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Capítulo 34 - Um Estranho Embate

Autor: Rosana Lyra
last update Fecha de publicación: 2025-10-27 08:51:29

Layla

Eu quis defender Bart. Quis dizer “ele é bom, ele me ama, ele é sincero”. A frase chegou pronta, decorada, e parou na garganta. Porque a verdade é que eu nem sequer me entreguei para o meu namorado. Eu, que sempre preguei coerência, fui primeiro nos braços do homem que não presta.

O que isso diz de mim?

— Termina o café e vai. — falei, para Kaleo, precisando que a mesa voltasse a ter dois lados apenas — Hoje não.

— Hoje, sempre. — ele respondeu, levantando com uma obediência que soou com
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    KaleoMeses se passaram desde que Bart desapareceu do nosso caminho algemado e sem glória. Meses em que aprendi que silêncio também pode ser paz, que rotina pode ser um refúgio, e que até monstros conseguem respirar sem sangue na boca.Casei-me com Layla sem pompas de realeza. Nada de castelo de cristal, nada de véus intermináveis. Apenas nós dois, as pessoas que realmente importavam e uma aliança simples, que no meu dedo pareceu uma algema doce, e no dela, uma chave. A sociedade, claro, não engoliu fácil.As manchetes chamaram-na de interesseira, de "a santa que virou diabinha vendida ao magnata". As mulheres nos jantares a olhavam de cima a baixo, como se pudessem farejar ouro na pele dela. Os homens a observavam como se fosse troféu, e alguns ainda cochichavam que eu perdi a sanidade ao escolher uma "filantropa sem fortuna".Eu ouvia. Eu sabia. Mas não me importava.Layla era a minha prioridade. O resto, apenas estática.— Eles falam. — ela me disse uma noite, tirando os brincos di

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    LaylaO beijo começou de pé, deslizou pela sala, encostou no piano, bateu no vidro da varanda com a cidade por testemunha. As mãos dele sabiam de mim como quem já amou este mapa noutras vidas, as minhas reconheciam nele o alívio de estar de volta.— Dói? — perguntei, roçando os lábios perto do ombro, mas com a ponta dos dedos no curativo.— Só o que me mantém vivo. — ele respondeu, engolindo um gemido quando meus dedos traçaram um caminho acima da atadura.— Então deixa doer de um jeito bom.E doeu. Devagar. Sem nenhuma palavra que nos envergonhasse, com todas as que nos libertavam. Quando ele segurou meus pulsos, foi leve, quando eu me soltei, foi certo. Fizemos amor devagar.Quando ele pediu meus olhos, dei. Quando eu pedi mais, ele entendeu. O corpo se curvou à música que não tocava. Eu disse o nome dele inteiro, e ele devolveu o meu como quem assina um documento irrevogável.Depois, deitamos virados um para o outro, o cabelo colado à testa, o riso fácil.— Pronto. — ele disse, pas

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