INICIAR SESIÓNNyla
Ronan encara a mim e meu pai com uma expressão firme. Meu pai solta meu pulso e se transforma em um homem amoroso com sua filha, algo que me surpreende, já que nunca recebi nada disso vindo dele.
Hallstein me abraça com força, acho que é mais como um aviso da ameaça que ele é do que pelo fato de que estamos nos despedimos.
“Se cuide, minha princesa.”
Quantas vezes ouvi ele chamar Sybella dessa maneira e sentir inveja. Agora, ouço em seu lugar e tudo o que eu quero é poder destruí-lo, transformar seu reinado de dor e sofrimento em cinzas.
Ronan me observa e sei que agora uma etapa dessa nova vida começa. Preciso sempre ficar em alerta.
Meu marido estende o braço para mim e esse simples ato transforma meu estômago em um salão de tango para as borboletas que existem dentro de mim.
Nos despedimos dos convidados de forma educada e calorosa. Quero tentar prolongar isso apenas para não querer ficar sozinha com ele, entretanto, tudo isso é rápido e em um piscar de olhos estamos dentro do carro.
É uma limusine luxuosa preta. A divisória com o motorista está levantada, nos concedendo total privacidade.
A primeira coisa que faço ao ficarmos sozinhas dentro da limusine é retirar os saltos altos que estão me machucando.
Ronan está sentado de frente para mim e observa cada movimento que faço.
“O que foi?” indago com irritação na voz, igual a Sybella faria.
Ele retira o paletó e arregaça as mangas da camisa social. Consigo ver agora com mais clareza o seu porte físico. Seus braços são definidos e fortes.
Um calor domina o meu corpo, principalmente por entre as minhas pernas, quando observo ele desabotoar os primeiros botões da camisa.
Meu marido é muito gostoso.
“Parece que você está agindo um pouco fora do comum, esposa.” Ronan diz com a voz rouca que arrepia minha nuca.
Uma risada curta e fria escapa de mim. Preciso manter a descontração que Sybella sempre tem.
“Deve ser porque hoje é um dia fora do comum, marido. Ou você se casa todo final de semana?” provoco.
“Você dá respostas bem afiadas, igual fez das duas outras vezes que nos vimos, só que há algo... o seu coração, os batimentos...” Ronan analisa com calma.
Seus olhos percorrem meu corpo de uma maneira que me deixa com a sensação de que ele está me despindo.
“É o agito do dia de hoje, ansiedade de agora ser uma mulher casada. No auge da minha idade,” zombo com humor ácido.
Tenho vinte e um anos e já estou casada com um homem que não sabe sequer meu nome.
Ronan fica em silêncio e seu olhar desvia do meu. Sinto que o assunto se encerrou por agora, mas um novo começa a surgir.
Nossa lua de mel.
***
Estamos na praia, especificamente em uma ilha. Isolados de tudo e de todos, somente eu, Ronan e alguns funcionários.
Sei o que preciso fazer, só não sei se estou de fato preparada. Saber o caminho não torna mais fácil dar o primeiro passo, principalmente quando não existe volta depois dele.
“Quer ajuda para retirar o vestido?” Ronan se oferece atrás de mim.
O nervosismo me faz quase ter um sobressalto com a sua pergunta. Porém, eu aceito a sugestão. Minha voz não sairia firme se eu tentasse negar, então apenas permito.
Afasto dos ombros os meus cabelos soltos, em instantes sinto em meu pescoço os dedos do Ronan roçarem minha pele. O toque é leve, mas suficiente para fazer cada músculo do meu corpo se enrijecer em alerta.
“Qual é a justificativa agora do seu coração estar igual ao de um beija-flor, esposa?” Ronan sussurra perto de mim.
Ele vai descobrir só porque meu estúpido coração não sabe bater direito.
É irritante a forma como meu corpo insiste em me trair justamente quando eu mais preciso parecer no controle.
Resolvo não o responder, endireito os ombros e foco somente em sentir seus dedos desabotoando o vestido.
Ele faz isso devagar, se demorando de propósito. Como se estivesse saboreando a minha tensão. Como se soubesse exatamente o efeito que causa em mim.
“Seu cheiro está ficando mais suave, sabia?” Ele murmura e seu hálito me arrepia. “Gosto dele assim, é diferente.”
Assim que ele termina de desabotoar o meu vestido, eu seguro pela parte de frente, somente para não cair no chão, me deixando nua.
Por um instante, permaneço imóvel, sustentando o tecido contra o corpo como se aquilo ainda pudesse me dar algum tipo de proteção.
Me viro para encará-lo, abro um sorriso malicioso ou pelo menos tento. Não sei se consigo parecer convincente, mas preciso tentar.
“O que está acontecendo, marido? Quer tanto uma outra mulher que não consegue se contentar comigo?” Provoco. “Não precisa se deitar comigo essa noite se sua mente busca por outra, não sou ciumenta.”
Deixo o vestido cair em meus pés. Sybella sempre foi provocativa, sabendo levar todos aos limites. Ronan não vai ser diferente, ele é um homem. Homens são fáceis de serem manipulados se eu souber usar as cartas certas.
Pelo menos é isso que eu preciso acreditar agora.
Ele, por sua vez, se aproxima de mim e suas mãos, de forma ágil, agarram a minha cintura. Ele me conduz para a cama e, em um movimento rápido, caio nela e ele fica por cima de mim.
Tudo acontece depressa, sem espaço para que eu recupere o ar ou reorganize os pensamentos.
Ouço um rosnado surgir da sua garganta. Não é um rosnado que me dá medo, na realidade, sinto novamente algo esquentar por entre minhas pernas e subir até meu ventre.
Meu corpo reage de um jeito que me irrita, me confunde e me expõe.
“Eu quero a verdade e eu sei que você não é a Sybella Garden.” Ronan declara com a voz rouca e seus olhos firmes em meu rosto. “Seus olhos são acinzentados, Sybella tinha olhos azulados.”
Suas mãos prendem meus pulsos para cima, me imobilizando ainda mais. O peso do corpo dele sobre o meu, o calor da sua pele e a firmeza com que me segura me deixam sem rota de fuga, sem desculpa, sem tempo.
“Quem é você... esposa?” Ele rosna a pergunta.
QUATRO ANOS DEPOISQuatro anos.Às vezes, ainda parece estranho pensar em quanto a minha vida muda em tão pouco tempo.Se alguém me dissesse, quando eu ainda vivia escondida atrás do nome de Sybella, que um dia eu estaria aqui, sentada na varanda da minha própria casa, ouvindo meus filhos discutirem sobre quem encontrou primeiro uma concha na areia, eu provavelmente teria rido.Talvez nem sequer acreditasse.Minha vida nunca foi minha de verdade durante muito tempo.Eu cresci acreditando que preciso sobreviver a cada dia. Aprendi a abaixar a cabeça, a aceitar ordens, a esconder quem sou e, principalmente, a não esperar nada de bom do futuro.Agora, olhando para tudo o que construímos, percebo que a vida consegue ser surpreendente de maneiras que nem mesmo a minha imaginação seria capaz de alcançar."Robin! Você pegou a minha!"A voz de Liliane atravessa a varanda e me faz fechar os olhos por um segundo.Respiro fundo. Lá está. A paz que tanto desejo. Ou quase."Eu não peguei!" Robin g
Nyla A festa começa com música, risadas e o cheiro delicioso de comida espalhado pela brisa do mar.As mesas estão distribuídas perto da areia, decoradas com flores claras, conchinhas, velas protegidas por pequenos vidros e tecidos leves que se movem com o vento. Lanternas penduradas entre as árvores iluminam tudo com um brilho dourado e suave, como se a própria ilha tivesse decidido celebrar conosco.Olho ao redor e sinto meu peito se encher.Lobos, feiticeiros, crianças, antigos mercenários, pessoas da ilha e da antiga Montanha Solitária estão todos juntos. Alguns dançam perto do píer. Outros comem, conversam, riem, brindam. Não existe medo no ar. Não existe tensão. Existe apenas uma felicidade barulhenta, viva, quase inacreditável.Por muito tempo, achei que nunca faria parte de algo assim.Agora estou no centro disso.Com um vestido de noiva, uma aliança no dedo e Ronan segurando minha mão como se não quisesse me soltar nunca mais.“Você está quieta.” Ronan comenta perto do meu o
NylaUma batida na porta nos tira daquele momento íntimo e faz meu coração acelerar de imediato. Sinto minhas mãos quase suarem enquanto a realidade me alcança de uma vez só. Está na hora.“Já estamos prontos, luna Nyla.” Kylan informa da porta.Ele abre um pouco mais e pisca, surpreso ao me ver. Por um instante, fica sem reação. Então um sorriso largo se abre em seu rosto.“Está lindíssima, luna Nyla.” Ele elogia.Sinto o rosto aquecer.“Obrigada, Kylan.”Mamãe se coloca ao meu lado e estende o braço para que possamos sair do quarto já na posição correta.Eu olho para o gesto dela e depois para seu rosto, e a emoção volta com força, preenchendo meu peito de um jeito que quase me faz perder o fôlego.É ela quem vai me conduzir até Ronan. Não um pai que me usa, nem uma família que me rejeita, mas minha mãe, a mulher que me ama antes de qualquer título, antes de qualquer poder, antes de qualquer destino.Seguro seu braço com cuidado, sentindo naquele simples toque tudo o que ela represe
Nyla“O que será que esse casamento vai trazer para nós?” Kaede questiona, ansiosa e animada.“Só espero que não seja mais nenhuma nova entidade. Aqui já está ficando muito cheio.” Willa comenta, humorada.Solto uma risada baixa, tentando não mexer demais o rosto enquanto Gabe passa mais um toque de cor em meus lábios.“Vai trazer fortalecimento, confiança, amor e quem sabe alguns filhotinhos?” sugiro, esperançosa.O silêncio que vem dentro de mim é imediato.Depois sinto as duas se emocionarem.Kaede tenta esconder primeiro, mas não consegue. Willa se aquece como se tivesse recebido uma promessa antiga. E eu também me emociono. A ideia de ter filhos com Ronan ainda parece grande demais, delicada demais. Mas já não me assusta como antes. Imaginar uma criança com o sorriso dele, talvez com meus olhos, talvez com magia correndo no sangue, talvez com um lobo interior cheio de personalidade, faz meu peito se encher de uma esperança tão doce que quase dói.“Acredito que está tudo pronto.”
NylaSEIS MESES DEPOIS“Nossa, você está a noiva mais linda que eu já vi!” Junny comenta, emocionada, enquanto coloca meus sapatos próximos de mim para que eu possa calçá-los.A voz dela vem carregada de uma alegria tão sincera que meu coração aperta.Estou sentada diante do espelho grande do quarto, cercada por tecidos claros, pequenas caixas de acessórios, flores delicadas e aquela agitação suave que só existe antes de algo muito importante acontecer. O ar está perfumado com óleo de flores, maresia entrando pela janela aberta e um pouco da magia leve que Gabe usa para manter alguns detalhes no lugar.Mamãe está atrás de mim, finalizando mais alguns enfeites presos em meu cabelo. Os dedos dela se movem com cuidado, quase com reverência, ajeitando cada mecha como se estivesse tocando algo precioso. Gabe está ao meu lado, ajustando os últimos detalhes da maquiagem com uma concentração séria demais para alguém que insiste em dizer que não se emociona com essas coisas.Junny se ajoelha p
NylaFico sem palavras enquanto meus olhos se enchem ainda mais de lágrimas. A única coisa que consigo fazer é confirmar com a cabeça, primeiro uma vez, depois outra, como se ainda precisasse garantir que aquilo é real. Ronan solta uma respiração trêmula, como se estivesse prendendo o ar desde o começo do jantar, e então coloca a aliança no meu dedo com cuidado.Quando o anel se encaixa, sinto meu coração transbordar de uma forma que nunca experimentei antes. Não é apenas uma joia. É uma escolha. É uma promessa. É um recomeço. Sem conseguir conter a emoção, me inclino para frente e o beijo.Ronan ri contra a minha boca quando quase o derrubo no chão. Seguro seu rosto entre minhas mãos e beijo seus lábios com toda a emoção que não consigo transformar em palavras. Ele me abraça pela cintura, me puxando para perto, e o vínculo entre nós se ilumina de um jeito tão forte que sinto Willa chorando dentro de mim.Kaede está quieta.Mas sua emoção também me alcança.Minha mãe bate palmas anima







