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Capítulo 05

Autor: Camila Nunes
last update Data de publicação: 2023-01-19 22:40:32

༺ Aaron Stevens ༻

Passei anos no exterior expandindo minha empresa e focando apenas no trabalho, me distanciando cada vez mais da minha filha. Foi necessário um longo tratamento psicológico para que eu entendesse que Zara não teve culpa do acidente que vitimou sua mãe. A culpa era minha por nunca ter dado atenção à minha esposa e a ela, e naquele dia, por ignorar a ligação de Yoko quando ela levava Zara ao médico.

Horas depois, recebi a notícia de que Yoko havia falecido e minha filha sobreviveu com várias escoriações. Nunca entendi o que aconteceu com o carro. O laudo dizia que Yoko perdeu a direção do veículo, capotou várias vezes e bateu em um poste.

Depois de sofrer muito, decidi me casar com a irmã de minha falecida esposa, Madelene. Mas nunca a amei da forma que ela merecia. Agora que resolvi meus problemas, quero passar mais tempo com minha filha, mesmo que isso signifique encarar a culpa pelo acidente da mãe.

Quando cheguei em casa, Madelene veio me receber com um sorriso no rosto.

— Ah! Querido, finalmente chegou! Que saudade. Ficará por mais tempo desta vez?

— Sim, Madelene! Tirarei umas férias e passarei uma boa temporada em casa. — olhei em volta e vi Marcia, se aproximando de mim para me abraçar.

— Tio, finalmente voltou! Estava morrendo de saudade.

Retribuí o abraço e procurei minha filha Zara com os olhos pela casa. Então, perguntei a Madelene onde ela estava.

— Obrigado pela recepção, Márcia! Onde está Zara? Quero falar com ela.

Percebi que elas me olharam desconfiadas, então perguntei novamente

de forma séria.

— Madelene, onde está minha filha? Por que estão agindo assim?

— Não se preocupe com isso, Aaron. Zara está apenas lavando algumas roupas lá atrás. Venha, vou ajudá-lo a tomar banho e preparar algo para você na banheira. — ela parecia estar me escondendo algo, e isso já havia acontecido antes.

Sempre que perguntava por Zara, ela dizia que estava fazendo algum serviço, o que eu achava um absurdo, pois eu pagava funcionários para isso. Ultimamente, só via um serviçal na casa. Então, me afastei das suas mãos e disse:

— Madelene, o que você está escondendo? Por que toda vez que eu peço para chamar Zara, você diz que ela está ocupada? Eu pago vários funcionários para trabalharem nesta casa, e minha filha está lavando suas roupas? Você não tem vergonha de dizer isso? Ela é uma Stevens e não merece passar por isso.

— Não fale assim, Aaron! Depois que você se casou comigo, Zara se tornou uma bastarda. Para que pagar um funcionário quando ela pode fazer essas coisas em casa? Ela precisa pagar pelo que come.

Eu não me controlei e acabei acertando um tapa no rosto de Madelene, jogando-a no chão. Eu não sou uma pessoa violenta, mas ela pediu por isso. Jamais permitiria que alguém tratasse alguém da minha família como um capacho ou cachorro. Fui tolo por deixá-la tratar minha filha desse jeito. Márcia se aproximou dela, olhando perplexa para a marca que ficou da minha mão no rosto da mãe, e eu disse seriamente:

— Nunca mais ouse dizer uma coisa dessas. Minha filha não tem que pagar por nada. Se você está cobrando alguma coisa, saiba que eu também vou fazer o mesmo, porque a partir de hoje a sua filha bastarda vai pagar por tudo que consumir nesta casa. E é melhor que você me diga onde Zara está, senão as consequências serão cada vez piores para você.

— Zara foi para a casa da amiga Pietra. Ela não queria mais viver aqui. Essa amiga dela tem sido uma má influência, e Zara está rebelde. Você não tinha o direito de me bater, Aaron.

— Madalene, se eu descobrir que você maltratou minha filha, irá se arrepender. E Márcia, comece a fazer as coisas dentro de casa. Não quero uma bastarda vivendo às minhas custas. Estou furioso por saber o que Zara passou nas mãos de vocês duas. Madelene, você dormirá no quarto de hóspedes. Não quero você no meu quarto.

Ela me observou perplexa com a maneira como falei. Percebi que fechei os olhos e não prestei atenção em Zara. Ela não merecia passar por tudo isso sozinha. Sinto-me culpado por saber que ela passou por dias difíceis nas mãos dessas duas.

Depois de um breve descanso, decidi ir à casa de Pietra, amiga de Zara. Ao chegar lá, perguntei por ela e a mulher me informou que ela não permanecia mais em sua residência, pois estava trabalhando. Madelene, por sua vez, afirmou que isso era mentira e acabou sendo expulsa da casa da garota com palavras ofensivas. Frustrado por não ter encontrado Zara, resolvi contratar um detetive para ajudar a encontrá-la. Era importante para mim descobrir onde ela estava, já que Madelene e Márcia haviam tratado minha filha com tanto desrespeito e crueldade.

Uma semana depois...

Após uma semana de busca, finalmente descobri o endereço atual de Zara, através de um detetive. Decidi esperá-la na frente de seu prédio, já que o detetive me informou que ela chegava sempre às 19:00 da noite. Quando a vi descer do táxi e abrir sua bolsa para pegar a chave do portão, me aproximei e perguntei, analisando-a seriamente de cima a baixo:

— Por que saiu de casa sem me informar o motivo de sua partida?

Zara, assustada com minha presença, se afastou para trás, mas logo recuperou a compostura e respondeu:

— Ah, então você resolveu aparecer novamente. Não entendo por que decidiu procurar por mim agora, depois de tanto tempo. Deixei sua vida livre para viver com minha tia, já que ela sempre me disse que eu era um empecilho para você ser feliz com ela. E, entre nós, você nunca se importou comigo. Por que agora decidiu vir atrás de mim?

— Porque sou seu pai! E não permito que você saia de casa sem minha autorização. Eu não sabia que Madelene a tratava tão mal assim!

Zara deu uma risada sarcástica e mostrou suas mãos calejadas:

— Olhe, seu Aaron. Sou maior de idade e tenho pleno direito de viver minha vida da maneira que desejo. Você vê estes calos? Eles surgiram devido ao fato de eu ter lavado as roupas da sua esposa repetidamente, enquanto você se divertia viajando pelo mundo, esquecendo-se completamente de que tem uma filha. Sua esposa me tratava como uma escrava naquela casa. Sempre tive que trabalhar muito para comprar minhas próprias roupas e suprir minhas necessidades, mesmo tendo um pai rico que nunca se importou comigo. Agora que decidi trilhar meu próprio caminho e conquistar um emprego, estou feliz por ter conseguido me sustentar sozinha. E o que você faz? Decide retornar do exterior apenas para me atormentar? Por favor, deixe-me em paz...

Sinto-me mal quando ela diz essas coisas. Admito que a deixei sozinha e Madelene, mesmo sendo sua tia, foi capaz de tratá-la como um animal e até mesmo como uma escrava. No entanto, vou expulsá-la de casa. Sei que ela se casou comigo apenas para obter minha herança, mas o que ela não sabe é que minha filha é a única herdeira. Já transferir tudo o que possuo para Zara e não deixarei nada para Madelene, muito menos para a filha dela.

— Zara, por favor, precisamos conversar! Eu não sabia que Madelene estava te tratando desse jeito. Se quiser, posso expulsá-la de casa agora mesmo. Por favor, volte para casa?

— Desculpe, não posso! Madelene me maltratou tanto que não posso mais viver naquele ambiente onde cresci e fui feliz com minha mãe quando era nossa casa. O lugar agora é um inferno. Estou bem como estou levando minha vida. Por favor, vá embora daqui... Se você realmente se preocupasse comigo, não teria me abandonado e deixado-me nas mãos daquele monstro.

Ela simplesmente entrou pelo portão e me deixou sozinho do lado de fora, sem me convidar para entrar. Engoli em seco enquanto a observava. Não posso desistir de me reconciliar com minha filha. Agora percebo que estava cego. Zara sofreu muito por minha culpa. Preciso reparar as coisas.

Hoje mesmo, colocarei Madelene para fora do meu caminho. Se ela pensa que continuará na casa que era da minha mulher, está enganada. Por mais ardilosa que ela seja, eu sou capaz de ser pior. Se pensa que lucraria com a separação, está enganada. Zara é minha única herdeira universal. Meu advogado de confiança elaborou um documento em que tudo é deixado para ela, e esse papel está bem guardado em uma conta no exterior.

Só quero recuperar o tempo perdido longe de Zara. Espero que ela me perdoe por isso. Estou sempre metendo a cara no trabalho, mas é hora de mudar isso. Estou afastando a pessoa que mais amo na vida. Já perdi minha mulher, que era tão especial. Nunca me conformei com sua morte, mas tenho que merecer o perdão de Zara. Quando chegar à minha velhice, quero estar ao lado dela, e para isso, preciso consertar as coisas entre nós.

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Último capítulo

  • Destinada ao meu Ceo   Epílogo

    ༺ Zara Stevens ༻Observo serenamente o padre molhando a cabeça do meu filho, enquanto Pietra o segura em seus braços, e do outro lado está o irmão de Rodrigo segurando a vela como padrinho. Finalmente, o batizado do meu filho havia acontecido. Hoje era um dia muito feliz e especial para nós.O padre continua orientando Pietra a dizer as palavras. Meu pai olha tudo emocionado, minha mãe, nem se fala, está tão chorosa. Eu me controlo, mas confesso que, por dentro, estou me sentindo abobalhada com tudo. Assim que o padre termina, ele dá a última bênção.— Que Deus abençoe essa criança e traga muita felicidade para sua vida. Você foi apresentado hoje à casa de Deus e batizado pelo Espírito Santo!Assim que o batizado termina, Pietra me entrega meu filho, emocionada. Talvez ela não esperasse se tornar madrinha de um filho meu tão cedo.— Aqui está o meu afilhado. Agora é oficial, meu amor. Sou sua dinda. Obrigada por me deixar participar desse momento tão emocionante, amiga!— Foi como eu

  • Destinada ao meu Ceo   Capítulo 166

    ༺ Aaron Stevens ༻Finalmente havia chegado o grande dia do meu casamento com Pietra. Me encontrava ansioso. Aconteceu muita coisa. Yoko havia me dado o divórcio. Percebi que não adianta insistir em algo que não é recíproco de ambas as partes.Talvez ela tenha se tocado de que não adianta você ficar forçando algo que não é recíproco da outra parte. Tem horas em que precisamos entender que a vida segue seu curso, e não podemos prender uma pessoa que não deseja mais permanecer ao nosso lado.Ela também já estava com outra pessoa, e agora estava na hora de eu me unir à mulher que amava e contava os segundos para isso acontecer. Nada mais impedia a minha união com Pietra.Ando de um lado para outro, estou muito nervoso. Finalmente vou me casar. Sinto um frio na barriga, igual antigamente, pois lembro da sensação da primeira vez que me casei. Ao perceber isso, minha filha se aproxima, colocando a gravata borboleta no meu pescoço, e comenta séria enquanto ajusta meu terno.— Pai, pelo amor

  • Destinada ao meu Ceo   Capítulo 165

    ༺ Yoko Muchin ༻O salão onde minha exposição está sendo realizada encontra-se movimentado, porém estou triste, acredito que minha filha não conseguirá vir para prestigiar meu trabalho. Temos conversado muito por telefone ultimamente, mas ainda não cheguei ao ponto dela me perdoar.Respirei fundo e coloquei aquela máscara de mulher poderosa. Aproximei-me de outros convidados que chegavam para prestigiar o evento. Muitas das obras já estavam praticamente vendidas, restando apenas exposições.A obra mais cara que vendi para um dos colecionadores tinha o nome "Uma dor que atormenta", inspirada no sentimento causado pela depressão. Muitas pessoas olhavam curiosas para aquela obra e me perguntavam como eu conseguia transmitir todos os sentimentos que essa doença causava. Apenas sorri e afirmei ser uma sobrevivente dela.Algumas pessoas me olhavam surpreendidas pela coragem de expor meus sentimentos mais escuros. A verdade é que nos últimos dias eu havia me inspirado na tristeza da rejeição

  • Destinada ao meu Ceo   Capítulo 164

    ༺ Rodrigo Garcez ༻Depois da chegada de Rafael, eu me sentia mais tranquilo e podia trabalhar sem me preocupar com o que aconteceria em casa. Zara continuava em repouso e havia contratado uma "babá" para ajudá-la a cuidar do nosso filho. Eu não queria que ela ficasse exausta.Eu deixei claro que não queria que Zara se preocupasse com assuntos relacionados à empresa até que passasse o período de seis meses. Eu só queria que ela curtisse nosso filho, e eu também queria passar bastante tempo ao lado dela, não perdendo nenhum minuto do crescimento do meu filho. Mas um de nós dois precisava trabalhar, então comecei a adiantar as coisas na empresa.No segundo dia em que cheguei na empresa, a dona Verônica ficou brava porque eu não havia enviado uma foto do meu filho para ela. Com toda a correria, acabei esquecendo, então mostrei algumas fotos que eu tinha no meu celular para ela. Ela ficou fascinada com meu filho e me deu parabéns. No dia seguinte, meu pai apareceu para ver o neto e também

  • Destinada ao meu Ceo   Capítulo 163

    ༺ Zara Stevens ༻A chegada do meu filho deixou todo mundo eufórico. Todos queriam pegá-lo no colo, mas ainda era cedo demais para isso, e a enfermeira e o médico não permitiram. Pietra observava meu filho dormir, fascinada, e agradecia mentalmente pelo fato de Rafael ser uma criança muito calma.Minha mãe também observava Rafael alegremente. Era como se meu filho tivesse chegado trazendo a paz entre nós duas. Não conseguia sentir raiva dela naquele momento. Era como se meu coração estivesse derretendo aquela pedra de gelo que criei com a chegada do meu filho na minha vida. Não sei por que, mas senti-me desconfortável ao vê-la observando tudo de longe.Ainda tenho um longo caminho a percorrer para poder perdoar minha mãe. Não consigo esquecer tudo o que ela me fez. A dor de ser abandonada ainda é presente na minha memória. No entanto, tentarei viver em paz com ela. Não quero que meu filho perceba os atritos entre mim e minha mãe e me pergunte no futuro por que a trato tão mal. Sei que

  • Destinada ao meu Ceo   Capítulo 162

    ༺ Rodrigo Garcez ༻Esperei que Zara terminasse seu procedimento do lado de fora. Estava terminando de tirar aquela roupa hospitalar que eles haviam me dado quando seu Aaron entrou na sala, perguntando.— Então, Rodrigo, como foi o parto? Não me diga que minha filha sofreu muito, por favor. Eles estão bem?— Calma, seu Aaron, uma pergunta de cada vez! Mas respondendo à sua pergunta, Zara teve um parto um pouco difícil, mas os dois estão bem. No entanto, ela acabou desmaiando pela exaustão! — ele prestou bastante atenção quando eu disse isso e respondeu.— Imaginei que isso aconteceria, mas os dois estão bem, né? Me diga, Rodrigo, como ele é?— Ele pesou 3,400 kg, é comprido. Não sei dizer se ele vai ser muito gordo, nem sei como descrever como meu filho é, mas ele é muito bonito. Vai ter os olhos azuis iguais aos meus. — ele concordou com minhas palavras e respondeu.— Poxa, eu queria muito que ele tivesse puxado meus olhos verdes, assim como os da mãe dele!— Pois é, mas o DNA do pai

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