FAZER LOGINCAPÍTULO 54 — HÉLIA ESTÁ VIVA— Minha avó está viva?Alexandre não respondeu.Helena sentiu a raiva subir.— Pai.— Está.Uma palavra.Era tudo.Mas parecia suficiente para desmontar as últimas horas.Helena riu.Sem humor.— Inacreditável.— Helena...— Não.Ela apontou para a tela.— Há cinco minutos você concordou que ninguém esconderia mais nada.— Eu não sabia se Hélia ainda estava viva.— Mas sabia que ela não tinha morrido quando saiu do programa.Alexandre baixou os olhos.— Sim.— Então mentiu por omissão.Silêncio.Valente permaneceu ao lado dela.Não interferiu.Helena percebeu.E agradeceu silenciosamente.Aquela era uma conversa entre ela e o pai.— Por que me deixou acreditar que minha avó estava morta?— Porque para mim ela estava.Helena congelou.— O que isso significa?Alexandre respirou fundo.— Hélia desapareceu da minha vida quando eu tinha vinte e quatro anos.***Vitória voltou ao computador.H-03 continuava conectado.Nenhuma nova mensagem.— Não responde mais
CAPÍTULO 53 — ELES AINDA ESTÃO AQUITrês códigos.H-01.H-02.H-03.Helena permaneceu diante da tela.— Então existem três administradores ativos.Vitória assentiu.— Pelo menos três credenciais.— Pessoas ou acessos?Valente perguntou antes que Helena pudesse.Vitória olhou para ele.— Não sabemos.Helena quase sorriu.— Excelente. Continuem assim.— Assim como? — Alexandre perguntou.— Sem transformar hipótese em verdade.Valente soltou uma risada baixa.— Definitivamente aprendemos alguma coisa.Helena olhou para ele.— Alguns pela dor.O sorriso desapareceu.Mas dessa vez Valente não desviou.— Eu sei.***Vitória abriu os registros.H-03 havia sido usado naquela manhã.O ambiente mudou imediatamente.— Hoje? — Valente perguntou.— Às oito e dezessete.Helena sentiu um arrepio.— Para fazer o quê?Vitória abriu o histórico.CONSULTA DE DESCENDÊNCIA.Dois registros.Os gêmeos.Valente endureceu.— Eles acessaram informações dos meus filhos hoje?— Sim.Helena fechou os olhos.Aquil
CAPÍTULO 52 — A HERDEIRA DE HÉLIA— Herdeira de Hélia.Helena repetiu as palavras devagar.— Eu não quero herdar nada disso.Vitória continuou olhando para a tela.— Talvez não seja uma herança patrimonial.— Melhor ainda. Porque dinheiro já causou problemas suficientes.Valente se aproximou.— O que significa “a decisão caberá à minha linhagem”?— Ainda não sabemos — Vitória respondeu.Helena virou-se imediatamente.— Ótimo.Todos olharam para ela.— Finalmente alguém disse “não sabemos” sem inventar o resto.Valente sorriu.— Estamos evoluindo.— Alguns mais devagar.— Eu me senti atacado.— Era a intenção.Por alguns segundos, o peso da sala diminuiu.Mas então Alexandre abriu outro documento.E seu rosto mudou.— Helena.— O quê?— Acho que encontrei o que sua avó deixou.***O arquivo tinha apenas três páginas.Nenhum código misterioso.Nenhuma assinatura escondida.Era uma declaração.Escrita por Hélia.Vitória começou a ler.— “O programa foi criado para garantir que nenhuma cr
CAPÍTULO 51 — HÉLIA— Minha mãe.A voz de Alexandre saiu quase sem som.Helena continuou olhando para a fotografia antiga na tela.— Então Hélia era minha avó?— Sim.Valente se aproximou.— E foi ela quem criou isso?Alexandre balançou a cabeça.— Não o que vocês conhecem como Projeto Herdeiros.Vitória abriu o primeiro documento.PROGRAMA HÉLIA — OBJETIVO ORIGINAL.— O programa existiu antes — Alexandre explicou. — E foi criado para fazer exatamente o contrário.Helena franziu a testa.— Contrário de quê?— De tudo que fizeram com você.Silêncio.***Alexandre puxou uma cadeira.— Minha mãe trabalhava com análise patrimonial e sucessória. Durante anos, percebeu um padrão entre famílias muito ricas.— Que padrão? — Valente perguntou.— Crianças escondidas. Filhos não reconhecidos. Mulheres pagas para desaparecer. Registros alterados para excluir descendentes de heranças.Helena sentiu um arrepio.Grávida.Sozinha.Lisboa.Seus filhos crescendo sem o pai saber que existiam.— Meu Deus
CAPÍTULO 50 — O NOME DE AUGUSTO— Augusto Ferraz.Ninguém falou por alguns segundos.Valente continuava diante da tela.Helena conhecia aquele silêncio.Era o mesmo que vinha antes de uma decisão impulsiva.Ela segurou seu braço.— Não.Ele virou o rosto.— O nome dele está aí.— A assinatura dele está aí.— Qual a diferença?Helena sustentou seu olhar.— Três anos atrás, você também tinha provas contra mim.A frase o atingiu.Valente fechou os olhos.Respirou fundo.— Certo.Voltou-se para o investigador.— Verifica tudo.Carolina observou o irmão.— Você não vai atrás dele?— Vou.Valente olhou novamente para a assinatura.— Quando eu souber exatamente o que perguntar.***A análise começou pelo documento original.Data.Horário.Certificado digital.Terminal utilizado.Tudo apontava para Augusto.— A assinatura é válida — disse o investigador.Valente ficou sério.— Então foi ele.— Eu não disse isso.Helena quase sorriu.Pelo menos alguém havia aprendido com ela.— O certificado e
CAPÍTULO 49 — A CHAVE QUE CAROLINA GUARDOU— É onde minha mãe está enterrada.Helena observou Valente guardar o telefone.— Carolina está sozinha?— Não respondeu.— Então não vamos correr para lá sem segurança.Ele olhou para ela.— Eu ia dizer a mesma coisa.Helena arqueou uma sobrancelha.— Estou criando você muito bem.Valente quase sorriu.— Está fazendo um trabalho excelente.Por alguns segundos, a tensão diminuiu.Só por alguns.***Carolina estava sentada diante do túmulo de Verônica.Sozinha.Dois seguranças verificaram o local antes de Helena e Valente se aproximarem.Carolina levantou os olhos.— Demoraram.— Temos desenvolvido apego pela ideia de permanecer vivos — Helena respondeu.Carolina soltou uma risada curta.Valente olhou para o objeto em sua mão.— É isso?— Acho que sim.Era pequeno.Metálico.Parecia um pendrive antigo, mas não tinha entrada convencional.— Nossa mãe te deu?— Quando eu tinha dezessete anos.Valente franziu a testa.— Por quê?Carolina olhou par







