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Jogo Começado

Penulis: Eva Belmont
last update Tanggal publikasi: 2025-05-08 07:06:09

O salto de Helena ecoava pelos corredores da empresa como uma declaração de guerra.

O vestido preto, ajustado ao corpo, era elegante, profissional, mas deixava claro que ela não era mais a sombra tímida que caminhava abaixando os olhos. O batom vinho, o coque bem preso e o perfume marcante completavam a armadura. Estava impecável. Fria. Intocável.

Quando entrou no setor de marketing, os olhares se voltaram. Alguns por espanto, outros por inveja. Ela sorriu discretamente. Ninguém precisava saber o que havia por trás daquela transformação. Ainda não.

Mas alguém percebeu.

Leonardo Alencar.

Do alto da escada de vidro que levava à sala da diretoria, ele parou por um breve instante. O olhar dele percorreu Helena da cabeça aos pés. Não havia desejo visível. Apenas algo mais perigoso: curiosidade.

Helena ergueu os olhos e sustentou o olhar. Por dois segundos longos demais, os dois se encararam. Ela foi a primeira a sorrir — um sorriso contido, mas desafiador.

Leonardo ergueu uma sobrancelha quase imperceptivelmente e seguiu seu caminho.


No almoço, Helena esperou o momento certo. Sabia que ele não almoçava com os outros. Tinha horários alternativos, reuniões silenciosas e uma rotina tão controlada quanto o tom de sua voz. Mas também sabia que ele passaria pelo café do saguão às 13h15. Sozinho.

Ela o esperava, sentada estrategicamente na mesa mais próxima do balcão. Quando ele apareceu, ela levantou-se com a mesma naturalidade de quem esbarra por acaso.

— Sr. Alencar. — disse, com um leve aceno.

— Helena. — Ele parou. A voz dele era baixa, firme, como um comando bem executado.

— Posso te oferecer um café? — ela perguntou, direta.

Ele a olhou de novo. Como se calculasse a intenção por trás da pergunta.

— Isso é uma tentativa de impressionar seu chefe? — perguntou sem rodeios.

Helena sorriu.

— Isso é uma tentativa de chamar a atenção de um homem que não se impressiona com nada. Mas que, talvez, esteja curioso o bastante para aceitar.

Leonardo não respondeu de imediato. Apenas olhou para o relógio, e depois para ela.

— Dez minutos. Me acompanhe.


Eles se sentaram em uma mesa reservada, mais afastada. Ela sentia o coração bater como um tambor, mas por fora estava impecável. Como ele.

— Então, Helena. — Ele começou, entrelaçando os dedos sobre a mesa. — O que exatamente você quer?

— Uma chance. — respondeu. — Não de subir de cargo. Não de ganhar um bônus. Quero uma chance de te mostrar que posso ser útil pra você... além do óbvio.

Ele inclinou levemente a cabeça.

— Isso soa perigosamente ambíguo.

— Só se você quiser interpretar assim. — Helena sorriu. — Eu sou boa com estratégias. E neste momento, estou criando uma. Você pode fazer parte dela... ou pode continuar ignorando o que eu sou capaz de fazer.

Leonardo não sorriu. Mas os olhos dele brilharam por um segundo.

— Você tem três minutos para me convencer de que isso não é apenas um surto emocional.

— Eu fui traída pelo meu noivo com minha irmã. Meus pais sabiam. Me apoiaram? Não. Justificaram. Sabe o que me disseram? Que ela era mais doce. Mais sociável. Mais... adequada.

Leonardo ficou em silêncio.

— Então não. Não é um surto emocional. É uma transição. E toda mulher, depois de ser destruída, só tem duas opções: rastejar ou se reinventar. Eu escolhi a segunda. E não vou fazer isso sozinha.

O silêncio que se seguiu não era desconfortável. Era tenso. Cheio de possibilidades.

Leonardo se levantou devagar, ajeitou o terno e olhou para ela.

— Está contratada para me surpreender, Helena. Não me decepcione.

Ele saiu sem olhar para trás.

Helena permaneceu sentada, com um sorriso satisfeito nos lábios.

O jogo começara. E ela acabara de conquistar sua primeira vitória.

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