JĂĄ estava acostumado.

Ou pelo menos tentava acreditar nisso.

EntĂŁo seus olhos encontraram May e Maira na fila do lanche.

As duas estavam claramente desconfortĂĄveis.

Maira evitava olhar em sua direção enquanto algumas garotas cochichavam perto dela.

Aquilo apertou o peito de Max mais do que qualquer insulto.

Sem dizer nada, ele simplesmente se virou e saiu do refeitĂłrio.

Caminhou até os fundos da escola, onde quase ninguém costumava ir.

Sentou-se sozinho atrås de um muro velho e finalmente deixou a cabeça cair entre os braços.

Seu corpo tremia.

As lågrimas começaram a cair silenciosamente.

Ele tentou segurar o choro
 mas não conseguiu.

Naquele momento, o papel amassado com o endereço caiu de dentro de sua mochila.

Max o pegou rapidamente, olhando para as palavras escritas ali.

— Como eu vou entregar isso para ele
? — sua voz falhou. — Eu nem sei onde aquele homem está


Ele apertou o papel com força.

— Meu Deus
 o que eu faço?

— EntĂŁo era por isso que vocĂȘ estava chorando?

Max levantou assustado.

A faxineira da escola estava parada atrĂĄs dele segurando uma bandeja com um lanche simples.

Ela se aproximou devagar e colocou a bandeja ao seu lado.

— Tome. VocĂȘ saiu sem comer de novo.

Max limpou rapidamente os olhos tentando esconder o choro.

— Obrigado


A mulher observou atentamente o rosto abatido do garoto.

— O que aconteceu?

Max ficou em silĂȘncio por alguns segundos.

Então abaixou a cabeça novamente.

— Os homens para quem meu pai deve apareceram hoje


A voz dele saiu fraca.

— Eles disseram que
 se ele não pagar
 vão levar minhas irmãs.

A mulher levou a mĂŁo Ă  boca, chocada.

— Meu Deus


Max apertou os dedos contra a calça surrada.

— Mas eu não sei onde ele está
 faz tempo que ele sumiu


A faxineira pareceu pensar por alguns segundos.

— E sua mãe? Ela não sabe?

Os olhos de Max se arregalaram levemente.

Era verdade.

Sua mĂŁe talvez soubesse.

Ele se levantou tĂŁo rĂĄpido que quase derrubou a bandeja.

— Obrigado!

— Espera! — a mulher tentou pará-lo. — As aulas ainda não acabaram!

Mas Max jĂĄ estava correndo.

Passou o restante do dia procurando desesperadamente pela mĂŁe.

Entrou em bares baratos.

Motéis decadentes.

Becos escuros.

Lugares onde ela costumava aparecer.

Mas não encontrou ninguém.

Nem sinal dela.

Nem do pai.

Quando percebeu, a noite jĂĄ havia caĂ­do completamente.

As luzes da cidade brilhavam frias sob o céu escuro enquanto Max encarava o papel amassado em suas mãos.

O horĂĄrio marcado jĂĄ havia chegado.

Se o pai não aparecesse


As irmĂŁs sofrem as consequĂȘncias.

Max respirou fundo.

EntĂŁo tomou sua decisĂŁo.

Foi sozinho até o endereço.

O lugar era um ferro-velho enorme cercado por carros destruĂ­dos e pilhas de sucata enferrujada.

Assim que entrou, um cachorro enorme avançou latindo violentamente.

Max deu um passo para trĂĄs assustado.

Logo dois homens apareceram segurando o animal.

— Então o pirralho veio mesmo.

Eles o empurraram até o fundo do terreno.

Debaixo de uma tenda improvisada, um homem fumava tranquilamente sentado em um sofĂĄ velho.

Ao lado dele


May e Maira estavam presas, assustadas.

O coração de Max quase parou.

— Meninas!

Ele correu imediatamente até elas, ficando na frente das duas como proteção.

O chefe observou a cena com diversĂŁo.

— EntĂŁo vocĂȘ realmente nĂŁo encontrou seu pai.

Max apertou os punhos.

— Por favor
 deixa elas irem.

O homem soltou fumaça lentamente.

— Como eu disse antes
 elas vão pagar a dívida.

Max sentiu o sangue gelar.

— Não! — sua voz saiu desesperada. — Eu fico no lugar delas!

Os homens começaram a rir.

— VocĂȘ?

Max ignorou as gargalhadas.

— Eu posso trabalhar para vocĂȘs! Sou bom com contas
 tambĂ©m sei consertar coisas


O chefe o analisou dos pés à cabeça antes de rir.

— Suas irmãs são bonitas. Serviriam como ótima mercadoria.

As palavras fizeram Max perder a cor do rosto.

— JĂĄ vocĂȘ
 — o homem continuou. — NĂŁo parece servir para nada.

Max respirou fundo.

EntĂŁo ergueu os olhos pela primeira vez.

— Eu sei lutar.

O silĂȘncio caiu por alguns segundos.

Logo depois, os homens explodiram em gargalhadas ainda maiores.

— VocĂȘ?!

— Esse moleque mal consegue ficar em pĂ©!

— Vai morrer no primeiro soco!

Mas Max nĂŁo desviou o olhar.

EntĂŁo lentamente se ajoelhou diante do chefe.

— Por favor


Sua voz tremia.

— Me dĂȘ uma chance.

Os dedos dele apertavam fortemente as prĂłprias pernas tentando esconder o medo.

— Se eu perder
 pode fazer o que quiser comigo.

O homem parou de fumar.

Pela primeira vez, parecia realmente interessado.

— EntĂŁo vocĂȘ entende o que estĂĄ oferecendo?

Max engoliu seco.

— Sim.

— Se perder hoje
 suas irmãs vão embora.

O homem sorriu friamente.

— Mas vocĂȘ serĂĄ meu.

May segurou o braço do irmão desesperada.

— Não faz isso!

Max apenas olhou para ela e forçou um pequeno sorriso cansado.

— Vai ficar tudo bem.

Mesmo sabendo que talvez nĂŁo fosse verdade.

Pouco depois, ele foi levado até uma arena improvisada cercada por homens apostando dinheiro.

Seu oponente era enorme.

O homem tirou a camisa rindo.

— VocĂȘ tĂĄ ferrado, moleque.

Antes mesmo de terminar a frase, avançou violentamente.

Max desviou por pouco do primeiro golpe.

EntĂŁo revidou.

Acertou alguns socos rĂĄpidos.

Mas também recebeu vårios em troca.

A diferença de força entre os dois era brutal.

Um forte golpe atingiu seu estĂŽmago.

Outro acertou seu rosto.

Max caiu no chão com força.

Os homens começaram a gritar animados ao redor.

O adversĂĄrio aproveitou para chutĂĄ-lo repetidamente.

Cada golpe fazia sua visĂŁo escurecer mais.

Mas então


Max ouviu o choro das irmĂŁs.

E se levantou novamente.

Mesmo tremendo.

Mesmo sangrando.

Ele voltou a atacar.

Os socos eram fracos
 desesperados
 mas cheios de determinação.

Até que finalmente conseguiu derrubar o homem.

A contagem começou.

Max tentou permanecer de pé 

Mas seu corpo jĂĄ havia chegado ao limite.

Ele ficou tonto.

Enjoado.

E acabou vomitando sangue no chĂŁo.

Mesmo assim


Foi declarado vencedor.

Os homens começaram a reclamar irritados.

O lutador derrotado, tomado pela raiva, pegou um pedaço de madeira e acertou violentamente a cabeça de Max.

O som seco ecoou pelo ferro-velho.

Max caiu imediatamente no chĂŁo.

Sangue começou a escorrer por sua testa.

May e Maira gritavam desesperadas.

O chefe se levantou furioso.

Sem hesitar, puxou a arma e atirou no homem.

O corpo caiu morto no chĂŁo.

O silĂȘncio tomou conta do lugar.

— Eu não admito isso aqui.

Sua voz saiu fria.

— Tirem esse lixo daqui.

May e Maira correram até o irmão.

Max tentou se levantar mesmo completamente tonto.

— VocĂȘ
 prometeu


Sua voz falhava.

— Disse que libertaria minhas irmãs


O chefe colocou as mĂŁos nos bolsos observando o garoto ensanguentado.

EntĂŁo sorriu de leve.

— E eu vou cumprir minha palavra.

Os olhos de Max tremeram levemente.

— Mas vocĂȘ tambĂ©m fez uma promessa.

Max abaixou a cabeça.

— Eu sei.

O homem caminhou lentamente até ele.

— As meninas podem ir.

Depois seu olhar escureceu.

— Mas se abrirem a boca sobre o que aconteceu aqui
 todos vocĂȘs vĂŁo acabar na mesma cova daquele idiota.

May segurou o irmĂŁo chorando.

Maira ajudou Max a ficar de pé.

Mesmo quase inconsciente


Ele ainda tentou caminhar sozinho.

O chefe observou aquilo em silĂȘncio.

EntĂŁo falou antes deles saĂ­rem:

— E vocĂȘ, moleque


Max parou devagar.

— Se cuide.

Um pequeno sorriso surgiu no rosto do homem.

— Vou mandar buscar vocĂȘ quando precisar dos seus serviços.

Max nĂŁo respondeu.

Apenas saiu dali apoiado pelas irmĂŁs.

Depois que eles desapareceram, um dos homens se aproximou do chefe.

— O que ele disse Ă© verdade. O pai sumiu faz mais de um mĂȘs
 e a mĂŁe tambĂ©m desapareceu.

O homem acendeu outro cigarro.

— Esses garotos só continuam vivos por causa daquele moleque.

O chefe tragou lentamente.

Seus olhos permaneceram fixos na direção por onde Max havia ido embora.

— Interessante


EntĂŁo entrou no carro.

E foi embora.

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