FAZER LOGINDominique Rodrigues
Meu Deus! O que estou fazendo debaixo do chuveiro de Gael Dvorak? Estou mesmo me preparando para transar com ele? Me sinto uma prostituta contratada na esquina ao mesmo tempo em que anseio por aquele homem me possuindo. Poucos minutos após decidir que transaria com Gael, minha convicção já estava em 30% e caindo. Me sequei com uma toalha macia que encontrei em uma gaveta no móvel do banheiro e vesti a mesma roupa, com exceção da calcinha que enrolei em papel higiênico e enfiei na bolsa, sem coragem de vestir novamente depois de horas usando-a e com receio de alguém encontrar se jogasse na lixeira. E mudei minha decisão. Simplesmente diria a ele que me arrependi. Ele não podia me obrigar a nada. Quando finalmente consegui coragem para sair do banheiro, o encontrei sentado na cama com uma toalha enrolada na cintura e servindo vinho em duas taças. Por alguns instantes fui hipnotizada pelo seu peitoral. Era o tipo de corpo que só se vê em galãs e modelos. Músculos bem distribuídos e nenhum sinal de pelos. Confesso que desejei saber se atrás da toalha também não havia pelos. Cheguei a morder o lábio com força em busca de controlar minhas mãos que estavam loucas para deslizar naqueles músculos. Fiquei encarando até que ele me notou e arqueou uma sobrancelha. — Por que está com essa roupa? Não tinha um roupão no banheiro? — Tinha, mas eu... eu vou embora — dei-lhe as costas pela segunda vez. Era muita tentação. — Você, por acaso, é do tipo que gosta de ver um homem insistir? — o escutei deixando as taças sobre a pequena mesa que estava próxima a cama. E senti sua respiração quente no meu pescoço antes que seus lábios tocassem minha pele sensível. Estremeci. Foi impossível controlar a reação do meu corpo. — Não é isso, senhor Dvorak. Eu realmente não devia ter vindo. Eu bebi e costumo fazer besteiras quando bebo — argumentei atropelando as palavras. — Você costuma ficar mais fácil quando bebe? — perguntou me segurando pela cintura. Eu só conseguia pensar que estava sem calcinha. — Interessante. Fiz bem em abrir esse vinho — senti o seu sorriso contra a pele do meu pescoço. — Estou falando sério — tentei me esquivar de outro beijo no meu pescoço. O toque dele me fazia ficar tonta. — Isso é errado. O senhor é o chefe do meu chefe. — Por que? Acha que está sendo forçada por eu ser dono da empresa? — ele se afastou bruscamente e senti muito frio, como se de repente estivesse nevando só em mim. — Se você não quer, eu não vou obrigá-la. Mas foi muita maldade sua aceitar vir até aqui só para me dizer não. É muita crueldade porque te desejei desde o primeiro momento em que te vi — ele se fazia de magoado, mas sua voz era mais sensual que triste. Desgraçado! Sabia que eu estava caidinha. Havia uma força muito idiota que me conduzia ao erro. Quando me dei conta, já estava segurando o braço dele. — Eu quero. Desculpe por parecer confusa. — Eu tinha que parar de ter medo. O medo atrapalha vivermos nossos melhores momentos. — Também me senti atraída desde o primeiro momento em que o vi. Só que nunca achei que olharia para mim. Estava decidido, se já comecei errando que completasse o erro. A minha primeira vez seria uma aventura de uma noite com Gael Dvorak. Tinha era que agradecer aos deuses por estrear no sexo dessa forma. Não pretendia dizer para ele que era a minha primeira vez, mas também não pretendia fazer malabarismos para mostrar que sei alguma coisa. Apenas seguiria os meus instintos e se fosse ruim sairia correndo sem olhar para trás. Gael não parecia muito convencido. Havia sentado na cama novamente e me analisava da cabeça aos pés. Me aproximei um pouco antes de perder a coragem. — Se não me beijar agora acho que a coragem vai abandonar o meu corpo — confessei. Vi o sorriso nascer nos lábios dele e logo senti suas mãos me puxando contra o seu corpo. — Eu sei que está sem calcinha — sussurrou no meu ouvido antes de me envolver em um beijo alucinante, onde nossas línguas travavam uma batalha sem vencedores. Flashs de lucidez me mostraram o momento em que o meu corpo foi de encontro ao colchão macio, o momento em que Gael se livrou das minhas roupas e da sua toalha. Ele era tão lindo quanto aqueles modelos de sunga que nos fazem babar. Seus toques me deixavam meio que perdida, muitas vezes me agarrava aos seus cabelos macios, levada pelas sensações, ou agarrava as suas costas sem ligar para o que minhas unhas podiam fazer. Ele parecia gostar porque gemia de um jeito que aumentava o meu tesão. Por falar em gemidos, isso era o que mais saia da minha boca. Quando ela não estava ocupada beijando a sua pele cheirando a sabonete de ervas ou seus lábios com gosto de vinho. Ele me encarou um pouco confuso quando deixei escapar um grito mais alto ao senti-lo dentro de mim pela primeira vez. Aquela dor aguda me incomodou um pouco e ele parou os movimentos me olhando como se quisesse perguntar. Acabei rindo da sua cara de apavorado e o puxei pelo pescoço beijando-o com intensidade. E ele entendeu que nada me faria parar. Enquanto nos movíamos cada vez mais alucinados, meu único pensamento era em como seria bom fazer amor com Gael Dvorak todos os dias. * Senti um cheiro gostoso de pizza e respirei fundo imaginando quem na pensão havia comprado. Foi só ao ouvir uma voz máscula e autoritária sussurrada perto do meu ouvido que recordei que não estava na pensão. Meus olhos se arregalaram assim que ouvi: — Acorda, bela adormecida!Enfim, o casamento Zeen Ohana estava tão linda vindo em minha direção que não havia palavras que eu pudesse usar para descrevê-la. Enquanto ela seguia em direção ao altar onde eu estava aguardando ao lado dos meus primos, que certamente estavam vidrados em suas noivas, meu coração dava saltos. Dos quatro homens no altar, um não era Dvorak, mas aguardava por uma. A bastarda mais incrível que o mundo já viu. Por um momento, consegui desviar meus olhos o bastante para notar as outras três mulheres que também era maravilhosas, apenas não chegam aos pés da minha esposa. Todas estavam de branco, mas cada uma no seu estilo. Dominique, a mulher que fez com que tudo em minha vida seguisse por um caminho diferente, usava um vestido que lembrava a calda de uma sereia, sem decote e sem mangas. Olhando-a, lembrei de quando a conheci, de quando quase a matei, e principalmente me perguntei se ela foi a chave para eu chegar até a mulher que amo. Será que mesmo que se ela nunca encontrasse Gael e s
OhanaVoltamos cedo para casa. O casamento seria a tarde, em um clube muito famoso por casamentos de pessoas famosas. Precisávamos acordar cedo para não ter problema com horário.Tomamos um banho um pouco demorado, obvio. E quando saímos, me sentei na cama pronta para dormir e Zeen foi até uma mesinha no canto e pegou algo em uma gaveta.Ele veio e se sentou ao meu lado, segurando a minha mão e colocando o objeto nela.— Que linda! — Tratava-se de uma pulseira feita de pedras e couro.— Eu queria te dar isso. Era para ser da minha mãe, mas ela faleceu antes que eu pudesse terminar. Ficou inacabada até eu conhecer você.— Isso é importante para você. Não posso aceitar. Não quando nosso casamento foi só para que recebesse sua herança.Era o momento certo de conversamos sobre isso. Não podia esperar mais.— Ainda acha isso? Eu te amo, minha bobinha linha — disse tocando o meu rosto com as pontas dos dedos. Tão suave.Demorei um pouco para assimilar suas palavras.— Ama? Desde quando? — q
OhanaA noite chegou rapidamente. Me arrumei. Era uma festa da empresa Dvorak, alguma comemoração. Estou tão empolgada com o casamento que nem cabe maiores informações na minha mente.Zeen estava lindo no seu estilo social rebelde, enquanto eu me limitei a um vestido preto, justo, na altura dos joelhos.Chegamos na festa e fomos direto até os meus irmãos e minhas amigas. Estou treinando chamá-los assim.Estávamos conversando animados quando Gael comentou:— Gostaria que trabalhasse conosco, Ohana. Você pode ficar com o andar do preguiçoso do Apollo.— Ai eu finalmente teria paz. — Apollo comentou rindo.— Quem disse que vou deixar minha mulher nessa empresa sozinha? — Zeen apertou um pouco a mão que estava na minha cintura.— Ela estaria entre irmãos.Eles começaram a discutir antes mesmo que eu desse uma resposta. Levantei a mão pedindo que parassem e, quando acabou a pequena discussão, perguntei:— A sua mãe acha o que disso?— Eu ficaria contente se aceitasse. — A mulher chegou por
Ohana— Falta três dias? Meu Deus, não vejo a hora. — Dominique deu pulinhos. — Ai!Escondi o riso com a mão diante da careta que ela fez ao ser espetada. Tão poucos dias e eu já estava quase sentindo nossa convivência como algo natural. São mulheres maravilhosas.— Fica quieta ou vai se casar toda cheia de buracos de alfinetes. — Ayla falou enquanto víamos o balançar de cabeça da mulher que lutava para deixar o vestido de Dominique perfeito.— Você está linda com esse vestido. Acho vestido de noiva a coisa mais linda — comentei lembrando de como as revistas sobre casa e casamento me encantavam. — Por que não sobe ao altar conosco? A estrutura que está sendo montada caberia facilmente mais dois casais.— Eu... — Seria impossível, o casamento é amanhã.— Isso mesmo. Se você acha vestido de noiva algo lindo precisa usar, não pode ficar só no casamento no cartório.— Eu não sei. Essas coisas precisam de tempo. — Eu já estava me imaginando em um daqueles vestidos. Zeen disse qu
OhanaMe senti um pouco acuada quando me vi sem Zeen ao meu lado, indo para um bar com minhas novas amigas. Demoraria um pouco para eu me acostumar a ter amigos, irmãos... O engraçado é que não demorou nem um pouco para eu me acostumar com Zeen.Entramos em um bar onde tocava uma música suave. Quase tudo era de madeira e predominava o preto.Rubia dizia que a noite seria como uma pré-despedida de solteiras. Já que em poucos dias as três estariam se casando.— Você não bebe nada com álcool? — Dominique perguntou quando pegamos o cardápio e eu escolhi um coquetel de frutas sem álcool. — Minha mãe proibia por causa dos remédios e eu tinha medo de beber e fazer besteira. — Sorri fraco. Lembro que na época, por me ser proibido, eu achava bebidas alcoólicas um mistério que deveria ser delicioso. — Claro que já experimentei escondido e depois que soube a verdade enchi a cara, mas não gosto. É superestimada.— Tem um monte de bebidas gostosas. Você nem sente o álcool. — Dominique comentou.
ZeenMinha primeira noite só com os trigêmeos depois de muitos anos. As suas noivas convidaram Ohana para uma noite de meninas e eles me chamaram para beber. Me recordo bem que era algo como um ritual que eles faziam nos aniversários.— Ultimamente estamos fazendo muito isso — Matteo comentou.Olhei os três disfarçadamente. Pareciam felizes apesar da tragédia de perder o pai. Deviam estar completamente apaixonados por suas noivas, só isso explica não desabarem e conseguirem ser o amparo que minha tia precisa nesse momento. Será que a minha expressão é como a deles? Porque garanto que estou perdidamente apaixonado por uma certa loirinha.— Antes era um ritual do nosso aniversário. Percebo que está se tornando um ritual sem data marcada. — Gael completou o comentário do irmão.— A culpa é do Zeen! — Matteo revirou os olhos. Ele ainda soltava algumas faíscas em minha direção algumas vezes. Era inevitável considerando o nosso passado. Eu sempre achei que ele fosse o responsável pela morte







