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Capítulo 10

Autor: DhaSantana
last update Data de publicação: 2026-05-27 10:13:38

Maya Nogueira

O sangue ainda pulsava nas minhas têmporas como um lembrete físico do que acabara de acontecer. Eu caminhava pelo corredor do hospital com as pernas parecendo feitas de gelatina, o papel da autorização do hospital apertado contra o peito como se fosse a única coisa mantendo meu coração no lugar.

— O que aconteceu, Maya? — A voz de Helena, a recepcionista, soou distante, embora ela estivesse a poucos passos. Ela parou de digitar e me avaliou com uma expressão de choque genuíno.
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    AutoraO aroma de lavanda do sabonete líquido importado preenchia o banho de imersão, mas Nadine não conseguia relaxar. Ela encarava o teto trabalhado em gesso da suíte de hóspedes da imensa propriedade dos Bernoulli em Zurique. Para qualquer pessoa de fora, aquela casa parecia um palácio de inverno; para ela, tornara-se uma gaiola de ouro perfeitamente vigiada.Três meses atrás, a vida de Nadine era uma sucessão de escolhas erradas, contas atrasadas e a iminência de um despejo no seu modesto apartamento no centro da cidade. Ela sempre gostara da boa vida, das festas exclusivas e da companhia de homens influentes que orbitavam a elite financeira suíça. E, entre todos eles, Julian Bernoulli era o troféu definitivo: um executivo brilhante, dono de uma holding milionária, mas com uma postura reservada e solteira que fascinava e desafiava qualquer mulher.Quando Julian a procurou naquela noite turbulenta, visivelmente abalado após um embate com a mãe e afogado em doses exageradas de uísqu

  • Diagnóstico proibido: Obsessão do médico Bilionário    Capítulo 42

    Isabella Marcel A pergunta caiu sobre mim como um golpe direto no centro da minha dor.Maya parou de falar no mesmo instante, olhando para mim com empatia genuína, pousando a mão sobre a minha por cima da mesa.Respirei fundo, sentindo o ar queimar no peito. Eu vinha guardando aquela angústia no silêncio do meu apartamento há semanas, fingindo para o mundo e para mim mesma que estava tudo sob controle, que eu era uma mulher madura demais para me deixar abalar por desencontros de fuso horário. Mas a pergunta de Bia rasgou a minha armadura por completo.— Eu... eu não sei, Bia — confessei, a voz saindo rouca e trêmula, enquanto lutava contra as lágrimas que finalmente ameaçavam transbordar. — Eu praticamente não converso mais com ele.— Como assim, Isa? — Maya perguntou, franzindo a testa. — Ele não estava resolvendo a questão do teste de DNA e daquela mulher na Suíça?Comecei a desabafar, soltando cada pedaço da verdade que pesava sobre a minha alma nas últimas oito semanas. Estava fr

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    Isabella Marcel O cheiro característico de álcool, reagentes e o som suave e ritmado das centrífugas no laboratório tornaram-se o meu único refúgio seguro nas últimas oito semanas.Após a minha saída definitiva do laboratório de Paul, o convite para integrar o centro de pesquisas no hospital de Arthur Strauss veio como uma tábua de salvação para a minha sanidade. A infraestrutura era impecável, a autonomia que eu tinha era inédita e o ambiente de trabalho era pautado pelo mais absoluto respeito profissional. Ali, ao lado de Gregório, estávamos avançando em uma pesquisa significativa sobre doenças autoimunes, investigando mecanismos de modulação da resposta imunológica para reverter a autoagressão celular — um projeto audacioso que tinha o potencial de revolucionar a medicina e me colocar exatamente nos palcos internacionais que eu sempre sonhei em ocupar.Profissionalmente, eu estava nas nuvens. Cada protocolo validado, cada hipótese confirmada nos ensaios e a parceria fluida com Gre

  • Diagnóstico proibido: Obsessão do médico Bilionário    Capítulo 40

    Julian Bernoulli A sala de reuniões do último andar da holding em Zurique parecia um tribunal improvisado, congelado sob uma luz fria e impessoal. O ar-condicionado zumbia baixinho, mas a atmosfera dentro daquele espaço estava quente, carregada de uma tensão sufocante. De um lado da mesa de vidro, eu estava sentado entre o meu advogado e o meu pai, que mantinha os braços cruzados e a expressão séria de quem já previra cada passo daquela encenação. Do outro lado, vestindo um casaco de pele sintética e ostentando uma maquiagem pesada que tentava disfarçar o cansaço do rosto, estava Nadine. Ao lado dela, um advogado de porta de cadeia, nitidamente contratado de última hora para tentar dar algum verniz jurídico ao circo que ela havia armado. O embate com a Nadine começou no segundo em que nos encaramos. Ela não esperou o café ser servido, nem os cumprimentos formais. Ela jogou a pasta de exames sobre a mesa com estardalhaço e me encarou com uma firmeza ensaiada, lágrimas teatrais brilh

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    Julian Bernoulli O ar gélido de Zurique cortou o meu rosto assim que pisei fora da aeronave, trazendo um contraste violento com o calor e a calmaria que eu havia deixado para trás em São Paulo. A viagem de mais de doze horas fora um verdadeiro suplício psicológico. Passei cada minuto daquele voo encarando o nada pela janela, vendo a imagem de Isabella em pedaços na porta do seu apartamento se repetir em um ciclo torturante dentro da minha cabeça. Eu ainda podia sentir o gosto amargo do nosso beijo de despedida e o calor das lágrimas dela nas minhas mãos. Quando meu voo finalmente chegou em Zurique, meu pai e melhor amigo me esperavam. A presença dos dois ali, em pé no saguão de desembarque do aeroporto, trazia uma gravidade que fez o meu estômago se contorcer ainda mais. Meu melhor amigo, que também gerenciava os aspectos operacionais da minha vida na Suíça, trazia o celular na mão e os ombros tensos. E ao lado dele estava meu pai — um homem simples, de postura ereta, cujas mãos ca

  • Diagnóstico proibido: Obsessão do médico Bilionário    Capítulo 38

    Isabella Marcel A mensagem de Julian chegou antes mesmo que eu terminasse de abrir a porta do meu apartamento. O celular vibrou na minha mão, e quando baixei os olhos para a tela, esperando encontrar uma daquelas frases carinhosas e descontraídas que ele sempre me enviava, deparei-me com poucas palavras escritas de forma seca e direta: “Isa, estou indo para o seu apartamento agora. Precisamos conversar seriamente.”Um calafrio atravessou todo o meu corpo. A sensação sutil de inquietação que eu sentira ao sair do laboratório de Paul transformou-se, no mesmo instante, em um nó cego e gelado no fundo do meu estômago. Subi pelo elevador com a sensação de que o chão sob meus pés estava prestes a ceder. Eu acabara de me libertar de anos de manipulação profissional e emocional, acabara de fechar a porta na cara do passado para construir um futuro limpo, e a vida, com sua ironia perversa, parecia preparar outro golpe.Poucos minutos depois, a campainha tocou. Quando abri a porta e vi Julian

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