FAZER LOGIN“Tia Branca, por que você vai embora? Meu coração só fica calmo quando você tá aqui…” Nada na vida de Branca Oliveira a preparou para perder mãe e filho no mesmo dia. Atordoada pelo luto, ela tenta se reerguer voltando ao trabalho como assistente social, mas o destino a coloca diante de Aelyn, uma garotinha frágil e doce que acabou de sobreviver a uma cirurgia cardíaca. O problema? O pai da menina. Cássio Raveli, juiz respeitado, arrogante, intenso demais… e o homem com quem Branca teve uma noite proibida no banheiro de um bar. Ele não confia nela. Ela não suporta a frieza dele. E os dois fingem que o passado não existiu. Até que Aelyn, inexplicavelmente, cria um vínculo profundo com Branca, um vínculo tão forte que o coração recém-transplantado da menina só se estabiliza quando ela está por perto. Quando Branca é injustamente demitida do hospital, Aelyn faz um pedido que muda tudo: que Branca se torne sua babá. Agora, vivendo sob o mesmo teto, Branca precisa lidar com um homem que a tira do sério, uma criança que desperta seu instinto mais profundo… e um segredo devastador que Cássio esconde desesperadamente: o coração que salvou sua filha pode destruir a mulher por quem ele começa a sentir mais do que deveria.
Ver maisBrancaAcabei de fazer 80 anos.Sentada na minha velha espreguiçadeira, no jardim da casa que Cássio e eu construímos há uma vida inteira, observo a luz dourada do fim da tarde escorrer entre as árvores. O vento balança os galhos com delicadeza, trazendo o perfume doce do jasmim que plantei quando Aelyn ainda era uma menininha correndo descalça pelo quintal.Às vezes parece que foi ontem. Outras vezes, parece que vivi mil vidas.Ao meu lado, sobre a mesinha de madeira, fotografias antigas contam nossa história sem precisar de palavras. Rostos sorridentes. Abraços congelados no tempo. Instantes que se recusaram a desaparecer.O amor. As perdas. Os recomeços.Passo os dedos sobre uma das fotos e sinto o peito apertar com uma ternura antiga.Lembro do dia em que perdi meu Pedro. A dor foi tão profunda que pensei que nunca mais conseguiria respirar sem ela. Mas a vida, com sua teimosia generosa, encontrou um jeito de me devolver um pedaço dele.Então Aelyn chegou.Primeiro como a garotinh
SophiaUm ano e oito meses haviam se passado desde que tudo começou a se ajeitar.Eu tinha finalmente decidido: queria estudar Arquitetura. Entrei na faculdade, mergulhei nos estudos e descobri que era exatamente o que eu amava. Agora, estava de férias, e a família toda resolveu fazer uma viagem para celebrar a vida que tínhamos reconstruído. Escolhemos uma praia paradisíaca na Flórida, areias brancas, mar turquesa, coqueiros balançando com a brisa. Um lugar que parecia saído de um sonho.Rangel conseguiu férias no mesmo período e veio com a gente. Ele e Felipe agora se davam bem de verdade. Meu irmão ainda fazia cara feia de vez em quando, mas via o quanto Rangel me fazia feliz e, aos poucos, foi aceitando.Meu pai, que também tinha sua implicância, tinha aceitado mais cedo meu namoro, do que meu irmão ciumento. Mesmo com todos os problemas que ele tinha, mais o filho pequeno e a esposa em recuperação, ele adorava dar palpite no meu namoro."Aqui é lindo." Sussurrei e Rangel me olhou
FelipeDois meses haviam se passado desde que saímos do hospital.Dois meses de recuperação lenta, de noites acordados com Pedro, de Aelyn ganhando forças dia após dia. Hoje, finalmente, era o dia do nosso casamento.O jardim que escolhemos era pequeno, íntimo, perfeito. O sol das cinco da tarde pintava tudo de dourado suave, filtrando entre as árvores e iluminando as flores brancas, rosas claras e detalhes em amarelo pálido que decoravam o espaço. Nada exagerado. Nada grandioso. Apenas nós, nossa família e o amor que quase perdemos.Eu estava parado na frente do pequeno altar de madeira rústica, o coração batendo forte. André, meu pai, estava ao meu lado, com a mão no meu ombro."Respira, filho. Ela vai aparecer."Eu sorri nervoso, ajustando a gravata pela décima vez."Eu sei. Mas… depois de tudo que passamos, parece que, se eu piscar, ela some."Ele apertou meu ombro com carinho."Ela não vai sumir. Ela nunca faria isso com você. Finalmente vocês estão realizando o sonho de vocês. F
AelynEu ainda estava fraca, mas acordada.A notícia se espalhou rápido. Em menos de uma hora, o quarto da UTI estava cercado pela minha família inteira. Meus pais, Laís e André, Serena, Sophia, Rangel… todos ali, com os olhos vermelhos e sorrisos trêmulos.A Dra. Helena entrou acompanhada de uma enfermeira, olhando para todos com um sorriso cansado, mas aliviado."A Aelyn está se recuperando bem. Os sinais vitais estão estáveis. Vamos transferi-la para um quarto comum em breve, mas ainda vamos mantê-la em observação rigorosa por mais alguns dias."Todos soltaram suspiros de alívio. Minha mãe apertou minha mão, chorando baixinho."Graças a Deus, minha filha… Graças Deus."A médica hesitou por um segundo, olhando para mim e para Felipe."Preciso falar sobre algo importante." Ela respirou fundo. "Durante a cesariana de emergência, Aelyn sofreu uma hemorragia muito grave. O coração dela quase não suportou a gravidez. Quando a hemorragia começou, o organismo entrou em colapso. Conseguimo






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