LOGINLarissa Moretti viveu um namoro de cinco anos. Intenso o bastante para virar notícia em Aurimare. No dia de assinar os papéis do casamento, ele simplesmente... não apareceu. Ali, a paciência dela morreu. Larissa terminou. O noivo virou ex. E ela jurou: não voltaria atrás. Nunca. Só que a engrenagem do destino não parou. Um telefonema mudou tudo. Por puro orgulho, Larissa se casou com Arthur Vasconcelos, o homem frio com quem mal falava, e o irmão mais velho do seu ex. Arthur era o homem mais cobiçado de Aurimare. Brilhante, intocável. Foi ele quem levantou um império financeiro que atravessava fronteiras. Um magnata que o mercado respeitava. E, quando o nome Vasconcelos era citado, até gente poderosa baixava a voz. Depois do casamento, porém, Arthur só tinha uma regra: Larissa. Ele a tratava como raridade. Protegia, cedia, colocava o mundo em ordem com a mesma naturalidade com que tirava um fio de cabelo do rosto dela. Até o dia em que o ex a humilhou, chamando-a de inútil, como se ela não valesse nada. Arthur nem discutiu. Um soco seco. O irmão dele no chão. Ele se inclinou um pouco, a voz baixa: — Minha esposa é o meu tudo. Não existe joia neste mundo, por mais rara e brilhante, que chegue perto da luz dela. Tudo o que for dela, eu apoio. Insulte-a de novo e você está fora da família Vasconcelos. Para sempre. Só muito tempo depois Larissa entenderia. O homem que ela sempre temeu a amava havia dez anos. E aquele "casamento por impulso"? Foi um plano paciente. Um laço doce armado para ela cair... e nunca mais querer sair.
View More— Larissa, o que você disse?O pomo de Adão de Arthur se moveu. A surpresa ainda brilhava em seus olhos quando ele perguntou outra vez, tentando confirmar.Não ouviu direito.Só captou seu próprio nome e, logo depois, algo que parecia muito com "gosto de você".Queria ouvir de novo.Mas Larissa apenas esfregou o rosto contra seu peito, se acomodou melhor em seus braços e mergulhou outra vez num sono profundo.Arthur não teve pressa.Apoiou a cabeça no travesseiro, manteve Larissa junto ao corpo e ficou esperando em silêncio, na esperança de que ela voltasse a falar dormindo.Na manhã seguinte, Larissa acordou revigorada, com o rosto corado e uma aparência muito melhor.Quando ergueu os olhos, porém, encontrou Arthur do outro lado da mesa, impecável num terno sob medida de corte perfeito, mas com uma expressão que deixava claro que a noite dele não foi tão tranquila.Sob os olhos profundos, havia até uma leve sombra azulada.— Você não dormiu bem? — Larissa perguntou, preocupada. — Está
Larissa puxou um guardanapo e enxugou o suor da testa dele, com um sorriso doce.— Da próxima vez, eu como algo sem pimenta com você.Arthur franziu as sobrancelhas e deu um tapinha de leve no dorso da mão dela.— Sra. Vasconcelos, já esqueceu de novo? Você merece ser mimada sem precisar abrir mão do que gosta.Larissa não sabia se ria ou se suspirava.— Tá bom, tá bom. Eu mereço. Aprendi.Arthur enfim pareceu satisfeito.— Mas tenho que admitir uma coisa. Frutos do mar com pimenta realmente ficam diferentes. Gostei.Larissa contemplou aquele rosto bonito e sorriu com os olhos.— Claro. Você mal aguenta e ainda quer mais.Arthur ignorou a provocação e continuou comendo.De vez em quando, a ardência o fazia puxar o ar entre os dentes, enxugar o suor ou recorrer ao refrigerante. Ainda assim, não esquecia de colocar comida no prato dela, descascar os camarões nem encher seu copo quando percebia que estava vazio.Eram gestos pequenos.Tão cotidianos que talvez nem merecessem atenção para q
A mesa estava coberta de ingredientes.Além de tudo o que Larissa costumava gostar, Arthur preparou uma seleção generosa de frutos do mar: camarões, mariscos, vários tipos de conchas e até caranguejo-real.— Se você gosta, é claro que eu vou fazer. E ainda posso comer com você. — Um sorriso apareceu nos olhos escuros de Arthur, carregado de um carinho impossível de esconder.O coração de Larissa bateu mais forte.— Você preparou tudo isso sozinho?— Eu disse que ia cozinhar pessoalmente. Não faria sentido deixar outra pessoa fazer por mim.Arthur puxou uma cadeira, a conduziu até ali e pressionou de leve seus ombros para que se sentasse.— No amor, homem que sabe cozinhar sempre ganha pontos.Ele sorriu.— Vou buscar os molhos. Daqui a pouco a gente começa.Arthur entrou na cozinha e voltou pouco depois com vários temperos e acompanhamentos, que organizou sobre a mesa.Com um potinho de molho na mão, ergueu os olhos para Larissa.— Qual você quer?Ela encontrou aquele olhar tranquilo e
Com a caixa de discos nas mãos, Larissa saiu da sala de monitoramento.Nesse momento, o celular do assistente tocou.— Com licença, Srta. Larissa. Preciso atender.— Claro. Fique à vontade. — Larissa assentiu de leve.O assistente se afastou para atender e voltou pouco depois com um sorriso respeitoso.— Srta. Larissa, o Sr. Marco perguntou se a senhorita gostaria de jantar na casa dele hoje à noite.Ele hesitou por um instante antes de acrescentar:— E pediu que eu fizesse questão de convencer a senhorita a aceitar.Larissa ficou pensativa.Fazia anos que não se sentava à mesa com o tio e a tia.Nos últimos tempos, foi ela quem se afastou demais da família.Ainda assim, naquele dia realmente não podia ir.— Por favor, diga ao meu tio que, assim que eu resolver o que preciso nesses próximos dias, vou visitá-los sem falta.O assistente percebeu que aquilo era uma recusa e pareceu um pouco constrangido.Larissa sorriu.— E diga para ele não se preocupar. Eu prometo que vou.O homem relax
A voz provocadora demorou alguns segundos para atravessar o torpor de Larissa.— Arthur, seu mano acabou de brincar comigo. Agora é a sua vez?Do outro lado da linha estava Arthur Vasconcelos, o irmão mais velho de Ciro.Quando ela começou a namorar Ciro, Arthur nunca lhe ofereceu um olhar gentil.—
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar












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