LOGINAlessandro Vitale é o Don mais temido da Camorra. Frio, violento e impossível de matar. Até o dia em que uma bala o encontra no meio do Atlântico e ele desaba ensanguentado nos braços de uma desconhecida. Isabella Rossi é a filha do seu pior inimigo. Criada para ser entregue em casamento como moeda de troca, ela foge usando um nome falso e um passaporte comprado. Não esperava salvar a vida do homem que sua família jurou destruir. Muito menos acabar trancada com ele numa cabine, com o gosto de uísque na boca e as mãos sujas do sangue dele. Eles estão bêbados. Feridos. E cheios de uma fome perigosa. Alessandro a prende contra a parede com o ombro ainda sangrando. A mão grande e suja de pólvora desce pela cintura dela, apertando com força demais. Isabella morde o lábio inferior dele para não gritar quando os dedos dele sobem por baixo do vestido. Nenhum dos dois pergunta o nome do outro. Só existe o estalo da porta trancada, o cheiro de sangue e sal, e o som úmido de pele contra pele. Na manhã seguinte, ele sumiu. Ela só tem marcas roxas no corpo e a certeza de que nada daquilo deveria ter acontecido. Meses depois, no altar, o teste de gravidez que Isabella esconde cai no chão diante de toda a família. O bebê que ela carrega é de Alessandro Vitale, o homem que deveria odiar e que agora vai reivindicar o que é dele.
View MoreEle a guiou para cima com cuidado, o corpo ainda posicionado entre ela e qualquer possível ameaça residual, mesmo sabendo que os homens de Lorenzo estavam mortos. A escada rangeu sob os pés deles. O ar lá em cima ainda cheirava a pólvora fresca e a madeira queimada pelo calor dos disparos. Isabella segurou a mão dele com força, a outra mão protetora sobre a barriga, os dedos frios. O bebê se mexia inquieto, reagindo ao ritmo acelerado do coração dela. No jardim, o cheiro era ainda mais forte. Pólvora e terra revolvida e o metal doce do sangue. Um dos homens de Alessandro ainda se movia perto da casa de hóspedes, ferido no ombro, mas vivo e consciente; os outros dois não se moviam. Alessandro trocou algumas palavras curtas e precisas com o ferido, verificou o estado da ferida, ordenou que a escolta se formasse. O lago continuava escuro e quieto, indiferente ao sangue que agora manchava a margem entre os juncos. A lavanda ainda soltava perfume sob o sol que se punha, um contraste quase
O tiroteio lá em cima durou menos de sete minutos. Alessandro se moveu com a precisão de quem treinara a vida inteira para exatamente aquele tipo de terreno. Cada passo, cada respiração, cada decisão era o resultado de anos em que o corpo aprendera a obedecer antes mesmo que a mente terminasse de formular o comando. Os homens de Lorenzo eram bons — treinados, disciplinados, acostumados a operar em equipes coordenadas —, mas não conheciam as trilhas estreitas que serpenteavam entre as árvores antigas, os desníveis sutis do terreno que podiam fazer um homem perder o equilíbrio por uma fração de segundo fatal, os pontos cegos criados pelos juncos altos que bordavam a margem do lago e pelas raízes expostas que se entrelaçavam como armadilhas naturais. Ele usou cada vantagem como se o próprio lugar conspirasse a seu favor. Usou o conhecimento de menino que pescava naquele lago antes mesmo de saber o que era o mundo lá fora, que aprendia a se mover em silêncio absoluto entre as árvores par
O domingo amanheceu mais claro. A neblina da véspera tinha se dissipado por completo durante a madrugada. O sol entrava pelas janelas largas do quarto principal em faixas douradas e limpas, iluminando o piso de madeira clara e o edredom ainda amassado pela noite. Alessandro acordou primeiro desta vez. Ficou alguns minutos apenas observando Isabella dormir, a mão dele ainda espalmada sobre a barriga, o bebê quieto sob a palma. O rosto dela estava relaxado de um jeito que ele não via desde antes da visita de Maria Rossi — a linha de tensão entre as sobrancelhas suavizada, a boca entreaberta, a respiração profunda e regular. O corte fino na sobrancelha que ele levara no dia anterior nem doía mais. Por um instante, ele permitiu-se acreditar que o refúgio poderia durar mais um dia. Que o silêncio do campo fosse mais forte do que a guerra que os esperava do outro lado do portão.O quarto ainda cheirava a sono e a lavanda que entrava pela janela entreaberta. Alessandro traçou o contorno da
O sábado amanheceu com uma neblina baixa que cobria o vale como um véu fino e úmido.Isabella acordou primeiro. A luz cinzenta entrava pelas janelas largas do quarto principal, filtrada pela névoa que ainda pairava sobre o lago. Alessandro ainda dormia, o rosto relaxado de um jeito que ela raramente via na mansão — a mandíbula solta, as sobrancelhas sem a tensão habitual, a boca entreaberta. A mão dele permanecia espalmada sobre a barriga, o polegar solto, o corpo virado na direção dela como se, mesmo no sono, recusasse qualquer distância. O menino se mexia de forma preguiçosa, um giro lento seguido de um chute suave que fez a mão de Alessandro se contrair instintivamente. Isabella ficou quieta por longos minutos, apenas observando o lago através do vidro. O vapor subia da água fria em fios finos e prateados. As árvores na margem estavam imóveis, os galhos pesados de umidade. O silêncio era tão completo que parecia ter peso, uma presença física que preenchia o quarto junto com o calor












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