Mag-log inDurante sete anos, Lorena acreditou que Leonardo era seu filho. Até que um exame de DNA destruiu tudo: Probabilidade de maternidade: 0,00%. Em busca de respostas, Lorena descobre que seu marido, Rafael, e Bianca, sua melhor amiga e madrinha de Leo, mantêm um caso há anos. Juntos armaram um plano para deixar Lorena inconsciente, e implantaram clandestinamente em seu útero um embrião formado pelos dois. Bianca não queria colocar sua beleza em risco, nem sofrer com a dor. Por isso, transformou Lorena em uma barriga de aluguel sem o seu consentimento. Mas a crueldade não termina aí. Leo, mimado por Bianca e manipulado por Rafael, despreza a mulher que o carregou. Agora, os dois planejam expulsar Lorena de casa e tomar tudo que ela construiu. — Você quer o divórcio? — Rafael pergunta, sorrindo com desprezo. — Então vá embora. Mas não levará meu filho, e nem um único centavo da empresa. Lorena mostra os exames de DNA e encara as pessoas que destruíram sua vida. — Fique com sua amante, com seu filho ingrato e com tudo que conseguiu roubar. Um dia vocês vão implorar para devolver o que tiraram de mim. Obrigada a recomeçar do zero, Lorena reencontra o homem que deixou para trás muitos anos antes: um CEO poderoso, frio e temido por todos. — Não preciso que tenha pena de mim — Lorena avisa. Ele se aproxima, prendendo-a entre seu corpo e a parede. — Pena? Eu esperei anos pela chance de ter você. Enquanto Rafael começa a perceber que, sem Lorena, a empresa está desmoronando, Bianca descobre que ocupar o lugar da antiga amiga não é tão perfeito quanto imaginava. E Leo, vendo a mulher que chamava de mãe se reerguer, deseja recuperar o amor que rejeitou. Mas talvez seja tarde demais.
view moreLORENA MARTINS
Minhas mãos tremiam tanto que o exame parecia prestes a rasgar entre meus dedos. Eu estava estacionada no pátio do laboratório, e mal conseguia respirar. Aquelas palavras, em um piscar de olhos, acabavam de destruir completamente os últimos sete anos da minha vida. Probabilidade de Maternidade: 0,00% Impossível. Isso não podia estar certo. Eu havia carregado o Leonardo no meu próprio ventre por nove meses. Eu senti cada enjôo, cada desejo e cada pequeno chute. Eu suportei sozinha as dores insuportáveis daquele parto demorado e difícil, gritando até perder a voz. Eu chorei lágrimas de amor e alívio quando o médico cortou o cordão umbilical e colocou aquele bebezinho chorão nos meus braços. Como o meu filho não era meu? Como eu poderia não ser a mãe da criança que eu pari? Enquanto minha mente buscava uma explicação minimamente lógica para aquele absurdo, uma memória há muito enterrada invadiu meus pensamentos. Espremendo as primeiras lágrimas depois do choque. Oito anos atrás. Foi pouco tempo antes de eu descobrir a gravidez. Eu estava passando por uma fase terrível de estresse e não conseguia dormir direito há semanas. Bianca, minha melhor amiga, apareceu no apartamento. Ela trouxe um sorriso doce e reconfortante no rosto, além de um pote de vidro cheio de folhas secas nas mãos. — Olha isso, amiga. Fiz esse chá artesanal especialmente pra você — a voz dela era muito carinhosa na minha lembrança, enquanto fervia a água na minha cozinha. — É uma receita infalível de família para insônia. Você precisa descansar, Lore. Prometo que vai dormir como um anjo. Eu confiei nela e tomei tudo de uma vez só, muito grata pela preocupação. Mas a sensação que veio a seguir não foi a de um sono relaxante. Foi um torpor estranho. A última coisa que vi foi o rosto de Bianca me observando de perto. Ela não sorria mais. Tive um apagão completo. Quando abri os olhos novamente, eu estava deitada em uma cama estreita de clínica, com uma agulha grossa presa na veia do meu braço esquerdo, ligada a um soro. Meu corpo inteiro doía de uma forma bizarra. — Amor? Finalmente você acordou — a voz de Rafael, meu marido, soou preocupada ao meu lado. Virei o rosto devagar e o vi sentado na poltrona. Ele se levantou rápido e segurou minha mão. — O que... o que aconteceu comigo? — Você teve uma queda de pressão. Desmaiou no meio da sala de casa — ele explicou, acariciando meus cabelos com suavidade. — Você dormiu por quase dois dias inteiros, Lorena. Bianca ficou apavorada. Ela me ligou e como não consegui te acordar tive que trazer você para cá às pressas. Dois dias desacordada por uma simples queda de pressão? Agora que penso aquilo não fazia sentido nenhum. Mas eu não questionei. Eu era cega, ingênua e confiava naquelas pessoas com a minha própria vida. Poucas semanas depois desse episódio nebuloso, o exame de farmácia deu positivo para gravidez. Então, o que realmente aconteceu? Confusa demais com essa descoberta, apertei o exame de DNA e liguei o motor do carro, preciso falar com Rafael sobre isso, talvez nosso Leo tenha sido trocado na maternidade ou algo assim. Mas Leo é idêntico ao Rafa... Dirigi de volta para casa rapidamente. Ao abrir a porta da frente, vi uma cena que já havia se tornado cotidiana, mas que nunca havia me incomodado tanto quanto hoje. No meio do tapete da sala, Rafael ria alto, cheio de vida, enquanto segurava Leo no ar pelas axilas e Leo dava gargalhadas. E, sentada confortavelmente no nosso sofá, com um sorriso doce nos lábios e interagindo com eles, estava Bianca. Meus olhos foram puxados imediatamente do rosto sorridente de Leo para o de Bianca. Reparei no formato dos olhos amendoados do meu menino. O formato arrebitado do nariz. Depois, encarei o rosto da mulher sentada no sofá. Entre eles havia uma semelhança que eu passei sete anos ignorando. Ah, o resultado desse exame está mexendo com a minha cabeça. Como isso seria remotamente possível? Como Bianca poderia ser a mãe do menino que cresceu na minha barriga? — Mamãe chegou! — Leo foi o primeiro a me notar perto da porta. Ele apontou o dedinho na minha direção, mas não havia alegria nenhuma em sua voz infantil. O tom era muito diferente do de segundos atrás, como se a minha chegada tivesse estragado sua diversão. Ouvindo o aviso de Leo, Rafael se virou para mim. O sorriso aberto e feliz no seu rosto diminuiu consideravelmente e quase desapareceu por completo. Ele soltou Leo no chão e levantou, vindo me cumprimentar. No entanto, enquanto se aproximava seu olhar caiu no exame apertado em meus dedos e seus olhos me alcançaram com curiosidade: — Lorena... o que é esse papel na sua mão?LORENA MARTINS— Lorena... — Leo murmurou. — Você pode me ajudar com a tarefa de matemática?Permaneci alguns segundos sem responder.Eu estava na biblioteca da mansão analisando anúncios de apartamentos quando o nome de Rafael apareceu na tela. Quase rejeitei a chamada. Depois da conversa daquela manhã, imaginei que ele tentaria novamente me convencer a ajudar na empresa.Atendi apenas para mandar que parasse de insistir.Então escutei a voz de Leo.Dessa vez, Rafael não havia colocado o telefone nas mãos dele. Leo me procurou porque desejava alguma coisa de mim.Ainda assim, não criei expectativas.Aquela ligação não significava que Leo havia voltado a me considerar sua mãe. Ele apenas estava precisando de ajuda.— Posso — respondi, afastando o computador. — Qual parte você não entendeu?— Quase tudo — confessou, diminuindo a voz.Escutei o som de folhas sendo viradas.— Pode iniciar uma chamada de vídeo? — pedi, pegando um caderno para fazer as contas com ele. — Preciso ver a ativi
RAFAEL DIMAS— Se não quiser ajudar por mim, faça isso pelo Leo — declarei. — Ou quer que a herança do nosso filho se acabe?O silêncio permaneceu do outro lado da ligação.Lorena não desligou. Isso demonstrava que eu havia encontrado um argumento que ela não conseguia ignorar.Apesar de tudo o que descobriu, ela ainda se preocupava com Leonardo. Podia fingir que não desejava mais vê-lo, mas passou sete anos acreditando que era sua mãe.— O que Leo tem a ver com a crise da empresa? — perguntou por fim.Sua voz não parecia emocionada. Estava fria.— Tudo o que construímos será dele no futuro — expliquei, caminhando ao redor da mesa. — Se a Dimas quebrar, Leo perderá a própria herança.— Uma empresa não é a única coisa que determina o futuro de uma criança.— É fácil dizer isso enquanto trabalha para um grupo bilionário.Lorena soltou a respiração devagar.— Você não está preocupado com Leo. Está usando o nome dele porque percebeu que seus outros argumentos não funcionaram.— Não estou
LORENA MARTINSNa segunda-feira, cheguei ao Grupo Montenegro antes das oito.Durante o domingo, havia separado alguns anúncios de apartamentos e marcado duas visitas para aquela semana. Ainda não contei a Adrian. Depois da conversa de sábado, ele já sabia que eu pretendia sair da mansão. Não precisava acompanhar cada etapa da minha procura.Eu também precisava concentrar minha atenção na equipe do resort.Na quinta-feira passada, abri a pasta com os currículos indicados por Adrian. O primeiro nome me fez permanecer alguns segundos encarando.Gustavo Almeida.A experiência de Gustavo correspondia exatamente ao que eu procurava para a coordenação técnica e já conhecia seu trabalho, imagino que não teremos problemas.Por isso, marquei a entrevista para aquela manhã.Pouco depois das nove, uma funcionária avisou que ele havia chegado.Pedi que o levassem até minha sala.Gustavo entrou carregando uma pasta. Vestia uma calça social e uma camisa clara. Parecia um pouco desconfortável por me
ADRIAN MONTENEGRO— Posso levar você para um encontro também?Lorena permaneceu imóvel.O vento moveu alguns fios de seu cabelo, e percebi que minha mão ainda estava perto de seu rosto. Afastei-a devagar.Ela piscou algumas vezes, como se estivesse tentando compreender se havia escutado corretamente.— Você me seguiu e agora está me convidando para sair? — perguntou, apoiando uma mão na cintura.A indignação na voz dela era compreensível.— Sim.Lorena abriu a boca, mas demorou alguns segundos para responder. Depois olhou para meu carro e para a rua vazia ao nosso redor.— Desde quando estava esperando diante do restaurante?— Desde que você chegou.Seus olhos se arregalaram.— Você ficou lá durante todo o jantar?— Fiquei.Lorena soltou o ar e passou uma mão pelos cabelos. Quando voltou a me encarar, sua expressão estava ainda mais irritada.— Isso é completamente absurdo, Adrian!— Eu sei...— Então por que fez?A resposta não me favoreceria. Ainda assim, depois de dirigir atrás del






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