INICIAR SESIÓNPOV Elara
O caos só não se instaurou de vez porque uma voz conhecida se ergueu acima de todas as outras.— Chega! — o grito do meu pai ecoou pelo salão como um trovão.Os murmúrios diminuíram, não por respeito, mas por surpresa. Bran avançou alguns passos, posicionando-se entre mim e Darian, o corpo grande e imponente, a postura de quem ainda era, acima de tudo, o beta daquela alcateia.— Matar Elara seria um desrespeito direto à Deusa da Lua — ele disse, aPOV Aeron Isabel chorava como se o mundo estivesse acabando. Um choro forte, indignado, cheio de personalidade. Elara já havia feito tudo. Amamentou. Trocou a fralda. Ninou. Cantou. Victor tentou distrair com truques de magia. Ilian andou com ela pelos corredores. Até Mirela tentou embalar a pequena. Nada funcionou. Ela havia passado por todos os colos possíveis. Menos um. Desci os corredores do castelo com Isabel nos braços enquanto seus berros ecoavam pelas paredes de pedra. — Tudo bem, pequena — murmurei, tentando acalmá-la. — Já estamos chegando. O quarto ficava em uma ala reservada. Discreta. Silenciosa. Perto da enfermaria. Ali havia tudo o que era necessário para cuidar dele. Empurrei a porta. O cheiro de cloro invadiu meus pulmões imediatamente. Era forte. Limpo. Frio. O som dos aparelhos também estava lá. Bip. Bip. Bip. Regular. Constante. Ainda era estranho para mim sentir tudo com tanta intensidade. Meus sentidos haviam mudado. Meu corpo também. Mas eu
POV ElaraO sol brilhava alto sobre a praça da capital.As bandeiras tremulavam ao vento enquanto uma multidão ocupava cada espaço possível das ruas, dos telhados e das janelas. Era um mar de vozes, de expectativa, de esperança.E diante de todos eles…Aeron estava ajoelhado.O sumo sacerdote segurava a coroa com ambas as mãos, elevando-a lentamente antes de colocá-la sobre a cabeça dele.O ouro da coroa brilhou à luz do sol quando finalmente tocou seus cabelos.— Pelo direito de sangue, pelo direito de honra e pela vontade do povo — proclamou o sacerdote — eu coroo Aeron como rei.Aeron se levantou.Altivo.Forte.Majestoso.O povo explodiu em gritos.Eu senti um chute forte dentro da minha barriga.— Ai! &mdas
POV ElaraO mundo estava desmoronando ao nosso redor.Tiros ecoavam pela praça.Explosões faziam o chão tremer.Soldados gritavam, armas se chocavam, magia iluminava o ar com flashes violentos.Mas nada disso existia para mim.Nada.Porque Aeron estava morrendo.Eu estava ajoelhada ao lado dele, as mãos pressionadas contra o peito ensanguentado, tentando inutilmente conter o sangue que escorria entre meus dedos.— Não… não… não… — minha voz saiu quebrada.Ele estava tão pálido.Fraco.Os olhos quase fechando.— É pó de prata — disse a Bruxa Vermelha.A voz dela foi firme.Fria.Sentenciosa.— Fatal.Meu corpo inteiro gelou.
POV ElaraO primeiro tiro veio como um trovão.Depois outro.E outro.Eu nem tive tempo de reagir.Mas algo reagiu por mim.Uma onda de magia explodiu ao meu redor no exato instante em que as balas foram disparadas. O ar brilhou em vermelho intenso, como brasas vivas, e uma barreira se formou ao meu redor com um estalo poderoso.As balas bateram contra ela e ricochetearam, caindo no chão de pedra.Meu coração disparou.Eu virei a cabeça.E então vi.A avó de Aeron caminhava pela praça como se o caos ao redor não existisse.Os cabelos vermelhos dançavam ao vento carregado de sangue e fumaça. A magia vibrava ao redor dela como um campo vivo, pulsante, antigo.A Bruxa Vermelha.A mais poderosa que já existiu.Ela ergueu uma mão em minha direção, os olhos ardendo como chamas.— Vá, menina — disse ela, a voz firme mesmo no meio da guerra.Foi tudo o que precisei ouvir.A batalha explodiu novamente ao meu redor.Espadas se chocavam.Gritos ecoavam.O cheiro metálico de sangue invadia o ar.
POV Elara— Tirem as correntes.Minha voz saiu firme.Mais firme do que eu me sentia por dentro.Um silêncio pesado caiu sobre a praça.Darian franziu o cenho.Casimir virou a cabeça lentamente para mim.— Elara… — disse ele.Havia algo na voz dele.Incredulidade.— Se eu vou fazer o que ele pediu — continuei — preciso que o vínculo esteja ativo.Minha voz falhou no final.— As correntes de prata estão enfraquecendo Aeron.Adalberto inclinou a cabeça, analisando.— Interessante — murmurou.Casimir me encarava.E eu vi.A dor.O ressentimento.Algo mais profundo.— Você… — ele começou, com a voz baixa — vai abrir mão disso tão rápido?Meu coração apertou.Mágoa.Ciúme.Descrença.Eu queria explicar.Queria dizer tudo.Mas não podia.Não ali.Não agora.— Tirem as correntes — ordenou o rei.Dois soldados se aproximaram de Aeron.Cada elo de prata foi aberto com dificuldade. A corrente caiu no chão com um som pesado de metal.Quando o último pedaço foi retirado, Aeron levantou lentamente
POV ElaraEu não consegui respirar por um momento.Aeron.Aquele… não podia ser ele.Meu olhar percorreu o corpo dele lentamente, como se minha mente estivesse tentando negar o que via.Magro.Muito mais magro do que eu jamais o tinha visto.As correntes de prata cravavam na pele como serpentes cruéis, rasgando carne a cada pequeno movimento. O sangue escorria por braços, peito, pernas… pingando no chão de pedra da praça.A cabeça dele estava raspada.O rosto inchado.Cortes profundos marcavam a pele, alguns ainda abertos.Os olhos… mal conseguiam focar.Meu coração se partiu.— Aeron… — sussurrei.Meu corpo se moveu antes mesmo de eu pensar.Dei um passo na direção dele.Outro.Mas uma mão forte segurou meu braço.Casimir.— Elara — disse ele baixo.A força do toque dele me fez voltar à realidade.







