LOGINParte 92...MiranEu estava andando de um lado para o outro no corredor havia um bom tempo.— Se continuar assim, vai abrir um buraco no chão — disse Mert. — Já tem uns quarenta minutos, rapaz.Parei.— Estou pensando.Elif riu.— Você já passou pela mesma porta umas doze vezes.— Treze — corrigiu Derya. — Eu contei.Firat estava encostado na parede, segurando o café que já devia estar frio.— Nunca imaginei ver Miran Karahan desse jeito.— Você não viu nada — Kemal comentou.— Desse jeito como? — olhei pra ele.— Com medo.— Minha mulher está lá dentro.— Nós sabemos — respondeu Elif. — Você já disse isso umas vinte vezes.Mert se levantou e veio até mim.— O médico mandou você esperar.— Eu sei.— Então espera.— Eu estou esperando.— Você está andando e deixando todos ansiosos.— É o meu jeito de esperar.Derya cruzou os braços.— Se ele andar mais um pouco, o hospital vai mandar cobrar o piso.Firat e Kemal começaram a rir. Eu não tinha paciência para nenhum deles agora. Minha cab
Parte 91...ZeynepAlguns meses passaram sem que eu percebesse. Foi tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que eu mal tive tempo para respirar direito. Especialmente com Miran.A mansão que Aras queria a restauração finalmente ficou pronta. A última janela foi instalada numa manhã de sol, e Derya passou quase uma hora conferindo cada detalhe como se estivesse inspecionando uma obra que seria apresentada a um rei. E como sempre, reclamando de mim porque troquei algumas peças na sala principal.Os primeiros eventos do empreendimento de Aras aconteceram nas semanas seguintes. A inauguração foi um sucesso, os convidados ocuparam os jardins, o restaurante improvisado ficou cheio e, por alguns dias, Safranbolu voltou a falar de outra coisa que não fosse os problemas das famílias Karahan e Kaya.Quando o outro escândalo explodiu, dessa vez eu não era o centro da fofoca e sim a vítima. Não me importei com isso. Eu fui mesmo e quem deve ter vergonha é minha família, não eu.Yarin teve uma cri
Parte 90...ZeynepNa manhã seguinte, eu estava no escritório quando meu telefone tocou. Olhei a tela. Era Aylin. Suspirei e me preparei. Atendi.— Bom dia.— Zeynep... você está sozinha?Olhei para Derya, que estava do outro lado da sala conferindo alguns documentos.— Estou. Pode falar.A voz dela demorou alguns segundos para sair.— Eu queria pedir desculpas.Fiquei em silêncio.— Não apenas pelo que aconteceu agora — continuou ela. — Pelo que aconteceu anos atrás. Eu julguei você sem ouvir sua versão... Acreditei no que me disseram porque era mais fácil acreditar que meu filho tinha sido enganado do que aceitar que eu poderia estar errada sobre tudo.Engoli em seco. Não esperava por isso.— A senhora não precisa fazer isso.— Preciso, sim.A voz dela tremeu.— Eu deveria ter procurado você. Deveria ter perguntado o que aconteceu... foi tudo tão estranho. Em vez disso, tratei você como se fosse responsável por uma dor que também era minha. E depois, quando você voltou, eu continuei
Parte 89...MiranEu esperei Zeynep dormir antes de sair do quarto. Fiquei alguns segundos olhando para ela. Depois de tantos anos, depois de tudo que tinha acontecido entre nós, eu ainda tinha dificuldade para acreditar que ela estava ali. Não queria acordá-la. Não queria levar para aquela cama mais uma noite de tensão, medo ou lembranças ruins.Peguei o telefone e saí. Kemal atendeu antes do terceiro toque.— Estou indo para o escritório.— Eu já estou aqui.— E falou com Aras?— A caminho também.Desliguei. Quando cheguei, Kemal estava diante de uma mesa coberta por pastas. Aras já tinha chegado. Mert estava junto à janela, de braços cruzados. Parei na porta.— Mert? — franzi a testa.Ele se virou.— Eu vim porque quero participar.Deixei o casaco sobre a cadeira.— Isso não é uma briga de família.— Eu sei. — Mert se aproximou da mesa. — É justamente por isso que estou aqui. Quando soube que aquele canalha tinha armado para os pais de Zeynep, só piorou minha opinião sobre ele.Kem
Parte 88...ZeynepMiran continuou me olhando como se eu tivesse dito algo fora do comum. Passei os dedos pela barba curta, pela linha da mandíbula, como se precisasse confirmar que ele estava realmente diante de mim. Nem eu acredito que ele disse que me ama. Ele fechou os olhos quando meus dedos tocaram sua têmpora.— O que foi?— Nada. — deu um leve sorriso.— Você está com essa cara há uns cinco minutos.— Estou tentando não estragar o momento.Soltei uma risada pequena.— Você sempre foi péssimo nisso.Ele abriu os olhos.— Eu sei disso.— Você está tremendo.— Nós dois estamos.Era verdade. Eu ri outra vez, mas dessa vez a risada morreu rápido. Meu peito apertou.— É estranho não é? — franzi a testa.— O quê? — ergueu um pouco a cabeça.— Ter você tão perto.— Posso me afastar se quiser.Segurei sua camisa.— Hum, hum... não.— Então vem cá.Ele puxou meu rosto e o beijo começou devagar e terminou diferente. Minhas mãos foram para a nuca dele. As dele seguraram minha cintura com
Parte 87...MiranNessa noite, Zeynep não conseguiu dormir. Eu também não. Ela estava sentada na cama, lendo os documentos, página após página. Tudo o que Kemal conseguiu juntar.Não chorava, o que era até pior. Às vezes parava, respirava fundo e voltava. Quando chegou aos registros das contas, fechou os olhos.— Ele vendeu parte das terras de imediato.— Foi. Dividiu em partes pra ficar mais seguro.— E colocou o dinheiro onde?— Em empresas ligadas a ele, pagou dívidas, fez outras... Halit não parou.Ela passou a mão pelo rosto.— Então, tudo que ele fez depois da morte deles... foi construído sobre o controle que ele tinha sobre você.Ela fechou a pasta.— Eu quero ir até ele.— Não hoje, Zeynep. Está tarde, você está nervosa. E também porque ele ainda acredita que pode controlar você de alguma forma.Ela ficou em silêncio.— Amanhã ele vai descobrir que não pode mais.Ela se levantou e veio até mim. Parou diante da minha cadeira.— Você está com medo? — tocou meu rosto.Minha mão







