FAZER LOGINParte 2
Reino de Ttang, 1177, floresta ao redor de Kaesun
Ttang Woo
Vai ter que ser agora. Amarro as rédeas firmemente no suporte da cela e observo o momento certo para saltar. Me agarrando ao primeiro galho que vejo, me dando impulso para cair de pé e então começo a correr. Mal tenho tempo de sentir a dor que irradia de meu ombro e não olho para trás, porém escuto os cascos de Lim seguir em frente.
Respiro aliviado. Ele estará a salvo e vou conseguir seguir uma parte do meu plano.
Deve haver algum lugar para que eu possa lutar com alguma vantagem. Tudo que carrego comigo é uma espada e uma adaga, minha armadura tem se provado inútil contra as suas flechas. Um confronto frontal será minha última alternativa. Teria que derruba-los de longe de algum modo.
Tento correr entre as árvores, o som dos cascos fica mais distante até que para completamente. Me inclino sobre um arbusto. Tomando o ar em meus pulmões. A floresta está completamente em silêncio. Seguro a ponta da flecha em meu ombro e a puxo um pouco para poder quebrar a parte de trás.
O grunhido de dor é abafado por meus lábios. Não há tempo de fazer mais nada antes de ouvir os passos. Seguro bem firme uma das pedras ao meu lado e olho por sobre os arbustos.
Há cinco homens entre as árvores, pisando muito devagar. Eles não sabem onde estou. Suas armas empunhadas reluzem um pouco de luz que passa pelas copas das árvores. Todos têm seus cabelos e bocas cobertas, estão usando roupas pretas surradas.
Pelo modo como pisam calmamente no chão da para ver que passam por um treinamento. Então não são mercenários comuns. Poucas facções tem acesso a soldados treinados. Novamente o rosto do ministro do tesouro vem a minha mente.
Seguro o cabo da minha espada por reflexo. Se meu ombro não tivesse machucado, conseguiria derruba-los sem problema, pelo modo como andam desajeitados não possuem muito equilíbrio, porém eles ainda possuem o arco em suas mãos e sei que suas habilidades com o instrumento são a cima da média.
É arriscado, mas espero que um deles se aproxime um pouco mais e arremesso a pedra com todas as minhas forças em direção ao seu rosto. Não fico parado para ver o resultado e já me coloco em movimento, ziguezagueando pela floresta.
Se eu tivesse um pouco mais de sorte o sol iria se pôr mais rápido e eu poderia me esconder com maior facilidade, porém nascer na família real já usou toda a sorte da minha vida, de outro como como eu estaria na família, mais prestigiada de todo o reino e mesmo assim ser caçado todos os dias. Nunca tive uma noite de sono bem aproveitada desde que nasci. Dormindo poucas horas por vez e sempre alerta.
Vejo mais uma flecha se fixar ao chão ao meu lado, entre as rochas. Agarro a pedra enchendo minhas unhas de terra seca. O chão está ficando cada vez mais inclinado.
Arremesso a pedra novamente, não ficando para ver o resultado, mas escuto o grunhido de um deles. Estão mais perto do que imaginei.
Não há como despista-los agora. Não há como me esconder sem que vejam, chegaram longe demais para que desistam de me matar, e eu não seria tão tonto a ponto de pensar que m querem vivo.
Sigo correndo pela floresta seguindo para a clareira em busca do sol. Se não estava tendo vantagem na floresta, na clareira não seria diferente, mas é o que o destino reservou para mim.
Não me atrevo a olhar para trás novamente e consigo sair da floresta apenas para encarar um penhasco a minha frente.
— Então vai ser assim? Sobrevivi dose anos na corte e onze na fronteira e vou morrer no meio do nada. — Solto uma risada grave e me viro para meus oponentes.
Três aparecem entre as árvores, vejo seus rostos cansados, cobertos com mascaras negras. Saco minha espada e a seguro com as duas mãos já que meu ombro dominante está machucado. Ainda com seus arcos em mão espero que se aproximem. Ir para cima seria meu pior erro.
Não há palavras trocadas. A primeira flexa acerta a lâmina da minha espada e eu recuo um passo. Há apenas dois com o arco. Minhas chances ainda são boas. Quando não lutei com três machucado no campo de batalha. Não poderia ser assim.
Solto um grito feroz, empunhando a espada. Faço a única coisa que sei. Avanço para matar.
Sinto a dor da flecha atingir minha cocha me desequilibrando. Um deles se aproxima empunhando a espada em minha direção, consigo desviar a lâmina, mas a força de seu golpe me empurra para trás.
Sinto meu corpo perder o peso enquanto minha espada escapa de minhas mãos. O mundo gira rápido demais. O céu se mistura à terra da montanha. E então a calmaria da água. Deixo-a me embalar.
Parte 1Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakHa Yon SunMe recosto na parede depois de me lavar e trocar de roupa. O tônico está repousando na bandeja do outro lado do quarto perto dos lençóis de Ttang Woo.Minhas mãos ainda estão tremendo depois de sentir seu corpo tão perto do meu.Mesmo que o toque todos os dias para trocar suas ataduras não me acostumei com o calor de sua pele. A sensação foi completamente diferente dessa vez. Seu corpo parecia atrai o meu, sua mão em minha volta era... na verdade não tenho palavra para isso, não é algo que eu tenha sentido ou visto.Meu corpo vibra inquieto. Me levanto e começo a organizar as ervas para as ataduras.Pensei que o evitar seria o bastante. Que poderia criar um murro entre nós até que fosse embora, mas um sentimento que cresceu da solidão ser completamente destruído em poucos dias é difícil.Eu ainda anseio pelo que não posso ter. Anseio por algo que nem ao menos vi, porque com toda certeza não é o que meu pai e minha mãe te
Parte 2Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakTtang WooLevanto a mão aos cabeços e os arrumo para fora do meu rosto. Eu nem cogitei a ideia de ser ajudado antes é a primeira vez que faço o pedido voluntariamente em muito tempo.— Está certa. Eu poderia... — deixo a frase em aberto porque não é o que eu quero. Mesmo que por alguns segundos desejo me inclinar sobre ela e passar meus braços ao seu redor. Quero sentir suas mãos pequenas e gentis tentando segurar o meu peso, enquanto sinto seu cheiro mais de perto.Quero abraçá-la.O pensamento cruza minha mente tão forte e obtuso que preciso segurar firme o conjunto em minha mão para que não caia sobre a madeira.Olho para o véu e não parece ter tido nenhuma alteração no momento.— Lhe ajudo quando terminarmos. Posso trocar suas ataduras depois disso.Ela estende a mão e pega mais um pouco de comida. Sua voz continua no mesmo tom sereno, mas percebi um leve tremor em sua mão.Está ficando cada vez mais fácil de observá-la, nunca
Parte 1Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakTtang WooHá algo diferente com a Yon Sun. Nesses dois dias ela tem seguido um padrão calculado demais. Acordar, comer, trocar minhas ataduras, me deixar sozinho quase o dia inteiro e depois comer, trocar ataduras e dormir.Ela tem se mantido distante quando está ao meu lado. Responde minhas perguntas, mas não faz nenhuma. Continua cuidando de mim, mas sinto que colocou um muro entre nós que não existia no primeiro dia.Posso entender seu afastamento. Eu sou um estranho em sua casa me aproveitando da sua boa vontade me deixando ser cuidado. Talvez se eu não tivesse o ferimento na minha perna conseguiria ficar em pé melhor e iria embora. Mesmo correndo perigo, não quero trazer eles aqui.No entanto não consigo ficar de pé corretamente e muito menos andar normalmente. Seria fácil sair da floresta montado no Lim, mas não conseguiria me defender se necessário. E por certo meus assassinos não estarão convencidos de seu sucesso até ver m
Parte 2Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakHa Yon SunDepois de colocar o pássaro no fogo, vou para o meu quarto. Ttang Woo ressoa suavemente nos lençóis, ele se afastou um pouco da entrada fugindo do sol.Seu cabelo está espalhado por todos os lugares e uma parte de seu tronco está exposta. Os músculos estão flexionados sobre....Desvio os olhos e me apresso para dentro do quarto. Pego algumas peças de roupas em tons mais escuros que tenho e algumas peças de baixo. Coloco tudo do lado de fora e seguro a corda em minhas mãos. Não sei exatamente por onde começar, mas preciso de suas medidas.Uma de suas pernas sai dos lençóis revelado músculos tensos e cicatrizes. Me aproximo tentando não fazer barulho e coloco a corda ao seu lado, memorizando quantos nós irie precisar. Seria melhor se eu tivesse feito isso com ele acordado.Subo para seus braços. Não vai ficar muito justo, mas eu posso ajustar depois que ele provar...Sua mão passa por sobre minha cabeça me segurando no luga
Parte 1Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakHa Yon SunSeguro o cesto contra minhas costas e me equilibro em um tronco de árvore. Minhas armadilhas ficam a uma boa distância de minha casa, para que não deixem rastros que possam ser seguidos. A primeira estava vazia, mas a segunda tinha um pequeno pássaro da região, um pequeno jokbakguri.Uma ave bonita com penas marrons, a primeira vez que matei um, chorei por quase uma semana, revivendo os minutos em meu pensamento. Eu já tinha visto minha mãe ordenar as outras empregadas a fazer, mas nunca tinha presenciado o momento de fato. Ela havia me ensinado a como dar um corte rápido e limpo diretamente no pescoço para que o animal não sofresse, tinha até ajudado a preparar alguns depois de mortos, no entanto a primeira vez foi traumatizante.Quase não comi, mas me forcei a fazê-lo, eu já havia tirado a vida do animal, precisava honrar sua carne. Com o passar do tempo foi ficando mais e mais fácil.A terceira armadilha tem um pequeno
Parte 2Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakTtang Woo— Você também é inconsistente. Suas roupas e armadura eram velhas e gastas, mas o conjunto do cavalo é completamente novo e parece caro com alguns bordados em seda vermelha. Você fala, tem a postura e a arrogância de um aristocrata, mas seu corpo é coberto de cicatrizes e musculoso como um soldado básico, até mesmo um bandido eu diria.Suas avaliações estão corretas. Ela também é observadora e não deixou nada passar.— Como alguém tão inteligente fez a tolice de acolher um homem e trazer para sua casa? — A pergunta escapa por meus lábios por pura curiosidade. — Eu sei que pedi, mas eu poderia ser um bandido. A pessoas horríveis pelo mundo e o que eu poderia fazer... — coisas que já vi acontecerem com mulheres, crianças, até mesmo outros homens.— Não pensei tão longe. — Suas mãos torcem a barra do véu levemente.— Imagino que não tenha. Sua mãe não lhe ensinou nada sobre o mundo? — Meu tom sai ríspido sem que eu ao menos e







