INICIAR SESIÓNApós sua primeira noite de sono completa e sem nenhum pavor, Skyler despertou com bastante disposição.
Ela sorri ao enxergar sua imagem no espelho do banheiro, feliz com o modo que seu cabelo estava. Haley tinha mãos de anjo e conseguiu consertar o estrago que Stephen havia feito. Aquele gesto fez com que Skyler ficasse nas nuvens o dia inteiro.
Haley passou o dia fora trabalhando, mas quando a noite se aproximou, ela entrou em casa repleta de bolsas. Parecia que tinha passado o dia no shopping, ao invés do trabalho.
— Cheguei! — ela informa, deixando as bolsas ao pé da escada. — Sky, cadê você?
Skyler não foi capaz de ouvir, pois estava no banheiro, tomando um banho bem quente e relaxante. Em poucas horas ela estaria trabalhando e aquilo a deixava muito feliz. Tão feliz, que ela estava cantando e não ouvia sua irmã berrar seu nome.
Haley sobe até o quarto e percebe a alegria de sua irmã mais velha. Sem querer atrapalhar, ela deixa todas as sacolas, repletas de roupas e lingeries novas, em cima da cama e vai para o seu quarto, se preparar para o evento.
A mulher que por tantos anos, foi oprimida e não pode viver da forma que queria, sai do banheiro enrolada em uma toalha e se espanta por ver todas aquelas bolsas ali. Ela sabia que sua irmã era impossível, mas não tinha noção do quanto. Depois de olhar bolsa a bolsa, ela visualiza uma lingerie vermelha e a pega de imediato. Sem pensar duas vezes, ela a veste e vira para encarar o espelho.
Seu corpo magro, pequeno e branco, fazia com que o vermelho da lingerie ficasse ainda mais vivo. Apesar de estar abaixo do seu peso ideal, o conjunto ficou perfeito. Era todo rendado, do jeito que Skyler costumava usar em seus momentos bons.
— Ficou tão lindo quanto eu imaginei. — Haley comenta, anunciando sua presença.
A garota vestia apenas um roupão. Provavelmente estava pretendendo chegar atrasada ao evento.
— Você não devia ter gastado todo esse dinheiro comigo.
— Ah, Sky. Não começa. Eu vim aqui para esconder as marcas. Podemos?
Skyler se aproxima da irmã e deixa que ela cubra cada roxo exposto em seu corpo. Após alguns minutos, era como se ela nunca tivesse sido agredida na vida.
Haley ajuda ela a se vestir e lhe coloca alguns acessórios. Uma leve ondulada nos fios curtos e uma maquiagem rápida, deixou Skyler tão linda, que a própria soltou suspiros ao se ver.
— Você é mágica. — ela murmura, abraçando a irmã em seguida. — Obrigada por me salvar.
— Precisa causar uma boa impressão essa noite. Não quer um trabalho? Lá alguém irá te oferecer algo. Tenho certeza.
— Espero que você tenha razão.
Após subir nos saltos que sua irmã havia lhe emprestado, Skyler pega uma pequena bolsa e se prepara para sair.
— Pedi um uber para você e ele já está chegando. Eu coloquei para pagar pelo cartão, mas aqui tem um pouco de dinheiro para você. — Haley diz, colocando algumas notas na bolsa da irmã. — Para alguma eventualidade.
— Pelo visto você não vai comigo.
Haley faz uma careta e aperta o laço do roupão. Ela estava com muita preguiça de ir ao lançamento das joias, mas como seus chefes vão, ela está convocada a ir também. Apenas para fazer presença.
— O pessoal só irá chegar mais tarde. Eu que não vou chegar primeiro que todo mundo.
— O que faço quando chegar?
— Procure o Alex. Ele já deve estar lá.
— Tudo bem. — ela responde.
Buzinas são tocadas do lado de fora da casa e as duas se despedem da porta. Já dentro do carro, Skyler observa todas aquelas luzes que vão ficando para trás, conforme o carro pega a pista principal.
Ela tenta não pensar no passado, mas era impossível não se perguntar o que seu marido estaria fazendo àquela altura. Ele teria desistido de procurá-la? Será que teria acionado a polícia? Ela ainda estava com a mente fervilhando, quando o carro parou. Skyler olhou para fora e observou. Tudo estava escuro, mas havia uma fila imensa na porta do lugar.
— É aqui? — ela pergunta, olhando para o motorista.
— Imagino que sim. É onde a corrida termina.
Após murmurar um obrigada, Skyler desce e encara aquela imensa fila. Diversas pessoas estavam bem-vestidas e não paravam de falar um minuto. Tinha um homem grande parado diante da porta, vestindo terno e com um fone no ouvido. Ela decide ir até ele e perguntar por Alex.
— E você, quem é? — ele pergunta, encarando-a.
— Skyler. Eu vou ser a recepcionista.
— Ah, sim. O senhor Donovan está a sua espera. Pode entrar.
Ele abre a porta com auxílio de uma chave e Skyler entra. Já diante da porta, tinha uma bancada com algumas folhas repletas de nome. Ao lado, havia pulseiras verdes, da mesma cor que a decoração do lugar. Pessoas andavam de um lugar para o outro, terminando de colocar todas as coisas em ordem.
Skyler caminha um pouco, admirando um local em que nunca pôs os pés. Havia um imenso palco, mesas e mais mesas diante dele. Ela notou uma escada um pouco mais a frente, que tinha uma pequena corrente fechando a passagem.
Deve ser a área vip, ela pensou.
As pessoas que por ali estavam, terminando de arrumar tudo, não haviam notado uma estranha os olhando. Mas Alex, que estava no camarote conferindo uns últimos detalhes, reparou o olhar encantado e admirado que Skyler carregava. Ele não pôde deixar de reparar, que além do cabelo dela estar arrumado, o vestido que ela usava deixava-a sensual.
Descendo as escadas para encontrá-la, Alex balança a cabeça, tentando afastar os pensamentos inquietantes que começou a ter com Skyler. Ele não precisava perguntar, para saber que a última coisa que aquela mulher precisava, era de um homem dando em cima dela.
— Skyler! — ele chama, anunciando sua chegada.
Ela se assusta e vira, encarando-o firmemente. Alex vestia uma calça social e blusa social, ambas justas. A blusa estava com as mangas dobradas e aberta, mostrando parte do peitoral negro e malhado de Alexsander. Ele sorriu, ao perceber que ela estava quase comendo-o com os olhos.
— Oi. — ela responde. — Eu estava...
— Me esperando, eu sei. Você está linda.
Skyler abaixa a cabeça e sorri. Ela estava extremamente envergonhada com aquele elogio. Seu corpo inteiro arrepiou, com aquelas poucas palavras.
— Obrigada.
Quando Skyler o olha novamente, Alex está carregando um belo sorriso. Ela não estava preparada, muito menos disposta a se relacionar com outro alguém, mas admirar Alex e seu sorriso, não iria fazer mal algum.
— Penny, por favor! ALEX! Controle sua filha. Alex se aproxima da parede de escalada infantil e segura a pequena Penelope pela cintura, tirando-a dali. — Nossa filha. — ele diz, beijando o rosto da menina. — Por que você está tão estressada? — Porque aparentemente, essa festa está saindo do controle! A mansão de Alex estava repleta de risos e animação. A festa de Penelope, no seu quinto aniversário, havia se transformado em um verdadeiro evento. No amplo quintal, uma área especial foi destinada às atividades infantis, repleta de brinquedos coloridos e animadores caracterizados como personagens de contos de fadas. Além da parede de escalada, uma enorme cama elástica foi montada, recebendo risadas e pulos incessantes das crianças. Balões coloridos flutuavam pelo ambiente, e mesas repletas de doces, salgados e sucos aguardavam os pequenos convidados. Uma mesa especialmente decorada para o bolo de aniversário ocupava o centro do salão principal. Havia uma área dedicada à pintura fac
De trás da arvore, antes que pudesse sequer erguer o vestido, Skyler nota um par de faróis que se aproxima lentamente de onde eles estão. Stephen também nota e aquilo o deixa alarmado. Rapidamente ele esconde a arma nas costas e ergue o capô do carro, fingindo olhar algo. O carro que se aproximava diminui a velocidade e para ao lado do veículo de Stephen, que continua a fingir uma preocupação fictícia com o capô. O motorista do outro carro, um homem de meia-idade com expressão solidária, abaixa o vidro e questiona: — Tudo bem aí? Precisa de ajuda? Stephen, ainda tentando manter a aparência de alguém com problemas mecânicos, responde de maneira ríspida: — Está tudo sob controle. Só um pequeno contratempo. O motorista do outro carro parece hesitar por um momento, desconfiado da resposta pouco convincente de Stephen. Ele olha ao redor, notando a escuridão da estrada deserta. — Tem certeza? Só há um posto de gasolina agora, depois da fronteira. Eu posso... — Sim! — Stephen exclama,
Skyler estava adormecida no canto do quarto, quando a porta foi aberta bruscamente. Ao olhar para Stephen e o sangue em suas mãos, ela se alarma. — O que você fez? — ela pergunta, sentindo um frio na espinha. Stephen, encarando-a com olhos frios e distantes, limpa as mãos sujas em um pano antes de responder. — Irina estava gritando demais. A questão foi resolvida. O coração de Skyler acelera, com medo e raiva tomando conta dela. Ela se levanta, mantendo distância de Stephen. — Você é um monstro! Como pode fazer algo assim? Stephen ri, um som sem emoção que faz Skyler tremer. — Você não tem ideia do que eu sou capaz, Skyler. Agora vamos. Tenho planos para você. — Eu não vou a lugar algum. Tirando a arma da cintura, Stephen a direciona diretamente para o rosto de Skyler. — Você vai. — ele diz, engatilhando a arma. — Ou eu estouro sua cabeça aqui mesmo. O olhar de Stephen é gélido enquanto mantém a arma apontada para Skyler. Ela engole em seco, sentindo a intensidade da ameaç
Após horas de depoimento, onde Irina contava o que sabia, o detetive reunia as informações, montando um quebra-cabeça complicado. Alex permanecia ao lado de Irina, segurando Penelope enquanto absorvia as revelações perturbadoras. — Então depois de te deixar aqui, Stephen saiu apressadamente... — o detetive refletia em voz alta, conectando os pontos. — Acha que ele voltou para a tal cabana? Irina assentiu. — Com certeza. Ele falou algumas vezes sobre descansar, pois teria uma viagem longa para acontecer. Se minha bolsa não tivesse estourado, provavelmente eu estaria naquele carro com Skyler, sendo levada para sabe se lá onde. — Isso quer dizer que ele pretende sair dos Estados Unidos. — Alex conclui, olhando para o detetive. — Precisamos agir! — Eu já solicitei as imagens das câmeras de segurança do hospital, para que possamos ver o carro em que Stephen estava. Um parceiro está olhando nesse momento. — E essa cabana? Não tem como irmos até lá? — ele se vira para Irina. — Você se
Alex mal esperou Ully terminar de contar o que sabia e a enfiou em um táxi, rumo a casa das irmãs Bennett. — Você? — Haley questiona a presença de Ully, assim que a vê entrar atrás de Alex. Não demora para que ela note os hematomas que Ully carregava no rosto. — Alex... — Conseguiu alguma coisa no celular da Skyler? — Não... não chama. E como o rastreador consta como desligado, não tenho acesso a última localização. Aquilo deixa Alex ainda mais desesperado. Ele começa a andar de um lado para o outro, se odiando por ter deixado Skyler sozinha e se sentindo inútil por não saber o que fazer. Haley olha para o amigo e depois para a mulher encolhida no canto de sua sala. Não demora para que ela consiga entender o que provavelmente está acontecendo. Hal pega seu telefone e liga para a única pessoa que poderia ajudá-los a resolver aquilo. — Detetive Vasquez. — Minha irmã foi sequestrada. — ela diz, fazendo com que Alex a olhe. — E foi justamente aquele que vocês deveriam manter longe
Horas se passaram desde que Skyler entrou no carro com Stephen e eles ainda não haviam chegado ao destino final. Skyler tentava questioná-lo sobre o lugar que estavam indo, sobre como Irina estava ou até mesmo Ully, mas o homem se manteve em silêncio e com a arma apontada na direção dela. Eles adentraram uma curta estrada de terra, após horas de estrada de concreto. Com a ajuda dos faróis altos do carro, Skyler pode ver uma pequena cabana de madeira. Ela não conseguia enxergar, mas sabia que tinha água por perto pelo cheiro. — Desce. — Stephen ordena. — E sem gracinhas. Skyler, embora atordoada e amedrontada, obedece à ordem de Stephen. Ela sai do carro com cuidado, sentindo o terreno irregular sob seus pés. A cabana à sua frente parece isolada e envolta em uma escuridão densa, apenas os faróis do carro fornecem uma visão limitada. Stephen segura o braço dela com truculência e a empurra para a frente. Empurrando a arma em suas costas, ele faz com que ela ande até a cabana. Os três







