INICIAR SESIÓNRAELSe alguém me dissesse, naquele dia em que eu cheguei com a moto toda suja da obra e joguei aquela lama em cima da Alexia, que ela ia ser a minha esposa… eu ia rir. Não porque eu não sonhava com ela, mas porque parecia impossível. Ela tava linda mesmo toda suja, bufando de raiva, com aquela cara brava que só ela sabe fazer. A gente se esbarrou naquele momento, literalmente, mas foi no baile que tudo recomeçou.Naquele baile, eu vi de novo a minha Alexia. A menina que eu amava desde pivete, que eu via brincando de amarelinha na viela com a saia rodando e rindo alto. Só que agora ela era mulher. Forte, decidida, cheia de feridas que o mundo fez, mas também com uma luz que só ela tem. E ali, mesmo sabendo que o mundo tava desabando em volta, eu escolhi amar ela de novo.Passamos por cada coisa… O morro virou campo de batalha, meu nome virou alvo, a vida virou guerra. Mas ela ficou. Mesmo com medo, mesmo sem entender tudo, ela ficou. Foi minha base quando tudo queria me derrubar. Teve
O sol apareceu tímido naquela manhã, filtrando os primeiros raios pela fresta da cortina do quarto. No ar, ainda pairava o perfume da noite anterior: mistura de amor, suor e promessas sussurradas no escuro. Alexia foi a primeira a abrir os olhos. Seu corpo ainda estava entrelaçado ao de Rael, que dormia sereno, com uma expressão que ela poucas vezes tinha visto: paz absoluta.Ela ficou ali, observando o marido, com o coração apertado de gratidão. Não era só pelo casamento, pela festa ou pela noite perfeita. Era pela jornada. Pela superação. Pela forma como eles haviam construído tudo, tijolo por tijolo, afeto por afeto.— Já tá me encarando, amor? — Rael murmurou, com a voz ainda rouca do sono.Alexia sorriu, passando a ponta dos dedos pela barba dele.— Tô só confirmando que não tô sonhando…Ele puxou ela pra perto e deu um beijo em sua testa.— Tá acordada, casada e mais linda do que nunca. — E completou, com um sorriso safado. — E toda minha.O celular vibrou em cima do criado-mudo
A festa ainda rolava solta na laje quando Rael puxou Alexia pela mão, os dois trocando olhares cúmplices, sorrisos que diziam tudo sem falar nada. Eles foram se esgueirando pelos corredores cheios de parente, amigos, abraços e música alta até finalmente chegarem à porta da casa que agora era deles. A nova casa. A nova vida. A nova história.Rael abriu a porta devagar e olhou pra ela.— Pronta pra ser só minha hoje e sempre?Alexia respondeu com um beijo. Daqueles demorados, molhados, que falam de amor, de saudade, de desejo e de promessas. Ele fechou a porta atrás deles. O silêncio ali dentro contrastava com o batuque da festa do lado de fora, mas o coração dos dois fazia mais barulho que qualquer som.A casa estava decorada com pétalas de rosas pelo chão e velas aromáticas espalhadas pelos cantos. Alicia tinha cuidado de tudo com carinho — e com um toque de ousadia. Na cama, um lençol vermelho novo, vinho no balde de gelo, uma playlist rolando baixinho com músicas que eles amavam.Al
O beijo selou a promessa, mas foi o som da comunidade vibrando que deu o tom do que viria a seguir. Fogos estouraram no céu como uma explosão de bênçãos. O morro inteiro parecia ter parado pra assistir aquele momento — não só porque Rael agora era o dono da quebrada, mas porque aquela história era deles também. Alexia e Rael representavam amor, superação, esperança.Assim que a cerimônia terminou, os noivos foram abraçados por Alicia, Suelen, William, Seu Allan pai de Alexia e Alana mãe da Alicia, Roberta mãe de Rarl. Era tanto choro, sorriso e emoção que parecia que a Rocinha tava vivendo um capítulo de novela.— Eu falei que ia ser o casamento do ano, né? — Alicia disse, com os olhos borrados de maquiagem e o coração explodindo de alegria.Alexia riu, apertando a mão da melhor amiga.— Foi muito mais. Foi um sonho real.O DJ aumentou o som...— Foi muito mais. Foi um sonho real.O DJ aumentou o som, e a batida do funk tomou conta da laje, como se o coração da Rocinha batesse ali, ju
2 meses depois do pedido de casamento.O sol nasceu diferente naquele dia na Rocinha. Era como se até o céu tivesse entendido a grandiosidade do momento. As nuvens deram espaço pro azul limpo, e o vento leve soprava uma calma que contrastava com a ansiedade que Alexia sentia no peito. Era o grande dia. Depois de tudo que ela e Rael tinham vivido — da guerra, da luta, da reconstrução — eles iam finalmente dizer sim diante de Deus, da comunidade e das raízes que sustentavam os dois.A Laje da Vitória foi transformada num verdadeiro altar ao céu. Alicia, Suelen e a equipe de apoio estavam ali desde cedo, montando cada detalhe com carinho. A decoração trazia o branco predominante, mas com toques de dourado e verde, lembrando esperança e renascimento. Luzes penduradas cruzavam o teto como estrelas artificiais. As cadeiras foram cobertas com tecidos simples, mas delicadamente amarrados com fitas de cetim.No centro, um arco rústico de madeira com flores brancas e lavandas naturais marcava o
Seis meses. Seis meses se passaram desde que Rael assumiu o controle da Rocinha. E naquele início de noite, sentado na laje de casa, de frente pro morro iluminado e pulsando vida, ele refletia.— Seis meses... parece pouco, mas é uma eternidade quando se carrega a responsa de tanta gente, tantos sonhos, tantas dores. — murmurou ele, encarando o horizonte.Desde que assumiu, a comunidade tinha mudado. As ruas estavam mais tranquilas, os bailes rolavam sem violência, o comércio prosperava, a molecada podia brincar na rua sem medo. O que antes era só sobrevivência virou vida de verdade. E um dos marcos mais fortes dessa nova era foi a aliança com o Borel.Rael tinha sentado com o Sheik e com o PV várias vezes. As tretas antigas ficaram no passado. Agora era troca de ideia, ajuda mútua, proteção pros dois lados. E o povo sentia isso, sentia a força da união. Não era só questão de segurança — era respeito, era construção.— A Rocinha e o Borel tão mais fechados que nunca. E é disso que eu







