FAZER LOGINParte 2
Reino de Ttang, 1158, kaesong
A criança era muito pequena, menor do que deveria para um recém-nascido, quase não tinha cabelos, sinais claros que havia vindo antes do tempo certo. Ela possuía uma pequena marca de nascença em sua testa, uma pequena pinta branca do lado direito que seria facilmente escondido pelo cabelo, marca característica da família Ha. Ela abriu à boca e fechou a procura de comida.
Mu Min a aconchegou sobre seu peito e a sentiu sugar o leite. Ela olhou para o seu bebê e logo pode ver que não seria uma garota muito bonita, mesmo agora não era um bebê adorável. Magoada e humilhada por seu marido ela rogou pela divindade.
— Desculpe minha criança não vou poder vê-la crescer. — Lágrimas começaram a cair molhando ainda mais o tecido branco de sua camisa que já estava empapada de suor.
— Não diga tal coisa. — Gu Sook proferiu essas palavras usando uma linguagem e tom que nunca ousou antes com sua senhora, mas ela sabia que as palavras possuem poder. Dizer algo tão ruim descuidadamente não agradaria a divindade.
— É a verdade. Sinto que meu tempo acabou. — Gu Sook secou sua testa. — Sei que cuidará bem dela. Pegue-a. — Ela lhe entregou a criança. — Seu nome será Yang Mi. Ha Yang Mi. A primeira filha da casa de Ha.
Mu Min olhou uma última vez para sua pequena criança e sorriu fechando os olhos e então começou a se debater um pouco, a dor em seu ventre se intensificou forçando seus gritos ainda mais para fora de sua garganta. O médico mandou tirarem o bebê e logo começou a trabalhar, porém já era tarde demais, não havia nada que ele pudesse fazer.
— Ele se arrependerá disso por toda s-ua vida. — Ela parou para tomar uma lufada de ar ainda com os olhos fechados, seus lábios tremiam tanto de raiva quando de medo, a morte já a estava quase alcançando, mas ela não iria até proferir suas palavras. — Ele não t-terá um u-u-único dia de paz sequer por-porque a crian-ça também não terá. Eu rogo para as divindades existentes, não me importam boas ou más. —Suas palavras foram acompanhadas com uma batida forte nas janelas. O vento soprava do lado de fora insistindo em entrar.
Duas criadas gritaram e se afastaram da janela. As luzes das velas começaram a tremular.
— Minha senhora... — Gu Sook começou a chamar por Kim Mu Min. Ela sabia, todos sabiam que evocar a divindade com aquelas palavras não traria nada além de desgraça para todos eles.
— Ela fará ele pagar. Ele e aquela criada imunda. Eu usarei minha vida para isso. Uma maldição, eu peço. — O vento mais uma vez atacou as janelas. As criadas se ajoelharam no chão, elas começaram a implorar que sua senhora parasse. O som de suas mãos se esfregando mal poderia ser ouvido à cima do vento. — A criança será desejada por to-todos — Kim Mu Min cuspiu um filete de sangue, ela tentou conte-lo com sua mão, mas não adiantou. Abriu os olhos, seu olhar estava perdido, ela não via mais ninguém —, será sem-pre atormentada e levada por qual-quer estra-nho que ousar chegar per-to o bastante para ver seu rosto. Quero ver sua mãe sofrer. Quero que eles sofr-am pela perda de seu filho, mesmo com a criança viva... — Ela parecia querer dizer algo mais, porém mais um pouco de sangue escapou por seus lábios.
O médico olhou para as criadas com os olhos arregalados de medo. Gu Sook ainda mantinha a criança em seus braços, suas pernas tremiam contra sua voltada, fazendo todo seu corpo balança, mas não se mexeu.
O vento finalmente conseguiu romper as janelas. O som de sua batida conta as paredes ecoou pelo quarto trazendo algumas folhas que haviam caído no dia anterior, era o último dia de verão. As folhas dançaram na frente de todos. Fez alguns rodopios no quarto e pairou em cima de Hae Soo.
Ela estendeu a mão e agarrou uma folha em pleno ar. Ela sorriu.
— Prometa-me e minha alma será sua.
Todos no quarto não sabia o que fazer. As criadas não levantavam mais o rosto, apenas tremiam ajoelhadas no chão com medo demais até para fugir. O médico se se encostou a uma parede e fitava copiosamente a cena tentando entender o que estava acontecendo.
Gu Sook segurou a criança mais forte em seus braços.
Todos ouviram uma voz, baixa, feminina. Ela sussurrou: Eu aceito.
Então o braço de Mu Min caiu sem vida de volta a cama, sua mão ainda segurando a folha que agora tinha uma leve brilho e estava manchada por seu sangue. Seus olhos ainda abertos parecendo encarar algo além do teto. Ela havia partido.
O vento soprou mais uma vez levando a folha suja de sangue pela janela deixando todos aterrorizados, completamente imóveis como estatuas.
As folhas se afastaram do quarto não indo muito longe, tremulando na noite fria.
Ele encontrou o local na ala dos empregados da família Ha, uma mulher dava à luz, o bebê estava quase nascendo. Ele passou por Ha Cheol que estava sentado o mais confortável possível do lado de fora em sua liteira. Passou por Oh Ki Sung que sentiu um arrepio em sua coluna o que o fez segurar sua espada com um pouco mais de força. Oh Ki Sung é o guarda pessoal de Ha Cheol e estava a li para garantir que ninguém interviesse no parto e proteger Ha Cheol.
O vento entrou pela janela aberta.
A parteira teria mandado alguém fechar a janela, até mesmo teria fechado ela mesma se pudesse, mas eram apenas ela e Tong Sa Hui que gritava de dor nesse momento.
O vento espalhou todas as suas folhas pelo pequeno quarto, fazendo a folha suja de sangue pousar na barriga de Tong Sa Hui. Nenhuma das duas mulheres notou essa folha em especial, nem mesmo o brilho que pareceu sair dela e entrar em Tong Sa Hui, o bebê estava saindo, não era hora de distrações.
A criança chorou quando foi segurada pela primeira vez, mas logo parou se aconchegando nos braços da parteira.
— Qual é o nome dela? — perguntou à parteira. Ela pegou um pano e começou a limpará o rosto da criança, se aproximando de Sa Hui.
— Yon Sun. Ha Yon Sun.
Parte 1Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakHa Yon SunMe recosto na parede depois de me lavar e trocar de roupa. O tônico está repousando na bandeja do outro lado do quarto perto dos lençóis de Ttang Woo.Minhas mãos ainda estão tremendo depois de sentir seu corpo tão perto do meu.Mesmo que o toque todos os dias para trocar suas ataduras não me acostumei com o calor de sua pele. A sensação foi completamente diferente dessa vez. Seu corpo parecia atrai o meu, sua mão em minha volta era... na verdade não tenho palavra para isso, não é algo que eu tenha sentido ou visto.Meu corpo vibra inquieto. Me levanto e começo a organizar as ervas para as ataduras.Pensei que o evitar seria o bastante. Que poderia criar um murro entre nós até que fosse embora, mas um sentimento que cresceu da solidão ser completamente destruído em poucos dias é difícil.Eu ainda anseio pelo que não posso ter. Anseio por algo que nem ao menos vi, porque com toda certeza não é o que meu pai e minha mãe te
Parte 2Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakTtang WooLevanto a mão aos cabeços e os arrumo para fora do meu rosto. Eu nem cogitei a ideia de ser ajudado antes é a primeira vez que faço o pedido voluntariamente em muito tempo.— Está certa. Eu poderia... — deixo a frase em aberto porque não é o que eu quero. Mesmo que por alguns segundos desejo me inclinar sobre ela e passar meus braços ao seu redor. Quero sentir suas mãos pequenas e gentis tentando segurar o meu peso, enquanto sinto seu cheiro mais de perto.Quero abraçá-la.O pensamento cruza minha mente tão forte e obtuso que preciso segurar firme o conjunto em minha mão para que não caia sobre a madeira.Olho para o véu e não parece ter tido nenhuma alteração no momento.— Lhe ajudo quando terminarmos. Posso trocar suas ataduras depois disso.Ela estende a mão e pega mais um pouco de comida. Sua voz continua no mesmo tom sereno, mas percebi um leve tremor em sua mão.Está ficando cada vez mais fácil de observá-la, nunca
Parte 1Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakTtang WooHá algo diferente com a Yon Sun. Nesses dois dias ela tem seguido um padrão calculado demais. Acordar, comer, trocar minhas ataduras, me deixar sozinho quase o dia inteiro e depois comer, trocar ataduras e dormir.Ela tem se mantido distante quando está ao meu lado. Responde minhas perguntas, mas não faz nenhuma. Continua cuidando de mim, mas sinto que colocou um muro entre nós que não existia no primeiro dia.Posso entender seu afastamento. Eu sou um estranho em sua casa me aproveitando da sua boa vontade me deixando ser cuidado. Talvez se eu não tivesse o ferimento na minha perna conseguiria ficar em pé melhor e iria embora. Mesmo correndo perigo, não quero trazer eles aqui.No entanto não consigo ficar de pé corretamente e muito menos andar normalmente. Seria fácil sair da floresta montado no Lim, mas não conseguiria me defender se necessário. E por certo meus assassinos não estarão convencidos de seu sucesso até ver m
Parte 2Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakHa Yon SunDepois de colocar o pássaro no fogo, vou para o meu quarto. Ttang Woo ressoa suavemente nos lençóis, ele se afastou um pouco da entrada fugindo do sol.Seu cabelo está espalhado por todos os lugares e uma parte de seu tronco está exposta. Os músculos estão flexionados sobre....Desvio os olhos e me apresso para dentro do quarto. Pego algumas peças de roupas em tons mais escuros que tenho e algumas peças de baixo. Coloco tudo do lado de fora e seguro a corda em minhas mãos. Não sei exatamente por onde começar, mas preciso de suas medidas.Uma de suas pernas sai dos lençóis revelado músculos tensos e cicatrizes. Me aproximo tentando não fazer barulho e coloco a corda ao seu lado, memorizando quantos nós irie precisar. Seria melhor se eu tivesse feito isso com ele acordado.Subo para seus braços. Não vai ficar muito justo, mas eu posso ajustar depois que ele provar...Sua mão passa por sobre minha cabeça me segurando no luga
Parte 1Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakHa Yon SunSeguro o cesto contra minhas costas e me equilibro em um tronco de árvore. Minhas armadilhas ficam a uma boa distância de minha casa, para que não deixem rastros que possam ser seguidos. A primeira estava vazia, mas a segunda tinha um pequeno pássaro da região, um pequeno jokbakguri.Uma ave bonita com penas marrons, a primeira vez que matei um, chorei por quase uma semana, revivendo os minutos em meu pensamento. Eu já tinha visto minha mãe ordenar as outras empregadas a fazer, mas nunca tinha presenciado o momento de fato. Ela havia me ensinado a como dar um corte rápido e limpo diretamente no pescoço para que o animal não sofresse, tinha até ajudado a preparar alguns depois de mortos, no entanto a primeira vez foi traumatizante.Quase não comi, mas me forcei a fazê-lo, eu já havia tirado a vida do animal, precisava honrar sua carne. Com o passar do tempo foi ficando mais e mais fácil.A terceira armadilha tem um pequeno
Parte 2Reino de Ttang, 1177, outono. Montanha SongakTtang Woo— Você também é inconsistente. Suas roupas e armadura eram velhas e gastas, mas o conjunto do cavalo é completamente novo e parece caro com alguns bordados em seda vermelha. Você fala, tem a postura e a arrogância de um aristocrata, mas seu corpo é coberto de cicatrizes e musculoso como um soldado básico, até mesmo um bandido eu diria.Suas avaliações estão corretas. Ela também é observadora e não deixou nada passar.— Como alguém tão inteligente fez a tolice de acolher um homem e trazer para sua casa? — A pergunta escapa por meus lábios por pura curiosidade. — Eu sei que pedi, mas eu poderia ser um bandido. A pessoas horríveis pelo mundo e o que eu poderia fazer... — coisas que já vi acontecerem com mulheres, crianças, até mesmo outros homens.— Não pensei tão longe. — Suas mãos torcem a barra do véu levemente.— Imagino que não tenha. Sua mãe não lhe ensinou nada sobre o mundo? — Meu tom sai ríspido sem que eu ao menos e







