LOGINEu não respondi. Eu só apertei o volante com mais força, sem conseguir controlar a tensão que tomava conta de mim.Depois que eu deixei a Laís na escola, eu parei o carro no acostamento, peguei o meu celular, procurei o número do Lorenzo e liguei.Quando ele atendeu, eu fui direta:— Me passa o número da sua irmã, Rebeca.Do outro lado da linha houve um silêncio rápido, e a voz do Lorenzo veio carregada de preocupação:— Você tem certeza de que quer falar com a Rebeca? Eu acho melhor você não fazer isso. Ela odeia você, de verdade. Se você for sozinha encontrar com ela e acontecer alguma coisa, o Thiago vai colocar a culpa em mim.Eu retruquei, sem muita paciência:— Então me diz o que é que eu faço. Você não controla a sua esposa, não controla a sua irmã, e quem paga a conta é a Rafaela. Ela não pode ser o preço das nossas brigas. Pelo menos, ela chama você de pai. Você olha bem para si mesmo e me diz se está fazendo o mínimo como pai.Do outro lado, caiu um silêncio pesado. Só depois
Ele disse isso e ligou para Caetano, mandando que ele verificasse imediatamente todos os hotéis da Cidade H, procurando qualquer reserva feita em nome de Melissa.Ele reforçou várias vezes:— Quando você encontrar Melissa, precisa colocar seguranças para acompanhá-la de perto, em tempo real. Eu quero saber para onde ela vai e com quem se encontra, entendeu?Ele organizava tudo com calma e método, e eu, aos poucos, também fui me acalmando.Mesmo ainda muito preocupada com a situação da Rafaela, por dentro já não sentia mais aquele pânico intenso.…Quando voltamos para a casa da família Ribeiro, a mansão estava silenciosa, com apenas a luz suave dos apliques no corredor projetando um brilho tênue nas paredes.Troquei de sapatos na ponta dos pés, com o coração ainda apertado.Só relaxei um pouco quando o celular de Thiago tocou. Ele atendeu imediatamente, com tom grave:— Fala.— Sr. Thiago, encontramos! — A voz de Caetano veio carregada de excitação. — Melissa fez check-in com o nome de
Uma mulher emocionalmente tão instável daquele jeito, somada à crueldade venenosa de Melissa... Como Rafaela poderia ter uma vida tranquila ao lado das duas?Eu não aguentei e falei:— Rebeca, nós não viemos aqui para deixar você com raiva. Eu só quero ver a Rafaela.— Você cala a boca! — Rebeca me cortou num grito, o olhar carregado de escárnio. — Você acha mesmo que a Rafaela é tão importante assim para você? Se é desse jeito, você está disposta a trocar esse homem que está ao seu lado pela Rafaela? Débora, para de bancar a santa! Se você amasse tanto a Rafaela, estaria aí agarrada ao Thiago desse jeito, tentando subir na vida às custas dele? No fim das contas, você só finge ser boazinha. Usa essa cara de inocente para enfeitiçar ele!— Rebeca, chega!Thiago a repreendeu com dureza, empurrando-a de lado e entrando direto na casa.Rebeca cambaleou um pouco, mas, de repente, virou o rosto para mim com um sorriso vitorioso:— Débora, você viu, não viu? Ele entrou na minha casa. Desde cr
A reação da Rebeca já estava muito antes dentro das expectativas do Thiago.Afinal, se ele fosse pensar bem, a Melissa tinha acabado de sair da detenção. Ela era cruel, sim, mas a pessoa que ela mais odiava ainda deveria ser a Nina, que tinha roubado o marido dela, e não a Débora.Para que a Melissa virasse as armas diretamente contra a Débora, era quase certo que Rebeca tivesse colocado alguma ideia na cabeça dela.A paciência de Thiago estava quase se esgotando por completo por causa daquela mulher insistente.Ele falou em voz baixa, palavra por palavra, com um peso contido:— Rebeca, me diz uma coisa: afinal, o que é que você quer?— Você sabe muito bem o que eu quero. — A voz de Rebeca, de repente, amoleceu, assumindo um tom quase carente. — Você quer ver a Rafaela? Então venha. Você vem hoje à noite à minha casa, vem me ver. Eu estou com saudade de você.As juntas dos dedos de Thiago ficaram brancas de tanta força. O olhar dele escureceu de uma hora para outra, frio e carregado. Q
Eu me lembrava de ter avisado a Natália sobre a forma como a Melissa tratava a Rafaela. Em teoria, se ela aparecesse para buscar a menina, era impossível a Natália não me avisar antes.Do outro lado da linha, havia um barulho de fundo, e a voz de Natália soou surpresa:— Eu estou nas Maldivas com o Matias, acabei de entrar de férias. Você se acalma, está bem? Eu vou ligar para a professora agora mesmo e entender o que aconteceu.Depois que atendeu ao telefonema da Natália, a professora veio falar comigo, cheia de explicações:— Nós íamos, sim, confirmar tudo com você antes. Mas a Melissa disse que era a responsável legal da Rafaela e que, se nós não deixássemos ela levar a menina, ela chamaria a polícia. Ela falou que ia acusar a escola de manter a própria filha contra a vontade dela, que faria um escândalo... Nós ficamos sem saída. Tivemos medo de prejudicar as outras crianças e de acabar criando um problema sério para a escola.Eu sabia que, daquela vez, a Melissa tinha levado a Rafa
Rebeca estendeu um lenço de papel para ela e falou:— Você é a minha cunhada, e ainda é a minha melhor amiga. Se eu não cuidar de você, quem é que vai cuidar? Você vai primeiro lá para casa, vai tomar um banho decente e descansar um pouco.Melissa pegou o lenço, passou no rosto de qualquer jeito e franziu a testa com força:— Ou então nós já voltamos direto para a Cidade J. Eu não consigo ficar aqui nessa Cidade H horrível, isso me dá nojo!Rebeca virou um pouco o rosto, com um sorriso cheio de segundas intenções no canto da boca:— Voltar para a Cidade J, claro que você pode. Mas você quer voltar assim? Com cara de derrotada, fugindo de cabeça baixa? Você aguenta isso?Melissa levantou os olhos vermelhos, cheios de vasos rompidos, e encarou Rebeca com confusão e um resto de revolta:— O que você está querendo dizer com isso?— Primeiro nós vamos para a minha casa. — Rebeca respondeu, tirando o olhar dela e ligando o carro. — Depois eu explico tudo com calma.O carro entrou sem solavan







