LOGINValentina nunca imaginou que, aos trinta anos, já seria o alvo principal de homens oportunistas e interesseiros, aqueles conhecidos como “caçadores de fortuna”. Naquele momento, ela havia saído para o terraço em busca de um pouco de ar fresco. Orson Winters apareceu logo atrás, segurando um prato com uma fatia de bolo de creme de café. Ele já não era exatamente um novato na indústria do entretenimento. Em três anos de carreira, havia protagonizado alguns filmes, mas sem grande impacto. Sua trajetória permanecia morna, e, naquele ano, ele já havia sido praticamente deixado de lado pela sua própria empresa. Orson fez de tudo para conseguir entrar na festa daquela noite. O motivo? Queria chamar a atenção de Valentina, a mulher mais influente do momento em Cidade B. — Valentina, este é um bolo de creme de café. Eu lembro que você gosta. A voz masculina, suave e agradável, soou atrás dela. Valentina virou-se. Ela lançou um olhar breve para o pedaço de bolo que ele estendeu, ma
Quando Valentina se virou para olhar novamente, aquela silhueta já havia desaparecido. Talvez ela tivesse se enganado. Ela desviou o olhar e seguiu em direção à área de entrevistas. Valentina e Zita foram colocadas juntas para serem entrevistadas. Um dos repórteres fez a primeira pergunta: — Sra. Valentina, ouvimos dizer que a Zita vai estudar no exterior depois do Ano Novo. A senhora apoia essa decisão? — Sim. — Valentina respondeu com serenidade, encarando a câmera com um sorriso tranquilo. — Estudar é sempre uma boa escolha para uma jovem mulher. — Mas a Zita acabou de ganhar o prêmio de Melhor Atriz. Não acha que é um desperdício ela sair de cena agora para estudar? Valentina continuou sorrindo, sem perder a compostura: — A Zita ainda é muito jovem. Ela é otimista, dedicada e muito trabalhadora. Eu tenho certeza de que, em qualquer área que ela escolher, ela será bem-sucedida. Outro jornalista, um homem de olhar insistente, aproveitou para lançar outra pergunta:
Valentina, ao ouvir as palavras do filho, também olhou para fora da janela. A neve continuava a cair, com flocos macios como penas de ganso dançando no ar. — Noah, você gosta tanto assim de neve? — Papai me prometeu. — Respondeu Noah, com a voz baixa. — Ele disse que, quando o inverno chegasse e nevasse, nós iríamos juntos fazer bonecos de neve e brincar de guerra de bolas de neve. Valentina ficou paralisada por um momento. — Mamãe. — Noah virou o rosto para encará-la. — O papai não vai voltar, vai? Valentina fitou os olhos escuros do filho, sem saber como responder. Era como se uma mão invisível apertasse seu coração com força. Ela sabia que Noah era sensível e, de alguma forma, ele já tinha percebido que Lucas havia partido. Noah continuou: — Na verdade, eu sei que o papai estava doente. Ele dizia que ia para o exterior para ganhar dinheiro, mas, no fundo, ele estava indo para se tratar. Por isso ele me deixou com você. Os olhos de Valentina se encheram de lágrimas.
— Não. — Respondeu Valentina com a voz calma. — O fato de eu namorar ou não, não tem nada a ver com o Lucas. Isadora a observou com atenção, tentando encontrar em seu rosto qualquer sinal de mentira. Mas não havia nada. Valentina estava completamente tranquila. Isadora suspirou, um tanto frustrada. — Mas, desse jeito, eu e o Álvaro ficamos preocupados. Preocupados que você esteja presa na tristeza pela morte do Lucas, sem conseguir seguir em frente. — Madrinha, mesmo que o Lucas ainda estivesse vivo, eu não voltaria com ele. — Valentina fixou os olhos no vinho em seu copo, sua voz soando serena. — Só que ele morreu, e isso me deixou com alguma tristeza. Não por amor, mas porque ele não deveria ter partido assim... — Valentina, é natural sentir tristeza. Não só você. Até hoje, quando penso no Lucas ou olho para aquelas duas crianças, me dá um aperto no coração. — Não é por causa do Lucas que eu não me envolvo com ninguém. — Continuou Valentina, abaixando o olhar para o vin
No Retiro das Nuvens, a casa cheia de familiares e amigos sempre trazia muita alegria e movimentação. Mas, no fundo, Isadora não conseguia deixar de se preocupar com Valentina. Ela não era a mãe biológica de Valentina, mas, hoje em dia, parecia se preocupar com o futuro dela mais do que a própria Camila. Camila, com sua mente quase infantil, dependia de Valentina como uma filha depende da mãe. Por conta das memórias que nunca recuperou, ela vivia em um estado de inocência e despreocupação. Não conseguia enxergar as responsabilidades e os desafios que Valentina, agora mãe de dois filhos, enfrentava diariamente. A noite caiu, e, aos poucos, todos começaram a se recolher para seus quartos. Valentina terminou de colocar as crianças para dormir, cantando baixinho até que Noah e Marina finalmente fecharam os olhos. Uma batida suave na porta interrompeu o silêncio do quarto. Valentina se levantou cuidadosamente para atender. Isadora estava parada do lado de fora, olhando para ela co
— Valentina, olha só pra você. — Disse Isadora, analisando o rosto dela. — Essa sua cara entrega tudo. Me diz, você não está se alimentando direito ou descansando como deveria, né? Valentina suspirou, com uma expressão de leve resignação. — Foi o frio que deixou meu rosto assim. — Frio nada! — Rebateu Isadora, sem se convencer. — Você está mais magra. Agora que mergulhou de cabeça no trabalho, parece que nem percebe o quanto está se desgastando. Marcos me contou que, na semana passada, você ainda abriu um ateliê de pintura. Você já tem a empresa pra gerenciar, um estúdio de design pra tocar, e agora ainda inventou um ateliê? Valentina, você não precisa de dinheiro, por que se esforçar tanto assim? Valentina sorriu, segurando o braço de Isadora com delicadeza. — O Marcos sempre gosta de exagerar as coisas. — O tom dela era calmo e afetuoso. — Minha querida madrinha, tudo o que estou fazendo agora são coisas que amo. Me sinto realizada todos os dias. Minha vida está exatamente







