FAZER LOGINE se, em uma única noite, tudo o que você conhecia fosse arrancado de você? Kivia tinha uma família, um lar e uma vida que acreditava ser sua para sempre. Até ser sequestrada por lobisomens renegados e levada para longe de tudo o que conhecia. Durante três anos, suportou a escravidão, a violência e a humilhação, agarrando-se a uma única esperança: um dia conseguiria escapar e voltar para sua família. Quando finalmente surge uma oportunidade, Kivia não hesita. Depois de tudo o que sofreu, acredita que voltar para casa será o começo de sua liberdade. Mas nada a preparou para a verdade. A família que ela sonhou reencontrar seguiu em frente sem ela. O lugar que um dia chamou de lar já pertence a outra. E Kivia terá que descobrir se realmente quer brigar pelo seu antigo posto, ou se constroí uma nova vida para si.
Ver maisKivia O silêncio dos meus pais me fez imaginar que ele não tivesse resistido.— Tudo bem, pai. Eu vi o renegado atacando-o. Quando chegaram, ele já estava morto? Ou conseguiu ao menos se despedir da nossa filha? Meu pai fez um gesto com a mão para que eu não falasse mais. Parecia reunir coragem para dizer alguma coisa com sua expressão fechada e testa franzida. Um frio tomou conta do meu estômago, mas, se havia aprendido algo como escrava, era a mascarar minhas emoções.— Filha, ele não morreu. Mikael está vivo e bem. É ele quem cria Naissa.Respirei aliviada. Minha mãe segurou o braço do meu pai, em um claro sinal de advertência.— Mãe, está tudo bem... Pode me contar a verdade. Vai me fazer mais mal ficar criando histórias na minha cabeça, não é mesmo?— Mas... seu psiquiatra acha melhor irmos atualizando você aos poucos. Pode ser ruim inundá-la de informações depois de tudo o que sofreu, minha filha.Meu coração errou uma batida.— Ele se uniu a outra fêmea, Kivia — meu pai fal
Kivia — Kivia, você precisa se ajudar. Não vai sair deste hospital tão cedo se não ganhar peso. Minha guerra diária com a enfermeira havia começado. Não era como se eu não quisesse comer. Eu simplesmente não conseguia ingerir a quantidade que ela queria. A médica Jamile entrou no quarto com a prancheta nas mãos e percebeu imediatamente que havia algo errado. — Como estão as coisas hoje? — Ela não quer comer de jeito nenhum — respondeu a enfermeira. Permaneci calada. Era um reflexo de um tempo em que me defender significava, no mínimo, ganhar uma bofetada. — Kivia? Olhei para Jamile. Eu precisava me livrar daqueles hábitos adquiridos durante a escravidão. Soltei o ar que nem havia percebido que estava prendendo. — Meu estômago não aguenta comer muito. Ela está tentando me forçar, mas a única coisa que vai conseguir é fazer com que eu coloque para fora tudo o que consegui comer. Jamile se virou furiosa para a enfermeira e, para minha surpresa, deu-lhe uma bofetada no rosto.
Kivia Alguns minutos depois, Jamile voltou puxando uma mochila preta de rodinhas. — Luna Artemísia providenciou algumas coisas para você. Colocou a mochila sobre uma cadeira e começou a retirar os objetos. — Roupas novas, um celular... Ela tirou um conjunto de moletom cinza-claro. — E isso aqui. Um cartão preto apareceu entre seus dedos. — Dez milhões. Pisquei boquiaberta, minha audição também deve ter começado a falhar. — Dez milhões? — Um presente da Luna Artemísia.- Falou tranquila, enfiando o casaco em minha cabeça como se fosse uma filhotinha. Balancei a cabeça imediatamente. — Não. É demais. Eu já estou indo para minha alcateia. Jamile me encarou com seriedade. — Uma fêmea sem dinheiro é uma fêmea vulnerável. Fiquei em silêncio. — Você pode ser filha de um Alfa, Kivia. Mas nunca mais dependerá de alguém para ter o básico, daqui para frente todas as decisões que tomar serão por sua vontade. Olhei para o cartão. Dez milhões. Era mais dinheiro d
Kivia Franzi a testa, indignada. Depois de três anos lutando para voltar para minha família, agora queriam me impedir de vê-los? — Eu preciso vê-los. — E vai, querida. Mas realmente quer aparecer assim diante deles? As palavras não foram duras. Pelo contrário, foram gentis. Ainda assim, atingiram meu peito como um golpe. Meu olhar encontrou o da Luna Artemísia e, aos poucos, meus olhos se encheram de lágrimas. Ela tinha razão. Eu ainda era apenas uma sombra da mulher que havia partido. Meu corpo, naturalmente curvilíneo, havia desaparecido sob a magreza extrema. Meus braços e pernas estavam finos demais, minhas costelas marcavam sob a pele e havia hematomas espalhados por quase todo o meu corpo. Algumas feridas ainda estavam cobertas por pontos e curativos. Eu não parecia a filha de um Alfa. Muito menos a Luna que um dia fui preparada para ser. Parecia uma sobrevivente. — Seus pais já foram avisados — Artemísia continuou. — Expliquei que Jamile quer que você






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