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last update Fecha de publicación: 2024-05-06 05:33:04

Tuca

Ao longo da minha vida adulta eu fui uma boa menina. Me formei nas melhores faculdades, obedeci os meus pais, arrumei um bom emprego e também um bom namorado. Na verdade, eu conheci o Alec em uma rave e lembro-me que tinha muitas cores, muita gente dançando enlouquecida, e perto demais umas das outras. E cara, tinha muita bebida naquele lugar também. Como sempre, eu estava curtindo com os meus amigos Javier, Mirela e Val, pois somos inseparáveis desde sempre.

Quer dizer, não exatamente desde sempre.

Depois que Alec entrou na minha vida fui me afastando dos meus aos poucos. Não era exatamente uma exigência do meu ex, mas vivíamos tão grudados um no outro que não sobrava tempo entre o meu trabalho e o nosso namoro para os amigos. Enfim, Alec chegou no nosso meio como quem não queria nada, se enturmou e foi ficando. Naquela noite trocamos alguns olhares e depois do terceiro copo já estávamos nos pegando. Depois disso, não conseguimos evitar as enxurradas de mensagens e de telefonemas. Pela primeira vez eu estava apaixonada por um cara extraordinário e completamente sexy, e isso teve praticamente a durabilidade de dois anos.

Logo que ele assumiu a vice-presidência da Stars'Books, uma das maiores e mais requisitadas editoras do país começamos com os nossos planos para o nosso casamento. Enfim, como mencionei, eu desenhei cada detalhe do meu dia especial. A festa, as mínimas cores, quantidade de convidados, as flores, o tapete vermelho e tudo mais. No entanto, no final de tudo não foi eu quem foi parar naquele altar e sim, a filha do seu chefe.

E como estou com isso?

— Mais um copo, senhorita?

Um garçom usando apenas uma saia havaiana pergunta, inclinando-se só um pouquinho o seu corpo na minha direção e me oferece mais uma daquelas deliciosas bebidas com um guarda-chuvinha no topo.

Sorrio, colocando o meu copo vazio na sua bandeja. Como vocês podem comprovar eu estou cagando e andando para aqueles dois.

Sério, parando para analisar os prós e os contras da minha relação com o Alec, eu posso afirmar que saí no lucro. Eu não aguentava mais ouvi-lo dizer que eu precisava perder peso, que tinha que fazer uma dieta e ficar mais gostosa para ele. Ou que os seus amigos tinham mulheres gostosas ao lado deles.

Ah, vai se foder!

Tudo bem que aos vinte e três anos e com a altura de 1,70 m estou pesando graciosamente 85 quilos. Ah vai, é melhor do que ser magra demais e não ter nenhuma carne macia para apertar. Eu, Vitória Andrada - Tuca para os íntimos, sou simplesmente maravilhosa, gostosa e sexy, e não preciso que nenhum homem venha me dizer esse tipo de coisa.

— Obrigada! — digo para o garçom e ele volta a erguer o seu corpo, porém, antes de se afastar ele me lança um olhar de lado e eu suspiro, levando o canudo para a minha boca, sugando o líquido doce e gelado, e imediatamente sinto o leve teor do álcool no meu paladar.

— Foi impressão minha ou ele te comeu com os olhos? — Mirela pergunta me fazendo engasgar na mesma hora e Val dispara em uma gargalhada.

— Vocês sabem o que eu penso sobre um relacionamento por agora, não é? — rebato com humor, mas a danada ergue as suas sobrancelhas ruivas muito bem delineadas para mim.

— Quem falou em relacionamentos aqui? Você falou, Val?

— Eu não disse nada! — Val ralha, erguendo as suas mãos em sua defesa e eu reviro os olhos para as duas.

— Meninas, eu falei pra vocês nada de homens e nada de sexo enquanto estivermos aqui. Eu só preciso descansar e viver um dia após o outro.

— Entendi, virou a madre Tereza de Calcutá agora. — Mirela zomba me fazendo rir.

Contudo, abaixo os meus óculos espelhados, sugo um pouco mais da minha bebida e me esparramo em cima da espreguiçadeira, fechando os meus olhos e simplesmente ergo o meu dedo do meio para elas. Às duas voltam a explodir em uma boa risada e eu rio também, apreciando o calor gostoso do sol das praias havaianas.

O fato é que ainda não estou pronta para qualquer tipo de relacionamento, seja ele com compromisso ou não. Eu preciso de um tempo só para mim, sabe? E depois desse tempo quero voltar as brilhantinas onde eu beijava na boca sem me preocupar com o dia de amanhã. E quando finalmente acabar essas férias de quinze dias com certeza voltarei para Seattle outra mulher, ainda mais determinada e dona do meu próprio nariz.

O que, não pensaram que eu ia me afundar em lágrimas trancafiada dentro do meu apartamento e me enchendo de sorvete, não né?  Acho que nisso vocês vão concordar comigo, o Alec não merece tal sofrimento da minha parte, não mesmo! Eu tenho um plano totalmente elaborado por mim, embora as minhas amigas que estão aqui do meu lado não concordem comigo. Em primeiro lugar eu, em segundo o meu trabalho e em terceiro os homens. E esses a partir de hoje serão os meus brinquedinhos particulares, pois este coração aqui está fechado para balanço.

— Gente, alguém viu o Javier por aí? — Val pergunta, me fazendo despertar dos meus devaneios.

— Até parece que você não conhece aquele puto! Provavelmente ele deve estar agarrado com alguma havaiana graciosa por aí. — Escuto Mirela resmungar e depois me ocupo em me desligar do mundo, e sonhar com os meus projetos futuros.

***       

… Hu! Hu! Hu! Hu!

Gritamos ao mesmo tempo e bem alto fazendo uma fila de conga, enquanto procuramos passagem no meio da multidão. Gente, o Havaí é um sonho de sossego durante o dia e um espetáculo de festas a noite. A praia a essa hora está parcialmente iluminada por algumas tochas que estão espalhadas por todos os lados e quase todos aqui estão usando colares com flores coloridas, roupas informais e segurando seus copos com algum tipo de bebida. Entretanto a grande maioria das mulheres estão usando a parte de cima dos seus biquínis e alguns homens estão com seus abdomens sarados de fora. A música é ótima e bem animada também. Juro que cheguei a imaginar alguns nativos em cima de um palco tocando os seus instrumentos rústicos e algumas garotas vestidas com suas saias havaianas, mexendo os seus corpos de uma forma graciosa, e com seus sorrisos de boas meninas. Entretanto, eu não podia estar mais enganada!

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Último capítulo

  • Ele é o Diabo   Épílogo

    TucaAlguns meses depois…A marcha nupcial anuncia a minha entrada triunfal na nave da igreja. Juro que dessa vez neguei-me a sonhar com esse momento. Sim, foi pura covardia e isso foge muito ao meu estilo, mas eu fugi de mim mesma e permiti que todos me ajudassem com seus palpites e emoções muito bem-vindos. Portanto, entrar em uma igreja tão grande e estupidamente lotada com sua ornamentação grandiosamente luxuosa me deixou extremamente satisfeita e caminhar pelo longo tapete vermelho me fez sentir plena.— Você está maravilhosa, Tuca! — Val sibila sem emitir som, me fazendo abrir um sorriso nervoso. Contudo, suspiro contida e olho para frente, para o altar o meu noivo me espera ansioso.Céus, ele está tão lindo!— Nervosa? — Papai pergunta do meu lado e me forço a ampliar o meu sorriso.— Nervosismo é o meu nome do meio agora.Ele sorri em resposta.— Imagino que sim. Sabe, eu… nunca te falei, mas você me dá orgulho

  • Ele é o Diabo   75

    Tuca— Ora vamos, Tuca se acalme, filha! — Mamãe pede quando percebe que eu não consigo ficar parada em um canto.— Não dá, mamãe, logo eles vão chegar! — sibilo em um misto de nervosa e ansiosa. Contudo, a campainha começa a tocar e o meu pobre coração dá um salto mortal dentro do meu peito. — Não! — rosno quando Karen dá alguns passos na direção da porta. — Não se atreva a abrir!— Mas…— Deixe que eu mesma faço.Respiro fundo e dou alguns passos na direção da entrada da casa. Entretanto, não abro a porta imediatamente, apenas solto algumas respirações altas para tentar não parecer tão agitada.E pensar que com o meu ex não foi assim. O Gustavo tem um Q que mexe comigo. Algo que me agita e que às vezes me faz sentir como uma garotinha inexperiente. Que coisa ridícula! A campainha me desperta e logo eu giro a maçaneta, porém, me sinto confusa e bem decepcionada também, quando encontro o traste do meu ex em pé na minha frente, olhando-me com

  • Ele é o Diabo   74

    GustavoNa noite do jantar na mansão Peterson...A mansão Peterson era o último lugar que eu queria estar agora. Olhar para a sua fachada através dos vidros transparentes do meu carro me traz lembranças dolorosas de uma vida fria e vazia, de descaso e abandono. Com certeza a única coisa que me fará sorrir nesse lugar serão os empregados que me trataram como se eu fosse um pedacinho de suas famílias.Respiro fundo quando o automóvel estaciona em frente as portas largas de madeiras bem alinhas e a Senhora Flora surge abrindo um sorriso trêmulo, provavelmente ela deve estar nervosa ou ansiosa com a minha chegada. Contudo, não tenho a menor vontade de sair do meu lugar. Entretanto, a mão morna de Vitória pausa sobre a minha e me disperso dos meus pensamentos doloridos, para fitar os seus olhos brilhantes e sorridentes.— Pronto? — Ela inquire docemente.Meneio a cabeça em resposta.— Não, mas não tenho como fugir disso, certo?—

  • Ele é o Diabo   73

    TucaDo lado de fora é possível sentir a batida da música alta que vem lá de dentro da Moom e aquela fila costumeira na calçada, especialmente hoje não está lá. Assim que sai do carro, Gustavo abre a porta para mim, cruzando os seus dedos nos meus para em seguida caminharmos para a entrada. Lembrar da última vez que estive nesse lugar me causa um certo frenesi, mas também me faz rir. Logo que ele abre as portas me dá passagem e na sequência somos cobertos pelas luzes coloridas que correm para todos os lados do grande salão. E mesmo sendo uma surpresa de aniversário, parece que toda a Seattle está aqui dentro.— Tuca? — Val me chama, acenando para mim do outro lado do salão e imediatamente puxo na sua direção. — Até que enfim você chegou! — A garota ralha um tanto animada, me abraçando no ato. — Oi, Gustavo! — Minha amiga cantarola, deixando um beijo comportado no seu rosto. Contudo, antes que ele consiga responder ao seu comentário, a voz Javier soa bem atrás

  • Ele é o Diabo   72

    TucaO pior já passou, não é? Penso enquanto aguado os homens retornarem da tal conversa.Em algum momento pego o celular para ligar para Val e saber como as coisas estão. Desde que Mirela decidiu acabar de vez com essa sua fixação declarada pelo seu ex, ela ficou um pouco para baixo. E como estava bem perto do seu aniversário, decidimos animá-la um pouco fazendo aquilo que ela mais gosta nesse mundo…Curtir.E foi aí que Gustavo entrou nessa brincadeira oferecendo-nos a sua boate para uma comemoração surpresa para ela. Eu só precisei unir o útil ao agradável. Ou seja, além de comemorar também o apresentarei como meu namorado para todos os meus amigos.Dá até um curto-circuito pensar nele assim.O problema é fazer a turma entender isso já que o Senhor Lúcifer partiu o meu cora&cced

  • Ele é o Diabo   71

    Tuca— O que aconteceu com a Fofinha? — questiono um tanto curiosa. Não que eu morra de amores pelo apelido, mas gostaria de saber o que mudou.Entretanto, Gustavo arqueia as sobrancelhas para a minha pergunta, ficando sério no mesmo instante.— Eu escolhi esse apelido porque sabia que te desagrava e sempre que entrávamos em uma conversa mais íntima o usava para me lembrar de que tudo não passava de um envolvimento casual. Era uma maneira de te afastar de mim, entende? Uma linha tênue que fiz questão de pôr nós dois.Faço um sim com a cabeça.— E por que, Vi? — Dessa vez ele sorrir e os seus olhos ganham um brilho lindo.— Por que, não gostou? — respondo-lhe, fazendo uma careta para ele.Seu sorriso se amplia, tornando-se brincalhão.— Sério? Eu achei fofo. — Gustavo d&aa

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