FAZER LOGIN༺ Amara Wild ༻
Dei mais alguns passos para longe deles, tentando não parecer apressada demais, mas sabia que precisava sair dali. O cheiro do lixo era uma boa desculpa para me afastar, porém, claro, Domenico não deixaria isso barato. Ele deu um passo rápido, segurou meu braço e me puxou para trás, parando meu movimento. — Espera aí! — Ele disse, com uma expressão que misturava impaciência e algo mais. — Não vai embora assim. O encarei ainda com o braço preso pela mão dele, e um arrepio percorreu minha espinha. O homem não estava disposto a me deixar ir tão facilmente. Puxei meu braço com força, mas ele não soltou. Olhei nos seus olhos, tentando transmitir que estava cansada de ser parte de algo que não entendia, que só queria sair dali, para continuar a busca pela próxima refeição, e não mais ser parte de alguma discussão absurda sobre mim. — Eu não tenho nada para falar com você ou com eles. — Minha voz saiu mais firme do que eu imaginava. Estava decidida a sair desse lugar, sem querer me envolver mais em nada. Ele me olhou e foi aí que vi algo diferente na expressão dele, uma coisa mais calculista. Ele olhou para os outros três irmãos com um sorriso estranho e malicioso e disse, quase como se estivesse testando algo. — E se a gente fizesse algo com ela? Um banho, cortasse o cabelo, talvez mudasse um pouco essa aparência… — Ele olhou para mim com um olhar intenso, como se estivesse visualizando algo que eu não queria imaginar. — Ela tem um rosto bonito, olhos claros… Talvez ela possa ser mais útil do que pensamos. Congelei. Não faço ideia se ele estava falando sério ou se era só mais uma dessas piadas horríveis. Mas, ao olhar para os outros irmãos, percebi que eles não estavam gostando nada do que Domenico sugeria. Luca foi o primeiro a mostrar seu desgosto, virando o rosto como se o simples fato de Domenico ter sugerido isso fosse algo nojento. — Não se iluda, Domenico. Ela é uma mendiga. Olha para ela! — Ele fez um gesto com a mão, como se estivesse afastando algo repulsivo. — Ela não vale nada. Não adianta fazer ela parecer menos suja, não mudará o que ela é. Pietro, o mais velho, deu uma risada cínica, seus olhos cheios de desprezo enquanto me olhava com nojo. — Eu não entendo como você pode pensar em colocar a gente em uma situação como essa. Ela está tão longe de ser algo que a gente possa… — Ele fez uma careta. — Nem que troquemos todo o lixo dela, ela nunca vai ser algo que possamos considerar. Enzo parecia desconfortável, mas ainda assim se juntou aos outros. — Domenico, você está perdendo a elegância. — Ele disse, cruzando os braços. — Não me interessa o quanto ela tenha um “rosto bonito”, ela é só uma vagabunda de rua. Uma mendiga. Não tem nada que a gente queira. Foi então que Luca, claramente mais irritado, deu um passo à frente e, com um tom de escárnio, se virou para Domenico. — Sério, Domenico? Você quer comparar essa imundície com a Serena? — Ele apontou para mim com desprezo, como se o simples fato de eu estar ali fosse algo imperdoável. — A Serena é uma mulher linda, maravilhosa e cheirosa. Você não pode estar falando sério! Pietro, igualmente abismado, riu amargamente. — Comparar uma mulher que é como… como a Serena com essa… isso aqui? — Ele fez um gesto vago para mim, sem me tocar, mas o olhar de desprezo ainda estava ali. — Domenico, você está fora de si. Enzo se manteve em silêncio, mas não parecia concordar nem um pouco. A tensão entre eles era palpável. Fiquei parada ali, sem entender o que estava acontecendo. Eles estavam discutindo como se eu não estivesse no local, como se minha presença fosse irrelevante, e, ao mesmo tempo, pareciam me analisar como uma escolha, como algo que poderia ser descartado ou moldado à sua vontade. Notava que eles pensavam poderem decidir o que fazer com qualquer pessoa, mas o modo como falavam de Serena, e a comparação entre mim e ela, me fez sentir ainda mais fora de lugar. Com um suspiro, dei um passo para trás e desviei o olhar deles. Puxando meu braço da mão de Domenico. — Olha, vou embora. Não tenho mais nada para dizer. — Falei sem olhar para Domenico ou os outros, minha voz firme, mas com um leve tremor. Não era medo, mas a sensação de estar sendo despojada de qualquer dignidade ali. Estou exausta disso tudo e sempre ser humilhada. E, antes que qualquer um dissesse mais alguma coisa para me ofender, me virei e me afastei, caminhando rapidamente na direção da rua, tentando ignorar o eco das palavras e olhares de desprezo que ainda pareciam me perseguir. Me abaixei debaixo de uma árvore, sentindo a brisa gelada e a sombra me oferecendo um pouco de alívio. Olhei para os quatro irmãos, que continuavam a discutir entre si. Mas agora a conversa parecia mais tensa. Não sabia o que estava acontecendo ali, porém, era como se eles estivessem se preparando para algo. Domenico, o único que ainda me olhava ocasionalmente, parecia mais focado em suas palavras, como se estivesse tentando convencer os outros. — Não é só sobre ela — Domenico disse, a voz grave e cheia de convicção. — Ela tem algo que podemos usar. Uma coisa que ainda não enxergaram. — Você não está falando sério, Domenico — Luca retrucou, um tom de desdém na voz. — Ela não é nada, entende? Nada que valha a pena. A conversa não estava mais sobre mim, mas, de alguma forma, ainda me sentia no centro daquilo. O que eles estavam planejando? Não ficaria para descobrir. Levantei-me rapidamente, sem fazer barulho, e dei um passo atrás, afastando-me lentamente. O instinto dizia para eu sair dali o mais rápido possível, então comecei a me mover sem hesitar. Mas não dei sorte. Quando olhei para trás, Domenico estava vindo na minha direção. Seu olhar era determinado, não tenho ideia do que ele estava pretendendo, contudo, uma coisa era certa: ele não desistiria tão facilmente. Sem pensar duas vezes, virei-me e comecei a correr. Meu corpo estava em alerta total, a adrenalina bombeando pelas veias. Não posso deixá-los me pegarem. A sensação de ser observada me deixou ainda mais tensa. Olhei para os lados, tentando encontrar alguma rota de fuga, e vi a esquina à frente. Correr até lá foi a única opção que me restava. Meus pés batiam no chão com força enquanto eu fazia a curva, ouvindo os passos rápidos de Domenico atrás de mim. Ele estava mais rápido do que imaginava. Minha respiração ficou pesada, porém, não podia parar. Cheguei à esquina e entrei em um prédio abandonado. As portas estavam meio abertas, e a escuridão me engoliu rapidamente. Fiquei lá, respirando fundo, tentando não fazer barulho. O silêncio do prédio me envolveu e me afastei da entrada, escorregando para o canto mais escuro que encontrei. Ali, nesse refúgio improvisado, finalmente parei para respirar. Meus olhos estavam arregalados, o coração ainda batendo forte no peito. Estou em segurança, por agora, mas não sabia por quanto tempo. O que quer que fosse que os irmãos planejavam, estava longe demais para ver. Pelo menos por hoje. A última coisa que pensei antes de fechar os olhos e me encostar na parede fria do prédio foi que talvez tivesse encontrado um abrigo para a noite. Um refúgio temporário, até que a situação ficasse clara. E, por ora, isso era o suficiente.༺ Amara Wild ༻Os dias se passaram lentamente para eles, rapidamente para mim. Finalmente, o castigo dos quatro acabou. A casa vibra com a expectativa deles, mas sou eu quem dita o ritmo.Aprendi essa lição: o poder do desejo está nas minhas mãos. Minha punição foi necessária, mas agora só desejo ser feliz com eles, meus quatro maridos.Preparei uma surpresa para os quatro, algo que os faça esquecer os trinta dias de abstinência. O cenário está perfeito. Pedi a cada sogra para ficar com as crianças hoje. Mãe de Enzo ficou com Anthony. A de Domenico com Zoe. A de Luca com Asafe e a de Pietro com Eloá e Aruna. Cada uma aceitou o convite com entusiasmo, querendo a atenção dos netos.Dispensei as empregadas por hoje. Apenas os seguranças permanecem do lado de fora, mantendo a vigilância. Dona Zenaide saiu para o salão e depois foi encontrar Cal. Seu Azart está em uma viagem de negócios.A casa pertence só a nós. Peguei uma caixa que guardo para momentos especiais. Tiro de dentro uma linge
༺ Pietro Beltron ༻Após darmos a notícia a Amara. Sobre o julgamento de Serena uma se tinha se passado. Hoje finalmente o dia havia chegado.Estamos ansiosos para ver o desfecho final da Serena. O clima em casa estava pesado, misturando tensão com expectativa de justiça. Ninguém merece o que ela nos fez.Todos ficamos prontos, vestindo trajes formais. Dirigimo-nos ao tribunal. Um edifício imponente, cheio de gente. Sentamo-nos nas cadeiras designadas para assistir ao julgamento.Sabemos que seremos chamados para testemunhar. O juiz entra, e o silêncio toma a sala. O processo inicia-se. O advogado de acusação começa a apresentar os fatos, apontando as evidências com precisão.Fala sobre o sequestro, a ameaça, o plano terrível contra Amara e nossos filhos. Olho Serena. Sentada no banco dos réus, parece menor, o rosto pálido, mas o olhar continua duro.Então, chega a vez de Amara. Levanta-se e dirige-se ao local do testemunho. É forte, digna. Conta toda a história, a voz firme, mas carre
༺ Amara Wild ༻Duas semanas tinham se passado. Domenico, Luca, Pietro e Enzo estão praticamente loucos sem contato físico. A tensão sexual paira na casa como uma nuvem pesada.Luca é o pior deles. Chega até a porta do meu quarto toda noite implorando para que eu abra. Ele é o que não suporta ficar sem sexo. Já pediu perdão várias vezes.No entanto, mantenho-me firme. Minha punição é necessária para ensinar-lhes uma lição. Hoje, decidi vestir um vestido preto, um pouco curto, que vai até as coxas. Arrumo os cabelos, deixando-os soltos.Passo um batom vermelho, faço uma maquiagem marcante e coloco meu casaco, usando meus saltos altos. Assim que desço as escadas, os quatro viram-se para mim, completamente vidrados e com ciúmes.Os olhos deles escurecem. Domenico é o primeiro a perguntar.— Aonde você vai desse jeito?Pego minha bolsa de cima da mesa de canto.— Vou ao shopping com a sua avó!— Por quê? — responde Domenico, a voz contida. — Com essa roupa?Cruzo os braços.— E o que tem?
༺ Enzo Beltron ༻Olhei para Amara e seu sorriso zombeteiro que indicava a vitória completa. Pegou as gêmeas, deu-lhes um beijo, e caminhou rumo à cozinha. Deixou claro o recado final: interferir na vida da nossa avó traria punição direta para todos.Luca girou, o rosto vermelho de raiva, e encarou Domenico.— Isso é culpa sua, seu caralho! Agora vou ficar um mês sem transar por sua culpa.Domenico respondeu, batendo o punho na mesa da sala.— Não me culpa! A culpa é da vovó que fica com essa sem-vergonhice…Nossa avó, que ainda estava ali, olhou para os quatro. Seus olhos brilhavam de pura diversão.— Vocês se meteram nisso porque quiseram! Quem manda discutirem com ela!. Não estou nem aí! Tomara que Amara aumente o castigo para três meses.Olhei para minha avó.— Vovó, a senhora não ajuda assim — afirmei, sentindo a frustração subir.— Mas eu não quero ajudar! Quero que vocês sofram! E já aviso. Não vou deixar ninguém se meter na minha vida. Estão avisados… — Declarou a matriarca.Le
༺ Amara wild ༻Um mês transcorreu desde que retornamos da lua de mel. Minha rotina voltou ao normal. Retornei às minhas atividades acadêmicas da faculdade. Cada um dos rapazes retomou suas funções.Nós nos dividimos para cuidar das crianças e passar tempos juntos. A casa está cheia de vida, e eu estou feliz. Termino de dar frutas para as gêmeas no tapete da sala, quando vejo Domenico entrar, furioso, ao lado de Dona Zenaide. Seu rosto está vermelho.— Eu vi, vovó! A senhora deveria ter vergonha! Já é uma senhora… — grita ele indignado.Dona Zenaide se defende, pousado sua bolsa em cima de uma mesa próxima.— Não é bem assim! Ele me respeita.— Respeita? A senhora estava flertando com aquele homem! — insiste Domenico, contrariado.— Seu moleque! Você me respeita. Com quem me envolvo não é da sua conta… — responde Dona Zenaide, os olhos faiscando.— Não vou respeitar! A senhora não vai trair a memória do meu avô. Se comporte como uma matriarca. — Ele a confronta.Dona Zenaide se aproxim
༺ Lucas Beltron ༻Pela manhã, aprecio a vista. O sol começa a brilhar sobre o oceano. Alguns dormem profundamente na cama enorme. Não consigo acreditar que posso ter tanta felicidade assim.A vida é meio louca ao lado dos irmãos, mas gosto muito disso. Não trocaria isso por nada vida. Todos podiam acha estranho, porém esse era o meu normal.Enquanto tomo minha xícara de chá, sinto mãos nos meus ombros. É Amara, seus cabelos soltos, em um vestido florido. Está radiante. Beija-me e senta-se ao meu lado.— Pulou da cama? — pergunta ela se aconchegando em mim.Sorrio, acariciando uma das maçãs do rosto dela.— Não. Acordei cedo mesmo. Isso significa que estou ficando velho. Daqui pouco estou igual aos tiozões indo comprar pão cedo na padaria ou indo no mercado.Ela ri.— Que besteira, Luca! Você só tem trinta anos…Sorrio e a puxo para meu colo. Beijo-a longamente.— Besteira nenhuma! Já me sinto velho, mas experiente. Tenho um filho maravilhoso que é tão tranquilo que às vezes digo que s







