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last update Fecha de publicación: 2023-11-19 11:47:32

- Este dia seria o aniversário do meu pai, mas por causa daqueles malditos que lhe tiraram a vida, ele não o pode festejar agora. -comenta o jovem José Luis com o seu amigo, num tom melancólico.

- Tenho a certeza de que, onde quer que esteja, vai festejar este dia, não como fazia quando estava aqui na terra contigo, mas vai gostar. - O amigo respondeu-lhe com muita tristeza, pois também ele estava triste com a morte dos senhores.

- Ainda me lembro como se fosse ontem quando o meu tio me deu a notícia de que os meus pais tinham morrido, na altura pensei que tinham tido um acidente de carro, mas o meu tio explicou-me que tinham sido mortos com uma arma.

- Sim, lembro-me que nesse dia tinhas um exame na escola e foi por isso que não te levaram nessa viagem e ficaste em casa dos meus pais.

- Eu teria preferido ir com eles, ainda não percebo porque não me quiseram levar, em vez de decidirem deixar-me com os teus pais, se assim tivesse sido, não estaria com saudades deles e com a dor da sua partida repentina.

- Não digas isso José Luís, tu sabes que és como um irmão e que me teria doído perder-te. Agradeço aos teus pais por não te quererem levar, deixaram-me um irmão aqui na terra.

- Juro pela memória dos meus pais que, quando souber quem é o culpado, o farei em pedaços com as minhas próprias mãos. -disse o jovem José Luis, fechando os dedos num punho com sede de vingança.

- Já passaram vários anos e a polícia não encontrou o culpado do duplo crime, nesta altura duvido que descubram quem foi. -comentou o outro jovem. Mas o que ele não sabia é que José Luís, já há algum tempo, sabia quem os tinha matado e por isso está agora a tentar vingar-se de Clara Isabel.

- Eu não perco a esperança que um dia os culpados, Alberto, sejam descobertos, tenho fé que isso vai acontecer e mais cedo ou mais tarde vamos ver essa gente sofrer.

- Bem, mas é melhor deixarmos esse assunto de lado porque o senhor fica muito mal disposto e depois anda por aí a ralhar comigo por tudo o que um dos seus empregados faz de errado.

E não és tu o vice-presidente desta empresa, tu é que és o responsável por manter a ordem aqui para que os empregados não cometam erros e venham ter comigo com queixas.

- És um mau amigo, sabias?

- Ha, ha, ha, ha, ha, sabes que é uma das minhas muitas piadas, não leves a peito, por favor.

- Lembras-te da rapariga da festa de há uns dias?

- Sim, a que dançou contigo. O que tem ela?

- Eu gosto dela, irmão. Aquela rapariga deixa-me louco e eu quero aproveitá-la ao máximo.  -O Alberto confessou.

- A sério? E já lhe contaste? -José Luís perguntou com curiosidade.

- Sim, já lhe contei e já estamos a sair para nos conhecermos melhor.

José Luís hesitou se devia ou não contar ao amigo sobre aquela rapariga, mas finalmente decidiu fazê-lo, não perderia nada se ele soubesse.

- Eu também ando com uma rapariga, e é a amiga que foi com a tua rapariga à festa.

- Foda-se, não me digas que já a comeste, mano. -disse Alberto, sorrindo porque sabe como o seu amigo é viciado em sexo e aquela rapariga parecia muito humilde.

- Podes acreditar que ainda não, pela primeira vez quero uma mulher para algo sério. - Ele mentiu, José Luís.

Alguns dias depois...

Clara Isabel está a fechar a ourivesaria, pois já terminou o seu dia de trabalho e o patrão pediu-lhe que a fechasse quando chegasse a hora, pois hoje teve de sair mais cedo por motivos pessoais.

De repente, vê um carro preto à porta da loja, mas não lhe presta atenção porque, como a rua é muito movimentada, pode ser qualquer pessoa que o tenha deixado ali.

De costas, vira-se e fica assustada e entusiasmada ao ver o rapaz dos seus sonhos ali parado com um ramo de flores e a sorrir para ela, que ficou atónita ao ver o seu sorriso perfeito e reagiu até ele falar com ela.

- Olá linda, aqui está uma coisinha para ti. -O rapaz falou, entregando-lhe o ramo de flores vermelhas e amarelas, a sua cor preferida.

- Quem as mandou para mim? -perguntou-lhe ela, franzindo o sobrolho porque, segundo ela, não era ele que lhas estava a dar.

- Ha, ha, ha, ha, ha, foi o mesmo que tas deu a ti, tonta. - esclareceu ele com um sorriso lindo, mas que faz a rapariga derreter-se só de o ver sorrir assim. -Meu Deus, já me estás a fazer cair nos encantos desta mulher! -diz ela para si própria.

- Obrigada, as flores são muito bonitas, e digo-te que combinaram com as minhas cores preferidas.

- Isso é ótimo, acho que estamos a começar a ligar-nos.

- Ha ha ha, isso foi pura coincidência. -respondeu ela, nervosa.

- Bem, como queiras. Venham, vou levar-vos a jantar, devem ter muita fome.

Os rapazes dirigiram-se no carro para um restaurante que, à distância, se podia ver que devia custar muito dinheiro por um único prato de comida.

-Este sítio parece que nos vai sugar a água dos olhos, mas se ele me trouxe aqui, é porque tem dinheiro para isso. -Pensou para si própria.

- Como é que passaste o teu dia? -perguntou o belo e perfeito rapaz, quando estavam a comer um prato de camarões a la diabla.

- Muito bem, e ficou ainda melhor quando recebi a visita inesperada de um rapaz com um lindo arranjo de flores. -disse-lhe ela e ele ficou com um sorriso no rosto que faria qualquer um babar-se por ele.

- Linda princesa, queres ser a minha noiva? -perguntou o rapaz de repente, e Clara Isabel até se engasgou com o sumo que estava a beber naquele momento.

- O que é que estás a dizer? -perguntou ela incrédula, pois não esperava que um homem tão bonito reparasse nela tão cedo.

- Eu sei que ouviste bem, mas vou repetir para teres mais certeza. - Queres ser a minha namorada? -Olha, se não me quiseres responder agora, não te preocupes, eu compreendo. Pensa e depois dá-me a tua resposta.

-Não preciso de pensar, claro que quero ser tua namorada, jeitoso. Ela respondeu-lhe muito entusiasmada, e assim deram o seu primeiro beijo como namorados oficiais.

Os dias continuam a passar e cada vez parece que andam à velocidade da luz e Clara Isabel está ainda mais apaixonada por José Luís, enquanto ele continua como sempre, a comer todas as mulheres que lhe chamam a atenção. Claro que o faz sem que a sua atual namorada saiba.

Nunca mais foi ao trabalho dela para a levar a casa, porque tem medo que alguém o reconheça e Clara Isabel perceba que ele é, de facto, um empresário milionário e não o braço direito do patrão, como ele a fez crer desde que se conheceram.

Uma vez, Clara Isabel pediu-lhe que a levasse a ver o seu apartamento, sim, ele disse-lhe que vivia num pequeno apartamento com os pais.     

Mas nesse dia ele disse-lhe que não a podia levar lá porque os pais não querem que ele tenha uma namorada, porque se ele se casar vão ficar à deriva porque ele é o único que trabalha para sustentar a casa.

- Não te preocupes meu amor, eu compreendo-te, e vais ver que quando os teus pais me conhecerem vão adorar-me. - repete a inocente rapariga, tentando que ele não se sinta mal com as acções dos pais.

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Último capítulo

  • FUGIR DO PAI DO MEU FILHO    FINAL

    Faz hoje dois anos que o tio de José Luis foi formalmente acusado e condenado a prisão perpétua. Mas, devido à sua doença e aos cuidados médicos pírricos que recebeu na prisão, morreu há dois meses.Antes de morrer, pediu às autoridades um último desejo, que lhe permitissem comunicar com o seu sobrinho José Luis. Mas este recusou, pois ainda estava magoado e tinha jurado nunca lhe perdoar.No entanto, no seu momento de agonia, o seu desejo foi satisfeito e José Luis foi vê-lo na clínica onde passava as suas últimas horas de vida. Ele não queria, por causa de todo o ódio que guardava no seu coração, mas tinha-se esquecido de que era casado com a mulher mais bondosa do mundo, aquela que, apesar de tudo o que tiveram de passar por causa daquele tio malvado, pediu ao marido que atendesse ao apelo do moribundo, para que todos tivessem paz nos seus corações.O homem chorou ao ver o sobrinho chegar finalmente, pediu-lhe perdão por todo o mal que lhes tinha causado. Também à sua frente, pediu

  • FUGIR DO PAI DO MEU FILHO    96

    Foi também presente à sala de audiências o seu tio, que se encontra numa cadeira de rodas, pois há poucos meses foi-lhe diagnosticada uma doença avançada de açúcar no sangue (diabetes), que teve uma recaída imediata e levou à amputação de ambos os membros e de dois dedos da mão direita.Clara Isabel, apesar de odiar o homem por ter matado a sua família, sentiu pena de o ver numa situação tão miserável, completamente dependente de outra pessoa. As autoridades encontraram-no em casa e capturaram-no.-Tens alguma coisa a dizer-nos sobre a nossa separação, tio? perguntou o irmão mau, referindo-se a ele e a José Luís.Filho, eu criei-te, tomei-te como o filho que nunca tive. Não quero que te humilhes perante este sacana que....-Chega tio, só quero que nos contes o que aconteceu, os nossos pais já não estão cá para nos contar, tu fizeste com que eles já não estivessem neste mundo.-Este idiota já te envenenou a mente, não acredites em nada do que ele te diz, ele é um milionário imundo e tu

  • FUGIR DO PAI DO MEU FILHO    95

    À medida que os dias passam, o pequeno Toni continua com o tio, é muito inteligente e sabe que o homem mau que o trouxe não é o seu pai, mas mesmo sabendo que este homem não é o seu pai, continua a não dizer uma palavra sobre isso, com medo que ele o possa magoar, e também não quer preocupar a sua mamã.Como é que ele descobriu que o homem que o leva para todo o lado não é o seu verdadeiro pai?Muito facilmente, esse homem não é nada carinhoso com ele, como o seu pai. Era apenas um bocadinho quando o tirou da mãe, sob falsos pretextos, para o levar consigo. O homem nem sequer lhe dá a mão quando saem, não se importa que o rapazinho caia e se magoe, a companheira do homem trata muito mal o rapazinho e o tio não faz nada para o impedir.A família e as autoridades continuam à procura do pequeno Toni, depois da chamada que localizaram e que acabou por ser uma busca falhada, não conseguiram localizá-los novamente, porque o homem se tornou muito cauteloso e não deixa o bebé falar durante ma

  • FUGIR DO PAI DO MEU FILHO    94

    Logo encontraram uns papéis que lhes chamaram a atenção por terem o logótipo da medicina, abriram o envelope selado e nele aparecia o nome de uma clínica muito famosa nos dias de hoje, e sim, encontraram a certidão de nascimento de José Luís, dentro do envelope há também um bilhete escrito com a letra do pai, nele contam a história de quando se conheceram e como foi a sua reação quando descobriram que estavam à espera de um bebé quando lhes tinham dito que nunca poderiam ser pais devido a um problema que supostamente a mãe dele tinha.Mas a alegria deles foi ainda maior quando descobriram que não era apenas um bebé que estava a caminho, eram dois bebés que se desenvolveram e ficaram no ventre da mãe durante nove meses, mas que no dia do parto, infelizmente, houve complicações e um deles não sobreviveu. -Clara Isabel leu para José Luís e cada um interpretará à sua maneira.-Não percebo como é que este homem apareceu e jura que é teu irmão gémeo, se os teus pais dizem que ele morreu à n

  • FUGIR DO PAI DO MEU FILHO    93

    Unidos por um único objetivo e uma boa causa, encontrar respostas para o desaparecimento do filho, o ex-marido e a mulher vasculham os papéis dentro de um cofre, o mesmo que não foi aberto desde que José Luís foi nomeado herdeiro legítimo de todos os bens e contas bancárias que os pais deixaram em seu nome antes de morrer às mãos do seu próprio familiar.Esse cofre pertencia ao seu pai e, na leitura do testamento que foi feito quando atingiu a maioridade, dizia-se onde estava guardada a chave para que o filho a abrisse e lá colocasse os papéis mais importantes da sua vida.-Há algum problema, pequenino? Vejo que não estás à vontade. -perguntou José Luis, vendo que ela acariciava a barriga e até se mexia para um lado, talvez por causa da forma como os filhos se mexiam dentro dela.-Estou bem, são os bebés que não param de se mexer.-Porquê? - perguntou o homem, enquanto as suas mãos morriam de vontade de acariciar aquela barriga linda e enorme.-Eles sentem a tua presença, bem, foi iss

  • FUGIR DO PAI DO MEU FILHO    92

    No final da conversa, reuniram-se todos na sala de estar da casa, onde contaram à polícia a chamada que o pequeno Toni tinha feito e, quase de imediato, um grande número de polícias chegou à mansão, trazendo consigo um aparelho que podia facilmente detetar a localização do número de telefone, bastando uma chamada de pelo menos três minutos para saberem o seu paradeiro.Era essa a estratégia de José Luís quando disse às raparigas para dizerem ao filho que lhe ligariam dentro de alguns minutos. O seu objetivo era ter aqui os peritos para procederem à respectiva investigação do caso.-Recomendo que lhes liguem de volta, presumo que não vão devolver o telemóvel ao menor para ele ligar. -disse o agente.-Faça-o menina, mas se ele atender, por favor tenha muito cuidado com o que lhe diz. Não digas ao nosso filho que o pai dele não é esse homem. -José Luís está muito nervoso, e não é para menos.Minha amiga, se o meu sobrinho lhe disser algo que não lhe agrade, controle-se, não se enerve por

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