ログインO vento frio de Seattle varria a varanda envidraçada do apartamento de Miguel e Deise, trazendo consigo a sensação de que algo invisível rondava o ar. Um ano havia se passado desde a prisão de Roberto Duarte, e a vida deles parecia enfim ter encontrado um raro equilíbrio. As manhãs eram preenchidas com risos, os fins de tarde com longos passeios à beira-mar, e as noites com a paz de um amor consolidado.Mas tudo mudou no exato dia em que Deise, com lágrimas de emoção e mãos trêmulas, revelou a Miguel a notícia que ambos sonhavam: ela estava grávida. A promessa de uma nova vida, de um recomeço pleno, parecia selar o destino de ambos. Porém, no mesmo instante em que a esperança brotou, a escuridão voltou a rondar.Primeiro, foi um incêndio repentino em um dos hospitais administrados pela empresa. Depois, um acidente de carro inexplicável que quase custou a vida de Miguel numa estrada vazia, onde os freios do veículo simplesmente falharam. Em seguida, relatórios falsificados, movimentaçõe
Na sede do FBI em Seattle, os criminosos foram separados em salas diferentes. O agente Kurt Weller e a agente Trash Marfai tinham sobre a mesa uma pasta volumosa, recheada de provas: contratos falsificados, registros de lavagem de dinheiro, evidências de suborno, transações ilegais com terroristas internacionais.Kurt encarou Roberto fixamente.— Você sempre se achou intocável, não é? — disse o agente, sua voz carregada de desprezo. — Mas chegou o dia em que o caçador virou presa.Roberto se manteve calado, tentando parecer frio, mas gotas de suor denunciavam o peso da situação.Na sala ao lado, Andrew gritava, tentando invocar sua autoridade.— Eu sou juiz federal! Isso é um absurdo, uma armadilha política! —A agente Tash respondeu com calma, quase com desprezo:— O senhor é apenas mais um criminoso agora. E criminosos respondem perante a lei.Algumas horas depois, os dois foram levados ao estacionamento do prédio. Algemados nos pulsos e tornozelos, com capuzes negros sobre as cabeç
Quando já se preparavam para sair, Telles apareceu, sorrindo ao ver Deise.— Fico feliz em vê-la de volta. — Ele olhou para os dois. — Agora acredito que tudo ficará bem. Kurt fez um bom trabalho. Logo encontrarão o Roberto.Miguel franziu o cenho.— Eu nem sabia que meu pai estava foragido.— Pois é… — Telles suspirou. — Ele se escondeu em algum lugar. Mas o FBI vai achá-lo. Porque, se a CIA chegar primeiro… bom, você sabe. Nunca mais ele verá o sol.Ele olhou para Deise com certa preocupação.— Sei que você precisa descansar… mas temos alguns assuntos urgentes.— Tudo bem — respondeu Miguel. — Tem uma cafeteria perto daqui. Podemos conversar lá.Pouco depois, já sentados à mesa e com os pedidos feitos, Telles começou:— Primeiro ponto: você e Deise são os acionistas majoritários. Kurt me ajudou a encontrar documentos que eu precisava para encerrar o caso dela. Descobrimos que o pai da Deise tinha 42% das ações da empresa. Roberto, apenas 20%, já que quase dois anos atrás, após um aci
Na manhã seguinte, a cidade ainda acordava sob uma névoa fria quando Miguel e Telles saíram de casa. O céu estava encoberto, refletindo o peso que Miguel carregava no peito. Ele praticamente não havia pregado os olhos. Durante toda a noite, a imagem de Deise desaparecendo diante dele, envolta em mistério e perigo, o perseguira como um fantasma implacável.No banco do passageiro, Telles observava o amigo com discrição. O silêncio entre eles era denso, quebrado apenas pelo som abafado do motor do carro e o ocasional suspiro de Miguel, que parecia lutar para manter a calma.Ao chegarem ao prédio do FBI Seattle Division, foram recebidos por um ar de formalidade e urgência. Uma mulher alta, de cabelos presos em um coque impecável e terno escuro, os aguardava logo na entrada.— Senhor Euler, esses homens são do caso Duarte — disse ela ao abrir a porta para um corredor interno.Do outro lado, o agente Kutt Euler aguardava. Era um homem de expressão severa, cabelos grisalhos bem cortados e ol
Já era noite em Nova Jersey quando Miguel entrou em casa, acompanhado por Telles. O peso das últimas horas parecia ter deixado cada passo mais lento, e o ar no ambiente parecia carregado de tensão e desespero. Assim que cruzou a porta, Miguel largou o paletó sobre o encosto de uma cadeira e afundou no sofá, como se suas forças tivessem se esgotado por completo. O olhar estava perdido, fixo em um ponto qualquer, mas sem realmente enxergar nada.— Onde será que ela está? — a voz dele saiu trêmula, embargada pela angústia. — Meu Deus… o que pode estar acontecendo com ela agora? — completou, levando as mãos ao rosto, tentando conter as lágrimas que já deslizavam.Telles se sentou na poltrona ao lado, observando o amigo com preocupação. Ele próprio estava inquieto, mas tentava manter a calma para não piorar o estado de Miguel.— Já fizemos tudo o que podíamos hoje, Miguel — disse com um tom sereno, mas firme. — Agora, por mais que doa, só nos resta esperar. O FBI está com todas as informaç
Enquanto Deise e Miguel eram arrancados brutalmente de seu breve paraíso, a centenas de quilômetros dali, no luxuoso aeroporto de New Castle, um homem caminhava despreocupadamente, como se estivesse no auge do mundo.Roberto sorria. Seus passos eram leves, quase dançantes, e ele cantarolava uma melodia antiga, daquelas que os homens cantam quando sentem que venceram uma guerra sem precisar sujar as mãos. Seus olhos ocultos por um par de óculos escuros caríssimos escaneavam o ambiente como um predador satisfeito. O terno de linho impecável, a gravata frouxa e o relógio de ouro reluzente em seu pulso completavam o quadro de um homem que, aos olhos do mundo, parecia intocável.Do lado de fora, um carro de luxo o esperava com o motor ligado. O motorista — sério, rígido, profissional — abriu a porta com um aceno respeitoso. Roberto entrou como quem entra em seu trono, cruzando as pernas com elegância e puxando do bolso um charuto cubano. Sem pedir, o motorista ofereceu o isqueiro e, com um







