FAZER LOGINQuando Noah foi embora, Ayla permaneceu imóvel no jardim, o olhar perdido. Precisava de um plano.
Evitar o Alfa seria quase impossível, quando dois destinados ocupam o mesmo espaço, o mundo parece conspirar para aproximá-los. Ainda assim, ela lutaria com tudo o que tinha.
Porque encontrar Damon não significaria apenas ser vista.
Significaria o começo de um destino do qual talvez nunca mais conseguisse fugir.
A mãe de Ayla havia separado um vestido verde para ela. O tecido justo moldava-lhe o corpo com perfeição, realçando suas curvas, enquanto os detalhes dourados acrescentavam um ar de nobreza impossível de ignorar. A cor favorecia seus cabelos ruivos, presos em um meio-coque alto, com o restante solto, caindo pelos ombros em ondas indomáveis. Ayla estava deslumbrante. A mãe a observava com orgulho silencioso, satisfeita com o resultado, como se estivesse entregando ao mundo algo precioso demais para ser tocado sem cuidado.
Quando o relógio marcou oito horas, a campainha tocou. Noah apareceu à porta usando um terno branco impecável, com uma gravata verde que combinava perfeitamente com o vestido de Ayla. Juntos, pareciam um casal destinado, aos olhos de todos, eram a imagem perfeita de equilíbrio e amor. E, ainda que não fossem ligados pelo laço verdadeiro, gostavam-se o suficiente para permanecerem juntos, sustentando uma ilusão confortável.
O objetivo daquela noite era simples: passar despercebida. Ayla faria tudo o que estivesse ao seu alcance para evitar o Alfa Damon.
Ao entrarem no salão, foram engolidos por uma multidão de membros da alcateia. Até os mais pobres estavam presentes, embora fosse evidente o desconforto da realeza ao se misturar.
A divisão de classes era clara mesmo em um baile.
Em um canto estavam os Lycanos, jovens lobos adotados recentemente, com poucas posses e sempre tratados como forasteiros.
No centro, os Lycas, aqueles que nasceram e cresceram na alcateia.
E, na parte superior, a realeza observava tudo, distante, soberba.
Ayla não queria fazer parte daquele grupo de pessoas fúteis e egocêntricas. Observava os olhares carregados de desprezo direcionados às classes inferiores… e também a ela, por estar ao lado de Noah.
Embora ele fosse o braço direito do Alfa e visto como parte da elite, sua origem Lycas nunca era esquecida pelos verdadeiros nobres.
Noah estava radiante naquela noite. Havia esperado por aquele momento mais do que gostaria de admitir, finalmente apresentaria a mulher que amava ao seu melhor amigo. Durante anos falara de Ayla em conversas casuais, em reuniões, em treinos, até mesmo nas noites mais difíceis, quando Damon questionava se algum dia encontraria sua própria companheira.
O Alfa já não suportava mais ouvir sobre ela… e, ainda assim, carregava uma curiosidade silenciosa para conhecer a loba que fora capaz de roubar o coração inabalável de seu Beta.
Mas, durante todo o baile, Damon não apareceu.
Quando os conselheiros vieram buscar Noah, a notícia caiu como uma pedra em seu peito: o Alfa estava muito mal e talvez não conseguisse descer ao salão. A preocupação tomou conta dele imediatamente. Não apenas pelo líder…, mas pelo amigo que considerava um irmão. A ideia de não poder fazer aquela apresentação naquela noite trouxe uma pontada de frustração, queria que Damon visse com os próprios olhos a felicidade que ele havia encontrado.
Ayla decidiu caminhar pelo salão. Daphine estava inquieta dentro dela, reagindo a algo que não conseguia ignorar. A sensação era sufocante, quase dolorosa. A presença do seu destinado estava ali. O ar parecia pesado demais para seus pulmões. Sem pensar, Ayla correu, buscando qualquer lugar onde pudesse se esconder.
Encontrou uma pequena sala e entrou apressada, fechando a porta atrás de si. Suspirou aliviada por um breve segundo, acreditando estar sozinha, longe daquela sensação inebriante de desejo que parecia sugar o ar do salão inteiro.
Então sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando percebeu uma respiração quente atrás de si.
Ayla fechou os olhos no instante em que um hálito escaldante tocou seu pescoço, enviando uma onda de calor direto até o centro de suas pernas.
— Finalmente te achei — uma voz grave e rouca sussurrou em seu ouvido, carregada de fome e alívio. — Minha Luna.
Ela se afastou rapidamente e virou-se para encará-lo, embora seu corpo já soubesse. A atração era esmagadora, quase violenta, como se o ar entre eles tivesse se transformado em algo vivo e exigente. Seus joelhos fraquejaram. A Bruma adormecida dentro dela despertou com fúria, fazendo seu ventre pulsar e a pele formigar.
— Não sei do que está falando — respondeu, chocada, quase paralisada. Sua voz saiu mais fraca do que gostaria. — De qualquer forma… com licença.
— Você não vai a lugar nenhum.
Damon segurou seu braço com firmeza, mas sem machucar, e a fez virar completamente. No momento em que seus olhos se encontraram, o mundo pareceu desaparecer. A falta de ar foi intensa, quase dolorosa. Os olhos de Ayla brilharam em um roxo vibrante e profundo; os dele, em um dourado ardente, primal. O vínculo pulsou entre eles como um coração vivo, puxando, exigindo, queimando.
Damon soube naquele instante que havia encontrado sua Luna. A presença dela o invadiu como oxigênio após o afogamento, sua força retornava, seu poder se reacendia, quente e vivo. Ele nem sequer havia descido ao baile. Estava isolado naquela sala, enfraquecido, até que o cheiro dela o atraiu como um ímã irresistível.
— Por que estava se escondendo de mim? — Damon quebrou o silêncio, a voz baixa e carregada de fascínio quase reverente. — Você é… perfeita.
Ele ergueu a mão e acariciou o rosto dela com os dedos. Ayla permaneceu em transe. Sua mente gritava para que se afastasse, mas seu corpo traía cada ordem, inclinando-se levemente para o toque. Os dedos dele deslizaram devagar por sua boca entreaberta, roçando o lábio inferior, descendo pela linha do pescoço, explorando as bochechas salpicadas de sardas e os fios ruivos soltos, como se quisesse decorar cada detalhe com as mãos.
O toque era fogo puro.
— Minha família sempre foi pequena, mas cheia de amor. Minha mãe era a pessoa mais paciente que conheci, sempre me incentivando a ser eu mesma. Meu pai... ele era forte e protetor, mas sempre fazia questão de mostrar o quanto me amava. Eu aprendi muito com eles. Depois que me transformei pela primeira vez, tudo mudou, mas os momentos que tivemos juntos antes disso são os que guardamos com mais carinho.Damon a observou atentamente, absorvendo cada palavra, como se pudesse visualizar as memórias dela.— E você, Damon? — Ayla perguntou, pousando o garfo suavemente no prato. — Como foi a sua infância?O olhar de Damon escureceu levemente, mas ele apareceu sereno.— Não foi fácil, — começou, com a voz mais baixa. — Desde pequeno, fui preparado para ocupar o lugar do meu pai como Alfa. Não havia tempo para brincadeiras ou diversão. Tudo era treino, responsabilidade e aprendizado. Cresci carregando um peso que nunca pude largar.Ayla manteve o olhar fixo nele, a expressão cheia de compreens
Damon entrelaçou seus dedos com os dela, puxando-a gentilmente para que seguissem em direção à noite misteriosa que os aguardava. O coração de Ayla batia mais rápido, mas ela não sabia se era por causa da surpresa que viria ou por causa de Damon e sua maneira única de fazê-la se sentir especial.Damon dirigiu Ayla até seu carro, uma Porsche preta reluzente, com faróis dourados que lembrava os olhos de Apolo quando em sua forma lupina. Ele abriu a porta do passageiro com conforto, gesticulando para que Ayla entrasse.— Sua carruagem a aguarda, minha Luna — disse ele, com um sorriso travesso que fez Ayla rir levemente.Ela entrou, ajustando o vestido e lançando um olhar curioso para ele. Damon fechou a porta com cuidado, contornou o carro e entrou pelo lado do motorista. Quando o motor rugiu, o som profundo reverberou como um prelúdio da noite que prometia ser inesquecível.Conforme dirigiam para longe da mansão, o silêncio confortável entre eles foi preenchido pela melodia suave que to
– Sim. Alguns lobos possuem dons especiais, habilidades únicas que vão além das normais — Damon cruzou os braços enquanto conversavam. — Por exemplo, o meu dom é caça. Eu consigo sentir o cheiro de presas a distâncias absurdas, muito mais forte do que qualquer outro lobo. É útil, mas tem suas Desvantagens.— Desvantagens? — Ayla perguntou, curiosa.— Apolo, meu lobo, é extremamente temperamental por causa disso — Damon admitiu com um sorriso torto. — Ele adora caçar e fica impaciente quando estamos parados por muito tempo. Além disso, ele é muito forte, o que pode ser... um desafio em algumas situações.Ayla riu suavemente, a visão de Damon falando sobre seu lobo de forma tão franca a deixou mais à vontade.— Você acha que minha conexão com as flores pode ser um dom da minha loba? — Disse ela, pensativa.Damon concordou, observando-a com interesse.— Pode ser. Talvez sua loba tenha uma habilidade de conexão com a natureza, algo que permite que ela influencie no crescimento ou na saúde
Após o banho revigorante, Damon vestiu-se com uma camisa branca que acentuava seus ombros largos e uma calça escura que moldava suas pernas musculosas. Decidido a encontrar Ayla, possivelmente nos jardins da mansão. Ao chegar, avistou-a entre as flores, os seus dedos delicados cuidando de algumas mudas com uma ternura que o cativou. O sol iluminava seus cabelos ruivos, criando um halo dourado ao redor de sua figura. Ela estava tão absorta em sua tarefa que não percebeu a presença dele. Damon ficou parado, observando-o com um sorriso suave nos lábios, admirando a serenidade e a beleza de sua Luna, sentindo-se profundamente conectado a ela.Damon apareceu parado, os braços cruzados enquanto observava Ayla com atenção. Seus dedos delicados acariciavam as pétalas de uma flor recém-desabrochada, e ele notou como o jardim parecia mais vivo desde que ela começou a cuidar dele. O pensamento surgiu como uma faísca: "Será que ela tem um dom especial para isso?”. O jardim nunca esteve tão florido
Ele a olhou por um momento, os olhos dourados suavizando-se enquanto a puxava para um beijo breve, mas intenso.— O treinamento de conexão vai ficar para outra hora — ele murmurou contra os lábios dela, um sorriso travesso surgindo em seu rosto.Ayla revirou os olhos, tentando disfarçar o rubor em suas bochechas.— Você sabe que vou cobrar isso, certo?Damon riu baixinho, sua mão deslizando pela lateral do braço dela antes de se afastar.—Eu conto com isso.Com uma última troca de olhares, Damon avançou junto com o jovem lobo pelo corredor, sua postura imponente e confiante como sempre. Ayla ficou onde estava, observando enquanto ele se afastava, uma mistura de orgulho e frustração preenchendo seu peito.Agora sozinha, ela soltou um suspiro longo e passou uma mão pelos cabelos, tentando controlar o turbilhão de emoções que sentia.— Como é difícil ser a Luna de um Alfa — murmurou para si mesma antes de se virar e caminhar lentamente de volta para seu quarto.Enquanto isso, Damon segui
De repente, Damon simulou um golpe contra ela e a puxou para mais perto, segurando sua cintura para estabilizá-la. Seus olhos se encontraram e a respiração dos dois ficou mais ofegante, Damon olhou em direção a boca de Ayla, que o respondeu mordendo seus lábios inferiores.— Você é incrível, sabia? — disse ele, seu tom rouco enquanto olhava os lábios dela— Damon, não estamos no meio do treino... — Ayla sentiu seu coração disparar.— Treino de conexão, talvez. — Damon chegou mais pertoAntes que ela pudesse responder, ele a beijou, um beijo intenso e cheio de desejo acumulado. Ayla não resistiu, passando os braços ao redor do pescoço dele. O calor entre os dois parecia consumir tudo ao redor, seus corpos suados se tocando, Damon segurou mais firma a cintura de Ayla e subiu sua mão até seu pescoço o segurando, enquanto mordia o lábio inferior dela, que respondeu com um gemido baixo, o que o fez sentir mais vontade de beija-la. Quando se afastaram, ofegantes, Damon sorriu, o rosto a cen







