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96 - Invasores

last update Fecha de publicación: 2025-12-17 06:54:16

ARTHUR VASCONCELOS

O sangue gelou nas minhas veias. Não por causa das acusações de Camila, eu lidaria com o ódio dela depois, mas pelo nome que ela pronunciou.

Felipe deveria estar morto. Ou, na pior das hipóteses, congelando em algum buraco na América do Sul, longe demais para causar problemas.

Se ele estava em Londres...

Se ele estava em Kensington Gardens...

E se ele conseguiu se aproximar de Camila sem que minha equipe de segurança interceptasse...

Merda.

Disquei o número de Russo, m
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Último capítulo

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    CAMILA NOGUEIRA SEIS ANOS DEPOIS SÃO PAULO, BRASIL – NOITE DE NATALNossa mansão no Jardim Europa estava iluminada como um farol dourado. As portas de vidro da sala de estar estavam abertas para o jardim, onde as luzes pisca-pisca se entrelaçavam nas palmeiras e nas jabuticabeiras. — Papai! O Matteo está tentando abrir os presentes antes da meia-noite de novo! A voz de Hope, agora com seis anos e meio, cortou o som de Jingle Bell Rock que tocava ao fundo. Ela entrou na sala correndo, com os cabelos negros soltos e um vestido de veludo vermelho, os olhos brilhando com a indignação de quem leva as regras do pai muito a sério. Arthur, que estava sentado no tapete da sala, ergueu os olhos. Ele estava com uma calça bege e uma camisa branca com as mangas dobradas, descalço, segurando um boneco de ação que precisava de pilhas. — Matteo. — Arthur advertiu, mas o sorriso no canto dos seus lábios traía a sua falsa severidade. — O que nós combinamos sobre a ansiedade? Matteo, nosso garoti

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    CAMILA NOGUEIRA ​LONDRES – HOSPITAL ST. MARY'SLá fora, a chuva de Londres continuava a cair. ​Eu estava sentada numa poltrona desconfortável ao lado da cama, os meus olhos ardendo de exaustão e de tanto chorar, mas recusava-me a fechá-los. A minha mão segurava a de Arthur. A mão dele estava cheia de arranhões, os nós dos dedos esfolados e arroxeados pela violência com que ele lutou pela minha vida. ​Ele estava pálido. Os médicos disseram que foi um colapso físico total. A perna dele, que foi machucada no acidente meses atrás e que ele forçou além do limite para subir aquela passarela, estava imobilizada novamente. O ombro direito, deslocado no impacto contra a grade com Anabela, tinha sido colocado no lugar. Arthur tinha operado no limite da adrenalina e do desespero por quatro dias seguidos, sem dormir, sem comer, movido apenas pela obsessão de nos encontrar. ​Olhei para o sofá no canto do quarto. Zoe estava lá, dormindo numa posição impossível, com a cabeça apoiada no braço do

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    ARTHUR VASCONCELOS Estacionei o carro a cem metros da entrada do antigo moinho. O vento soprava forte vindo do rio, agitando a barra do meu sobretudo preto. Verifiquei a arma no coldre nas minhas costas e a faca presa na minha perna. Respirei fundo o ar salgado e entrei no prédio. Olhei para cima. Havia uma passarela de metal enferrujado que circulava o saguão principal, cerca de cinco metros acima do chão. E lá estavam eles. Camila estava amarrada a uma cadeira, com uma mordaça de pano na boca. Seus olhos estavam arregalados, vermelhos de chorar, e quando me viram, o pânico neles se transformou em um desespero urgente. Ela tentou gritar, mas o som saiu abafado. Ao lado dela, num carrinho de bebê sujo, estava Hope. Anabela estava em pé ao lado de Camila, segurando uma taça de champanhe como se estivesse em uma galeria de arte. E Felipe estava um pouco atrás, segurando uma pistola apontada para a cabeça de Camila. — Bem-vindo à festa! Você foi pontual. Gosto disso. — S

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    ARTHUR VASCONCELOS Quatro dias. Esse foi o tempo exato desde que o mundo acabou. Eu não sentia mais o meu ombro. A dor da cirurgia recente, dos pontos repuxando a carne rasgada pela bala, havia se tornado um ruído de fundo. O apartamento em Kensington havia se transformado em um centro de comando improvisado. As janelas quebradas foram tapadas com compensado, bloqueando a luz do dia. Monitores brilhavam na escuridão, lançando luz azul sobre os rostos exaustos da minha equipe. Russo estava ao meu lado, digitando furiosamente em um laptop. Ninguém dormia. Se eu fechasse os olhos por um segundo, eu ouvia o grito de Camila. Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer arranhar minha pele. Eu estava me desintegrando. A cada hora que passava, as estatísticas gritavam na minha cabeça. Após 48 horas, as chances de recuperação caem para 50%. Após 72 horas... Eu não permitia que meu cérebro completasse essa frase. Camila estava viva. Eu sabia disso. Ela era minha. E o unive

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    CAMILA NOGUEIRA O tempo perdeu o sentido na escuridão daquele furgão. Poderiam ter sido minutos ou horas. A única medida de tempo era o ritmo acelerado do meu coração e a respiração curta de Hope contra o meu peito. Felipe estava sentado à minha frente no banco de metal do veículo em movimento, iluminado apenas pelas luzes ocasionais dos postes que passavam pelas frestas da lataria. Ele mantinha a cabeça baixa, as mãos inquietas brincando com a trava da pistola que ele claramente não sabia usar direito. Finalmente, o veículo parou. A porta lateral correu com um rangido metálico agressivo, e o ar frio e úmido da noite invadiu o espaço, trazendo consigo o cheiro de mofo, rio e decadência industrial. — Saiam — ordenou um dos mascarados, puxando-me pelo braço. Tropecei para fora, protegendo a cabeça de Hope. Olhei ao redor, tentando identificar onde estávamos. Parecíamos estar nos fundos de um complexo antigo, talvez uma fábrica abandonada ou um daqueles armazéns esquecidos nas docas

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